terça-feira, 3 de julho de 2007

Ponto e contraponto

O Ponto
Quando me propus a escrever este blog, uma premissa era a de não falar sobre a vida profissional. Por outro lado, não seria fiel às efemérides de minha vida se, vez por outra, não mencionasse algo.
Ontem foi um dia bem especial, em que recebi uma notícia feliz. Vencemos uma concorrência para sermos fornecedores de uma importante empresa brasileira.
O certame foi marcado pela técnica e competência, o que aumenta o orgulho pela escolha. Do lado do cliente, um script baseado em história e técnica indicaram os candidatos na concorrência.
Do lado do concorrente, uma lisura, atesto sem receio, digna de nota. Postura sempre ética, leal e cordial.
O resultado era imponderável. Podíamos ganhar, como podíamos perder. Pelos critérios adotados, ganhamos. E, num mundo como este em que estamos, uma vitória assim, eivada de certezas éticas, é um bom sinal para todos.

O Contraponto
Tenho certeza de uma coisa na concorrência mencionada acima: os valores financeiros envolvidos não são desprezíveis. Apesar disto, imperou a ética. Quando vejo as notícias, concluo que o mundo privado ainda está melhor que o público. Não que esta seja a regra das concorrências exclusivamente privadas. Há negócios tão cheirosos como os há denunciados nos jornais. Mas há estes, em que as partes (todas) resolvem deixar que competência e técnica imperem, apesar de valores envolvidos.
Leio na Folha que parentes de um ministro ganharam contratos com o governo. Vejo desdobramentos de denúncias de corrupção na Infraero. E por aí vai...
Que bom, para a minha alma, que não sou mais do mundo autárquico-governamental!

O Pesponto
Rudy Giuliani assumiu a prefeitura de Nova Iorque com altos índices de criminalidade. Com ações voltadas a dificultar a ação de criminosos, adotou uma postura de exemplo: se os crimes "menores" eram punidos rigorosamente, os maiores também o seriam. Este lógica levou a cidade a ser um modelo de gestão contra a criminalidade, que realmente diminuiu.
No Brasil, a lógica do exemplo também acontece, mas no mau sentido. O novo presidente do Conselho de "Ética" do senado devolveu o processo por erros processuais originados por... Renan Calheiros.
Estabelece-se uma lógica de beneficiar o acusado por conta de ações do próprio acusado. Descaradamente, uma ação entre amigos. Assim, com a terceira figura da república, aquele que pode vir a substituir ou suceder o presidente em caso de impedimento, temos um bom exemplo de que amigos existem. Giuliani faria o que? E nós, o que faremos?

Um comentário:

  1. Ponto, pesponto...
    parece até título de costura.

    Adoro ler o que vc escreve.

    Parabéns!!!!

    Lilian.

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