domingo, 22 de julho de 2007

Erros e acertos

O governo, mesmo quando acerta, erra. Implicância? Vamos ver.

Vou reproduzir da Folha de São Paulo de 21/07 algumas frases:

No Fundo, é uma crise de natureza emocional.
Waldir Pires, ministro da Defesa, 1/11/2006

Eu acho que a crise aérea acabou.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, 9/12/2006

O episódio de 30 de março talvez tenha sido bom ter ocorrido, no sentido que aparece o Bin Laden.
Milton Zuanazzi, presidente da ANAC, sobre o motim dos controladores, 3/5/2007

Relaxa e goza, porque você esquece todos os transtornos depois.
Marta Suplicy, ministra do turismo, 13/06/2007

Há aumento do fluxo de tráfego. É a prosperidade do país, mais gente viajando, mais aviões nas rotas.
Guido mantega, ministro da Fazenda, 21/06/2007

Há dez meses autoridades de nosso (des)governo vêm desmentindo a crise. Há dez meses tentam repetir a doutrina Ricúpero, a de esconder o que é ruim, e faturar o que é bom. Com tanta autoridade, falando com tamanha autoridade, que não existe crise, que não há nada errado, corremos o risco até de acreditar. Pior, corremos o risco porque eles acreditavam. Será?

Medidas foram tomadas. Pelo governo que negava sua necessidade. Restrições a Congonhas foram feitas. E o aeroporto mais movimentado do Brasil passará a, finalmente, ser administrado conforme premissas imploradas por muitos especialistas por muitos anos.

Onde será que está o erro de avaliação? No fase antes ou na fase agora?
Se antes não tinha nada errado, o que mudou que agora adotaram-se medidas restritivas? Se antes não havia risco, pois nem mesmo havia crise, porque agora as medidas são necessárias?

Ou elas sempre existiram, e os discursos do governo e seus representantes eram mesmo mentiras? Não há outra palavra. Mentiras. De quem se esconde dos problemas, e quer somente faturar a parte boa.

Foram necessárias mais duas centenas de mortes para acordar esse governo. Que, incoerente consigo mesmo, não pode afirmar que o acidente não aconteceria se não estivesse chovendo e se fosse outro o aeroporto. Mas agora também não pode mais afirmar que não há crise. E que Congonhas estava muito acima de sua capacidade.

É triste ser refém de um governo cataléptico. Que de tempos em tempos acorda, e, sem saber onde está e para onde vai, anda em círculos. Enquanto isto, vamos enterrando nossos mortos.

Luto!

Nenhum comentário:

Postar um comentário