segunda-feira, 11 de junho de 2007

Reflexões

Um fim-de-semana atípico, entrincheirado contra uma horda de vírus, mas depois de estragos já feitos. Recolhido, sem muitas opções a não ser tentar respirar normalmente (sem tossir), tive longas conversas com um amigo que há muito sumira.

Amigo de tantas horas, às vezes o diabinho no ombro, outras tantas vezes o anjinho. Ora estimulando as travessuras, ora chamando à razão, por conta de sua exclusiva interpretação do que era certo e errado. Uma vida inteira juntos, bons e maus momentos, todos os momentos.

Relembramos a vida, e ficamos tentando adivinhar o que seria se os caminhos escolhidos tivesse sido outros. E se... e divagávamos, quase sempre sem rumo, com a desculpa de tentar desvendar a vida. E sempre, invariavelmente, acabávamos numa piada que nos fazia gargalhar, para somente então dar início a outra viagem.

Há um filme, do qual sempre gostei, e que vejo sempre que posso, que trata do mesmo assunto.
É o "Destino em Dose Dupla" (Mr. Destiny), com James Belushi, que ilustra bem o que foi nossa conversa. Uma diferença fundamental: no filme, o personagem erra uma jogada de beisebol. Ele não escolhe errar, simplesmente erra. Em nossa viagem-divagação, tratamos de nossas escolhas.

Por ser uma viagem em flash-back, tratamos de tudo: vida pessoal, profissional, brincadeiras, estudos etc. Como foram vários dias de estado febril, tosse, dores no corpo e etc, foi uma conversa entremeada de pausas, que nos levavam, aos espasmos, a episódios de diferentes tempos de nossas vidas.

Casamento, separação, escolhas profissionais. Tudo o que era relevante foi revisitado. Colocamos dedos em feridas, algumas cicatrizadas, outras que nunca fecharão. A conversa às vezes foi dura, com acusações de comportamentos inadequados ou tendenciosos. Noutras vezes, teve conotação de julgamento, naqueles episódios em que nossa consciência invadiu o assunto e impediu outras considerações racionais, ou seja, as culpas que nos atribuímos. Alguns fatos quiseram chamar a autopiedade para se justificar, prontamente rechaçada. Pois que a discussão era a portas fechadas, era imprescindível que a verdade não fugisse.

Ao final, concluímos, não sem grandes discussões, que nossas escolhas nos definem. E que justificam nossa história, seja ela boa ou não. E que, fossem diferentes as escolhas, seríamos um diferente "eu". E, no final das contas, se estamos felizes com o que e com quem somos, isto é o que importa. A conclusão não nos salvou de puxões de orelha e afagos, claro. Algumas coisas poderiam ter sido feitas de modo diferente, e outras precisam ser repetidas. Mas, no geral, nossa vida é boa.

Ah, quem é meu amigo? É minha consciência, infelizmente minha mais rigorosa fonte de avaliação. Que bom que é assim, mas que pena que seja assim.

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