terça-feira, 26 de junho de 2007

Dois lados

De um lado, a classe política querendo dar um golpe branco, e estabelecer um retrocesso na nossa forma de votar. O projeto de listas estabelece que serão eleitos aqueles que forem escolhidos pelos partidos. Votamos nas listas que eles montarem. Agora, a novidade é a regra de precedência. Os atuais deputados terão direito de encabeçar as listas. Ou seja, é a perenização desse estamento que aí está.

A classe política está tão acostumada a fazer o que quer que algumas coisas simplesmente soam absurdas. Se passar, será um golpe legal e legítimo, apesar de imoral. Preocupada somente com seus próprios interesses, diversas outras medidas necessárias, mas contra as conveniências da classe política nem sequer por ela serão apreciadas. É, como digo sempre, o comportamento do cachorro amarrado com lingüiça.

Precisamos acabar com a legislação em causa própria. Precisamos fazer com que os deputados façam aquilo para que foram eleitos, não essa politicagem. O código civil demorou décadas para se transformar em realidade. Apresentado no início dos anos 70, o projeto foi votado somente há poucos anos, numa espera de trinta anos. Trinta anos! Para um conjunto de leis de profundo impacto na vida dos brasileiros.

Já a lei de aumento salarial do presidente, ministros, deputados e senadores foi votado bem rapidinho. Muito rapidinho. Rapidinho demais. Claro, o assunto é urgente e relevantíssimo. Mas que o código civil...

Nas questões que os envolvem, os nossos representantes deveriam ser impedidos de votar. Os resultados recentes comprovam: mensalão (absolvidos quase todos), (extintas) votações às segundas-feiras, CPIs evitadas... o cachorro come a lingüiça que o amarra.

O outro lado: o povo não está preocupado. Fora uma parcela pequena de interessados nos processos políticos, o resto não se move, não se apresenta, não opina. E, na hora de decidir grandes questões, se omite. Se a questão das listas fosse a plebiscito, o que poderia acontecer? Nada. Seria uma grande votação por inércia, onde o mais astuto em termos de comunicação venceria.

Grandes questões não parecem fazer parta da esfera de preocupação de grande parte da população. Se fosse um reality show, a audiência ficaria bem abaixo Dos Big Brothers da vida... Alias, outra não é a explicação da volta triunfal daqueles que, fugidos das punições, voltaram à vida parlamentar/executiva. Exemplos: Jader Barbalho, José Roberto Arruda, Antônio Carlos Magalhães...

Ainda mais uma faceta da crise toda: sabe o que estão achando os eleitores de Sibá Machado sobre sua conduta no caso Renan Calheiros, de quem é aliado? Nada. Não estão achando nada de nada. Porque Sibá Machado não recebeu um único voto para ser senador. Ele é suplente de Marina Silva. E esta sim, recebeu os votos que validam as ações de Sibá no Senado. Está certo isto? Bem, é legal. Não quer dizer que seja moralmente defensável. Nem quer dizer que não precise mudar...

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