quinta-feira, 19 de julho de 2007

Mea culpa - mas nem tanto

Cedo demais
No calor da emoção, culpei o governo pelo acidente da TAM. Agora, de cabeça mais fresca, faço coro à jornalista Dora Kramer, que na Band News disse que, se não podemos culpá-lo, não podemos absolvê-lo. Porque são dez meses em que ora ele esteve indiferente à crise; ora foi sarcástico, irônico; ora foi incompetente; ora foi arrogante. Enfim, em momento nenhum o governo enfrentou o problema. Se tivesse feito sua parte, talvez agora ninguém se lembrasse dele nesta tragédia.

TAM
Começou como Táxi Aéreo Marília. Com o comandante Rolim recebendo os passageiros na porta do avião. Um dia, virou a TAM que conhecemos hoje. Marcada pelos contratempos, pelo azar. Caiu um avião em Guarulhos. Depois, explodiu alguma coisa num de seus aviões que abriu um buraco na fuselagem, uma história mal-explicada até hoje, mas que parece não ter tido qualquer culpa da empresa. Aí, perdeu uma porta em pleno vôo. Sen fundador morreu num acidente de helicóptero. Foi o pivô da crise do final de 2006, aeroportos lotados, quem não se lembra? Agora, isto. Pena.

Pousos
Fiz várias menções aqui neste espaço sobre os pousos da TAM, sempre muito suaves, perto dos da Gol. Queimei a língua.

Entrevistas
Na entrevista coletiva de autoridades em Brasília, os papéis conhecidos. Tecnocratas se defendendo e defendendo a burocracia, o presidente da TAM cheio de dedos para não falar nada inadequado, os burocratas maiores cheios de discurso. Mas o que me impressionou foram os repórteres. Como se caçassem bruxas, alterados, cheios de versões e hipóteses, raiando a falta de educação ao perguntar. Respostas contaminadas por parte do entrevistado já se espera. Mas esperava, da mídia, comportamento mais eficaz, sem pré-julgamentos, justamente para formar juízo. De novo, pena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário