segunda-feira, 4 de junho de 2007

A mudança comportamental

Fui cobrado, vamos lá.


Mudanças comportamentais e metas

Quando há necessidade de mudança comportamental, não é tão simples assim tê-la como meta. Porque desta vez não há forma de mensurar avanço. Essas questões são quase binárias, do tipo sim ou não. Assim atinge-se a meta ou não a atinge. Certo?

Errado.

A idéia que temos é exatamente essa. Quando não conseguimos, uma única vez, cumprir aquilo a que nos determinamos em termos de comportamento, já somos logo tentados a desistir. Mas há outras formas de atingirmos nossas metas. Ou melhor, de aferirmos se estamos progredindo.

Inicialmente, é preciso lembrar algumas características desse tipo de mudança.
Estamos mudando um comportamento que tivemos durante muito tempo, às vezes ao longo de toda uma vida. É compreensível que a mudança seja difícil. Mas nem por isto é impossível. Todavia, mesmo possível, ela será sempre gradual. Poucas coisas mudam nesta nossa vida de forma tão abrupta, e quase sempre com grandes traumas. Não é o caso das mudanças de que necessitamos.

Outra característica desse tipo de mudança é a necessidade de decisão em fazê-la de fato. E, nessa decisão, temos duas possibilidades. Fazer, ou fingir fazer.

É preciso explicar.

Quando tomamos a decisão de fingir fazer, normalmente é porque estamos sendo pressionados para mudar, por nós mesmos ou por outra(s) pessoa(s). E, às vezes, o custo dessa mudança é alto demais, e não queremos pagar. Ou, simplesmente não queremos mudar, só estamos aceitando (aparentemente) o desafio de mudar, às vezes desafio auto-imposto.
A pessoa que se encontra nessa circunstância, depois de algum tempo desiste. Este é um fato concreto, para esta situação.

Cito o exemplo do fumante, que cede aos apelos de familiares e amigos e larga o fumo. Seus argumentos, antes da decisão, são que "já tentou...", mas nunca teve sucesso. Na verdade, sua decisão não é a de largar o fumo. Sua decisão, íntima e não declarada, é a de provar a todo mundo que ele não consegue. E, assim, acontece a auto-sabotagem que, depois de um certo tempo, o leva a desistir da guerra. Sua expressão mental será "eu não falei que não conseguia?"

Essa auto-sabotagem só reafirma suas crenças para a próxima encenação de tentativa. E, uma atrás da outra, ele vai repetir o comportamento. E, em cada vez, ele vai nos provar como tinha razão...

Agora, quando a decisão é para valer, quando a mudança é realmente desejada, o processo é diferente. A decisão é de fazer, acontecer, fazer acontecer. E a ação ganha novos rumos.
Para começar, a meta é desejada. Depois, houve a decisão de atingir a meta. E esta é uma poderosa diferença.

Nesta situação, a pessoa realmente, com base numa situação ou um conjunto de situações, chega à conclusão de que precisa mudar. Conscientemente compara problema e solução. E vê vantagens em mudar. E decide. As chances de sucesso aumentam exponencialmente.

Aqui, a mensuração do avanço acontece de forma diferente. O comportamento que se quer mudar é vinculado a alguma circuntância. Então, vamos ver como nos comportamos nessa dada circunstância.
Por exemplo, você deseja mudar a forma de reagir ao seu, digamos, irmão. Cada vez que ele começa alguma coisa, você já perde logo a calma, e a conversa vira briga.

O que no comportamento dele a tira do sério? Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional, conceitua essa perda de controle como "seqüestro emocional". Quando isto acontece com você, qual é o gatilho? Algo que ele disse? Que ele fez? Ou é a história, falando alto, e contaminando, lá do passado, suas reações presentes?
Qualquer que seja a resposta, a identificação é importante. E uma antecipação dessa circunstância, uma pré-visualização mental da cena, pode fazer com você evite o seqüestro. Prepare-se para o fato, esteja pronto para dominar-se. Resolva dominar-se.

Na hora H, a história é outra? Ok, tente de novo. E de novo. Até que a tentativa se transforma em fato concreto, e você evita de fato a explosão.

Eleanor Rooselvelt disse: "as pessoas só podem te ferir com o seu consentimento". Ela quis dizer que você só se ofenderá se der esse poder a outrem. Ao escolher o que tira você do sério, você se coloca no controle de sua vida. E das suas emoções, o que é a mesma coisa. Quem pode realmente mexer com você? Você decide.

Embora aqui colocado como uma série de passos, frios, fáceis de escrever, não é fácil de implementar. Exige isenção, dedicação, expiação. É um longo trajeto, e a frustração espreita ao longo dele. É uma guerra.

Mas, como disse Og Mandino:
O Fracasso jamais me surpreenderá se a minha decisão de vencer for suficientemente forte.

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