segunda-feira, 18 de junho de 2007

A polêmica de Lamarca

Nesta semana, uma notícia agitou o meio militar. Foi a concessão, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, da patente de Coronel a Carlos Lamarca, guerrilheiro morto em 1971 por tropas do governo. A medida garante a percepção, pela viúva, de pensão equivalente ao soldo de uma patente acima, a de general, pouco mais de R$ 12 mil reais.

As fontes de informação são dissonantes em relação aos fatos. Alguns apontam Lamarca como um guerrilheiro frio e traidor da pátria. Outros o apontam como herói que lutava contra a ditadura no Brasil.
Os fatos concretos são que Lamarca, então capitão do exército, desertou e participou de ações armadas, inclusive assaltos a agências bancárias, num dos quais assassinou um vigilante. Depois dessa, há outras ações de Lamarca com vítimas fatais, sendo alguns desses homicídios diretamente atribuídos a ele.

Sua morte também está cercada de polêmica. A versão oficial diz que foi morto em tiroteio com as tropas federais, já que resistira à ordem de prisão abrindo fogo. Outra versão o apresenta como gravemente enfermo, desnutrido, totalmente sem condições de combater e, portanto, reagir à ordem de prisão.

A ditadura é um triste capítulo da história do Brasil. Quem se lembra da morte de Vladimir Herzog, e dos episódios do Rio Centro tem razões para desconfiar da história oficial. Os partidários da ditadura sempre apresentam versões aderentes aos seus atos e interesses, claro.

Por outro lado, as vítimas inocentes que tombaram nas ações de Lamarca também devem ser lembradas. Para combater a ditadura, que levou tantos inocentes, seria válido sacrificar outros tantos?

Por fim, quaisquer que sejam os crimes cometidos pelo Capitão, nenhum deles poderia determinar na sua execução, aceitando-se a versão alternativa da história.

Já tão distante a ditadura (oficial), algumas de suas vítimas já se encontram integrados à vida nacional. Fernando Henrique, José Dirceu, José Serra, só para mencionar poucos, são um vivo exemplo disto. Interessa saber se a ditadura produziu um guerrilheiro, ou se sua morte foi justa?

A família Lamarca já pagou diversas vezes a conta dos atos do Capitão Carlos. Se depender de mim, ela pode aproveitar essa concessão em paz. Nada trará de volta os anos e os familiares tirados pela ditadura. Não precisamos esquecer o passado, mas que ele não contamine nossas ações presentes.

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