sexta-feira, 29 de junho de 2007

A novela do senado

A Rede Globo, depois dos últimos acontecimentos no senado, poderia cogitar parar de produzir novelas, muito caras, como se sabe. Há as locações, os salários dos atores, os autores, etc. Em lugar delas, poderia transmitir direto do senado.

É uma verdadeira novela.

Joaquim Roriz, acusado de negociar partilha de mais de R$ 2 milhões de reais (com base em gravações telefônicas, com a voz do próprio senador), passou vários dias longe do senado. Ressurgiu ontem, e foi para a tribuna. Ajoelhou, chorou, lamentou, reclamou, choramingou. Gesticulou, gesticulou, gesticulou...

Um show. Mas parece que, no roteiro, não estava prevista nenhuma justificativa para a conversa, além daquela já dada: foi um empréstimo, de R$ 300 mil, do Nenê Constantino (fundador da Gol). O resto, foi devolvido... E era para comprar uma bezerra! Ah, bom, então tá...

A bezerra deve ter sido comprada do Renan Calheiros, cujo gado alcança preços excepcionais, devido à alta qualidade...

A Associação Nacional de Proteção às Vacas e Outros Bovinos (cuja sigla é MUU) está pensando em solicitar à justiça retratação dos senadores, por envolvimento em tantos casos obscuros. Quer acabar com conversa para boi dormir, com essa avacalhação. Tem saudades dos escândalos dos arapongas, que não eram uma classe mobilizada para reagir.

Assombrosa a desfaçatez com que somos bombardeados com essas manifestações. Um acha que nada fez de errado. O outro também, e ambos estão indignados com o "massacre".

Indignados, senadores, estamos nós. Que esperamos, no mínimo, que acusações com tal grau de sensibilidade sejam tratados sem emoção, mas com muito respeito. E que as explicações sejam dadas, de forma peremptória e categórica. Se isto fosse feito, o massacre, garanto, acabaria. Até agora, entretanto, nada foi feito... Com quem está a bola?

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