terça-feira, 29 de maio de 2007

Zeca Feira

José Gomes Temporão, o Ministro da Saúde, deu a deixa: famosos devem fazer propaganda de bebidas alcóolicas?
Todo mundo já deu palpites. Vou dar o meu.

Luciano Huck fez propaganda da Nova Schin., Consultado em virtude desta polêmica, diz que não fará novamente. Ponto para Huck.

Zeca Pagodinho fez propaganda da Nova Schin, lembra-se? Logo em seguida, "esqueçam o que propaguei"... fez da Brahma, de quem é fã. A preço módico, claro.

Sindicatos de artistas dizem que cada um deve escolher. Se quer fazer, faz. Se não quer, não faz. Concordo. Até por uma questão operacional: como saber quem é famoso e quem não é? Ah, simples: quem não faz propaganda é porque é famoso. Quem faz, não é famoso. Certo?

Quem se lembra do jogador Gerson, certamente se lembrará do cigarro... da marca... ok, mas se lembrará do slogan: "você também quer levar vantagem em tudo?"

Há personalidades que aparecem dizendo que sempre usaram determinada marca, mesmo que seja uma inverdade. Ou uma não verdade. Indagadas a respeito, algumas dessas personalidades (atrizes e atores) disseram que estavam apenas representando... pois é isto que fazem sempre.
Sim, mas representando com seus nomes reais. Que representação seria essa?

Eu não gosto das atitudes do Sr. Edson Arantes do Nascimento. Nunca simpatizei com ele, mas talvez o problema seja uma eterna má vontade minha. Mas tenho que reconhecer uma coisa: Pelé foi íntegro o suficiente para nunca, nunca, fazer propaganda de coisas prejudiciais à saúde. Entenda-se, aqui, cigarros e bebidas. Como atleta que foi, Pelé não poderia fazê-lo. Como símbolo mundial de saúde e dedicação ao esporte, que bom que escolheu o caminho de modelo do bem. Durantes muitos anos mais reconhecido que muitas personalidades mundiais, Pelé ofereceu um belo exemplo ao planeta.

Já Maradona, homenageado como até mesmo melhor que Pelé, teve um caminho que desmente o atleta. Drogas, álcool... sim, não interessa mais quem foi melhor em campo. Neste ponto, o mesmo Pelé deu um exemplo triste ao não amparar a Sandra, uma filha fora do casamento, falecida ainda jovem. Mas ao menos não o fez por motivações comerciais. Mas ambos errados como bons exemplos.

Os artistas deveriam considerar sua imagem e sua influência. Como fez Luciano Huck. E, baseado nessa imagem, decidir fazer ou não propaganda de algo tão letal. Por enquanto, nota 10 para Luciano Huck. Tardia a nota, mas merecida, pela postura.

Quanto ao ministro, sério e comprometido, um voto: que ele não seja acometido pelo mal dos petistas, que, sob a espada, lutavam contra medidas autoritárias. Agora, donos da espada, manejam-na com a mesma motivação dos autocráticos, crendo que a vida é uma sucessão de ordens e obediências.

A vida, Sr. Ministro, tem seus arbítrios. Quando exercido, é muito mais poderoso que o gesso. Mais poderoso que o exemplo não dado. Aliás, a melhor forma de liderança é a exercida pelo exemplo.

Uma sugestão: para cada Zeca-Feira, providencie dias em que se celebre a saúde, com celebridades que se dispuserem a isso. Traga pesos pesados em favor de bons hábitos, boas atitudes, bons costumes. Compare-os aos vícios, Logo, haverá filas para estrelar esses comerciais. Em vez de fila para criticar o ministro.

Mas, claro, é somente uma opinião.

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