segunda-feira, 23 de julho de 2007

O mundo e o acidente

Desculpem, mas preciso insistir no caso do acidente da TAM. Eu viajo, tenho amigos que viajam, meus colegas de trabalho viajam, sempre de avião. Podia ser um de nós. Podia ser minha filha, minha família pranteando minha ausência. O acidente poderia mesmo acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar. É justo culpar o governo? Acho que sim. Sua inação, omissão e procrastinação fazem dele um culpado especial.

Se fosse um fato isolado, menos mal. Mas não era. Era o ponto infelizmente culminante de uma novela que se arrastou por dez meses, e espera-se que se encerre agora.

No momento em que fez alguma coisa, fez o óbvio, ou seja, o que o Brasil exigiu por dez meses.

Já escrevi tudo isto, parece idéia fixa. Mas o Financial Times, jornal Britânico, diz o mesmo, com mais competência e credibilidade que eu. Mas infelizmente não será ouvido, como eu. Talvez algum top-top-top-assessor venha a dizer que a matéria do jornal é uma invasão à soberania nacional. Talvez alguém venha a dizer que o jornal deveria se ocupar da morte de Jean Charles. Talvez algum petista ataque o jornal, dizendo ser ele um braço do esquema César Maia (que teria se aliado a extraterrestres) para derrubar Lula, enxergando complôs como só mesmo um petista (governista. Ainda há os petistas puros, felizmente) enxergaria.

Hoje, dia de chuva, o aeroporto está fechado. Não, está aberto. Pera, está fechado. Desculpe, está aberto... sei lá. Não dá mais para saber. Como resposta à crise, uma bagunça. Que tem o condão de nos dizer o seguinte: se o governo manda abrir-fechar-abrir-fechar Congonhas em caso de chuva, sim, Congonhas tem problemas. Que não foram enfrentados. Pelo mesmo governo agora acionando o comando do portão eletrônico.

Nunca um mandato foi tão longo!

Um comentário:

  1. Já me disseram que se eu morresse a família festejaria, nunca "prantearia"...

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