terça-feira, 5 de junho de 2007

Caminhos da vida

Nos caminhos da vida, que percorremos com nossas aspirações, sonhos, medos, traumas, segredos, idealizamos aqueles momentos cruciais que têm o poder de nos definir. Mentalmente montamos o cenário, e colocamos neles os componentes que achamos que devem estar lá.

Vítórias, para essas há cenários. Com pessoas que amamos, nossos amigos, para compartilhar da alegria. Inimigos, se há de verdade, para que "aplaudam em pé nossa vitória", repetindo uma frase piegas deste nosso Brasil. Nesse cenário, o sol coroa o esforço. Todos reconhecem nossa luta, todos se alegram pela vitória. A energia ainda vibra, e nossa garra ainda ecoa. Felicidade total, problema zero.

Derrota, não montamos cenários para as derrotas. Porque nem aceitamos pensar nela. Não admitimos essas presença em nossas vidas, e consideramos que revezes, é verdade, acontecem, mas a derrota é definitiva. E, enquanto houver luta, derrota não há.

Em nossas lutas, no meio dos porquês, sempre há alguém que surge como recorrente, ali, por nós e para nós, e motivo para a luta em si. E, esse alguém (que pode ser muitos alguéns) sempre tem o condão de ser causa e conseqüência, e, levando-nos a vencer uma guerra, nos leva para a próxima guerra, pois não é pacífica esta vida.

De vitória em vitória, sem aceitar os revezes-derrotas, vamos seguindo, com alguém, buscando nossas metas, desejos, vitórias.

O problema é quando alguém não há. Não há lutas, há somente as contendas. Não há vitórias, pois não há cenário. E nem há comemoração, pois nem houve vitória. E nossa luta, sem alguém, sem lutas, sem vitórias, nem existe.

Existe a sucessão de dias, interminável, e damos graças que seja assim. E ficamos a torcer para que a normalidade seja permanente, pois que nos acostumamos às sucessões. E a vida vai passando, cobrando seus preços, já que ninguém vive impunemente. E nos esquecemos daqueles dias, idos já, em que nossos cenários se enchiam de glamour, já cheios de gente. Nem lembramos mais daquela garra, daquela energia que a vitória nos traz, ou deveria trazer.

E, quando nos lembramos que a vida é para viver, o que nos faz nossa própria história? Grita alto que é tarde, que gastamos a vida na mediocridade da segurança, na segurança da mediocridade... Apresenta a conta alta da falta de assumirmos riscos, apresenta o excesso de cautela como freio de nós mesmos... E cobra: O que fizemos com nós mesmos?

Ao sem cenário, àquele que não aceita a derrota, essa mera possibilidade é uma afronta. E, àquele que montou seu cenário, mais ainda. Pois que a vida, enquanto ainda presente, ainda é palco. Ainda é hora. Ainda há tempo. Montemos, pois, cenários de vitória, e desmontemos aqueles que se firmaram sem nossa permissão.
Que rejeitemos nossas derrotas, aceitas apenas eufemisticamente como obstáculos. E trilhemos, cada vez mais, e sempre, o caminho de nossos cenários.

Que nós encontremos alguém, mesmo que sse alguém ainda não esteja em nossas vidas. Que seja uma homenagem antecipada, a uma vida que aceitamos viver. Não, não que aceitamos. Mas que resolvemos viver.

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