segunda-feira, 2 de julho de 2007

A agressão dos meninos do Rio

Depois do assassinato do índio Galdino, em Brasília, e das reações apaixonadas, o assunto esfriou. Como será neste caso da barbaridade do Rio de Janeiro. Mas, depois de um tempo, a revista veja entrevistou, nas páginas amarelas, um dos pais. Juiz de direito, afirmou ter se interessado pela justiça criminal depois do ocorrido. E relatou a grande mudança que isto lhe acarretara, principalmente em relação a forma de encarar crimes e criminosos.

A lei penal está aí para, na verdade, ao mesmo tempo proteger o acusado e punir.

Do lado da proteção, imagine que uma autoridade o acuse de ter cometido um crime. Não fossem as medidas criadas para proteção (baseadas, inclusive, no preceito constitucional de que ninguém é culpado até que se prove sua culpa), você poderia sofrer (mais, muito mais) nas mãos dessa autoridade.
O outro lado desta moeda é a impunidade, ou sensação de, que ela acarreta.

O pai de um dos meninos expressou sua preocupação com relação à prisão deles ao lado de tantos criminosos profissionais. Compreensível. Mas crime é crime, e a realização foi com requintes de crueldade. A moça, indefesa, ainda foi duramente espancada, por cinco (cinco!) rapazes. Justifica-se a prisão? Bem, logo em seguida, outras pessoas passaram a se apresentar para registrar mais acusações contra o bando (agora transformados em bando, pois continuamente praticavam crimes). E agora, o que diria o pai desses garotos?

Às vezes, algumas pessoas saem do sério, e cometem um ato do qual vão se arrepender. É o caso das brigas de trânsito, das motivações passionais. Nesta caso, não houve arrependimento. Houve mais ameaça. Se dentro da polícia o comportamento é esse, o que dirá lá, na rua, protegidos pelo anonimato?

O pai das declarações deve estar estupefato, descobrindo essa faceta da personalidade do filho. Mas, infelizmente, o que ele disse já bastou para destacar uma das características do sistema jurídico brasileiro: eles são jovens, estudam, trabalham... têm dinheiro, na verdade. Embora a lei não faça distinção por esse lado, o sistema sim. E é provável que a impunidade se apresente, ou, ao menos, que punição seja branda.

É o Brasil, onde a justiça é cega, mas tem muita gente que a conduz.

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