quinta-feira, 12 de julho de 2007

Espaço político?

Estava revendo alguns textos deste blog, e concluí, não sem tristeza, que muitas das abordagens falam de política. Aviso: esta será mais uma.

Não é o propósito do blog. Que deveria ser sobre meus dias, minhas lembranças, minhas experiências. Mas as ações do governo e seus representantes têm impacto direto em nossas vidas. Mais: como deixar de reagir perante tantos desmandos, tanto cinismo?

Nós, que não somos baratas kafkianas, reagimos. Quando um senador diz que não sabe do que está sendo acusado, mesmo que o assunto esteja na efervescência total, só pode ser cinismo. Cinismo ofensivo, pois nos trata como completos idiotas alienados. O que não somos. Eu, pelo menos, não visto a carapuça. Quero respostas, embora minha vontade não tenha conseqüência maior que uma brisa tem sobre um carvalho. Ou seja, eu sozinho nada sou e nada posso.

Não importa. Importa que não concordo, e minha discordância é expressa nestas mal digitadas linhas. Um desabafo mudo, isolado, escondido. Mas uma posição. Acho que não mudarei nada neste mundo. Como não mudaria se contasse como foi engraçado ou triste qualquer fato de minha vida (propósito do blog). Mas escrever é isto, o resultado pode não existir, mas as palavras ficarão.

Mas uma coisa tem me intrigado, e é a falta de reação popular. Conversas de bar, taxistas, etc., existem, mas são superficiais. Como se as coisas acontecem espontaneamente, não por uma inércia moral-administrativa. Se o senador cair, qual a conseqüência? Qual a causa? Qual a lição? Vazio, um grande vazio na reação popular.

Certa vez, numa palestra a um grupo de estudantes de uma escola da periferia, observamos que alguns assuntos lhes eram totalmente estranhos. Assuntos abordados pela Veja, pelo Jornal Nacional, assuntos comentadíssimos, mas desconhecidos. Envolvimento, mesmo, somente com assuntos diretamente relacionados a eles. Empregos, violência, polícia (no mesmo tópico da violência). Falávamos de constituição, e eles queriam saber o que tinha a ver com eles. Justiça, artigo de luxo, era para ricos, não para eles. Corrupção, como eles poderiam saber disto? Não tinham poder para serem corrompidos, não tinham dinheiro e motivos para corromper. Corrupção era, então, uma lenda urbana. Podia até existir, mas tão distante de suas realidades que jamais se sensibilizariam com ela.

Hoje, o quadro pode ser pintado com as mesmas cores. Chego em casa, quero saber como está minha filha. Conversamos sobre diversos destes assuntos, mas por uma imposição nossa. Mais minha, na verdade. E crio, nessa condição, uma estranha num ninho em que a malhação e os namorados da Sandy são muito mais importantes que as vacas do senador.

As mães que têm sua comida por fazer, roupa por lavar e passar, os pais cansados (tanto quanto as mãe?), os filhos com suas internet, como podem cuidar dessa oeirntação dos filhos? Como pode caber, no dia-a-dia enlouquecido da rotina, o futuro do Brasil?

Assim, mesmo perante tudo isto, vou seguindo com o blog. Ora falando de política, ora de outra coisa mais amena. Na esperança de que, palavras semeadas no deserto, algumas vinguem e brotem. Não seria maravilhoso se uma só somente brotasse?

Que sementes? Não sei ao certo. Minha mensagem é: discutamos nossa nação, nossas leis, nossos representantes. Um dia, dessas discussões nascerá uma luz. Já terá bastado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário