terça-feira, 31 de julho de 2007

Brasilidades

O Movimento Cansei está sendo visto, por uma parcela da imprensa, como um movimento elitista. E, assim, está sendo desqualificado como representação dos anseios do povo.

Talvez seja verdade que sua representatividade esteja contaminada por seus representantes. Mas na visão de quem quer enxergar assim. Pois é preciso lembrar que no movimento do impeachment de Collor, o pedido foi feito pela Associação Brasileira de Imprensa e pela Ordem dos Advogados do Brasil. Na ocasião, não se disse que eram elitistas ambas as congregações.

Não importa o viés ideológico, não importa o tamanho do bolso, o brasileiro está acuado pela incompetência. De um lado, uma incompetência que reflete a falta de aptidão para governar em nome da coisa pública. De outro, a falta de interesse em fiscalizar, agir contra eventuais transgressores/aproveitadores. Porque estes financiam campanhas, cedem jatinhos, compram terrenos, vendem bois.

O meu Cansei é isto, um grito mudo, de revolta contra essa nosso aprisionamento em regras institucionais e constitucionais, que nos leva a ter de agüentar desmandos e chorar nossos mortos. Sim, mortos, e não somente aqueles dos vôos TAM e Gol. Porque buraco em estrada também mata, assim como morrem na fila de hospitais brasileiros à espera de atendimento de emergência. Este meu Cansei é de uma simplicidade que não cabe no cenário político. Porque ele não precisa de leitura, não precisa de interpretação. Quer dizer, simplesmente, que cansei.

Ora, mas e daí?, perguntou hoje na Folha o excepcional Jânio de Freitas.

E daí, não sei. Mas esta simples constatação é poderosa. Cansei. E não sou rico, não tenho relações promíscuas com o governo, não me beneficio de nossas políticas econômicas, não tenho porque festejar o governo. Mas cansei. Daí...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Cybercafés

Se você é usuário de cybercafés para acesso à internet, atenção: você pode ser vítima de criminosos interessados em suas senhas.

Quando conhecemos o cybecafé, o risco pode ser menor. Mas ainda existe. Esses criminosos deixam um programa instalado, um keylogger, que tem uma lógica bastante simples: ele registra tudo o que você digitar. Bancos já exigem cliques em vez de digitação, justamente para evitar esse perigo. Outros programas não tem essa previsão, como o orkut (acesso via página da internet) e o MSN. Em ambos os casos, sua senha pode ser roubada.

Quando o cybercafé não é conhecido, devemos redobrar nossa atenção. Há casos em que o próprio dono instala esses programas maliciosos para roubar senhas e, a partir daí, informações pessoais.

Quando disse lá em cima que os bancos têm uma certa proteção, não creia que está isento de perigo o acesso a eles por meio de cybercafés. Bem, nos próprios caixas eletrônicos, dentro das agências, já existe risco. Imagine, então, num ambiente estranho.

Só para exemplificar: você digita seus dados na página do banco. O keylogger armazena seus dados de conta. Quando você clicar nas informações de senha, pode haver uma câmera gravando o ambiente. Juntas, as informações podem tornar possível fraudar sua conta.

Se na sua casa ou no seu trabalho as medidas de segurança podem diminuir, mas não eliminar os riscos, imagine num ambiente sobre o qual não temos conhecimento e controle. O conselho é o básico do básico. Somente use cybercafés em casos de extrema necessidade. E, imediatamente após, troque suas senhas. Ninguém garante que elas serão roubadas, mas você pode garantir que elas não sejam utilizadas.

domingo, 29 de julho de 2007

Cansei

Veja no site www.cansei.com.br uma proposta de manifestação. Manifestação pacífica e silenciosa, não será contra coisa alguma. Mas a favor. A favor da cidadania, a favor do Brasil. Acho interessante a medida, e a apóio. O Brasil está precisando de mobilização, está precisando se articular em torno de temas importantes.

Da tragédia da TAM nada pode restar de bom, que isto fique muito claro. Das vítimas, restará somente a lembrança e a indigação pelos medidas não tomadas, negadas, e finalmente implementadas como se fossem a resposta divina aos problemas. Mas como conseqüências talvez traga medidas e sentimentos que ajudem a incorporar essa necessidade de mudança no povo, e que faça com que a agenda dos políticos se altere em função disto.

Como povo, agrupo cada um e todos nós. Porque a reação é em função do indivíduo, e se aglutina nas multidões. Quando falamos em medidas, precisamos olhar para o umbigo, e medir nosso esforço em direção dessas medidas. Que é, via de regra, quase nada.

A água bateu. Meu nome pode estar num próximo noticiário, como vítima, ainda sem corpo. Isto me motiva a agir? Sim, pois tenho uma filha que não quero saber órfã. Mas, mais: culturalmente, precisamos mesmo participar. Em vez de virar as costas para a políticagem, para as canalhices, precisamos é ter força de grupo para enfrentá-las.

Sei que é uma utopia. Quando a OAB retomar suas atividades normais, e cada um de nós voltar para nosso mundinho, uma cicatriz a mais, mas no dia-a-dia, esse agrupamento deve perder coesão.

Pena. Nossas estradas, escolas, hospitais ainda precisamo de nosso olhar crítico e fiscalizatório. Que eu esteja errado!

sábado, 28 de julho de 2007

Brasilidades

Defesa
O ministro da defesa partiu para o ataque. Não interessa quem seja, de que partido, ou com que motivação política. Esperamos que Nelson Jobim resolva de fato os problemas de sua pasta.

Defesa II
Renan calheiros está rindo à toa com o noticiário. Já que não é mais personagem central, mas mero coadjuvante, com a tragédia TAM/ANAC/CONAC/Defesa. Mas ainda não está explicada sua capacidade de pagamento da pensão da jornalista, nem as irregularidades das provas apresentadas.

Preços, filas, segurança
Claro que não poderia ser diferente. Preços vão aumentar, e nós vamos pagar. É assim que se resolve a crise? A TAM e a GOL podem não ter título de eleitor, mas têm condições de financiar campanhas. O que explica muita coisa nesta terra de saúvas muitas.

ANAC
O presidente da ANAC está realmente achando que não tem culpa. Baseia-se em artigos de leis e portarias. Ou seja, as vidas perdidas são um mero nada, perante a burocracia da aerocracia.

Lula
E Lula está achando que foi o salvador do Brasil. Realmente acredita nisto. Em seus discursos recentes (os do nordeste, ontem) discursa como se o Brasil tivesse sido totalmente "consertado" por ele. E, quando critica o "estado das coisas" o faz como se não fosse ele o presidente, ou seja, aquele que tem o poder de mudar esse estado. Vivendo alienado, acreditando no que quer, entrará mesmo para a história. Espero que com o devido peso da verdade.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Insegurança

Na grande maioria das vezes, as discussões são travadas por insegurança.

Uma parte, pela insegurança gerada pela possibilidade de estar errado. A pessoa defende suas posições a ferro e fogo, e contra o argumento não há fatos: não pode ser convencida de eventual erro. Possibilidade aliás inexistente e blasfema.

Outra parte, pela insegurança em relação ao desconhecido. Ao assumir uma verdade "nova", a pessoa sai de sua zona de conforto, para uma desconhecida, ainda inexplorada. E isto é doloroso, particularmente para algumas pessoas.

Em ambos os casos, Daniel Goleman (Inteligência Emocional) diria que houve o "seqüestro" (permanente, completo eu) da razão. Que deu lugar à uma emoção, qualquer que seja.

Como resultado, diversas disputas sem sentido, sem nexo e sem solução. Posições assumidas a priori e baseadas num nada em termos de fatos, mas num mundo de sentimentos. E é aí que as coisas se complicam.

Numa relação entre povos, por exemplo, é o adubo da guerra. A intolerência, a intransigência, a falta de respeito. E não é diferente entre pessoas. Nestas, podemos ver, observando de fora, os sinais da degradação da razão em função da contaminação pela emoção.

Aliás, contaminação é o termo que usa Stephen Covey (Os sete hábitos de pessoas muito eficientes/eficazes) para tratar deste assunto, A história da pessoa contamina os julgamentos atuais e os futuros. E, respondendo a um carimbo colocado em algum momento passado, julgamos todos os atos a partir desse momento classificador. E nossas relação estarão caminhando inexoravelmente para a destruição. Algumas em maior velocidade que outras, mas o destino é certo.

A única forma de evitar esse estado é a entrega franca e sincera da verdade percebida à outra pessoa. Somente se a pessoa reconhecer esses "carimbos" emocionais, apresentá-los à outra parte e tratar deles sinceramente é que a relação tem salvação.

Mas não é fácil. Afinal, a abertura se dará com quem estivemos ainda há pouco em guerra. E nada garante que será diferente no futuro. Ou seja, há um déficit de confiança por suplantar, um obstáculo ainda alto por superar. E poucos conseguem.

Quando esse comportamento é dirigido a todos, indistintamente, o caso torna-se ainda mais complicado. Como padrão de resposta, a pessoa oferece sempre o mesmo repertório: o de defesa, o de ataque, o de reclamar, o de se fazer de vítima... escolhe aquele que, um dia, lhe rendeu resultados que lhe pareceram adequados. E seu script de vida é montado a partir dessa percepção.

Todos somos assim, em maior ou menor grau. Mas pessoas que exageram na defesa própria (comportamento dissfuncional) acabam afastando de si aquelas pessoas que têm o poder de escolha (da companhia). O que não é o caso da maioria dos familiares, que acabam suportando-a justamente por esse laço. E a pessoa não percebe que, ao longo do tempo, acaba afastando muitas das pessoas que a rodeiam. A tristeza chega, mas o real motivo não aparece.

Enfim, o resultado de um comportamento defensivo é a falta de ter que se defender. Mas quer dizer, em última análise, que na verdade é falta de ter com quem se relacionar.

Há pessoas que dizem que não engolem sapos, que não levam desaforos para casa, que não conseguem ficar caladas. Permito-me dizer que essas pessoas escolheram agir assim. E que, por essa "escolha", decidiram também pagar o preço inerente: o de ser uma pessoa difícil.

Precisam de ajuda. Mas, como diz aquele velho ditado, "não adianta levar o burro para beber água se o burro não está com sede". A ajuda precisa ser desejada.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Perguntas que não querem calar...

  1. Para que mesmo serve a ANAC?
  2. Se o aeroporto de Congonhas não tinha problemas, por que é mesmo que foi suspensa a venda de passagens?
  3. Se não precisava do grooving, por que é mesmo que a pista foi reformada?
  4. Se a pista era segura, por que é que os pilotos não querem mais pousar em Congonhas com a chuva?
  5. E, da mesma forma, se era segura a pista, por que só agora as companhias aéreas não querem mais que seus aviões pousem em Congonhas?
  6. Se a lâmina d'água não estava acima de 3mm meia hora antes da tragédia, por que motivos ela não aumentaria com o aumento das chuvas?
  7. Se não há caos aéreo, por que mesmo caiu o ministro da defesa, Waldir Pires?
  8. Na CPI hoje (25/07), o presidente da ANAC Milton Zuanazzi lembrou das medidas que, desde dezembro, foram tomadas de forma emergencial e resolveram os problemas. Por que é mesmo que essas medidas não foram observadas por mais tempo (ou durante todo o tempo)?

Ninguém tem culpa, mas 199 pessoas morreram desta vez. Ninguém tem culpa, mas já não se pode mais vender passagens saindo de Congonhas. Ninguém tem culpa, mas os vôos foram redistribuídos. Pista foi fechada/reaberta/refechada... Nas entrevistas, na CPI, na imprensa, ninguém tem culpa, todos fizeram sua parte. Mas 199 morream.

Lula precisa ser o estadista que imagina ser. Trocar a diretoria da ANAC, trocar o ministro da defesa (já o fez, hoje), trocar o presidente da Infraero. Precisa assumir as rédeas e montar uma operação em que, mais importante que se livrar das culpas, seja a segurança do passageiro. Esta, em evidência, hoje está valorizada. Para sofrer a erosão da falta do olhar atento da sociedade, falta que determinará o esquecimento com essa segurança. E, tristes de nós, esquecida a crise, voltam as cuecas, os dólares, as malas, as vacas...

Da série: Por que não pensei nisto antes?

Temos de reconhecer: a ANAC é ótima. Instada a resolver os problemas dos aeroportos, realmente os resolveu: proibido vender passagens. Logo, ninguém viaja. Logo, não tem passageiro. Logo, não tem vôos. Logo, não tem acidente. Logo, não precisa da ANAC, certo?

Brilhante. E nós, insensatos, criticando a pobre ANAC.

Para Fãs (outro) - Star Wars e músicas de flash back

Se você é fã de Star Wars e de músicas de Flash Back (anos 70), veja este vídeo. Acompanhe a letra, é impagável.

A indicação foi de minha filha, que, graças ao seu grupo de e-friends, acha essas preciosidades na web.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Imprensa

Lendo a Revista Veja deste sábado, a Folha deste domingo (22/07) e o próprio Jornal Nacional, temos de agradecer por termos uma imprensa livre. Mais: livres, neste momento da história, de cores partidárias. Ao menos nestas situações.

Se dependêssemos de informações exclusivamente do governo par a obter notícias sobre o acidente, talvez entrássemos na era medieval novamente. Somente imagens que passassem pelo critérop "Top, top, top" do assessor Marco Aurélio Garcia. Ou sje,a o que é bom para o governo.

O resto, seria para sempre uma caixa preta.

As notícias veiculadas pela imprensa, num panorama geral, é que nos fornecem de fato a orientação do foco do problema. O que aconteceu, o que deveria ter acontecido. Por que aconteceu. Opinião de especialistas, análises mair criteriosas, tudo isto tem sido apresentado pelos meios de comunicação.

Na prática, não representa nada. A não ser um novo lado para esconder

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O mundo e o acidente

Desculpem, mas preciso insistir no caso do acidente da TAM. Eu viajo, tenho amigos que viajam, meus colegas de trabalho viajam, sempre de avião. Podia ser um de nós. Podia ser minha filha, minha família pranteando minha ausência. O acidente poderia mesmo acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar. É justo culpar o governo? Acho que sim. Sua inação, omissão e procrastinação fazem dele um culpado especial.

Se fosse um fato isolado, menos mal. Mas não era. Era o ponto infelizmente culminante de uma novela que se arrastou por dez meses, e espera-se que se encerre agora.

No momento em que fez alguma coisa, fez o óbvio, ou seja, o que o Brasil exigiu por dez meses.

Já escrevi tudo isto, parece idéia fixa. Mas o Financial Times, jornal Britânico, diz o mesmo, com mais competência e credibilidade que eu. Mas infelizmente não será ouvido, como eu. Talvez algum top-top-top-assessor venha a dizer que a matéria do jornal é uma invasão à soberania nacional. Talvez alguém venha a dizer que o jornal deveria se ocupar da morte de Jean Charles. Talvez algum petista ataque o jornal, dizendo ser ele um braço do esquema César Maia (que teria se aliado a extraterrestres) para derrubar Lula, enxergando complôs como só mesmo um petista (governista. Ainda há os petistas puros, felizmente) enxergaria.

Hoje, dia de chuva, o aeroporto está fechado. Não, está aberto. Pera, está fechado. Desculpe, está aberto... sei lá. Não dá mais para saber. Como resposta à crise, uma bagunça. Que tem o condão de nos dizer o seguinte: se o governo manda abrir-fechar-abrir-fechar Congonhas em caso de chuva, sim, Congonhas tem problemas. Que não foram enfrentados. Pelo mesmo governo agora acionando o comando do portão eletrônico.

Nunca um mandato foi tão longo!

Manada - Somos todos vítimas

A Folha On Line publica notícia sobre retirada de avião da TAM de casal em vias de decolar, devido a questionamento que o marido fez sobre os freios do avião.

Sempre presencio cenas como essa. Em qualquer caso de frustração do passageiro, sobra para os funcionários da companhia aérea. Que assumem a condição de culpado pelas frustrações de cada passageiro. Eu sempre me pergunto: e o que isto resolve? O desabafo do passageiro é suficiente para resolver alguma coisa? E a agressão verbal? E os desaforos que os funcionários da aérea têm de ouvir?

É bom lembrar o seguinte: não é do interesse dos funcionários, qualquer que seja sua posição hierárquica, que haja problemas, principalmente na segurança. E é bom e triste chamar a atenção: nenhum tripulante sobreviveu nos acidentes do Brasil. Sua chance de sobreviver é igual à nossa, se tanto. Pois eles se sentam em arremedos de bancos, em condições piores que as nossas. O que não importa muito, pois somos todos frágeis demais para qualquer acidentes destes.

Ontem, no Fantástico, imagens de uma tripulante que, em folga, correu para o local do incêndio para auxiliar os bombeiros me comoveu. Porque ela verbalizou um pensamento que me acompanha desde o acidente: "podia ser eu!" Mas ela estava lá, ajudando, e pensando nos seus colegas, já sabidamente mortos.

As gracinhas com a tripulação não ajudam ninguém. Não têm sentido, não têm resultado. Por inócuas em termos de resultados em nossa viagem, não devemos entender assim em termos pessoais do ofendido. O tripulante, o funcionário, seja quem for, passa por uma angustiante situação de quem não tem culpa, e não tem o que fazer, mas precisa ouvir o desaforo do descontrolado.

Tripulantes não têm culpa. São mais vítimas que nós. E aqueles que os agridem deveriam rever seus comportamentos. A dignidade deles também merece respeito.

Fez bem o comandante em solicitar a retirada dos passageiros. Já existem problemas demais nos vôos, ninguém precisa de descontrolados e agitadores

Monarquia

O governo decretou: estamos numa monarquia. Enquanto Dilma governa, junto a Mantega, Lula é o rei do Brasil. E tem somente atribuições representativas, como deve acontecer. Viaja, representa, brinca, se esconde. E viaja, e se esconde. E discursa. E reclama. E fica magoado...

O representante das massas, aquele que saiu dos meios mais humildes, batalhou, virou gente grande... e perdeu o contato com suas origens. A barba espetada já não existe, deu lugar a uma bem cortada. E os ternos já são de, quem diria, yuppie. Nunca antes neste país se viu uma transformação tão grande de um presidente.

Mas o povo ainda vê sua majestade com a roupa invisível. O povo não vê que Lula está nú. Porque o povo ainda quer ser defendido por um dos seus. Porque Lula passou fome, tem uma mãe que nasceu analfabeta, está com o coração sangrando... Lula sabe o que o povo sofre. E Lula é quem, no ideário popular, salvá-los.

Salvar de quem? Daqueles políticos de carreira, gente que promete acabar com os marajás e vai, logo que eleito, para uma ilha paradisíaca descansar. E se mete no maior escândalo da história (Collor). Cansado daquele que era professor, mas entregou o ouro aos bandidos (FHC). E daquele, bom gerente, bom moço, mas cuja esposa ganhou mais de 400 vestidos. Esses, que diferença fez para a classe mais humilde sua passagem pelo poder? Pouca, ou nenhuma.

Lula, com suas bolsas, com a estabilidade (herdada) personificou a melhora de vida dos humildes. Responsável ou não, ele surfa na onda desse sucesso.

Vai ser difícil ele perder popularidade. Tem de acontecer uma coisa muito ruim, algo como invadir a novela das oito e matar a mocinha. Pouco provável. Mas a história não assiste novela, e é escrita por olhos de outra classe. Mais crítica, menos necessitada. gente com um preço maior que uma bolsa família.

Se um ficou famoso pelo "esqueçam o que escrevi", este vai querer que esqueçam e não escrevam...

domingo, 22 de julho de 2007

Jabor no Kibe Loco

O Kibe Loco publicou, aproveito a deixa:



Estava todo mundo prevendo... menos o governo.

Erros e acertos

O governo, mesmo quando acerta, erra. Implicância? Vamos ver.

Vou reproduzir da Folha de São Paulo de 21/07 algumas frases:

No Fundo, é uma crise de natureza emocional.
Waldir Pires, ministro da Defesa, 1/11/2006

Eu acho que a crise aérea acabou.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, 9/12/2006

O episódio de 30 de março talvez tenha sido bom ter ocorrido, no sentido que aparece o Bin Laden.
Milton Zuanazzi, presidente da ANAC, sobre o motim dos controladores, 3/5/2007

Relaxa e goza, porque você esquece todos os transtornos depois.
Marta Suplicy, ministra do turismo, 13/06/2007

Há aumento do fluxo de tráfego. É a prosperidade do país, mais gente viajando, mais aviões nas rotas.
Guido mantega, ministro da Fazenda, 21/06/2007

Há dez meses autoridades de nosso (des)governo vêm desmentindo a crise. Há dez meses tentam repetir a doutrina Ricúpero, a de esconder o que é ruim, e faturar o que é bom. Com tanta autoridade, falando com tamanha autoridade, que não existe crise, que não há nada errado, corremos o risco até de acreditar. Pior, corremos o risco porque eles acreditavam. Será?

Medidas foram tomadas. Pelo governo que negava sua necessidade. Restrições a Congonhas foram feitas. E o aeroporto mais movimentado do Brasil passará a, finalmente, ser administrado conforme premissas imploradas por muitos especialistas por muitos anos.

Onde será que está o erro de avaliação? No fase antes ou na fase agora?
Se antes não tinha nada errado, o que mudou que agora adotaram-se medidas restritivas? Se antes não havia risco, pois nem mesmo havia crise, porque agora as medidas são necessárias?

Ou elas sempre existiram, e os discursos do governo e seus representantes eram mesmo mentiras? Não há outra palavra. Mentiras. De quem se esconde dos problemas, e quer somente faturar a parte boa.

Foram necessárias mais duas centenas de mortes para acordar esse governo. Que, incoerente consigo mesmo, não pode afirmar que o acidente não aconteceria se não estivesse chovendo e se fosse outro o aeroporto. Mas agora também não pode mais afirmar que não há crise. E que Congonhas estava muito acima de sua capacidade.

É triste ser refém de um governo cataléptico. Que de tempos em tempos acorda, e, sem saber onde está e para onde vai, anda em círculos. Enquanto isto, vamos enterrando nossos mortos.

Luto!

sábado, 21 de julho de 2007

A caixa preta da crise aérea

Quer entender porque o avião da TAM caiu? Aproveite e saiba também porque caiu o avião da Gol.

É o seguinte: uma das caixas pretas enviadas para os Estados Unidos não era uma caixa preta! Parece que as autoridades não sabem o que é uma caixa preta. Como é que se poderia esperar que soubessem como evitar uma crise aérea? Como esperar que pudessem resolver os problemas?

Não me surpreenderia se uma dessas "autoridades", ao saber da queda ao avião, fosse imediatamente ver os estragos lá no Terminal do Tietê.

Engrosso o coro da indignação do Fábio Seixas, no seu blog.

Que país, este!

Sexta, 20/07

ACM
O último coronel morreu. Amado e odiado, mas uma coisa é verdade: defendeu a Bahia. Do seu particular jeito, com o qual eu não concordo, mas parecia acreditar no que fazia. Com um modo anacrônico de fazer política, não posso dizer que ele fará falta. Mas encerra um capítulo da história do Brasil. O Toninho não é mais Malvadeza.

Lula
Foram necessários dez meses e mais de 300 mortos para finalmente o presidente reconhecer que há problemas. Helooooo!!!! As ações do governo são tão ágeis como foi o presidente para lamentar as mortes. Inação, procrastinação e omissão, as marcas do governo lula são.

Gestos
Quando li na Folha destes dias que o governo estava preocupado com a imagem do presidente depois da tragédia, achei de muito mau gosto. Agora, com os gestos dos assessores de Lula, Marco Aurélio Garcia e... quem mesmo???... fica difícil dar crédito a esse governo, mais preocupado com o espelho que com o povo.
Sr. Marco Aurélio Garcia, peça sua demissão. Sua atitude é indesculpável e, pior, injustificável. Seu gesto jamais será privado no seu local de trabalho, ainda mais sendo o seu o cargo que é. E, se as notícias são contra o governo, talvez seja porque o governo tem quadros que festejam tragédias.

Renan
Só para lembrar: ainda restam mal-explicadas as "provas" da capacidade de pagamento do Senador Renan Calheiros.

Aeronáutica - Sensibilidade ZERO
Hoje (20/07) foram concedidas medalhas para personalidades que contribuíram para o setor aéreo no Brasil. O presidente da ANAC e mais três diretores receberam essa medalha, que se convencionou chamar de Santos Dumont.
Diz a lenda que Dumont morreu de desgosto, ao ver a utilização bélica da realização da sua vida. Imagino o que ele faria hoje. Aliás, nem imagino...
Novo programa do governo: Sensibilidade ZERO

Pré-disposição
Ao ouvir a notícia de que o avião da TAM tinha um problema num equipamento, perguntei-me: mas será que teve relação com o acidente?
Mas não tive igual preocupação quando culpei o governo pelo acidente. Parece mesmo que estou implicando com ele.
A verdade é que o governo sujou-se e contaminou-se com sua procrastinação. Se ação tivesse havido, acho que alguns problemas teriam sido evitados. E tragédias. Então, eu me perdôo.

Manada
Eu, que viajo com freqüência, já presenciei cenas de revolta explícita em aeroportos. Mesmo em situações de neblina, por exemplo. Que culpa tem a Infraero, a ANAC, a companhia aérea? Não sei. Mas alguns passageiros, com seu comportamento exaltado, acabam contaminando outros. Por este motivo, parte da culpa pelos problemas aéreos são nossos, usuários, já que exigimos situações conforme nossa comodidade, não de acordo com regras de segurança. Não fosse assim nosso comportamento, todo o resto da cadeia poderia ter ações diferentes. Comportamento de manada, a pressão insana do coletivo...

Rede Globo
Não sou nada fã da Globo. Pior, sou bem implicante com ela. Mas foi da Globo a denúncia do defeito no avião. Como foi a imagem do assessor de Lula.
Mais: quando editou o debate entre Collor e Lula, mostrou a face de Lula que agora vimos no Pan e no acidente 3054: um Lula irritado e acuado. Detesto admitir, mas a Globo é necessária.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Implicância?

Há quatro coisas que minha filha não quer que eu faça:
  1. Pintar meus cabelos;
  2. Uma tatuagem:
  3. Saltar de pára-quedas; e
  4. Comprar uma moto.
Não basta eu dizer a ela que no caso do salto de pára-quedas dar errado, tenho direito a outro. Ela não quer saber. Tatuagem? Nunca me atraiu. Pintar meus cabelos? Não, acho que não. Não combina com minha circunspecção.

Já comprar uma moto...

Em 1996 o então Presidente Fernando Henrique Cardoso vetou um dispositivo do código de trânsito que proibia o trânsito de motocicletas entre as faixas de rolamentos de veículos, entendendo que isto retirava delas a agilidade que era sua grande vantagem.

Os resultados não podem ser atribuídos exclusivamente a isto, já que as motos já circulavam entre os veículos antes da lei . Mas impediu uma ação coercitiva que poderia conter um pouco do problema. Mais grave, decorridos onze anos dessa oportunidade desperdiçada, a costura é cultural (costural?) entre os motoqueiros. Quem se habilitou nesse período nunca dirigiu de forma diferente, o que torna bem provável que tenhamos sérios problemas se resolvermos um dia enfrentar essa situação.

Hoje, levando minha filha para atendimento médico, vi um vulto que, atrás de meu carro, saiu da minha direita, me ultrapassou pela esquerda ee foi embora. Poucos metros adiante, ao fazer uma manobra sobre um carro que, parado no sinal iniciava um movimento, o previsível choque. Pela direita, novamente. O motoqueiro foi projetado sobre uma amurada dessa pista, caindo, felizmente, ainda nela e não do outro lado, o que seria uma queda muito maior.

Caído, já nem levantou. Machucou-se bem, a ponto de não reagir a nada. A motorista do carro, acredito que assombrada pelo ocorrido, desceu bem lentamente, letargiada pelo susto. Fomos embora rápido, pela nossa emergência e pela inutilidade de ficar olhando o pobre ferido.

Já contei neste espaço que, certa vez, num pedido de esfihas (não vou dizer a loja, preciso?), foi-me prometida entrega em 28 minutos, ou eu não teria de pagar. Demorou mais, era um dia de chuva. Ao finalmente receber a encomenda, fui brincar com o entregador/motoqueiro, dizendo que não precisaria pagar. Ele conferiu os dados do pedido e disse, sem ânimo, que era correto. Pela reação, quis saber o que o afligia. Bem, é o seguinte: eu não pago, mas o entregador sim. A lógica da esfiheria é óbvia: alguém tem de pagar. E é o motoboy, que ganha o que, R$ 2,00, R$ 4,00 por entrega?

Talvez eu tenha sido engambelado pelo motoboy, é verdade. Mas não acho. Pelas histórias que a gente conhece, deve ser mesmo verdade.

A conseqüência é ruim, o perigo é grande, as perdas são enormes, mas o capitalismo ainda se beneficia disto. Não pedi mais comida desse restaurante, claro.

À vista disso tudo, preciso dizer à minha filha que moto, realmente, é uma coisa que não quero.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Golpe na tragédia

Já existe um golpe envolvendo o acidente da TAM. Se receber um e-mail, cujo emissor se identifica como ouvidoria TAM, tome os cuidados de sempre e não clique nos links existentes. A menos que queira ter suas senhas roubadas, claro.

Leia mais: No Blog Circuito Integrado, da Folha On-Line.

Mea culpa - mas nem tanto

Cedo demais
No calor da emoção, culpei o governo pelo acidente da TAM. Agora, de cabeça mais fresca, faço coro à jornalista Dora Kramer, que na Band News disse que, se não podemos culpá-lo, não podemos absolvê-lo. Porque são dez meses em que ora ele esteve indiferente à crise; ora foi sarcástico, irônico; ora foi incompetente; ora foi arrogante. Enfim, em momento nenhum o governo enfrentou o problema. Se tivesse feito sua parte, talvez agora ninguém se lembrasse dele nesta tragédia.

TAM
Começou como Táxi Aéreo Marília. Com o comandante Rolim recebendo os passageiros na porta do avião. Um dia, virou a TAM que conhecemos hoje. Marcada pelos contratempos, pelo azar. Caiu um avião em Guarulhos. Depois, explodiu alguma coisa num de seus aviões que abriu um buraco na fuselagem, uma história mal-explicada até hoje, mas que parece não ter tido qualquer culpa da empresa. Aí, perdeu uma porta em pleno vôo. Sen fundador morreu num acidente de helicóptero. Foi o pivô da crise do final de 2006, aeroportos lotados, quem não se lembra? Agora, isto. Pena.

Pousos
Fiz várias menções aqui neste espaço sobre os pousos da TAM, sempre muito suaves, perto dos da Gol. Queimei a língua.

Entrevistas
Na entrevista coletiva de autoridades em Brasília, os papéis conhecidos. Tecnocratas se defendendo e defendendo a burocracia, o presidente da TAM cheio de dedos para não falar nada inadequado, os burocratas maiores cheios de discurso. Mas o que me impressionou foram os repórteres. Como se caçassem bruxas, alterados, cheios de versões e hipóteses, raiando a falta de educação ao perguntar. Respostas contaminadas por parte do entrevistado já se espera. Mas esperava, da mídia, comportamento mais eficaz, sem pré-julgamentos, justamente para formar juízo. De novo, pena.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pan-brasilianas

Recorde: Discurso Zero Do José Simão (na Folha de São Paulo e na BandNews): Lula já bateu um recorde. O dos discursos. Zero segundo. O mais rápido da história.
Medalha de Prata
Se acontecer o que o mercado espera, o Brasil perde a medalha de ouro dos juros reais, e fica com a de prata. É para lamentar ou comemorar? Só não perde se o CMN não baixar a taxa de juros. É para torcer a favor ou contra. E o que é a favor? E o que é contra?

Recorde 2: Probidade
Assim que tomou posse, Gim Argello (suplente de Joaquim Roriz) já recebeu um pedido de investigação por quebra de decoro. Vá ser rapido assim lá no Rio...

Heróis
A seleção de futebol ganhou da Argentina. Heróis? Não. Os medalhões andam de Audi, almoçam e jantam, têm preparador físico, etc. Ganham muito dinheiro, fora alguns coitadinhos (ainda), mas que chegarão lá.
Herói, de verdade, foi nosso Tae-ken-doca. Sua mãe ainda anda de ônibus, pois o dinheiro ele gastou, numa farra para se preparar para os jogos. Farra de treinamento. Farra de dedicação. Farra de quem quer alcançar um objetivo. Foi, literalmente, à luta. E conseguiu.
Mérito dos R$ 600,00 que o governo lhe endereçava, com atrasos? Não acho. Mérito da mãe, que respeitou (e, acredito, apoiou) a meta do filho. Mérito do lutador, que foi em busca do sonho. E, sem acordar dele (não precisa), disse a verdade ao Brasil. Lutador, esse menino, Diogo Silva.
Pois, sem seus R$ 600,00 por mês, foi a uma vila construída sem licitação, a preços superfaturados, viu clientes e convidados com tratamentos VIP (alguns whiskys custam R$ 800,00 a garrafa), viu emergências que não eram as suas tratadas como prioritárias, mas viu todo o Brasil comemorando sua, repito, sua vitória.

A vitória é sua, sorte nossa que você é brasileiro, Diogo. Eu, como brasileiro, mal sabia de sua luta, malgrado toda a sua exposição na mídia (ironia minha, claro). Nem telefonei para meu compadre para que ele o colocasse na lista dos mensalões, nem pedi que você fosse beneficiado por alguma construtora. Você tem algum amigo lobista que paga suas despesas, com seu dinheiro? Parece que não. Então, caro Diogo, você é realmente um herói. Um herói por vocação (não vacação), mas brasileiro por acidente, ou coincidência. Mas um verdadeiro herói.
Espero que, agora, herói, alguém se lembre de você. E esse alguém será, se temos memória neste país, os Correios, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal... Ou seja, o governo, surfando na sua onda. Mas, não reclamemos. Você conquistou esse direito. E nem precisa combinar, por telefone ou pessoalmente, a partilha do que ganhar.
Parabéns.
Você é lutador, não desista nunca!

terça-feira, 17 de julho de 2007

Congonhas, TAM, nós

Como eu viajo, estou sujeito.
Um pneu furado, um motorista bêbado ou irresponsável. Ainda assim, numa fração de segundos, ainda tenho o controle. Uma visão débil, talvez uma medida psicológica compensatória para me fazer acreditar numa fábula.

O mesmo não acontece num avião. O chão é inexorável, acaba chegando, cedo ou cedo (pois nunca é tarde numa queda), e não temos nada a fazer. Estamos presos, numa caixa de voar, mas que cai como um tijolo atirado. O que fazer? Nada.

Eu podia ser uma das vítimas. Poderia estar ali, preocupado em ligar para o estacionamento (que fica ao lado do prédio da TAM atingido), para que meu carro fosse preparado e a van fosse me buscar. Chegando, estaria ansioso, num estado de pré-irritação com os procedimentos de descida e desembarque, que atrasariam ainda mais meu regresso para casa.
Poderia ser um daqueles que, assim que possível, se levantariam, já ligando o celular, sem atender aos avisos sonoros e luminosos.

Aqueles que nem prestam mais atenção aos procedimentos de emergência que, como se sabe, nunca teríamos tempo para observar.

Chocou-me muito o acidente. Porque moro só, mas minha filha está em casa nestas férias. E, estando lá, estaria à minha espera. E saberia, por meios diretos ou por inferência tardia, que eu poderia nem existir mais, numa avançada hora.

E, mais, porque, viajando como viajo, estou mesmo sujeito a esse tipo de ocorrência.

Certa vez, um avião (pequeno) caiu numa estrada, sobre um carro. Uma funcionária do Banco do Brasil dirigia esse carro e faleceu no acidente. Uma tragédia. Ela, idealizo, saiu de casa, tomando muito cuidado, tomou seu caminho para o trabalho, dirigindo zelosa e cautelosa, e acabou sob um avião. Azar? Talvez. Mas, mais, uma fatalidade.

Então, podemos realmente ser vítimas de qualquer coisa, em qualquer lugar. Mas nunca estaremos preparados para isto.

Mas que uma coisa fique gravada, a fogo, se preciso: culpo o governo. Será coincidência que, depois de uma obra para evitar derrapagens em Congonhas, durante uma crise aérea, um avião tenha um acidente assim tão devastador? Um dia depois de um avião da Pantanal ter derrapado na mesma pista? Mese depois de um avião ter parado a poucos metros de invadir a Av. Washington Luis, no mesmo ponto, da mesma forma?

Não, nossa paciência, já no limite, não nos permite mais relaxar e gozar, não é resultado de uma prosperidade. Agora, voltamos ao início da crise. Vidas foram suprimidas agora, no vôo TAM, assim como foram no fatídico vôo Gol. Data e hora do fim da crise, como quis Lula, infelizmente, repito, infelizmente, não foram observados.

Podia ser eu. Podia ser um amigo. Podia ser um familiar. Certamente, alguém estará, em meu lugar, lamentando a perda desse amigo, familiar, conhecido. Eu lamento a perda de vidas. E lamento, lamento profundamente, viver num país maquiavélico, em que a crise é esquecida, para sumir por inanição, um país em que o presidente se magoa com vaias, mas não se emociona com problemas, perdoa crimes de amigos, finge que não vê, e finge que faz.

Vidas, agora são vidas. Não precisava ser. Não poderia ser.
Mas poderia ser eu!

Relaxa e vaia...

Deu no Kibeloco. A Peugeot tinha feito um propaganda cômica sobre "conselho" da ministra Marta. Aí, o governo pressionou, e a propaganda foi retirada do ar.

Veja:



Quando Lula foi vaiado na abertura dos jogos Panamericanos, magoou, disse que não merecia, se recusou a fazer o discurso de abertura, e foi embora, dizendo que não iria mais ao Rio para ver as competições.

Então é assim: o povo precisa ter paciência, o povo precisa relaxar, o povo precisa esperar, o povo precisa entender. Mas quando os aborrecidos são do governo, as ações são imediatas. Governo, como se sabe, não compreende, não espera, não relaxa. Governo age. Mas só quando interessa. Agilidade como essa, fazia tempo que esse governo não mostrava...

Mariah Carey

Um vídeozinho para relaxar. Acho que a Mariah Carey uma das grandes cantoras de nossos tempos.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Pegadinhas

Uma das maiores justificativas para divórcio que ouço é que a pessoa não conhecia realmente a outra. E, no decorrer dos tempos, o conhecimento levava à uma desilusão que impossibilitava a continuidade da relação.

Tive oportunidade de presenciar vários casos em que o conhecimento estava ali, pedindo para ser adquirido. Mas a máscara da cegueira foi vestida conscientemente, por alguém que se negava a ver as evidências. Enfim, escolheu não ver, e o resultado foi o previsível: divórcio.

Numa outra ocasião, acho até que contei neste espaço, uma amiga, perguntada sobre o novo namorado, que tinha comportamentos que sabidamente ela não gostava, respondeu, com um sorriso malicioso, que ela o mudaria.

É bom quando o sapo vira príncipe. Mas é raro. Mais comum é o príncipe virar sapo, ou menos. Trata-se de expectativas. Esperamos demais da pessoa que elegemos. E nunca tratamos dessas expectativas. Normalmente porque essa discussão traria a verdade à tona. E ela acabaria com nosso enlevo, vale dizer, acabaria com nossos sonhos. Acordaríamos. E basta estarmos acordados durante todo o tempo.

Relacionamentos estão cada vez mais fugazes, efêmeros. talvez em decorrência dessa idealização que fazemos, e cedo nos decepcionamos. Ou talvez porque há a opção de separar, e nem sempre tentamos tempo suficiente, ou com a dedicação necessária.
Triste, mas é um sinal dos tempos.

O vídeo abaixo, uma pegadinha de péssimo gosto, ilustra bem o que penso a respeito. Só que a venda, nós mesmos a colocamos.




domingo, 15 de julho de 2007

Jogos Panamericanos

Lula foi vaiado na abertura dos Jogos Panamericanos. Mas está com uma aprovação recorde, segundo vários institutos de pesquisa. O que isto quer dizer?
  • que o público dos jogos não se beneficia dos bolsas-esmolas que o governo dá e não tem porquê aprovar Lula;
  • que o público veio de avião;
  • que o público achou caros os ingressos, e não está nem aí para o fato de que as obras do Pan custaram 10 vezes mais que o orçado;
  • que o público, na verdade, era composto por claques contratadas pela oposição para vaiar Lula;
  • que ninguém que estava lá jamais teve boi para vender;
  • que o público achou que tratava-se de outro, não de Lula;
  • que Lula não sabia que o público estava lá;
  • que as vaias não eram para Lula, mas para qualquer outro que aparecesse para levar a culpa;
  • que nunca antes neste país um presidente foi vaiado na abertura dos jogos Panamericanos;
  • que a Marta não é mais ouvida, sexualmente falando.

Lula desistiu de discursar.Magoou. O público do Rio, entretanto, deveria tê-lo saudado. Foram destinados mais de mil viaturas para a segurança do Pan, além de 600 câmeras de vigilância, equipamentos de comunicação digital, armas, etc. Os atletas devem estar com péssima reputação, pois antes dos jogos os equipamentos não foram disponibilizados. Ou alguém acordou, acreditando, sim, que o Rio de Janeiro precisa de maior aparelhamento de segurança. Discussões inúteis, já que os equipamentos agora estão lá (dizem as notícias que 75% deles vão permanecer depois dos jogos).

E as emissoras de TV já começaram com aquele ufanismo chauvinista (perdão pelo pleonasmo, mas é assim mesmo que estão as TVs). Os atletas são heróis, a festa é a maior das Américas, etc, etc. Enquanto isto, aquelas notícias dos herdeiros do Aqui, Agora ficam fora de foco, como se merecessem estar em focos nos dias normais.

Enfim, assunto para vários dias.

sábado, 14 de julho de 2007

Entendendo o Brasil

O Brasil tem uma dads maiores cargas tributárias do mundo. Chega a estar entre 35 e 38% do PIB. É uma montanha de dinheiro. Mas precisamos entender os motivos, para poder avaliar com isenção.

O valor é alto. Mas parte dele sustenta a construção e manutenção de nossas estradas. Que, sabe-se, não têm buracos, Têm sinalização farta e em ótimo estado. E se você está pensando em falar dos pedágios, deixe de ser mal-humorado.

Outro benefício é a saúde pública. Com esse dinheiro dos impostos, hospitais são construídos, aparelhados e mantidos. O investimento é necessário para manter os serviços rápidos e sem filas. Pois, como todos sabemos, a velocidade e a presteza no atendimento médico são essenciais. E, de novo, se você está pensando na CPMF, deixe de ser mal-humorado.

São tantos os benefícios que fica até difícil escolher. Mas falemos dads coisas mais tangíveis. Educação, segurança, etc, etc. Nosso dinheiro vai é para isso, certo.
Mas ainda há muitos destinos, nobilíssimos, para nossos impostos.

Políticos precisam de ajuda. Por este motivo, algumas obras incluem em seus custos um valor para que, dividido entre esses políticos, sejam essa ajuda de custo necessária e vital para a democracia. Além das obras, temos doações de campanha, ajuda de empresas, etc. E se você pensou no salário, na ajuda de custo, nas verbas de despesas, etc, etc, etc, recomendo novamente: para de ser ranzinza. Você não quer realmente o bem do Brasil, você só quer motivos para reclamar.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Respeito

Estes dias, uma amiga me ligou e me chamou para jantar. Vamos. Fomos. Um papo estranho, um astral contaminado. Levei uma bronca! Como é que eu podia estragar minha vida assim? Assim como, disse eu, já preocupado com minha inconseqüência?

O problema é que eu não tinha namorada. Onde é que estava com a cabeça? O que iria fazer quando, velho, precisasse de ajuda? Como é que eu podia viver sem ter com quem desabafar? Como é que eu podia viver sem ter alguém que me confotasse nos momentos difíceis?

Interessante!

Mas, veja, minha amiga, esse não é o ideal de companheira que tenho. Pelo que sei, há enfermeiras. Que cuidam de nós quando não estamos bem. E há os CVV, que nos socorrem nos momentos difíceis.E, para o resto, estou me lixando.

O caso é que essa minha amiga estava muito brava. Muito. E falou comigo naquele tom de quem está bravo.

Será que eu dei a entender que precisava disto?

Minhas conversas com minha filha são ponteadas pela educação. E pelo respeito mútuo. Que inclui o respeito pelas posições assumidas pelo outro, independentemente de nossa aprovação ou concordância. Em suma, cada um faz suas escolhas, e convive com elas. No erro, continuamos aqui, amando incondicionalmente. No acerto, a alegria de um é a felicidade de outro. Mas uma coisa é certa: não invadimos o espaço alheio.

Eu sempre louvo esse tipo de comportamento. E a minha filha também. Invasões não são mais que isto: invasões. Uma violência da qual não gostamos. E não aprovamos.

E tem mais, minha querida e brava amiga. Quando eu estiver procurando alguém (o que não vai acontecer, pois acredito que as coisas acontecem por si), não me basearei nas minhas necessidades, presentes ou futuras. Uma parceira, companheira, esposa, tem de ter suas qualidades intrínsecas. Baseadas nos seus valores, na sua vida, nas suas crenças. Não importa se vai me suportar na velhice, ou se vai aliviar meus maus momentos.

Enfim, minha amiga, não temos a mesma visão sobre motivos e futuro. Estou bem, lamento que você não concorde. Lamento mais, lamento que você ache que sua raiva me fará desacreditar nos valores que cultivo. E lamento que você, seja qual for o motivo, desrespeite minhas decisões e posições sobre minha própria vida.

Assim nascem os tiranos. Felicidade é relativa e subjetiva. E eu, aqui, mesmo preso em meu mundinho, me sinto bem feliz. Deste jeito que sou.

A propósito, minha amiga: adeus!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Espaço político?

Estava revendo alguns textos deste blog, e concluí, não sem tristeza, que muitas das abordagens falam de política. Aviso: esta será mais uma.

Não é o propósito do blog. Que deveria ser sobre meus dias, minhas lembranças, minhas experiências. Mas as ações do governo e seus representantes têm impacto direto em nossas vidas. Mais: como deixar de reagir perante tantos desmandos, tanto cinismo?

Nós, que não somos baratas kafkianas, reagimos. Quando um senador diz que não sabe do que está sendo acusado, mesmo que o assunto esteja na efervescência total, só pode ser cinismo. Cinismo ofensivo, pois nos trata como completos idiotas alienados. O que não somos. Eu, pelo menos, não visto a carapuça. Quero respostas, embora minha vontade não tenha conseqüência maior que uma brisa tem sobre um carvalho. Ou seja, eu sozinho nada sou e nada posso.

Não importa. Importa que não concordo, e minha discordância é expressa nestas mal digitadas linhas. Um desabafo mudo, isolado, escondido. Mas uma posição. Acho que não mudarei nada neste mundo. Como não mudaria se contasse como foi engraçado ou triste qualquer fato de minha vida (propósito do blog). Mas escrever é isto, o resultado pode não existir, mas as palavras ficarão.

Mas uma coisa tem me intrigado, e é a falta de reação popular. Conversas de bar, taxistas, etc., existem, mas são superficiais. Como se as coisas acontecem espontaneamente, não por uma inércia moral-administrativa. Se o senador cair, qual a conseqüência? Qual a causa? Qual a lição? Vazio, um grande vazio na reação popular.

Certa vez, numa palestra a um grupo de estudantes de uma escola da periferia, observamos que alguns assuntos lhes eram totalmente estranhos. Assuntos abordados pela Veja, pelo Jornal Nacional, assuntos comentadíssimos, mas desconhecidos. Envolvimento, mesmo, somente com assuntos diretamente relacionados a eles. Empregos, violência, polícia (no mesmo tópico da violência). Falávamos de constituição, e eles queriam saber o que tinha a ver com eles. Justiça, artigo de luxo, era para ricos, não para eles. Corrupção, como eles poderiam saber disto? Não tinham poder para serem corrompidos, não tinham dinheiro e motivos para corromper. Corrupção era, então, uma lenda urbana. Podia até existir, mas tão distante de suas realidades que jamais se sensibilizariam com ela.

Hoje, o quadro pode ser pintado com as mesmas cores. Chego em casa, quero saber como está minha filha. Conversamos sobre diversos destes assuntos, mas por uma imposição nossa. Mais minha, na verdade. E crio, nessa condição, uma estranha num ninho em que a malhação e os namorados da Sandy são muito mais importantes que as vacas do senador.

As mães que têm sua comida por fazer, roupa por lavar e passar, os pais cansados (tanto quanto as mãe?), os filhos com suas internet, como podem cuidar dessa oeirntação dos filhos? Como pode caber, no dia-a-dia enlouquecido da rotina, o futuro do Brasil?

Assim, mesmo perante tudo isto, vou seguindo com o blog. Ora falando de política, ora de outra coisa mais amena. Na esperança de que, palavras semeadas no deserto, algumas vinguem e brotem. Não seria maravilhoso se uma só somente brotasse?

Que sementes? Não sei ao certo. Minha mensagem é: discutamos nossa nação, nossas leis, nossos representantes. Um dia, dessas discussões nascerá uma luz. Já terá bastado.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Senado Federal

O senador Renan Calheiros resolveu endurecer. Para tirá-lo, não basta cara feia. Tem de sujar as mãos.

Sujar as mãos? Quando é que se suja as mãos? Para pegar coisas limpas, ninguém suja as mãos. Mas, se a coisa está enlameada, é outra coisa.

Ele disse que não sabe de quee é acusado. Senador, senador... leia um pouco, senador. Demóstenes Torres gritou lá da patuléia: é de quebra de decoro!!! Mas, quem ouviu? Não quem interessava.

Senador, senhor é acusado de ter despesas pessoais pagas por uma empreiteira. Sua respostaà acusação, senador, não foi convincente. O Jornal Nacional mostrou que as alegações são inverossíveis. Assim, senador, sane as dúvidas. Ninguém se interessa pela sua agenda horizontal, cmo diz o Elio Gaspari. Mas é relevante para a nação saber quem paga suas dívidas.

E os senhores senadores, que fazem? Uns exigem. Outros, calam. E calam fundo. Compromisso, senhores, é com o povo. Por menos que se queira. Ensina a moral, tão esquecida nestes dias, que verdade, honestidade e honra fazem parte do ideário popular. Não fosse assim, não teríamos tantos exemplos de funcionários humildes e pobres que, encontrando grandes somas de dinheiro, o devolvam para seus donos. Não precisavam fazer isto. Não têm contas em bancos, os valores não aparecem em extratos, não há testemunhas, não há ex-mulheres e caseiros. Mas eles devolvem o dinheiro. Sabem por quê? Porque são pessoas essencialmente honestas, para quem honra e verdade têm importância. A conta da luz, a comida na mesa, roupas, tudo isto é importante. Mas, senhores senadores, uma cabeça erguida, para essas pessoas, é muito mais importante que o benefício do conforto pessoa.

Precisamos de brasileiros que se preocupam com outros brasileiros. Basta de brasileiros comprometidos com o próprio umbigo.

Senador Renan Calheiros: o autismo não lhe pega bem. Só mostra que, como presidente do senado da república, temos uma pessoa que nem jornais lê. Pior: envolvido num escândalo, prefere apostar no conto de fadas.

Precisamos é de realidade.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Ria muito

Tem novas "Pracas do Braziu", no site kibeloco.

Vale a pena. Como bônus, um vídeo do Jô lendo essas "pracas".

Impagável...

Trânsito nas estradas

O trânsito na Castello Branco ontem era de avenida urbana. Muitos carros, e muitos caminhões. Que estavam trabalhando, claro. Mas merece registro a velocidade com que alguns trafegam. A ponto de pressionarem carros muito mais velozes à sua frente.

Já escrevi aqui sobre o assunto, mas vamos bater na mesma tecla. Numa via em que a velocidade máxima para carros é de 120km/h, a dos caminhões é de 90km/h. E é alta. Principalmente em se considerando que o que limita a velocidade deles não é a norma legal, mas a física. Ou seja, fique na frente de um caminhão na descida, e a gravidade é quem vai mandar.

Cada vez que acontece um acidente com vítimas envolvendo caminhões, sempre aparecem os espantados. A imprensa, as autoridades, o povo. Mas o risco já existe, e espantoso é que não haja maior número de acidentes.

Defendo uma posição que já me gerou inúmeras discussões com um grande amigo. Assim como há o cinto de segurança, obrigatório, defendo um limitador de velocidade, também obrigatório. Quando o veículo atingir uma determinada velocidade, o limitador entra em ação e impede maior aceleração. Mas não só em caminhões, mas também em veículos de passeio. Meu amigo acha uma invasão. Acho que os custos da saúde pública relacionados aos acidentes de trânsito justificam.

A propaganda de alguns carros reforça a valocidade final, ou a aceleração do veículo. Num país em que o maior limite é 120 km/h, se faz propaganda de carros que atingem 220km/h. Para que? Parece que é um poderoso argumento de venda.

Se o fulano comprou um carro que pode ir até 220, 240 km/h, por que ele vai andar menos? Começa por aí.

Certa vez, conversando com um motorista de um guincho, ele reclamou dos limites. Disse que a velocidade que ele poderia desenvolver era muito maior, o que de fato ele fazia, quando sabia não ter fiscalização (segundo ele mesmo). Mesmo carregado.

O potencial de causar danos do caminhào é muito maior que o de um carro. Por isto mesmo, os cuidados deveriam ser maiores, proporcionalmente maiores. Enquanto isto, arriscamos a, em vez de voltar para casa, terminar o caminho enroscados em um caminhão.

Então, o limitador. Em vez de punir, evitar. Não seria mais fácil e menos doloroso?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

9 de julho

Feriado em São Paulo. Mas não para mim. Estou longe, onde a luta paulista não chega a emocionar.
Mas deveria. Aquela era uma época (1932) em que as pessoas ainda se importavam com a política. Lembremos que a luta era pela reforma constitucional. Não à toa falei de mudanças constitucionais neste espaço.

À medida em que o tempo passa o eleitor-cidadão vai se distanciando das discussões da pátria. Como desabafo, todos participam. Mas é só. A última grande manifestação popular foi a do impeachment. Antes, a Diretas Já. Depois...

Acho que o problema não é das pessoas. É do sistema. Discutir é uma coisa. Mas, e a ação? Que ação tomar? Pelas vias normais, não há saída. Nossos representantes não nos recebem, ou o fazem com um cinismo de enjoar. Manifestações são tão inócuas que não adianta fazê-las. Violências, nossos dias as estão eliminando. O que fazer, então? Votar? Sim, votar seria uma solução. Mas severinos, rorizes, barbalhos, fugidos de punição, acabam sendo reeleitos. Pelo povo. Que parece gostar deles, e da realidade representada por eles.

Assim, que resultado dá votar?

O fato é que é saudoso o fato de alguém participar da vida política do país, fora os políticos. Quando Lula alegou que no congressso há 300 picaretas, ele estavam outro lado da cerca. Ainda jogando pedra no telhado de vidro. Dos outros. Hoje, aquele Lula, que participou das Diretas Já e do Impeachment está em cima do muro. Tucanou? Pior é que não...

domingo, 8 de julho de 2007

A quem interessa?

Uma das alterações constitucionais foi a que eliminava o limite de 12% de juros . Constava da constituição de 1988 e foi alterada no interesse "do Brasil".

Acho mesmo que estava errado. Era algo como dizer que é preciso chover a cada 12 dias, ou que a lei da gravidade estava revogada. Mas e o resto?

Vejamos: quem foi beneficiado pela medida? Bancos, claro! Que fizeram lobbies e mais lobbies contra o dispositivo constitucional. Ganharam a mudança, ainda na época de Pedro Malan. E estavam precisando mesmo, coitadinhos desses bancos. Como resultado, recordes e recordes de lucratividade nesta terra de Macunaíma. Sem o limite, temos os maiores juros do planeta. A máquina bancária foi enxugada, tarifas e mais tarifas são cobradas, e os lucros estão nas alturas.Impressionante, não é?

Hoje, o presidente do Banco Central é homem dos bancos. saiu de um banco, vai voltar para ele depois do sacrifício de servir ao governo. O que podemos esperar? Medidas em favor do povo? Ou em favor dos bancos?

Os trabalhos são rápidos na esfera legislativa quando envolvem interesses de financiadores de campanha, como bancos e empreiteiras. Você contribui para campanhas? Espere sentado, então, pois nenhuma lei vai ser priorizada em seu favor.

Imagine então se alguma lei vai ser votada visando acabar com essa falta de foco do congresso. Você acha que eles devem fazer suas próprias regras de funcionamento? Você concorda com o fato de não trabalharem às segundas-feiras? Com as despesas de combustível ressarcidas? Com o fato de não terem necessidade de prestar contas a ninguém? Com as férias, merecidas, duas vezes ao ano, além do expediente reduzido?

Pois é, mas esta alteração você não vai ver. Ninguém irá propor que eles não votem em matérias em que sejam parte interessada.

Esta é a democracia, que etiquetamos como única alternativa ao péssimo período da ditadura. Essa democracia está se exaurindo. Quem está se beneficiando? Não o povo, com certeza.

sábado, 7 de julho de 2007

O Cristo, maravilha

E o Cristo foi um dos eleitos como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

Merecemos parabéns?

O Cristo Redentor

Terminou ontem a votação para as 7 Maravilhas do Mundo Moderno. O Cristo está concorrendo. O resultado deve sair às 15h (de Brasília). O Cristo estava em oitavo em uma das prévias. Será que deu?

Pessoalmente, acho que não tem a mínima importância. Fora os interesses comerciais envolvidos, a votação é de uma inutilidade espantosa. Ao estabelecer o número cabalístico de sete, que objetivo teriam os organizadores? Eleger sete substitutos, claro. E daí?

Já falei neste espaço sobre outras votações tão importantes quanto esta. Por exemplo: quem é melhor, Senna ou Schumacher? Pelé ou Maradona?

Santa Falta do que fazer, Batman!

Parece que as nações muito precisam de lenitivos. E estes se expressam nos heróis locais. Pelé, Senna, o Cristo teriam essa característica. Seriam uma vitória nossa, de todos, com a qual nos embriagaríamos, festejaríamos, esqueceríamos ois boigates e bezerrogates da vida, e por um período, um breve período, seríamos completamente felizes...

Se o Cristo não vencer, tem o Pan. Junto com o Pan, tem a Copa América. Se não der, tem o campeonato brasileiro... Distrações lúdicas para nossa vida carente de realidades.

Agora, se o Cristo vencer, aí a coisa muda de figura. Multidões do mundo todo afluirão ao Brasil, ao Rio de Janeiro, para ver a maravilha. Esquecerão dos assaltos, dos homicídios que muitas vezes vitimam turistas, as balas perdidas, o caos aéreo, tudo isto para ver o Cristo. Esquecerão que o Brasil tem uma sexóloga à frente da pasta da cultura, e sua ação mais firme até hoje foi uma recomendação baseada na sua especialidade. Enfim, se o Cristo for eleito, milagres acontecerão...

Só mesmo no Brasil. Como Deus é brasileiro, pode até ser mesmo.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Antes que eu me esqueça

Quero protestar contra o modo como o agora ex-senador Joaquim Roriz renunciou. Em vez de subir à tribuna e nos (des)encantar com seus dons de ator dramático, pediu ao Mão Santa que lesse seu pedido de renúncia. Se sua performance (à la Odorico Paraguaçu, lembrou a Veja) deixou a desejar, o de Mão Santa, então, foi sofrível.

E depois querem que a TV Senado dê Ibope...

Inocência Presumida

Você é uma pessoa normal, que trabalha, eventualmente estuda, e tem seus passeios de vez em quando. Pergunto: você está sendo investigado por algum crime? Acredito que não.

Por que é, então, que há tantos políticos investigados por crimes e contravenções? Perseguição? Não acredito. A profissão é de risco? Pela fila, parece que não. Então, o que acontece?

Ah, meios e oportunidades. Sherlock Holmes acreditaria que ambas as condições se apresentassem para esses "profissionais". Diferentemente de você, eles podem ajudar outros a "se ajudarem". E, daí, amizades florescem...

O senador que assume o lugar de Joaquim Roriz já assume com essa mácula: investigado por crimes anteriores.

Ninguém é culpado até que seja julgado, certo? Certo! Mas o contrário também é verdade. Neste caso, pelo menos. O acusado é inocente até que se prove sua culpa? Não. Está sob investigação.

Uma acusação é um indício. Duas, pode ser coincidência? E três? Deve ser culpa, acredito. Mas, se ainda não pode ser considerado culpado, eu não o classificaria de inocente...

Enquanto nossas instituições não evoluirem, continuaremos amarrando canhorro com lingüiça. É pena. O Brasil merecia mais.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Caos

Um acidente na marginal, lá no fim dela, causa o maior transtorrno em São Paulo. Ao chegar pela rodovia dos Bandeirantes, encontrar o trânsito parado na via de três (até quatro pistas), com velocidade máxima de 120 km/h já é um péssimo sinal.

Interessante notar como as pesssoas reagem ao fato. alguns lêem. Outros, muitos outros conversar pelo celular. Alguns se irritam, inutilmente, claro. Em comum, o fato de que todos vão se atrasar para alguma coisa.

Costumo dizer que, nessas situações, podemos escolher vários caminhos alternativos, mas, na verdade, escolhemos onde é que vamos ficar parados. A saída, supliciana, é relaxar.
Certa vez, ao conversar com uma amiga, eu notei que estava irritado. E percebi que o motivo da irritação era que, naquele dia, o trânsito estava andando, e eu não estava conseguindo ler o jornal. A gente se acostuma com cada coisa...

O mar de carros em São Paulo é impressionante. Aí escuto na CBN uma especislista dizer que é preciso trocar o carro pelos transportes públicos, para evitar congestionamentos. Como não tenho vocação para sardinha, troco de emissora.

Resultado: chego atrasado quase duas horas ao meeu compromisso. Por ser São Paulo, a resignação e compreensão são totais. Para viver no inferno temos que ter resignação...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Controladores aéreos

Ontem o Jornal Nacional deu uma importante informação como se fosse um mero detalhe, sobre a crise aérea. Desde o acidente do avião da Gol, a crise a;i está. Uma das causas seria falha humana dos controladores de vôo envolvidos. Pois bem, em reação a essa acusação, os controladores passaram a trabalhar, em termos de quantidade de vôos controlados, no limite indicado pelas normas. Isto causou um grande impacto, pois havia muito mais vôos por controlador do que a segurança permitia (conforme a norma).

É bom repetir, para ficar bem claro: passaram a trabalhar de acordo com a norma. O que quer dizer que, antes do acidente, as normas de segurança não eram respeitadas, ao menos no que diz respeito à quantidade de vôos por controlador.
É uma constatação fácil de ser feita. Basta comparar quantidade de controladores, quantidade de vôos controlados e comparar com a norma. É simples, não?
Parece que não. Até agora, ao menos, não vi nenhuma análise nesse sentido. E o assunto me interessa, leio muito sobre ele. Mas ainda não encontrei essa vertente de análise.
Dizer, então, que a crise se restringe à irresponsabilidade dos controladores é, em si mesmo, uma grande irresponsabilidade. Se o "detalhe" apresentado na Globo for uma verdade, muda radicalmente o horizonte de culpas.

Sucateamentos
Os hospitais públicos estão sucateados. Prédios velhos, equipamentos quebrados, móveis em ruínas. Atendimentos do INSS estão nas mesmas condições. Exemplos há aos montes. Mas há outro ponto comum: a falta de mão-de-obra nesses locais. O sucateamento das instalações físicas é acompanhado de perto pela falta de preparação de pessoal. O que acontece é que os investimentos não são feitos, e sem eles não há "Plano B". O "Plano B" é não precisar de "Plano B".
E isto inclui contratação de novos funcionários. Não terá sido diferente na área do controle aéreo.

Desde quando?
Com certeza não é um problema que surgiu na era PT, embora tenha sido apresentado à sociedade nos anos Lula. Com certeza esse descaso vem desde Fernando Henrique, provavelmente antes até. É o resultado de anos de foco em cosmética, em ações eleitoreiras. É resultado do custo do marketing de eleição, que suga os recursos de outras áreas. É resultado de uma aposta econômica que enxergava qualquer desencaixe como gasto, mesmo que pudesse ser chamado de investimento.
É o resultado da falta de dinheiro do governo, que, infelizmente, teve dinheiro para as obras superfaturadas do Pan, para o mensalão, para o Aerolula.

Até quando?
Declarações infelizes não nos deixam muito animados com os cenários. Quando Marta aconselhou o povo a relaxar, deixou subentendido que solução não havia. Idem para a análise manteguiana. E idem para a declaração do presidente da Infraero, cuja paciência já estava no fim...
A solução realmente não é fácil, nem rápida. Assim como é resultado de anos de descaso, o caos aéreo só vai se encerrar com muito trabalho (preparação técnica de novas pessoas) ao longo de um tempo mínimo. É uma equação implacável: quantidade de vôos (permitidos pela norma) para uma quantidade de controladores. Atingi-la vai exigir tempo. E paciência. E dinheiro.

Mas...
Essas mesmas declarações mostram o quanto o governo tem tergiversado a respeito. Ninguém assume o erro, ninguém está errado. Só os controladores. Num governo em que "todo mundo faz" (Lula, sobre o caixa 2), e que "são uns aloprados"(Lula, sobre o dossiê na campanha presidencial), o hábito é passar por cima de normas para fazer o que se quer fazer. Os controladores, então, tinham mesmo de desrespeitar a norma para encobrir uma ineficiência do governo em manter infraestrutura adequada.
Quando o governo parar de repassar culpas, e encarar os problemas, vai ter condições de enfrentá-los. Se não enfrentá-los, entretanto, é pouco, muito pouco provável que eles se resolvam.

Não justifica...
Os controladores já deram seu recado, e tenho de apoiar sua decisão de agir segundo a norma. Mas, ao adotar comportamentos, deliberadamente, que complicam ainda mais a situação dos passageiros, perdem toda a razão. Colocam grandes obstáculos na vida de meio mundo, e para que?

Mas convenhamos
O calvário dos controladores precisa ser mostrado. Não aquele, com viés sensacionalista que temos visto nas TVs. Aqueles depoimentos sem rosto e voz mascarada(para evitar reconhecimento) são pobres em termos de informação. Mostram a face emocional, e precisamos de racionalidade para analisar a situação.
E a informação, tratada como detalhe pelos meios de comunicação, é que a norma finalmente está sendo seguida. Em qualquer outro lugar do mundo, seria algo a se comemorar. No Brasil, é um problema.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Ponto e contraponto

O Ponto
Quando me propus a escrever este blog, uma premissa era a de não falar sobre a vida profissional. Por outro lado, não seria fiel às efemérides de minha vida se, vez por outra, não mencionasse algo.
Ontem foi um dia bem especial, em que recebi uma notícia feliz. Vencemos uma concorrência para sermos fornecedores de uma importante empresa brasileira.
O certame foi marcado pela técnica e competência, o que aumenta o orgulho pela escolha. Do lado do cliente, um script baseado em história e técnica indicaram os candidatos na concorrência.
Do lado do concorrente, uma lisura, atesto sem receio, digna de nota. Postura sempre ética, leal e cordial.
O resultado era imponderável. Podíamos ganhar, como podíamos perder. Pelos critérios adotados, ganhamos. E, num mundo como este em que estamos, uma vitória assim, eivada de certezas éticas, é um bom sinal para todos.

O Contraponto
Tenho certeza de uma coisa na concorrência mencionada acima: os valores financeiros envolvidos não são desprezíveis. Apesar disto, imperou a ética. Quando vejo as notícias, concluo que o mundo privado ainda está melhor que o público. Não que esta seja a regra das concorrências exclusivamente privadas. Há negócios tão cheirosos como os há denunciados nos jornais. Mas há estes, em que as partes (todas) resolvem deixar que competência e técnica imperem, apesar de valores envolvidos.
Leio na Folha que parentes de um ministro ganharam contratos com o governo. Vejo desdobramentos de denúncias de corrupção na Infraero. E por aí vai...
Que bom, para a minha alma, que não sou mais do mundo autárquico-governamental!

O Pesponto
Rudy Giuliani assumiu a prefeitura de Nova Iorque com altos índices de criminalidade. Com ações voltadas a dificultar a ação de criminosos, adotou uma postura de exemplo: se os crimes "menores" eram punidos rigorosamente, os maiores também o seriam. Este lógica levou a cidade a ser um modelo de gestão contra a criminalidade, que realmente diminuiu.
No Brasil, a lógica do exemplo também acontece, mas no mau sentido. O novo presidente do Conselho de "Ética" do senado devolveu o processo por erros processuais originados por... Renan Calheiros.
Estabelece-se uma lógica de beneficiar o acusado por conta de ações do próprio acusado. Descaradamente, uma ação entre amigos. Assim, com a terceira figura da república, aquele que pode vir a substituir ou suceder o presidente em caso de impedimento, temos um bom exemplo de que amigos existem. Giuliani faria o que? E nós, o que faremos?

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A agressão dos meninos do Rio

Depois do assassinato do índio Galdino, em Brasília, e das reações apaixonadas, o assunto esfriou. Como será neste caso da barbaridade do Rio de Janeiro. Mas, depois de um tempo, a revista veja entrevistou, nas páginas amarelas, um dos pais. Juiz de direito, afirmou ter se interessado pela justiça criminal depois do ocorrido. E relatou a grande mudança que isto lhe acarretara, principalmente em relação a forma de encarar crimes e criminosos.

A lei penal está aí para, na verdade, ao mesmo tempo proteger o acusado e punir.

Do lado da proteção, imagine que uma autoridade o acuse de ter cometido um crime. Não fossem as medidas criadas para proteção (baseadas, inclusive, no preceito constitucional de que ninguém é culpado até que se prove sua culpa), você poderia sofrer (mais, muito mais) nas mãos dessa autoridade.
O outro lado desta moeda é a impunidade, ou sensação de, que ela acarreta.

O pai de um dos meninos expressou sua preocupação com relação à prisão deles ao lado de tantos criminosos profissionais. Compreensível. Mas crime é crime, e a realização foi com requintes de crueldade. A moça, indefesa, ainda foi duramente espancada, por cinco (cinco!) rapazes. Justifica-se a prisão? Bem, logo em seguida, outras pessoas passaram a se apresentar para registrar mais acusações contra o bando (agora transformados em bando, pois continuamente praticavam crimes). E agora, o que diria o pai desses garotos?

Às vezes, algumas pessoas saem do sério, e cometem um ato do qual vão se arrepender. É o caso das brigas de trânsito, das motivações passionais. Nesta caso, não houve arrependimento. Houve mais ameaça. Se dentro da polícia o comportamento é esse, o que dirá lá, na rua, protegidos pelo anonimato?

O pai das declarações deve estar estupefato, descobrindo essa faceta da personalidade do filho. Mas, infelizmente, o que ele disse já bastou para destacar uma das características do sistema jurídico brasileiro: eles são jovens, estudam, trabalham... têm dinheiro, na verdade. Embora a lei não faça distinção por esse lado, o sistema sim. E é provável que a impunidade se apresente, ou, ao menos, que punição seja branda.

É o Brasil, onde a justiça é cega, mas tem muita gente que a conduz.

domingo, 1 de julho de 2007

Saudades do PT

Antes de assumir o poder, o PT era um partido puro. Radical, mas puro. Embora não tivéssemos confiança para lhes dar cargos majoritários, era bom ver que alguém ainda se preocupava em apurar acontecimentos, conhecer as verdades. E estava sempre e sempre procurando chifres, mesmo em cabeça de cavalos, em busca de culpados.

Aquele saudoso PT tratava todos como culpados. E estava sempre atiçando os cães em cima desses acusados. O julgamento era prévio, e o partido não descansava senão quando já tinha infernizado bastante a vida desses "criminosos". Sim, era um outro PT. Esta é a fotografia do passado.

No presente, ainda há a fotografia, mas vemos somente o negativo. E em plena época de fotos digitais, onde o negativo nem existe mais.

Mas agora o PT é constitucionalmente correto. Todo mundo é inocente até que se prove sua culpa. Principalmente aliados. Mas, um momento! Todos são aliados!
O presidente Lula já manifestou seu apoio a Renan Calheiros. Assim como a Dirceu. Palocci. Aos aloprados. Enfim, hoje o PT é só absolvição. Do Lulinha Paz e Amor chegamos ao PT Paz e Amor.
Saudades daquele PT que investigava, que queria a todo custo a verdade. Era tanto que até irritava. E hoje também irrita. Pelo motivo contrário.

O PSOL, de Heloísa Helena, é o PT do passado. Sem o mesmo radicalismo, embora ainda radical. Mas está fazendo sua parte. Pediu investigações contra Renan. Agora contra o Bezerroriz, ops, desculpe, Roriz.

Está fazendo um belo trabalho pela pátria, esse PSOL. Vamos combinar o seguinte: não elejamos nunca um de seus membros para cargos majoritários. Porque Lord Acton tinha razão: "o poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente."