sexta-feira, 13 de julho de 2007

Respeito

Estes dias, uma amiga me ligou e me chamou para jantar. Vamos. Fomos. Um papo estranho, um astral contaminado. Levei uma bronca! Como é que eu podia estragar minha vida assim? Assim como, disse eu, já preocupado com minha inconseqüência?

O problema é que eu não tinha namorada. Onde é que estava com a cabeça? O que iria fazer quando, velho, precisasse de ajuda? Como é que eu podia viver sem ter com quem desabafar? Como é que eu podia viver sem ter alguém que me confotasse nos momentos difíceis?

Interessante!

Mas, veja, minha amiga, esse não é o ideal de companheira que tenho. Pelo que sei, há enfermeiras. Que cuidam de nós quando não estamos bem. E há os CVV, que nos socorrem nos momentos difíceis.E, para o resto, estou me lixando.

O caso é que essa minha amiga estava muito brava. Muito. E falou comigo naquele tom de quem está bravo.

Será que eu dei a entender que precisava disto?

Minhas conversas com minha filha são ponteadas pela educação. E pelo respeito mútuo. Que inclui o respeito pelas posições assumidas pelo outro, independentemente de nossa aprovação ou concordância. Em suma, cada um faz suas escolhas, e convive com elas. No erro, continuamos aqui, amando incondicionalmente. No acerto, a alegria de um é a felicidade de outro. Mas uma coisa é certa: não invadimos o espaço alheio.

Eu sempre louvo esse tipo de comportamento. E a minha filha também. Invasões não são mais que isto: invasões. Uma violência da qual não gostamos. E não aprovamos.

E tem mais, minha querida e brava amiga. Quando eu estiver procurando alguém (o que não vai acontecer, pois acredito que as coisas acontecem por si), não me basearei nas minhas necessidades, presentes ou futuras. Uma parceira, companheira, esposa, tem de ter suas qualidades intrínsecas. Baseadas nos seus valores, na sua vida, nas suas crenças. Não importa se vai me suportar na velhice, ou se vai aliviar meus maus momentos.

Enfim, minha amiga, não temos a mesma visão sobre motivos e futuro. Estou bem, lamento que você não concorde. Lamento mais, lamento que você ache que sua raiva me fará desacreditar nos valores que cultivo. E lamento que você, seja qual for o motivo, desrespeite minhas decisões e posições sobre minha própria vida.

Assim nascem os tiranos. Felicidade é relativa e subjetiva. E eu, aqui, mesmo preso em meu mundinho, me sinto bem feliz. Deste jeito que sou.

A propósito, minha amiga: adeus!

Um comentário:

  1. Renato,
    concordo com vc, muitas vezes namorada,esposa,marido tem é mais atrapalhado do que ajudado.
    Para conversar temos amigos,
    para cuidar de nós temos os filhos,
    "tadinhos", ou mesmo a família.
    A vida não se resume nisso.
    Beijos e sucesso.
    Lilian.

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