sexta-feira, 29 de junho de 2007

Reforma Partidária e listas

A Câmara rejeitou - e comemorou o fato - os votos em listas. Sejam fechadas, como queria o projeto original, seja em listas mistas (metade por indicação e a outra metade por voto direto dos leitores). O próprio congresso tratou de derrubar a institucionalização dos currais eleitorais (epa! Nada a ver com bois e boiadas).

Prevaleceu o bom senso? Não me parece. Parece-me somente que os congressistas votaram pela sobrevivência. Pois quem está bem com a cúpula hoje pode não estar amanhã, devido ao jogo de interesses.

Está comprovado o seguinte: nem os políticos confiam na classe política. Fosse uma classe confiável, parece-me lógico que todos seus integrantes endossassem a oportunidade única da perenização. Ao invés, rejeitaram a proposta, parece-me que preocupados com a influência interna, etérea e imponderável. Porque ninguém duvide que, se a proposta lhes garantisse "estabilidade", ela seria aprovada.

E essa reforma política começaria aí, e passaria pelo financiamento público de campanhas. Um assunto dos mais sensíveis. Existiu um limite por eleitor, de R$ 7,00. Que seria Pan-ultrapassado, claro. Mas o conceito merece discussão. Hoje só se candidata com chances reais quem tenha uma sólida fonte financeira ou uma sólida reputação (boa ou ruim, ou mesmo insípida e inodora, mas reputação). Com esse financiamento público, imaginava-se lá na mesa de chá da saudosa Velhinha de Taubaté, que acabariam os caixas-dois de campanha. E os lobistas. E...

Mas é claro que essas coisas continuariam a existir. As superproduções de vídeo, as locações, as matérias especiais continuariam, claro. Pois, se lembrarmos das primeiras campanhas pela TV (engessadas), chegavam a dar vontade de ouvir a Voz do Brasil...

E, nessa "reforma", ainda, outros achados da classe política, com seu modo particular de enxergar a vida, como a cláusula de barreira, votos distritais, etc.

Uma ressalva: algumas das idéias são boas e merecem discussão, mas temo que sua aprovação dependa do grau de impacto que terá nas pretensões de suas excelências.

Uma alteração que acho justo chamar de reforma: o fato de impedir que os interessados/envolvidos votem em questões que os interessem. Assim, mudanças de salário poderiam ser votados somente para a próxima legislatura, regras de funcionamento, alterações regimentais, etc. Este sim, é um início promissor para uma reforma que se pretende que tenha sucesso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário