sábado, 11 de agosto de 2007

Classe média

A classe média não é aquela que apóia Lula. Nem poderia. É aquela que vaia, e com razão.

Sabe-se que os serviços básicos no Brasil vão de mal a pior. Nos hospitais públicos, filas e mais filas, para um atendimento precário e sem confiabilidade. Nas escolas, qualidade inferior, infraestrutura inexistente, deficiências e mais deficiências. Transportes, em quantidade insuficiente e qualidade nula. E por aí vai.

O que faz a classe média? Quem pode, substitui o público pelo privado. Planos de saúde, escolas particulares e transporte próprio. Qual é a conta disto?

Na saúde, a ANS regulamentou a relação com as pessoas físicas. Resultado? As operadoras passaram a atender preferencialmente pessoas jurídicas. Errado? Não acho. Acho que o governo erra quando acredita que tudo se resolve por decreto.

Nas escolas, a qualidade custa. E não é pouco. Paga a escola particular quem pode, ou quem sacrifica outras coisas em função da educação. Que no Brasil não é prioridade, mas apenas figuração.

Transportes? Os coletivos não insuficientes e de abrangência restrita. Na cidade de São Paulo, o metrô seria uma resposta eficiente para diversos problemas, se sua malha fosse maior. Não é.
Infraestrutura de transportes? Passeie um pouco pela Dutra, e veja a quantidade de caminhões por ali. O primeiro pensamento é: onde estão as ferrovias? Não, não existem. A saída é utilizar caminhões, pesados, perigosos, caros. E o Brasil vai perdendo competitividade por causa de seu custo.

A revista Veja da semana passada trouxe um ótimo raio x da infraestrutura, vale a pena ler.

Mas o ponto é: quanto é que custa tudo isto?

Um plano de saúde, digamos, R$ 200,00 (média) por pessoa. Escola, R$ 500,00 por aluno. Transportes, digamos R$ 500,00 entre gasolina, pedágios, estacionamentos. Eu pagamos uma dessas coisas, temos um custo estimado de R$ 1.200,00 por mês. Um mil e duzentos reais por mês.

Mais de três salários mínimos. É o custo da omissão do governo nas questões obrigatórias. Saúde, educação, transportes. R$ 1.200,00 por mês. Ou R$ 14.400,00 por ano. Para uma pessoa, com um dependente na escola. É pouco?

É o suficiente para vaiar Lula. Que, com suas bolsas-qualquer-coisa, ilude o andar de baixo, como diria o Gaspari, que come melhor e acha que seus problemas estão resolvidos.

Ao final do oitavo ano de mandato do presidente Lula, teremos gasto R$ 115.200,00 (cento e quinze mil e duzentos reais) com essas futilidades de transporte, saúde e educação. Mais de cem mil reais. Vaia nele.

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