sexta-feira, 20 de julho de 2007

Implicância?

Há quatro coisas que minha filha não quer que eu faça:
  1. Pintar meus cabelos;
  2. Uma tatuagem:
  3. Saltar de pára-quedas; e
  4. Comprar uma moto.
Não basta eu dizer a ela que no caso do salto de pára-quedas dar errado, tenho direito a outro. Ela não quer saber. Tatuagem? Nunca me atraiu. Pintar meus cabelos? Não, acho que não. Não combina com minha circunspecção.

Já comprar uma moto...

Em 1996 o então Presidente Fernando Henrique Cardoso vetou um dispositivo do código de trânsito que proibia o trânsito de motocicletas entre as faixas de rolamentos de veículos, entendendo que isto retirava delas a agilidade que era sua grande vantagem.

Os resultados não podem ser atribuídos exclusivamente a isto, já que as motos já circulavam entre os veículos antes da lei . Mas impediu uma ação coercitiva que poderia conter um pouco do problema. Mais grave, decorridos onze anos dessa oportunidade desperdiçada, a costura é cultural (costural?) entre os motoqueiros. Quem se habilitou nesse período nunca dirigiu de forma diferente, o que torna bem provável que tenhamos sérios problemas se resolvermos um dia enfrentar essa situação.

Hoje, levando minha filha para atendimento médico, vi um vulto que, atrás de meu carro, saiu da minha direita, me ultrapassou pela esquerda ee foi embora. Poucos metros adiante, ao fazer uma manobra sobre um carro que, parado no sinal iniciava um movimento, o previsível choque. Pela direita, novamente. O motoqueiro foi projetado sobre uma amurada dessa pista, caindo, felizmente, ainda nela e não do outro lado, o que seria uma queda muito maior.

Caído, já nem levantou. Machucou-se bem, a ponto de não reagir a nada. A motorista do carro, acredito que assombrada pelo ocorrido, desceu bem lentamente, letargiada pelo susto. Fomos embora rápido, pela nossa emergência e pela inutilidade de ficar olhando o pobre ferido.

Já contei neste espaço que, certa vez, num pedido de esfihas (não vou dizer a loja, preciso?), foi-me prometida entrega em 28 minutos, ou eu não teria de pagar. Demorou mais, era um dia de chuva. Ao finalmente receber a encomenda, fui brincar com o entregador/motoqueiro, dizendo que não precisaria pagar. Ele conferiu os dados do pedido e disse, sem ânimo, que era correto. Pela reação, quis saber o que o afligia. Bem, é o seguinte: eu não pago, mas o entregador sim. A lógica da esfiheria é óbvia: alguém tem de pagar. E é o motoboy, que ganha o que, R$ 2,00, R$ 4,00 por entrega?

Talvez eu tenha sido engambelado pelo motoboy, é verdade. Mas não acho. Pelas histórias que a gente conhece, deve ser mesmo verdade.

A conseqüência é ruim, o perigo é grande, as perdas são enormes, mas o capitalismo ainda se beneficia disto. Não pedi mais comida desse restaurante, claro.

À vista disso tudo, preciso dizer à minha filha que moto, realmente, é uma coisa que não quero.

Nenhum comentário:

Postar um comentário