quarta-feira, 13 de junho de 2007

Boas companhias

Em reclusão forçada, fui reler algumas de minhas obras prediletas. Parei em Sherlock Homes.

Pelo conjunto da obra, fascinante. Conan Doyle tece tramas tão instigantes que terminam por envolver-nos em três dimensões, e cada história ganha cores de realidade.

Conan Doyle, que era oftalmologista, passou a escrever Sherlock Holmes baseado na capacidade dedutiva de um professor seu, Dr. Joseph Bell, que assombrava alunos e pacientes com ela. Após a publicação do primeiro (Um Estudo em Vermelho), passou a construir mais e mais histórias baseadas na lógica dedutiva. Interessante notar que o médico House, da série homônina que a Universal transmite também foi baseado no professor Bell, por casa das mesmas caraterísticas de observação e dedução.

Mas Sherlock Holmes (batizado inicialmente de Sheringford Holmes) incomodava seu autor, que queria se dedicar a "coisas mais sérias". Radicalizou ao provocar sua morte, nas quedas suíças de Reichenbach, onde o herói morreu com seu arquiinimigo, o Professor Moriarty (1893).

Dez anos depois, graças a uma grande e ruidosa temporada de protestos e pedidos, o herói foi "ressuscitado", e seguiu na sua carreira, para grande desgosto de Conan Doyle e grande regozijo dos fãs.

Interessante também notar que o famoso Ladrão de Casaca, Arsène Lupin, nasceu devido ao sucesso de Sherlock Holmes. Uma revista francesa, a "Je Sais Tout", que queria um personagem francês para concorrer com o inglês Holmes, encomendou o personagem a Maurice Leblanc, que criou um Robin Hood galante, bem à francesa. Também Lupin é um enorme sucesso, embora nem de perto igual a Holmes.

Um passeio pelas histórias de Sherlock Holmes nos transportam não somente para contos policiais, mas também para uma época em que o carro ainda não existia, a iluminação era a lampiões, e os principais transportes eram os trens.

Assisti a alguns filmes de Holmes, inclusive aqueles em que a expressão "Elementar, meu Caro Watson" ficou famosa. Pela mistura de histórias e pela liberdade dos produtores, não gostei dos resultados, já que sou um purista. E, a bem da verdade, essa expressão nunca foi escrita por Conan Doyle, portanto nunca foi proferida por Holmes.

Ainda hoje, segundo relatos de revistas especializadas, há um enorme afluxo de turistas ao número 221-B, da Baker Street, que era o endereço oficial de Holmes em Londres.

Este é um caso em que a criatura ficou maior que o criador. Sherlock Holmes terá, certamente, lugar garantido em qualquer compilação de sucessos literários.

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