quinta-feira, 26 de julho de 2007

Insegurança

Na grande maioria das vezes, as discussões são travadas por insegurança.

Uma parte, pela insegurança gerada pela possibilidade de estar errado. A pessoa defende suas posições a ferro e fogo, e contra o argumento não há fatos: não pode ser convencida de eventual erro. Possibilidade aliás inexistente e blasfema.

Outra parte, pela insegurança em relação ao desconhecido. Ao assumir uma verdade "nova", a pessoa sai de sua zona de conforto, para uma desconhecida, ainda inexplorada. E isto é doloroso, particularmente para algumas pessoas.

Em ambos os casos, Daniel Goleman (Inteligência Emocional) diria que houve o "seqüestro" (permanente, completo eu) da razão. Que deu lugar à uma emoção, qualquer que seja.

Como resultado, diversas disputas sem sentido, sem nexo e sem solução. Posições assumidas a priori e baseadas num nada em termos de fatos, mas num mundo de sentimentos. E é aí que as coisas se complicam.

Numa relação entre povos, por exemplo, é o adubo da guerra. A intolerência, a intransigência, a falta de respeito. E não é diferente entre pessoas. Nestas, podemos ver, observando de fora, os sinais da degradação da razão em função da contaminação pela emoção.

Aliás, contaminação é o termo que usa Stephen Covey (Os sete hábitos de pessoas muito eficientes/eficazes) para tratar deste assunto, A história da pessoa contamina os julgamentos atuais e os futuros. E, respondendo a um carimbo colocado em algum momento passado, julgamos todos os atos a partir desse momento classificador. E nossas relação estarão caminhando inexoravelmente para a destruição. Algumas em maior velocidade que outras, mas o destino é certo.

A única forma de evitar esse estado é a entrega franca e sincera da verdade percebida à outra pessoa. Somente se a pessoa reconhecer esses "carimbos" emocionais, apresentá-los à outra parte e tratar deles sinceramente é que a relação tem salvação.

Mas não é fácil. Afinal, a abertura se dará com quem estivemos ainda há pouco em guerra. E nada garante que será diferente no futuro. Ou seja, há um déficit de confiança por suplantar, um obstáculo ainda alto por superar. E poucos conseguem.

Quando esse comportamento é dirigido a todos, indistintamente, o caso torna-se ainda mais complicado. Como padrão de resposta, a pessoa oferece sempre o mesmo repertório: o de defesa, o de ataque, o de reclamar, o de se fazer de vítima... escolhe aquele que, um dia, lhe rendeu resultados que lhe pareceram adequados. E seu script de vida é montado a partir dessa percepção.

Todos somos assim, em maior ou menor grau. Mas pessoas que exageram na defesa própria (comportamento dissfuncional) acabam afastando de si aquelas pessoas que têm o poder de escolha (da companhia). O que não é o caso da maioria dos familiares, que acabam suportando-a justamente por esse laço. E a pessoa não percebe que, ao longo do tempo, acaba afastando muitas das pessoas que a rodeiam. A tristeza chega, mas o real motivo não aparece.

Enfim, o resultado de um comportamento defensivo é a falta de ter que se defender. Mas quer dizer, em última análise, que na verdade é falta de ter com quem se relacionar.

Há pessoas que dizem que não engolem sapos, que não levam desaforos para casa, que não conseguem ficar caladas. Permito-me dizer que essas pessoas escolheram agir assim. E que, por essa "escolha", decidiram também pagar o preço inerente: o de ser uma pessoa difícil.

Precisam de ajuda. Mas, como diz aquele velho ditado, "não adianta levar o burro para beber água se o burro não está com sede". A ajuda precisa ser desejada.

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