sábado, 30 de junho de 2007

Resolvido

O governo resolveu o problema do caos aéreo: agora ninguém mais sai do chão.

Ok, foi infame. É que desta vez botaram a culpa em São Pedro, que deve ser do PSOL. A culpa é do clima (comandada por São Pedro, que ainda guarda as chaves do Paraíso, que, dizem, fica no céu), que levou neblina a diversos aeroportos, daí o caos.

Deve ser mais uma conseqüência do aquecimento global, manipulado pelo Al Qaeda, em conjunto com Chávez e com os descontentes com a derrota de Segolene na França. Porque, embora muito jovenzinho, nunca tinha visto tamanha bagunça por causa de neblina.

Injustiça com o PT!

Palavra de especialista

Falei aqui sobre a novela no senado federal.

A Cláudia Valli, no Blog da Valli, analisou a questão sob uma ótica profissional. Com um olhar crítico.
Veja o resultado no Blog da Valli, sob o título "Espetáculo Lamentável", de 30/06.

A propósito, esse é um dos blogs que vale a pena visitar.

Motos

Uma notícia da Folha On-line dá conta de que aumentou o número de mortes de motoqueiros em São Paulo. Alguém se surpreendeu?

Estes dias, chegando em São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes, o trânsito estava quase parado. Carros circulando a 5km/h, em vários kilômetros de lentidão. À frente, quando o trânsito começou a andar, um carro mudou de faixa. Logo atrás vinha uma moto, e estava a uma boa distância. Sem perigo, portanto. Pois o motoqueiro passou e chutou o carro. E seguiu gesticulando veementemente.

Fiquei pensando em qual terá sido a reação do motorista. Que mal viu a moto se afastanto. E que, com certeza, não a viu chegando. Porque era uma curva, e ele não poderia mesmo vê-la, por mais que tentasse. E, numa manobra válida, mudou de faixa e foi chutado...

Essas motos (era a primeira de um grupo) passaram a pelo menos 80 Km/h (estimativa minha, um chute, pode ser menos, mas pode ser mais). Transitando nessa velocidade, em meio a carros parados, é óbvio que há perigo. E que, se um carro sair um pouco de sua linha, há mais perigo ainda.

Impressionante que o motoqueiro tenha se sentido com autoridade para chutar o carro que não infringiu nenhuma lei de trânsito. E, mesmo que quisesse, não poderia ver a moto se aproximando. É, a lei da selva no trânsito de São Paulo. Os perigos existem, os motoqueiros os ignoram, as famílias sofrem... A morte é o limite? Não devia ser.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A novela do senado

A Rede Globo, depois dos últimos acontecimentos no senado, poderia cogitar parar de produzir novelas, muito caras, como se sabe. Há as locações, os salários dos atores, os autores, etc. Em lugar delas, poderia transmitir direto do senado.

É uma verdadeira novela.

Joaquim Roriz, acusado de negociar partilha de mais de R$ 2 milhões de reais (com base em gravações telefônicas, com a voz do próprio senador), passou vários dias longe do senado. Ressurgiu ontem, e foi para a tribuna. Ajoelhou, chorou, lamentou, reclamou, choramingou. Gesticulou, gesticulou, gesticulou...

Um show. Mas parece que, no roteiro, não estava prevista nenhuma justificativa para a conversa, além daquela já dada: foi um empréstimo, de R$ 300 mil, do Nenê Constantino (fundador da Gol). O resto, foi devolvido... E era para comprar uma bezerra! Ah, bom, então tá...

A bezerra deve ter sido comprada do Renan Calheiros, cujo gado alcança preços excepcionais, devido à alta qualidade...

A Associação Nacional de Proteção às Vacas e Outros Bovinos (cuja sigla é MUU) está pensando em solicitar à justiça retratação dos senadores, por envolvimento em tantos casos obscuros. Quer acabar com conversa para boi dormir, com essa avacalhação. Tem saudades dos escândalos dos arapongas, que não eram uma classe mobilizada para reagir.

Assombrosa a desfaçatez com que somos bombardeados com essas manifestações. Um acha que nada fez de errado. O outro também, e ambos estão indignados com o "massacre".

Indignados, senadores, estamos nós. Que esperamos, no mínimo, que acusações com tal grau de sensibilidade sejam tratados sem emoção, mas com muito respeito. E que as explicações sejam dadas, de forma peremptória e categórica. Se isto fosse feito, o massacre, garanto, acabaria. Até agora, entretanto, nada foi feito... Com quem está a bola?

Reforma Partidária e listas

A Câmara rejeitou - e comemorou o fato - os votos em listas. Sejam fechadas, como queria o projeto original, seja em listas mistas (metade por indicação e a outra metade por voto direto dos leitores). O próprio congresso tratou de derrubar a institucionalização dos currais eleitorais (epa! Nada a ver com bois e boiadas).

Prevaleceu o bom senso? Não me parece. Parece-me somente que os congressistas votaram pela sobrevivência. Pois quem está bem com a cúpula hoje pode não estar amanhã, devido ao jogo de interesses.

Está comprovado o seguinte: nem os políticos confiam na classe política. Fosse uma classe confiável, parece-me lógico que todos seus integrantes endossassem a oportunidade única da perenização. Ao invés, rejeitaram a proposta, parece-me que preocupados com a influência interna, etérea e imponderável. Porque ninguém duvide que, se a proposta lhes garantisse "estabilidade", ela seria aprovada.

E essa reforma política começaria aí, e passaria pelo financiamento público de campanhas. Um assunto dos mais sensíveis. Existiu um limite por eleitor, de R$ 7,00. Que seria Pan-ultrapassado, claro. Mas o conceito merece discussão. Hoje só se candidata com chances reais quem tenha uma sólida fonte financeira ou uma sólida reputação (boa ou ruim, ou mesmo insípida e inodora, mas reputação). Com esse financiamento público, imaginava-se lá na mesa de chá da saudosa Velhinha de Taubaté, que acabariam os caixas-dois de campanha. E os lobistas. E...

Mas é claro que essas coisas continuariam a existir. As superproduções de vídeo, as locações, as matérias especiais continuariam, claro. Pois, se lembrarmos das primeiras campanhas pela TV (engessadas), chegavam a dar vontade de ouvir a Voz do Brasil...

E, nessa "reforma", ainda, outros achados da classe política, com seu modo particular de enxergar a vida, como a cláusula de barreira, votos distritais, etc.

Uma ressalva: algumas das idéias são boas e merecem discussão, mas temo que sua aprovação dependa do grau de impacto que terá nas pretensões de suas excelências.

Uma alteração que acho justo chamar de reforma: o fato de impedir que os interessados/envolvidos votem em questões que os interessem. Assim, mudanças de salário poderiam ser votados somente para a próxima legislatura, regras de funcionamento, alterações regimentais, etc. Este sim, é um início promissor para uma reforma que se pretende que tenha sucesso.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Pureza de alma

Estes dias, almocei com um amigo com quem há muito não conversava.
Ele me contou que, depois de quase trinta anos, surgiu na sua vida uma filha que ele não conhecia, e que não sabia da existência (por escolha da mãe, diga-se). E que, por uma dessas felizes coincidências, ela morava na mesma cidade que ele.

Encontraram-se, conheceram-se e às suas famílias, e se integraram. A esposa deste meu amigo a recebeu como se fosse sua própria filha, assim como seus novos irmãos. Hoje, são uma nova família, integrada e feliz.

Bem, conhecendo o que conheço desse amigo, acho que não poderia ser diferente. De sua integridade e caráter, não se poderia esperar nada diferente. Pessoa franca, sincera, verdadeira. Hoje, por um acaso, um concorrente profissional meu. Mas, sempre, um grande amigo.

Apesar de ser o lógico a se esperar de uma pessoa como ele, me emocionei com o desfecho. As fotos que ele compartilhou comigo transbordam felicidade. As famílias se integraram de uma forma maravilhosa. Fico feliz pelo amigo.

E desejo, de todo coração, que sua felicidade só aumente, e que seja um exemplo para muitos outros, porque é inspiradora. Para mim, é exatamente isto: um exemplo e uma inspiração.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Anacronismos

Ainda sobre o senado:

  • por que é mesmo que o mandato de um senador dura oito anos, contra quatro do deputado?
  • por que é mesmo que o senador tem um suplente que não foi votado?
  • por que é mesmo que o Brasil tem dois senadores por estado, independentemente do número de eleitores que ele representa? A medida faz com que o voto de um estado populoso (como São Paulo) tenha o mesmo peso que o de um estado de densidade populacional muito baixa (como o Amazonas).
  • por que é mesmo que as eleições são descasadas em relação aos outros cargos?
  • por que é mesmo que precisamos de um sistema bicameral?
  • por que é mesmo que o senador não precisa se licenciar para concorrer a outros cargos eletivos?
O Senado é, hoje, uma instituição anacrônica. Não paramos nunca para pensar, nós que não nos importamos muito com as coisas. Mas precisamos reavaliar as instituições. O senado inclusive.

Sua formação, suas quantidades, suas funções, seus ocupantes. As regras de elegibilidade. Tudo. Tudo...

É hora de assumirmos o controle de alguns pontos importantes de nossas vidas. O julgamento desse estamento, quando envolve seus pares, é um. É o amigo em tela, é a proteção que fala alto. Quanto se trata de desconhecidos (nós), vale a impessoalidade. Defendo a impessoalidade sempre.
Terminenos com a proteções a pares. Acabemos com as prerrogativas de legislar em causa própria, Estabeleçamos regras de conduta e de desempenho para esses senhores que têm uma função muito, muito nobre: a de estabelecer as nossas condições de vida.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Dois lados

De um lado, a classe política querendo dar um golpe branco, e estabelecer um retrocesso na nossa forma de votar. O projeto de listas estabelece que serão eleitos aqueles que forem escolhidos pelos partidos. Votamos nas listas que eles montarem. Agora, a novidade é a regra de precedência. Os atuais deputados terão direito de encabeçar as listas. Ou seja, é a perenização desse estamento que aí está.

A classe política está tão acostumada a fazer o que quer que algumas coisas simplesmente soam absurdas. Se passar, será um golpe legal e legítimo, apesar de imoral. Preocupada somente com seus próprios interesses, diversas outras medidas necessárias, mas contra as conveniências da classe política nem sequer por ela serão apreciadas. É, como digo sempre, o comportamento do cachorro amarrado com lingüiça.

Precisamos acabar com a legislação em causa própria. Precisamos fazer com que os deputados façam aquilo para que foram eleitos, não essa politicagem. O código civil demorou décadas para se transformar em realidade. Apresentado no início dos anos 70, o projeto foi votado somente há poucos anos, numa espera de trinta anos. Trinta anos! Para um conjunto de leis de profundo impacto na vida dos brasileiros.

Já a lei de aumento salarial do presidente, ministros, deputados e senadores foi votado bem rapidinho. Muito rapidinho. Rapidinho demais. Claro, o assunto é urgente e relevantíssimo. Mas que o código civil...

Nas questões que os envolvem, os nossos representantes deveriam ser impedidos de votar. Os resultados recentes comprovam: mensalão (absolvidos quase todos), (extintas) votações às segundas-feiras, CPIs evitadas... o cachorro come a lingüiça que o amarra.

O outro lado: o povo não está preocupado. Fora uma parcela pequena de interessados nos processos políticos, o resto não se move, não se apresenta, não opina. E, na hora de decidir grandes questões, se omite. Se a questão das listas fosse a plebiscito, o que poderia acontecer? Nada. Seria uma grande votação por inércia, onde o mais astuto em termos de comunicação venceria.

Grandes questões não parecem fazer parta da esfera de preocupação de grande parte da população. Se fosse um reality show, a audiência ficaria bem abaixo Dos Big Brothers da vida... Alias, outra não é a explicação da volta triunfal daqueles que, fugidos das punições, voltaram à vida parlamentar/executiva. Exemplos: Jader Barbalho, José Roberto Arruda, Antônio Carlos Magalhães...

Ainda mais uma faceta da crise toda: sabe o que estão achando os eleitores de Sibá Machado sobre sua conduta no caso Renan Calheiros, de quem é aliado? Nada. Não estão achando nada de nada. Porque Sibá Machado não recebeu um único voto para ser senador. Ele é suplente de Marina Silva. E esta sim, recebeu os votos que validam as ações de Sibá no Senado. Está certo isto? Bem, é legal. Não quer dizer que seja moralmente defensável. Nem quer dizer que não precise mudar...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Resumo

A situação está da seguinte maneira:

  1. Renan Calheiros está avacalhando as investigações.
  2. Nunca a aviação brasileira foi tão segura. Quanto menos aviões no ar, menor a probabilidade deles caírem.
  3. Está a maior discussão em setores no governo. A dúvida é se o culpado pela crise aérea é Santos Dumont, ou são os irmãos Wright.
  4. Marta sofreu atrasos no vôo. Será que relaxou?
  5. Renan Calheiros dá uma boiada para não sair dessa briga do senado.
  6. O trânsito de São Paulo está ruim por causa da properidade. Em alguns dias, a prosperidade é maior, muito maior.
  7. Passageiros que não conseguem voar até as nuvens seguem o conselho de Marta.
  8. Renan Calheiros está sendo cogitado para Ministro da Agricultura, com os maiores índices de produtividade da história.
  9. O PAC caiu no esquecimento, não avacalhado, mas empacado.
  10. José Sarney, que é de Alagoas, acha que as histórias contra Renan Calheiros são "papo para boi dormir".
  11. A China, que está com uma das maiores "taxas de prosperidade" do planeta quer contratar Guido Mantega com consultor internacional para problemas diversos.
  12. Está explicada a grande velocidade de raciocício do senador Suplicy. Quando a coisa está bem quente, ele simplesmente relaxa.
  13. O governo vai inaugurar a TV pública com um programa matinal sobre sexo, e já tem nome certo para apresentá-lo.
  14. Segundo José Simão, agora as siglas significam: TAM: Tomara que Atrase Mesmo e Varig: Viações Aéreas Relaxe I Goze. E, ao final de cada vôo da Gol, o comissário anuncia: "-Obrigado por escolher a Gol. Foi bom para você?"
É o país da piada pronta, tem razão o Simão. Que, para encerrar, disse que o passageiro só tem motivos para lembrar de Santos Dumont quando está no aeroporto: ou está no avião, ou está olhando o relógio de pulso. Era um visionário...

domingo, 24 de junho de 2007

Epa

Já tinha divulgado o post do Febeapá quando fui passear pela internet, e achei um post da Maria Inês Dolci tratando do mesmíssimo assunto. Coincidência, mas o dela foi postado antes, dia 22/06.
O Blog dela é um dos que vale a pena conhecer.
http://mariainesdolci.folha.blog.uol.com.br/.
O interessante é que muita gente tem lembrado, com esse governo e esses ministros, do Febeapá...

Febeapá

José Simão diz que este é o país da piada pronta. Não há como discordar. E isto me lembrou os livros de Stanislaw Pontepreta (Sérgio Porto), O Fepeapá (Festival de Besteiras que Assola o País). Neles, Sérgio Porto registra, de todos os cantos do Brasil, aqueles fatos que merecem registro, unicamente pelo fato de serem descomunais besteiras. Por exemplo, o caso daquela cidadezinha que, numa homenagem póstuma a uma professora, batizou a nova escola com seu nome. E, na inauguração, o discurso mais bonito foi o da... homenageada...

Se fosse vivo, Sérgio Porto teria uma grande fonte, somente no governo federal, para publicar centenas e centenas de livros. Mas o avanço dos meios de comunicação, e coisa e tal, fez com que as besteiras ficassem mais sofisticadas. Por exemplo:
Relaxa e goza, porque depois você esquece todos os problemas.
De Marta Suplicy, Ministra do Turismo Sexual
É a prosperidade!
De Guido Mantega, sobre a causa do caos aéreo.
Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano.
Lula, elogiando (!!!) a cidade.
É o sub do sub do sub.
Lula, sobre Robert Zoellick, então (em 2002) no Departamento de Comércio Exterior dos Estados Unidos, hoje presidente do Banco Mundial.
Cidade é exportadora de veados.
Lula, em Pelotas (RS), querendo fazer graça.


Enfim, José Simão que se cuide, pois logo ele será um supérfluo. O Brasil já tem piadistas demais. Mas graça de menos...

sábado, 23 de junho de 2007

Brasilidades

Aeroportos e autoridades
Finalmente uma ação concreta! Afastaram os controladores que estavam liderando/participando das operações destinadas a causar transtornos aos passageiros. Sobre eles, tenho a dizer o seguinte: já que não queriam mesmo trabalhar, que sejam afastados. Avião não é só turismo. É trabalho e necessidade. Mas quem vai ao aeroporto, não importa o motivo da viagem, precisa ser respeitado. Os controladores não estão preocupados com isso.
Já a declaração da Marta é um acinte, um achincalhe. E ela é ministra! Mas viaja mais nos aviões da FAB, não enfrenta o caos que os simples mortais enfrentam.
E a declaração do Guido Mantega, então, parece resultado de conversa de bar. Daquelas em que, filosifica e etilicamente, propomos as causas e soluções das mais esdrúxulas para qualquer problema. Quer dizer, então, que o governo não trabalha com cenários futuros, preparando a infraestrutura para o grau de crescimento (ou prosperidade) esperado? Sim, ele é ministro também. Mas nem parece...

Controladores
Mas uma coisa precisa ser dita: quem entra em órgãos públicos, com suas paredes mofadas, equipamentos antigos, móveis em estado de decomposição, pode imaginar como está o aparelhamento dos controles de vôo. Nesse ponto, dou razão aos controladores. Que tal chamar uma empresa para avaliar as condições de trabalho desses profissionais? Isento necessariamente, o resultado pode, além de propor medidas, analisar os dois lados da questão.

Boiada das Alagoas
No escândalo do PC Farias (de Alagoas, também), surgiram cheques sacados contra o Banco Rural. Os horários mostravam movimentação nas madrugadas (autenticações). Foi uma das provas contra os asseclas do Caçador de marajás, pois não se tem notícias de bancos abertos nesse horário para saques com cheques).
Agora, no novo escândalo, as GTA (Guia de Trânsito de Animais) apresentadas para comprovar a venda de bois pelo senador Renan Calheiros foram emitidas pela prefeitura da cidade onde o Prefeito é ... Renan Calheiros (o filho). Confiamos?
Na época de Collor, a operação Uruguai (a que comprovaria um empréstimo que teria financiado todo o luxo do então presidente) foi desmontada graças a indícios nos documentos, mas principalmente pela participação da secretária do escritório envolvido, denunciando o fato.
E agora? Agora, aind não temos a secretária. Mas como a palavra "renúncia" não existe no dicionário do senador, vamos cassá-lo. Assim ele nem precisa aprender outra palavra.

Ainda Boiadas
O senador Renan Calheiros anda desqualificando as denúncias contra ele. E fala, sem o menor constrangimento, que não há de errado com tudo aquilo que já vimos. A tropa de choque diz a mesma coisa. Isto é o Brasil, que mostra cada vez mais o acerto daquela frase de Fernando Sabino:

Dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica!
Vamos então casar essa frase de Sabino com esta abaixo, de autoria controversa:

Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei.
E vamos nessa, Brasil!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Plágio na Globo?

O Kibe loco denunciou. A Folha apurou. A abertura da novela Sete Pecados, nova novela da Globo, é um plágio de uma loja de móveis sueca.

Será que podemos dizer que o fato de trabalhar na Globo é que motivou o plágio? O fato permite dizer que trabalhar na Globo que há grandes riscos de plagiar trabalhos de outrem? Quem começa a trabalhar na Globo começa a gostar de plágio? Quem gosta de plágio procura trabalho na Globo? A Globo só contrata quem gosta de plagiar?

Bobagens. Muitas bobagens. Assim como são bobagens as coisas ditas pela Globo sobre os fãs de animes e mangás. Generalizar uma questão individual para todo um grupo foi um erro grosseiro e uma grande injustiça. Como se vê, todos estão sujeitos a erros, até mesmo na poderosa Globo.

Um pouco de humildade iria bem, né?

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Irresponsabilidade da comunicação global

Nesta semana, um assunto foi destaque entre os admiradores de animes, mangás e cosplays.
(Para quem não sabe, animes são os desenhos animados japoneses; mangás são os gibis e cosplays são fantasias de personagens que os fãs usam em alguns eventos). Um casal de namorados resolveu fugir, e acontece deles serem fãs dessa cultura japonesa. A Rede Globo, para dar a notícia, recheou as chamadas e as imagens de fundos de pessoas vestidas a caráter e animes, daqueles mais famosos. E deu a entender que o motivo da fuga foi o gosto por essas coisas.

Nem o depoimento da especialista em comportamento adolescente confirmou a mensagem da Globo. Mas isto não a impediu de manter o tom de crítica aos fãs.

Quem lembra do episódio Lula (debate com Collor, há anos) sabe que a Globo traduz o fato segundo seu próprio entendimento e interesse. Os repórteres não se deram o trabalho de pesquisar mais profundamente. Simplemente estamparam o rótulo que lhes pareceu adequado e prestou um grande desserviço a todos, principalmente aos fãs dessa cultura japonesa.

Os fugitivos tiveram problemas que afligem diversos outros adolescentes e tomaram uma decisão que somente alguns tomam. Independentemente de gostarem de rock, xadrez, bolsas prada ou animes. Enfim, é uma saída desesperada que não se exprime nos gostos dessas pessoas. E nunca poderá ser relacionado aos gostos pelos animes.

Primeiro: eu sou um trekker, um fã de jornada nas estrelas. Aqui e no mundo inteiro há convenções de trekkers, aonde os fãs mais entusiasmados vão de cosplays dos personagens. É uma mania que tem seguidores de todas as idades, mas principalmente os mais maduros, como eu. Espero que nenhum fã mate alguém, senão a Globo vai dizer que foi porque era fã de Star Trek...

Segundo: minha filha é uma fã de animes, mangás e cosplays. Quando ela começou a se interessar peo assunto, acompanhei-a a vários eventos, para conhecer melhor o meio(coisa que os repórteres da Globo não fizeram). Foi uma experiência muito rica. O ambiente desses eventos é festivo e de alto astral. Talvez pelo gosto comum, todos se entrosam muito facilmente. Os eventos são um grande encontro de amigos, recheado de momentos de um ótimo humor. Em vários que fui, nunca vi problemas de comportamento. Uma mãe que conheci dia desses me disse que fez a mesma coisa, acompanhou, com o marido, a filha a alguns eventos. E que, num deles, um segurança disse a ela que esse era um tipo de evento dos mais calmos, e que "essa turma não dava trabalho".
Noutra vez, encontrei uma turma de amigos de minha filha, e eu estava tomando um chop. Um deles me admoestrou, de forma respeitosa mas divertida, sobre o mau exemplo que eu estava dando. Isto é coisa de quem tem problemas de comportamento?

Hoje minha filha vai aos eventos sem mim, somente com os amigos, em caravanas. Pelo que conheci dos eventos e dos amigos, ela está em excelente companhia. E os temores que tenho quando ela vai aos eventos não têm nada a ver com o gosto pelos animes, mangás e cosplays. Têm a ver com os riscos naturais que enfrentamos no dia-a-dia.

Ia chamar de preconceito o juízo que a Globo fez. Mas seria uma inverdade. A Globo não se investigou, não pesquisou. Foi mais fácil mostrar um fato recheado de intrpretações erradas. Preguiça do repórter? Acho que sim. Irresponsabilidade editorial, isto sim.

Essa enorme legião de fãs já conquistou meu respeito. Participo do planejamento da ida de minha filhas aos eventos e até a ajudo a fazer seus cosplays. Num desses eventos, torce ela, até eu mesmo irei com um cosplay. Sim, também sou um admirador.

Pena que a Globo, com seu poder descomunal de comunicação, tenha feito essa grande, enorme injustiça. O casal fugiria independente religião, gosto musical, forma de vestir e de pensar. Os fãs de animes, mangás e cosplays não merecem essa inverdade propagada de forma tão irrresponsável.

A verdade é que é um gosto por uma coisa que, além de ser inofensivo, é uma forma lúdica de levar a vida. Diferente? Talvez sim. Mas nem por isto errado ou grotesco.

A reportagem da Globo é pobre, e é um dos piores momentos do jornalismo. E é por isto que não assisto a Rede Globo. Mas devia. E depois, poderia ver, entre assassinos, ladrões, escroques e afins, se eles assistem às novelas da Globo. Quem sabe a culpa não é da novela?

Propagandas II

Outra da Honda.

Escute as imagens, e veja o som...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Propagandas

A propaganda é a alma do negócio, certo? Já foi. Hoje, o público é muito, muito exigente, e já não aceita mais simplesmente qualquer propaganda. É preciso ser inteligente. E criativa.

Esta é da Honda. Premiada. Não à toa.


terça-feira, 19 de junho de 2007

Patê de fois gras

Quando eu era criança (sim, ainda lembro) eu era muito enjoado para comer. Não gostava de sopa, de carne, de legumes, de saladas... sim, muito enjoado.
Depois, aprendi a comer várias das coisas que detestava. Hoje, adoro coisas incomuns, tais como escargot, caviar, ostras, e outras coisinhas bem diferentes. Picanha com manga, peixes com morangos... Comer é um grande prazer. Só rejeito sem querer experimentar a tal dobradinha, que alguns amigos tentam em vão me fazer degustar.

Bem, dentre as coisas de que gosto, está o patê de fois gras (fígado de ganso), que tem um sabor delicioso e uma textura provocante. Gosto, mas não vou mais comer.

Zappeando pela tv estes dias, vi uma reportagem que mostra o processo de "fabricação" da iguaria. É resultado de um tratamento cruel, desde a seleção dos animais até a retirada do fígado, propriamente dito. E o processo de alimentação e retenção das aves é algo que o ser humano não devia permitir.

Não sou um ecochato, mas não quero mais participar disto. Se você não conhece o processo, aqui vai um vídeo do processo.



Não tenho mais estômago para isso.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A polêmica de Lamarca

Nesta semana, uma notícia agitou o meio militar. Foi a concessão, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, da patente de Coronel a Carlos Lamarca, guerrilheiro morto em 1971 por tropas do governo. A medida garante a percepção, pela viúva, de pensão equivalente ao soldo de uma patente acima, a de general, pouco mais de R$ 12 mil reais.

As fontes de informação são dissonantes em relação aos fatos. Alguns apontam Lamarca como um guerrilheiro frio e traidor da pátria. Outros o apontam como herói que lutava contra a ditadura no Brasil.
Os fatos concretos são que Lamarca, então capitão do exército, desertou e participou de ações armadas, inclusive assaltos a agências bancárias, num dos quais assassinou um vigilante. Depois dessa, há outras ações de Lamarca com vítimas fatais, sendo alguns desses homicídios diretamente atribuídos a ele.

Sua morte também está cercada de polêmica. A versão oficial diz que foi morto em tiroteio com as tropas federais, já que resistira à ordem de prisão abrindo fogo. Outra versão o apresenta como gravemente enfermo, desnutrido, totalmente sem condições de combater e, portanto, reagir à ordem de prisão.

A ditadura é um triste capítulo da história do Brasil. Quem se lembra da morte de Vladimir Herzog, e dos episódios do Rio Centro tem razões para desconfiar da história oficial. Os partidários da ditadura sempre apresentam versões aderentes aos seus atos e interesses, claro.

Por outro lado, as vítimas inocentes que tombaram nas ações de Lamarca também devem ser lembradas. Para combater a ditadura, que levou tantos inocentes, seria válido sacrificar outros tantos?

Por fim, quaisquer que sejam os crimes cometidos pelo Capitão, nenhum deles poderia determinar na sua execução, aceitando-se a versão alternativa da história.

Já tão distante a ditadura (oficial), algumas de suas vítimas já se encontram integrados à vida nacional. Fernando Henrique, José Dirceu, José Serra, só para mencionar poucos, são um vivo exemplo disto. Interessa saber se a ditadura produziu um guerrilheiro, ou se sua morte foi justa?

A família Lamarca já pagou diversas vezes a conta dos atos do Capitão Carlos. Se depender de mim, ela pode aproveitar essa concessão em paz. Nada trará de volta os anos e os familiares tirados pela ditadura. Não precisamos esquecer o passado, mas que ele não contamine nossas ações presentes.

domingo, 17 de junho de 2007

Identidades e tecnologia

Falei da integração tecnológica entre os diversos órgãos do governo, para unificar e simplificar documentos. A Lilian perguntou se podia ser um chip. Pois bem, vamos lá.
Nos Estados Unidos, o chip já é uma realidade. O FDA (Food and Drug Administration) aprovou projeto que prevê um chip do tamanho de um grão de arroz, a ser implantado sob a pele. Sensores lêem a informação nele gravada e identificam a pessoa que o carrega. As utilizações são vastas, e justamente por isto, vem recebendo críticas e apoios apaixonados.

Defensores apontam a possibilidade de serem utilizados como medida anti-seqüestro. Seria efetivo, já que não há como saber, sem instrumentos, quem carrega um chip desses. Acoplados a sistemas de GPS (Sistema de Posicionamento Global, ou
Global Positioning System), podem localizar pessoas e animais perdidos (e, claro, automóveis e etc).
É uma situação pós-Orwelliana, já que nem o escritor imaginou tamanho controle sobre o ser. O Big Brother vigia atentamente cada ação de cada ser humano. Nossa versão são as câmaras de vigilância que vêem tudo o que acontece. Tão celebradas como temidas, geram uma enorme discussão sobre invasão à privacidade. Os chips subcutâneos devem seguir a mesma direção. Aqueles que podem salvá-lo de um seqüestro são os mesmos que podem rastreá-lo no cinema, em casa de amigos, nos shoppings, etc. Daí a grita. De minha parte, acho que essa privacidade já é relativa. Nossos gastos com cartões de crédito e débito de banco, os endereços pelos quais navegamos na internet, tudo é indício de quem somos, do que gostamos, o que queremos. Talvez ainda nem tenhamos nos dado conta disto, mas já estamos expostos demais. A utilização de tão poderosa tecnologia assusta as pessoas. O medo da impotência diante dos poderosos é que alimenta esse sentimento. Já se disse que a consciência não é senão o medo de estar sendo observado. Em benefício próprio, o ser humano precisa admitir alguns limites ao conceito que tem de liberdade. Será livre aquele que se esconde em casa, sitiado por crimes e perigos evitáveis?

sábado, 16 de junho de 2007

Antes tarde...

Pizza mofada
A Globo denunciou, melou a estratégia da comissão de ética. O Pizza foi adiada. Renan Calheiros teria apresentado notas falsas para comprovar rendimentos de venda de bois. O que parecia certo agora está naquele estado de indefinição. Será que agora vai acontecer alguma investigação?
Não sou fã da Globo, tanto que assisto somente quando há corridas de Fórmula 1. Mas desta vez prestou um grande serviço. Vamos esperar que os senadores façam, com isenção, aquilo que é o certo.

Marta
A sexóloga finalmente deu as caras. Ato falho? Lula viaja no Aerolula. Marta viaja pela FAB. Quem está preocupado? Só quem vaga pelos aeroportos...
Finalmente temos o Ministério do Turismo Sexual...

Metrô em SP
Quinta-feira infernal em São Paulo. Metrô parado, irritando muita gente.
Fui escutando, quase parado no trânsito, opiniões de gente muito brava com os grevista. Realmente é um acinte, que culta tem toda a população pelas pretensões salariais da categoria?
Entretanto, um fato merece destaque: se não há greve, não há negociação. As coisas se arrastam por longos períodos, e a greve catalisa o processo. Sou absolutamente contra essas greves, mas a incompetência e/ou a indolência dos responsáveis pelas negociações também tem sua parcela (grande) de culpa. Em psicologia, chame de reforço de comportamento: a greve é indesejada, mas é efetiva na hora de gerar negociação. Autoridades é que podem romper esse ciclo, mas parecem não ter preparo ou interesse nisso. De novo, quem sofre...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Explica aí

Quando os bancos sentiram necessidade, foram à luta. E fizeram. Hoje, quem tem problemas de crédito em um lugar, dificilmente consegue fazer operações em outros lugares. O resultado? Muito simples, um cadastro único, Ou, ao menos, um único ponto de consulta para onde se dirigem todos para obter informações.
Ah, sim, os bancos se uniram, investiram e fizeram essa "maldade" tecnológica porque saía mais barato que arcar com os prejuízos relacionados. Afinal, os únicos beneficiados são eles.

O importante é que provaram que pode ser feito. Baseados no CPF, o resto é detalhe na pesquisa. E CPF, como se sabe, só se pode ter um...

Mas nós, que não vivemos em banco, temos outras obrigações. Temos uma certidão de nascimento, que serve de base para o RG, que serve de base para o CPF. Daí nascem a carteira de trabalho, o passaporte, o título de eleitor, a carteira de motorista. E, quando casamos (os que conseguem), uma certidão de casamento. Que obriga a uma atualização de vários dos documentos que já tínhamos... Quando morrermos, alguém de nossa família, de posse da indefectível certidão de óbito, irá de ponto em ponto, para, sem simpatia de ninguém, contar que passamos desta para melhor...

Ah, tem ainda aqueles outros: carteirinha do plano de saúde, do banco, do cartão de crédito, da farmácia, da biblioteca, do acesso à internet...

É tão difícil assim pensar de uma forma integrada, holística, única? Uma ação positiva dos nossos governantes seria a junção dessa nossa vida hiper-simbólica. Ou seja, além de nossos nomes (obrigatórios), somente um número (não estas dezenas atuais). E, entranhado a esse número, informações sobre nós: com quem casamos, de quem separamos, quem são nossos pais e filhos, se estamos aptos a dirigir... E, se ao nascermos, já ganhamos essa identificação, ao morrermos a sociedade burocrática automaticamente será notificada. Sem o menor pesar, ainda assim. Não seria bem mais prático?

Já se vão décadas da passagem do ministro Hélio Beltrão, o da Desburocratização. Na sua época, a informática ainda não podia tanto, a internet não era senão uma aposta de alguns centros de excelência americanos. Hoje é diferente: os bancos me rastreiam, as multas me perseguem, todos montados na informática. Ora, é uma ferramenta, e pode ser utilizada também para o bem (maldade minha).

De quantas siglas nos livraremos? PIS, PASEP, CNH, CPF, daí vai...

O Brasil já inovou mundialmente com as urnas eletrônicas (com todas as restrições que nós podemos fazer. Ora, mas nós, brasileiros, gostamos mesmo é de reclamar do Brasil, como disse ontem Lula). Agora, podemos dar um passo gigantesco na direção da unificação dos registros oficiais. Com tanto cartorialismo por aí, será que a medida interessa?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

"Esqueçam o que escrevi"

Quando essa frase foi proferida por Fernando Henrique Cardoso, o assombro foi geral. Afinal, o sociólogo-presidente estava autorizando a esquecer sua história pregressa, para enxergar somente suas ações de presidente.

Isto me veio à mente por causa de Lula e o PT. Antes de assumir o governo, eram favoráveis às denúncias. Agora, são favoráveis às pizzas. Quem mudou? As pizzas, ou Lula-PT?

Um dos personagens centrais do impeachment de Collor (aliado), estava Renan Calheiros. Contra Collor, o Brasil, inclusive o PT. Hoje, ao lado de Calheiros, o PT. Metamorfoseado em governo, O PT-Lula defende os seus, ou os que o defendem.

No episódio do Vavá, Lula duvida (duVivida?). Duvida da capacidade do irmão, duvida que tenha feito lobby... Mesmo que o outro irmão, o Frei Chico, o tenha admoestrado a respeito. Mesmo com as gravações da polícia federal...

Nos Jogos Panamericanos do Rio, Lula reclamou de quem reclama dos custos. Entende-se. Os baluartes da moralidade (antes de ser governo) não querem abrir os gastos com os cartões de crédito corporativos da presidência, cujos gastos, inexplicados, vão às alturas. O cidadão comum bem que gostaria de estourar assim suas previsões de gastos, com essa despreocupação que Lula apresenta. O Pan, de uma conta estimada de pouco mais de R$ 409 milhões, já está em mais de R$ 3,2 bilhões. E nem se trata de caixa dois, nem de contribuição de campanha, nem de mensalão. Trata-se de nosso dinheiro, aquele que falta para obras de infraestrutura, hospitais, escolas, e outras superfluidades.

É, aquele PT que caminhou pelas diretas já, e pelo impeachment, e contra as privatizações, e contra a compra de votos para a emenda da reeleição já não é mais o mesmo. Resta saber se o problema é o cargo (o poder corrompe?) ou é o partido.

A conclusão, temo, será aquela de sempre: os culpados somos nós!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Saudade não tem idade

Garimpando, finalmente achei uma música inesquecível.

Nas tardes da ida infância, desenhos e filmes que nos fizeram companhia. Ainda na época de balas Juquinha, Batman & Robin, Perdidos no Espaço.

Boas companhias

Em reclusão forçada, fui reler algumas de minhas obras prediletas. Parei em Sherlock Homes.

Pelo conjunto da obra, fascinante. Conan Doyle tece tramas tão instigantes que terminam por envolver-nos em três dimensões, e cada história ganha cores de realidade.

Conan Doyle, que era oftalmologista, passou a escrever Sherlock Holmes baseado na capacidade dedutiva de um professor seu, Dr. Joseph Bell, que assombrava alunos e pacientes com ela. Após a publicação do primeiro (Um Estudo em Vermelho), passou a construir mais e mais histórias baseadas na lógica dedutiva. Interessante notar que o médico House, da série homônina que a Universal transmite também foi baseado no professor Bell, por casa das mesmas caraterísticas de observação e dedução.

Mas Sherlock Holmes (batizado inicialmente de Sheringford Holmes) incomodava seu autor, que queria se dedicar a "coisas mais sérias". Radicalizou ao provocar sua morte, nas quedas suíças de Reichenbach, onde o herói morreu com seu arquiinimigo, o Professor Moriarty (1893).

Dez anos depois, graças a uma grande e ruidosa temporada de protestos e pedidos, o herói foi "ressuscitado", e seguiu na sua carreira, para grande desgosto de Conan Doyle e grande regozijo dos fãs.

Interessante também notar que o famoso Ladrão de Casaca, Arsène Lupin, nasceu devido ao sucesso de Sherlock Holmes. Uma revista francesa, a "Je Sais Tout", que queria um personagem francês para concorrer com o inglês Holmes, encomendou o personagem a Maurice Leblanc, que criou um Robin Hood galante, bem à francesa. Também Lupin é um enorme sucesso, embora nem de perto igual a Holmes.

Um passeio pelas histórias de Sherlock Holmes nos transportam não somente para contos policiais, mas também para uma época em que o carro ainda não existia, a iluminação era a lampiões, e os principais transportes eram os trens.

Assisti a alguns filmes de Holmes, inclusive aqueles em que a expressão "Elementar, meu Caro Watson" ficou famosa. Pela mistura de histórias e pela liberdade dos produtores, não gostei dos resultados, já que sou um purista. E, a bem da verdade, essa expressão nunca foi escrita por Conan Doyle, portanto nunca foi proferida por Holmes.

Ainda hoje, segundo relatos de revistas especializadas, há um enorme afluxo de turistas ao número 221-B, da Baker Street, que era o endereço oficial de Holmes em Londres.

Este é um caso em que a criatura ficou maior que o criador. Sherlock Holmes terá, certamente, lugar garantido em qualquer compilação de sucessos literários.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Estúpido Cupido

Homenagem ao dia dos namorados...

E para matar a saudade...

All by myself

Celine Dion.

Reforma Partidária

Está em curso no congresso uma discussão que pode alterar radicalmente a forma como elegemos nossos representantes. É o voto de lista. O partido político, em convenção, define uma lista ordenada de afiliados. O povo passa a votar no partido, que, conforme a votação, vai " alocando" seus candidatos (na ordem da lista).

Quer dizer quer o voto passa a ser no partido, e não no candidato. Em última análise, o partido é quem escolhe quem vai exercer o mandato. Claro, na prática, sabemos (os que se interessam) a ordem da lista. Mas é um engessamento do processo. Quem duvida que nas cabeceiras da lista vão estar aqueles figurões, os coronéis dos partidos?

Nesta última eleição, o povo rechaçou nomes tradicionais das casas, em benefício de caras novas. Se o figurão tiver influência no partido, ficará nas cabeceiras. E garantirá sua eleição antes dos demais.

No Brasil, partido político prescinde de ideologia. Aqueles que escolhemos como oposição logo estão nas graças do governo. E a situação (governo), por conta de desacordos, logo se confunde com oposição. Assim, qual é a justificativa para esse golpe de estado contra o voto nominal?

É preocupante que no Brasil as grandes discussões ocorram à margem da sociedade que vota, e se restrinja à sociedade que é votada. Uma característica negativa, mas nem de longe culpa somente dos políticos. O povo se inteira pouco dessas mudanças, por uma percepção de que pouco ou nada tem a ver com sua vida cotidiana. E, assim, passamos recibo aos políticos, um cheque em branco, para ser usado como bem entender a classe política.

Aqui, um pouco mais sobre a reforma política.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Reflexões

Um fim-de-semana atípico, entrincheirado contra uma horda de vírus, mas depois de estragos já feitos. Recolhido, sem muitas opções a não ser tentar respirar normalmente (sem tossir), tive longas conversas com um amigo que há muito sumira.

Amigo de tantas horas, às vezes o diabinho no ombro, outras tantas vezes o anjinho. Ora estimulando as travessuras, ora chamando à razão, por conta de sua exclusiva interpretação do que era certo e errado. Uma vida inteira juntos, bons e maus momentos, todos os momentos.

Relembramos a vida, e ficamos tentando adivinhar o que seria se os caminhos escolhidos tivesse sido outros. E se... e divagávamos, quase sempre sem rumo, com a desculpa de tentar desvendar a vida. E sempre, invariavelmente, acabávamos numa piada que nos fazia gargalhar, para somente então dar início a outra viagem.

Há um filme, do qual sempre gostei, e que vejo sempre que posso, que trata do mesmo assunto.
É o "Destino em Dose Dupla" (Mr. Destiny), com James Belushi, que ilustra bem o que foi nossa conversa. Uma diferença fundamental: no filme, o personagem erra uma jogada de beisebol. Ele não escolhe errar, simplesmente erra. Em nossa viagem-divagação, tratamos de nossas escolhas.

Por ser uma viagem em flash-back, tratamos de tudo: vida pessoal, profissional, brincadeiras, estudos etc. Como foram vários dias de estado febril, tosse, dores no corpo e etc, foi uma conversa entremeada de pausas, que nos levavam, aos espasmos, a episódios de diferentes tempos de nossas vidas.

Casamento, separação, escolhas profissionais. Tudo o que era relevante foi revisitado. Colocamos dedos em feridas, algumas cicatrizadas, outras que nunca fecharão. A conversa às vezes foi dura, com acusações de comportamentos inadequados ou tendenciosos. Noutras vezes, teve conotação de julgamento, naqueles episódios em que nossa consciência invadiu o assunto e impediu outras considerações racionais, ou seja, as culpas que nos atribuímos. Alguns fatos quiseram chamar a autopiedade para se justificar, prontamente rechaçada. Pois que a discussão era a portas fechadas, era imprescindível que a verdade não fugisse.

Ao final, concluímos, não sem grandes discussões, que nossas escolhas nos definem. E que justificam nossa história, seja ela boa ou não. E que, fossem diferentes as escolhas, seríamos um diferente "eu". E, no final das contas, se estamos felizes com o que e com quem somos, isto é o que importa. A conclusão não nos salvou de puxões de orelha e afagos, claro. Algumas coisas poderiam ter sido feitas de modo diferente, e outras precisam ser repetidas. Mas, no geral, nossa vida é boa.

Ah, quem é meu amigo? É minha consciência, infelizmente minha mais rigorosa fonte de avaliação. Que bom que é assim, mas que pena que seja assim.

sábado, 9 de junho de 2007

Vou estar escrevendo...

Carlos Drummond de Andrade, no conto "Em Ida, em Ada" (Boca de Luar, Ed. Record), revoltava-se contra uma nova mania lingüística: "vou dar uma passada". "Vou dar uma lida". E o conto, delicioso, dá uma passeada por esse maneirismo.

Hoje, a moda-maneirismo é outra. É o gerundismo, de que tanto tratam diversos e muitos textos na mídia. É "dar uma ligada" para uma operadora de telefonia, por exemplo, e escutar:
- Vou estar mandando...
- Vou estar verificando...
- Vou estar solicitando...
- O senhor pode estar passando...
- Você pode estar retornando...

Bem, o gerundismo tem origens definidas (na forma de comunicação da língua inglesa ele é bem comum), mas já ocupa um lugar ao lado de expressões como "a nivel de". Esta, utilizada como moda nos anos 90, hoje é totalmente abominada, e seu uso voltou ao lugar a que pertence.

Mas a comunicação é livre, e independe das regras da língua culta. Muitas vezes, chega mesmo a alterá-la, ou, no mínimo, apresenta-se como uma alternativa a ela.

A grande decepção de Drummond não teve eco na utilizadação daquela forma. Hoje, é aceita naturalmente, e ninguém mesmo a destaca como erro, maneirismo, etc. O gerundismo, infelizmente para os comunicólogos, está no mesmo caminho.

Defendo que cada um decida sua forma de comunicação. É da personalidade de cada, e cada um deve escolher. Mas defendo também uma forma de comunicação em que a mensagem chegue limpa, sem elementos de distração. Quando se usa o gerundismo, algumas vezes causa-se dor nos ouvidos do interlocutor. E isto distrai. A mensagem pode ser, então, mascarada pela forma de enviá-la. E isto não ajuda o processo de comunicação.

Então, eu não uso o gerundismo. Que os que gostem, usem. Sem preconceitos.

Mas eu vou estar pensando sobre o assunto, para dar uma decidida.

Sessão Lula

Pilatos?
O irmão de Lula está encrencado. Vários indícios de que quis se beneficiar de uma suposta influência o colocam na mira da polícia e justiça. Lula foi avisado antes da batida da PF na casa do Vavá. Isto é certo? Não sei. O que sei é o seguinte: quando os escândalos envolviam amigos, Lula saiu em sua defesa. Dirceu, Palocci, os aloprados... Até em defesa de Chávez ele saiu. Mas em defesa de vavá, não. Lula calou-se. Irritou-se um uma pergunta a respeito, na Europa. Vale mais ser amigo do presidente que irmão?
Claro que o irmão é um ilustre desconhecido. Alguém que não tem poder e não tem influência. Diferentemente dos amigos...

Perguntar ofende!
Lula irritou-se com a pergunta sobre o irmão, quando estava na Europa. Disse que a pergunta poderia ser feita no Brasil, depois de sua volta. E queria falar sobre as deliberações da cúpula.
Lula estaria correto se tivesse o hábito de falar sobre esses assuntos. Se fosse mais democrático, se fosse mais transparente, podia mesmo cobrar isto da imprensa. Mas não é. É, então, natural, que a imprensa aproveite as oportunidades para perguntar o que o país quer saber.

Chávez, democracia e legalidade
Lula disse que Chávez foi democrático ao fechar a RCTV. Tanto quanto seria se a deixasse funcionando. Acho que ele quis dizer que, sob o ponto de vista da legalidade, Chávez esteve correto. Não foi ilegal o fechamento, com isto todos concordamos. Mas foi, sim, um ato antidemocrático. Porque Chávez quis calar uma incômoda oposição. E foi o que fez. Se foi dentro da lei, ah, esta é uma questão acadêmica. A TV está fechada, a oposição perde um meio de se manisfestar. Democracia é isto?


E o Bóris Casoy?
Dizem várias fontes, uma delas o Senador Antônio Carlos Magalhães, que Bóris Casoy foi demitido da Tv Record por pressões do PT, a mando do presidente Lula. (Veja mais aqui).
Pois bem, o que fazia Casoy? Falava. Falava o que queria, sempre com muito tato e cuidado, mas incisivo, pondo o dedo na ferida. O que incomodava muito o presidente e o PT. A pressão relatada contra a TV Record foi financeira, inclusive. Quem viu o triste fim de gente importante do PT não pode duvidar dessa pressão.
O fato: Casoy era independente. Fazia oposição quando ela se apresentava nos fatos. Não era por ideologia de forma de governo, partido, etc. Era o princípio da verdade. Nem sempre concordava com ele, mas sempre saudava alguém se manifestando com tal independência. A ser verdade a versão da demissão por pressão, o ocorrido tem muito a ver com a RCTV. Calou-se um "inimigo". Certo que aqui houve mais tato e discrição. Inclusive da parte do jornalista. Mas foi um triste evento para nossa democracia. E, neste caso, pode-se dizer que tenha havido legalidade? Que o fato foi democrático?
Parece que os iguais se entendem...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Cristo Redentor e a eleição das sete maravilhas

Uma campanha procura acumular votos para que o Cristo Redentor seja eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno.

O site da votação é este: http://www.new7wonders.com. Nele você pode ver os outros concorrentes.

Não há argumentos na campanha brasileira em favor do Cristo. Exceto que ele está no Brasil. Bom, partindo desse princípio, as muralhas da China já estão eleitas, pois eles têm a maior população, certo?

Acho que esse chauvinismo não ajuda em nada o Brasil. A eleição do Cristo poderia, claro, trazer muitos turistas ao Rio. Mas acho que o argumento é falso. E eleição procura identificar as obras mais belas. E não as que interessam aos governos.

Nas votações que envolviam futebol e fórmula 1 o que vimos foi um movimento nacionalista bravo. Uma reação despropositada em função dos brasileiros. E nem de perto a discussão foi racional...

O Rio de Janeiro é lindíssimo. Do Cristo pode-se ver uma das mais belas paisagens do planeta. daí a dizer que o Cristo é uma das sete maravilhas, há uma distância bem grande.

Eu vou votar. Mas vou ver todas as candidatas. E vou votar de acordo com o que vir. Já sei que entre meus preferidos estão as Muralhas da China, única obra humana que pode ser vista do espaço.
Isto é maravilhoso.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A verdade

Uma vez ouvi a história dos cinco cegos que foram postos a descrever um elefante. Cada um posicionado em um ponto: um sentia a orelha, outro a tromba, outro a perna... e assim por diante. E cada um descreveu aquilo que sentia seu com seu tatear, limitado ao espaço que lhe fora destinado. E, na hora de avaliar, ninguém estava realmente certo, embora nenhum estivesse realmente errado.
Como pode ser? Com sua compreensão limitada e sua experiência táctil, cada um poderia até estar completo na sua descrição. Mas, intimamente, como poderia cada um saber do todo que compreendia o que ele estava sentindo e descrevendo? E como, limitado, poderia saber que havia mais, muito mais, o que descrever e conhecer?

Na Alegoria da Caverna, Platão nos oferece a mesma visão, por outros olhos. As experiências e interpretações, limitadas pela pouca (ou nenhuma) experiência dos "cavernistas", os levam a acreditar em verdades que nunca poderiam existir senão em mentes predispostas e preconceituadas. A alegoria das cavernas nos coloca em frente à interpretação limitada pela experiência pessoal, e na desqualificação de outrem segundo a visão que essa experiência concede. E, de volta à caverna (daquele que viveu experiência externa), tendo experimentado o mundo, fica aquele "cavernista" condenado a, de novo, ter de ver o mundo limitado pelas sombras.

Acho que ele se adaptou.

Quantas são as decepções que nos causa, ao sair da caverna, ter uma interpretação diferente do mundo. Como nos incomoda ver e constatar que nossos semelhantes ainda têm aquela visão
(agora) retrógada da vida, e como suas avaliações estão contaminadas por verdades apenas aparentes.

E como é triste não perceber que nunca alcançamos a verdade absoluta. O máximo que conseguimos é evoluir de uma caverna para outra.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Caminhos da vida

Nos caminhos da vida, que percorremos com nossas aspirações, sonhos, medos, traumas, segredos, idealizamos aqueles momentos cruciais que têm o poder de nos definir. Mentalmente montamos o cenário, e colocamos neles os componentes que achamos que devem estar lá.

Vítórias, para essas há cenários. Com pessoas que amamos, nossos amigos, para compartilhar da alegria. Inimigos, se há de verdade, para que "aplaudam em pé nossa vitória", repetindo uma frase piegas deste nosso Brasil. Nesse cenário, o sol coroa o esforço. Todos reconhecem nossa luta, todos se alegram pela vitória. A energia ainda vibra, e nossa garra ainda ecoa. Felicidade total, problema zero.

Derrota, não montamos cenários para as derrotas. Porque nem aceitamos pensar nela. Não admitimos essas presença em nossas vidas, e consideramos que revezes, é verdade, acontecem, mas a derrota é definitiva. E, enquanto houver luta, derrota não há.

Em nossas lutas, no meio dos porquês, sempre há alguém que surge como recorrente, ali, por nós e para nós, e motivo para a luta em si. E, esse alguém (que pode ser muitos alguéns) sempre tem o condão de ser causa e conseqüência, e, levando-nos a vencer uma guerra, nos leva para a próxima guerra, pois não é pacífica esta vida.

De vitória em vitória, sem aceitar os revezes-derrotas, vamos seguindo, com alguém, buscando nossas metas, desejos, vitórias.

O problema é quando alguém não há. Não há lutas, há somente as contendas. Não há vitórias, pois não há cenário. E nem há comemoração, pois nem houve vitória. E nossa luta, sem alguém, sem lutas, sem vitórias, nem existe.

Existe a sucessão de dias, interminável, e damos graças que seja assim. E ficamos a torcer para que a normalidade seja permanente, pois que nos acostumamos às sucessões. E a vida vai passando, cobrando seus preços, já que ninguém vive impunemente. E nos esquecemos daqueles dias, idos já, em que nossos cenários se enchiam de glamour, já cheios de gente. Nem lembramos mais daquela garra, daquela energia que a vitória nos traz, ou deveria trazer.

E, quando nos lembramos que a vida é para viver, o que nos faz nossa própria história? Grita alto que é tarde, que gastamos a vida na mediocridade da segurança, na segurança da mediocridade... Apresenta a conta alta da falta de assumirmos riscos, apresenta o excesso de cautela como freio de nós mesmos... E cobra: O que fizemos com nós mesmos?

Ao sem cenário, àquele que não aceita a derrota, essa mera possibilidade é uma afronta. E, àquele que montou seu cenário, mais ainda. Pois que a vida, enquanto ainda presente, ainda é palco. Ainda é hora. Ainda há tempo. Montemos, pois, cenários de vitória, e desmontemos aqueles que se firmaram sem nossa permissão.
Que rejeitemos nossas derrotas, aceitas apenas eufemisticamente como obstáculos. E trilhemos, cada vez mais, e sempre, o caminho de nossos cenários.

Que nós encontremos alguém, mesmo que sse alguém ainda não esteja em nossas vidas. Que seja uma homenagem antecipada, a uma vida que aceitamos viver. Não, não que aceitamos. Mas que resolvemos viver.

Pizzaria Brasil

Romeu Tuma (DEM), corregedor do senado e provável relator do "caso" Renan Calheiros (PMDB), declarou que quer inocentá-lo.

Quem se lembra do Xerife Tuma deve estar estranhando. Ou o senador é muito bom investigador, e só de olhar sabe quem tem culpa, ou o investigador está adormecido, e o senador acha que só de olhar sabe quem tem culpa...

Collor só foi cassado porque tinha muitos inimigos. Dirceu idem. Renan tem muitos amigos. O julgamento é eminentemente político, e há pouca probabilidade de punição para o presidente do senado.

E assim vamos indo. Nas capitanias hereditárias do Brasil, a política se faz entre amigos. Longe da democracia, que é para o povo. Os escolhidos, por nós mesmos, só respondem pelos pares...

E, mais uma vez, depois dos escândalos de Fernando Henrique, depois do mensalão, de Carlinhos Cachoeira e o escândalo dos Correios, uma grande rodada de pizza. Para a qual você não foi convidado, mas está pagando a conta.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A mudança comportamental

Fui cobrado, vamos lá.


Mudanças comportamentais e metas

Quando há necessidade de mudança comportamental, não é tão simples assim tê-la como meta. Porque desta vez não há forma de mensurar avanço. Essas questões são quase binárias, do tipo sim ou não. Assim atinge-se a meta ou não a atinge. Certo?

Errado.

A idéia que temos é exatamente essa. Quando não conseguimos, uma única vez, cumprir aquilo a que nos determinamos em termos de comportamento, já somos logo tentados a desistir. Mas há outras formas de atingirmos nossas metas. Ou melhor, de aferirmos se estamos progredindo.

Inicialmente, é preciso lembrar algumas características desse tipo de mudança.
Estamos mudando um comportamento que tivemos durante muito tempo, às vezes ao longo de toda uma vida. É compreensível que a mudança seja difícil. Mas nem por isto é impossível. Todavia, mesmo possível, ela será sempre gradual. Poucas coisas mudam nesta nossa vida de forma tão abrupta, e quase sempre com grandes traumas. Não é o caso das mudanças de que necessitamos.

Outra característica desse tipo de mudança é a necessidade de decisão em fazê-la de fato. E, nessa decisão, temos duas possibilidades. Fazer, ou fingir fazer.

É preciso explicar.

Quando tomamos a decisão de fingir fazer, normalmente é porque estamos sendo pressionados para mudar, por nós mesmos ou por outra(s) pessoa(s). E, às vezes, o custo dessa mudança é alto demais, e não queremos pagar. Ou, simplesmente não queremos mudar, só estamos aceitando (aparentemente) o desafio de mudar, às vezes desafio auto-imposto.
A pessoa que se encontra nessa circunstância, depois de algum tempo desiste. Este é um fato concreto, para esta situação.

Cito o exemplo do fumante, que cede aos apelos de familiares e amigos e larga o fumo. Seus argumentos, antes da decisão, são que "já tentou...", mas nunca teve sucesso. Na verdade, sua decisão não é a de largar o fumo. Sua decisão, íntima e não declarada, é a de provar a todo mundo que ele não consegue. E, assim, acontece a auto-sabotagem que, depois de um certo tempo, o leva a desistir da guerra. Sua expressão mental será "eu não falei que não conseguia?"

Essa auto-sabotagem só reafirma suas crenças para a próxima encenação de tentativa. E, uma atrás da outra, ele vai repetir o comportamento. E, em cada vez, ele vai nos provar como tinha razão...

Agora, quando a decisão é para valer, quando a mudança é realmente desejada, o processo é diferente. A decisão é de fazer, acontecer, fazer acontecer. E a ação ganha novos rumos.
Para começar, a meta é desejada. Depois, houve a decisão de atingir a meta. E esta é uma poderosa diferença.

Nesta situação, a pessoa realmente, com base numa situação ou um conjunto de situações, chega à conclusão de que precisa mudar. Conscientemente compara problema e solução. E vê vantagens em mudar. E decide. As chances de sucesso aumentam exponencialmente.

Aqui, a mensuração do avanço acontece de forma diferente. O comportamento que se quer mudar é vinculado a alguma circuntância. Então, vamos ver como nos comportamos nessa dada circunstância.
Por exemplo, você deseja mudar a forma de reagir ao seu, digamos, irmão. Cada vez que ele começa alguma coisa, você já perde logo a calma, e a conversa vira briga.

O que no comportamento dele a tira do sério? Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional, conceitua essa perda de controle como "seqüestro emocional". Quando isto acontece com você, qual é o gatilho? Algo que ele disse? Que ele fez? Ou é a história, falando alto, e contaminando, lá do passado, suas reações presentes?
Qualquer que seja a resposta, a identificação é importante. E uma antecipação dessa circunstância, uma pré-visualização mental da cena, pode fazer com você evite o seqüestro. Prepare-se para o fato, esteja pronto para dominar-se. Resolva dominar-se.

Na hora H, a história é outra? Ok, tente de novo. E de novo. Até que a tentativa se transforma em fato concreto, e você evita de fato a explosão.

Eleanor Rooselvelt disse: "as pessoas só podem te ferir com o seu consentimento". Ela quis dizer que você só se ofenderá se der esse poder a outrem. Ao escolher o que tira você do sério, você se coloca no controle de sua vida. E das suas emoções, o que é a mesma coisa. Quem pode realmente mexer com você? Você decide.

Embora aqui colocado como uma série de passos, frios, fáceis de escrever, não é fácil de implementar. Exige isenção, dedicação, expiação. É um longo trajeto, e a frustração espreita ao longo dele. É uma guerra.

Mas, como disse Og Mandino:
O Fracasso jamais me surpreenderá se a minha decisão de vencer for suficientemente forte.

domingo, 3 de junho de 2007

Let´s stay together

Al Green e Ally McBeal...

Uma série deliciosa, pena que acabou...

Os vídeos são mais interessantes para quem acompanhou a série, mas são muito bons de qualquer jeito.


Proálcool, lembra?

Nos anos 70, existiu o ProÁlcool, desenvolvido como resposta à crise do petróleo. Seu slogan era: Carro a álcool, você ainda vai ter um. Anos depois, já na segunda metade dos anos 80, com a crise da produção, era muito difícil achar álcool nas bombas dos postos. Donos de carros a álcool tinham de deixar seus carros na garagem por falta do combustível. Aí surgiu o novo lema: Carro a álcool, você ainda vai vender o seu...

Hoje, volta com força total o álcool como resposta aos problemas ambientais. O Brasil está na frente, por causa da experiência pioneira. Jurei, no auge da crise do álcool, nunca mais comprar um carro a álcool. Não dou o braço a torcer: será um flex, no mínimo.

O caso é o seguinte: o PróÁlcool foi abandonado na época. Por diversos problemas. E agora é salvação da lavoura (sem trocadilho). O Brasil vai participar da próxima reunião do G-8 (convidado) e vai pautar o assunto. Por causa de um programa abandonado e desengavetado.

O Brasil é pródigo em criatividade e inventividade. O lendário "jeitinho brasileiro" é a mais pura expressão disto.
Há alguns anos, numa Comdex em Los Angeles, numa exposição de um fabricante de equipamentos de comunicação, um amigo levantou-se para discordar da informação do limite possível de conexão do equipamento. O fabricante, educadamente, lembrou-o disso: ela era o fabricante. Ele sabia e conhecia os limites do seu equipamento. E o nosso amigo foi lá explicar como, o que deixou todo mundo embasbacado. Principalmente o fabricante.
Era, claro. uma gambiarra. Institucionalizada. Não só dava certo como era estável e confiável. Um jeitinho brasileiro.

A institucionalização da inventividade brasileira pode representar um salto de qualidade para nossas empresas. Essas experiências como a do álcool, bem administradas, com políticas sérias e gerenciamento adequado, poderiam representar hoje uma liderança mais que emergente, mas hegemônica.

Acho que isto seria uma conseqüência de nossa política de educação.

Criatividade e você, tudo a ver...

sábado, 2 de junho de 2007

Zappeando

Venezuela
Quem fala o que não deve... Chávez apelou. Lula grudou o zap na testa e subiu na mesa. Agora vai??? o Congresso brasileiro, noves fora todas as trapalhadas, se posicionou sobre o assunto, diferentemente de Lula. E o ataque de Chávez foi diretamente o Congresso. E lula não gostou, chamou (mandou chamar) o embaixador no Brasil para os "indispensáveis esclarecimentos". Foi uma reação rápida, sem titubeios, bem diferente do Lula habitual. Que bom.

Ainda Venezuela
Universitários iriam às ruas ontem protestar contra o fechamento da RCTV. Não puderam. Foram impedidos pela polícia. Quem se lembra das imagens da China, daquele solitário à frente dos tanques, imagem que correu o mundo e virou ícone? A população vai acordar contra a ditadura? Chávez, o amigo de Lula, tem condições de enfrentar isto? Lembremos do triste fim de Fujimori. Tomara que o povo possa decidir.



Clodovil
Erro da Gol coloca Clodovil em assento errado. Já aconteceu comigo, é comum. O que espanta é a belicosidade do deputado. Que teria dito merecer respeito, por ser idoso e deputado. Concordo com o respeito ao idoso, e concordo com o respeito ao deputado. Mas, como deputado, estabelecer essa relação de forma unilateral, isto é, o respeito que exige, ele não deve?
Mas, vá lá, não ouvi outros relatos sobre o assunto. A alegação de agressividade é do comissário de bordo. Outros passageiros vaiaram. A questão: teria sido mesmo desrespeitoso, ou já há um preconceito contra Clodovil, que contamina todas as análises de seus atos?

Senado
Aprovado aumento para os congressistas. Medida atinge o presidente da república, senadores, deputados e funcionários das casas, além do vice-presidente e ministros. Em tempo recorde, essa aprovação. Se outras medidas fossem assim tão rápido...
O presidente da comissão que aprovou o aumento é Aloísio Mercadante. Do PT. Voz dissonante, a única, Jeferson Perez. Do PDT. Mas não é o partido falando. É, mais uma vez, a voz da pessoa de Perez, que só encontra eco na voz de Pedro Simon. Sempre que o assunto é ética, estes são os dois que podemos esperar que falem em nome do povo.

Renan Calheiros
A tática? Considerar encerrado o caso. Nada está provado, nem contra, nem a favor. Um ministro japonês se suicidou só por ter de enfrentar acusações. Na China, um dirigente de uma empresa estatal foi condenado à morte por acusações de corrupção. Que diferença de culturas não?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Efemérides

Sempre me perguntam o que é "efemérides".

Aqui vai, segundo o Aurélio:

Substantivo feminino plural.
1.
Diário, livro ou agenda em que se registram fatos de cada dia.
2.
Registro dos acontecimentos realizados no mesmo dia do ano em épocas diferentes.
3.
Anotação ou enumeração dos acontecimentos sujeitos a cálculos e a previsão durante o ano.
4.
Título dado na Antiguidade às obras que contam, dia por dia, a vida de uma figura ilustre.
5.
Bras. Notícia diária. [No último sentido, é muito corrente (no Brasil, pelo menos) o uso do termo no sing.] ~ V. efeméride. [Cf. efeméridas, pl. de efemérida.]

Destaquei o que acho ser cabível.

Aproveitando um dos significados:



1 de Junho: Dia Mundial da Criança - criado pela UNICEF.
Nasceram neste dia...

Faleceram neste dia...

Fonte dessa vasta cultura inútil: wikipedia (www.wikipedia.com)

Túnel do Tempo

Nas raras vezes em que saio para dançar, pessoas perguntam sobre meu modo de dançar. Pois bem, esse jeito old fashioned (o francês diria démodé, o piegas diria anacrônico), "peguei"-o ainda na juventude, em que dançar era sem compromisso, e todos dançavam. Tínhamos uma turma, que se reunia aos domingos, para treinar as danças com que nos exibíamos nas sextas e sábados, pelas madrugadas afora. Era um espetáculo, ver uma turma de 16 a 26 pessoas, em fila, dançando absolutamente igual nas discotecas da vida. E, pela dança, sempre tínhamos ingresso VIP para as mais badaladas disco da cidade. E, assim, íamos afinando nosso balanço.

Nosso grande guru, oráculo de nossas movimentações, John Travolta. Como abaixo.



E, interessante notar, como a vida do personagem de Travolta em Saturday Night Fever (Tony Manero) era muito parecida com a nossa. A preocupação com as roupas do fim-de-semana, os sapatos, as articulações...

Era uma época em que as drogas ainda não eram esse flagelo de hoje, e as únicas preocupações eram com a hora do primeiro ônibus para voltar para casa. No caminho, o obrigatório cachorro-quente, com muito catchup.

Grandes preocupações, tínhamos até tempo para namorar... Mas a vida era muito, muito mais que isto, em nossa jornada de adolescentes, que começava...

Amigos da época, nem sei onde andam. Viagens, jogos, farras... Muitas lembranças, muitas...
Mas, sem dúvida, foram as músicas que marcaram.

Como esta: