domingo, 17 de junho de 2007

Identidades e tecnologia

Falei da integração tecnológica entre os diversos órgãos do governo, para unificar e simplificar documentos. A Lilian perguntou se podia ser um chip. Pois bem, vamos lá.
Nos Estados Unidos, o chip já é uma realidade. O FDA (Food and Drug Administration) aprovou projeto que prevê um chip do tamanho de um grão de arroz, a ser implantado sob a pele. Sensores lêem a informação nele gravada e identificam a pessoa que o carrega. As utilizações são vastas, e justamente por isto, vem recebendo críticas e apoios apaixonados.

Defensores apontam a possibilidade de serem utilizados como medida anti-seqüestro. Seria efetivo, já que não há como saber, sem instrumentos, quem carrega um chip desses. Acoplados a sistemas de GPS (Sistema de Posicionamento Global, ou
Global Positioning System), podem localizar pessoas e animais perdidos (e, claro, automóveis e etc).
É uma situação pós-Orwelliana, já que nem o escritor imaginou tamanho controle sobre o ser. O Big Brother vigia atentamente cada ação de cada ser humano. Nossa versão são as câmaras de vigilância que vêem tudo o que acontece. Tão celebradas como temidas, geram uma enorme discussão sobre invasão à privacidade. Os chips subcutâneos devem seguir a mesma direção. Aqueles que podem salvá-lo de um seqüestro são os mesmos que podem rastreá-lo no cinema, em casa de amigos, nos shoppings, etc. Daí a grita. De minha parte, acho que essa privacidade já é relativa. Nossos gastos com cartões de crédito e débito de banco, os endereços pelos quais navegamos na internet, tudo é indício de quem somos, do que gostamos, o que queremos. Talvez ainda nem tenhamos nos dado conta disto, mas já estamos expostos demais. A utilização de tão poderosa tecnologia assusta as pessoas. O medo da impotência diante dos poderosos é que alimenta esse sentimento. Já se disse que a consciência não é senão o medo de estar sendo observado. Em benefício próprio, o ser humano precisa admitir alguns limites ao conceito que tem de liberdade. Será livre aquele que se esconde em casa, sitiado por crimes e perigos evitáveis?

Um comentário:

  1. É para se pensar no assunto...
    Bom de um lado e perigoso por outro.
    Mas, meu voto é a favor.
    Vc ficaria rico se "inventasse"
    esse chip por aqui...
    Pelo menos rico em idéias vc já é.
    Beijos,
    Lilian.

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