quarta-feira, 6 de junho de 2007

A verdade

Uma vez ouvi a história dos cinco cegos que foram postos a descrever um elefante. Cada um posicionado em um ponto: um sentia a orelha, outro a tromba, outro a perna... e assim por diante. E cada um descreveu aquilo que sentia seu com seu tatear, limitado ao espaço que lhe fora destinado. E, na hora de avaliar, ninguém estava realmente certo, embora nenhum estivesse realmente errado.
Como pode ser? Com sua compreensão limitada e sua experiência táctil, cada um poderia até estar completo na sua descrição. Mas, intimamente, como poderia cada um saber do todo que compreendia o que ele estava sentindo e descrevendo? E como, limitado, poderia saber que havia mais, muito mais, o que descrever e conhecer?

Na Alegoria da Caverna, Platão nos oferece a mesma visão, por outros olhos. As experiências e interpretações, limitadas pela pouca (ou nenhuma) experiência dos "cavernistas", os levam a acreditar em verdades que nunca poderiam existir senão em mentes predispostas e preconceituadas. A alegoria das cavernas nos coloca em frente à interpretação limitada pela experiência pessoal, e na desqualificação de outrem segundo a visão que essa experiência concede. E, de volta à caverna (daquele que viveu experiência externa), tendo experimentado o mundo, fica aquele "cavernista" condenado a, de novo, ter de ver o mundo limitado pelas sombras.

Acho que ele se adaptou.

Quantas são as decepções que nos causa, ao sair da caverna, ter uma interpretação diferente do mundo. Como nos incomoda ver e constatar que nossos semelhantes ainda têm aquela visão
(agora) retrógada da vida, e como suas avaliações estão contaminadas por verdades apenas aparentes.

E como é triste não perceber que nunca alcançamos a verdade absoluta. O máximo que conseguimos é evoluir de uma caverna para outra.

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