segunda-feira, 7 de maio de 2007

Utopias, sonhos e metas

Todos temos desejos e vontades. Alguns, de fácil realização. Outros, nem tanto. Destes, precisamos conhecer mais.

Alguns desejos são, dadas circunstâncias, credos, tecnologias ou desenvolvimento pessoal, inatingíveis, num dado momento. Por exemplo, aqueles discursos de miss, desejando a paz mundial, o fim das doenças, o fim da fome, etc., são apenas utopias. Segundo o Aurélio, "projeto irrealizável; quimera; fantasia". Para essas, na maioria dos casos, não basta querer.
Um exemplo de utopia, para os anos 50, era a viagem do homem à lua. Inatingível, inalcançável. Uma quimera. Nos anos 50.

Outros desejos já se apresentam mais próximos de realização, embora possam parecer muito, muito distantes. Quando o objeto de nossos desejos está em nossa esfera de ação, mas com uma possibilidade bem pequena de acontecer, temos os sonhos. Os sonhos são poderosos. Mantêm as pessoas ligadas, mantêm a fé acesa. Faz com que os pensamentos fujam dos problemas do dia-a-dia e se escondam naquilo que poderia acontecer. Mantêm o brilho nos olhos, aquele brilho de alheamento e vontade.
Sonhos são desejos fortes, que nos motivam e emocionam.

Algumas pessoas encaram esses sonhos com tanta vontade, com tanta fé, com tanta garra, que um dia passam a acreditar na sua realização. Aí o sonho começa a virar meta.

A meta é um sonho que subiu na vida. É uma grande vontade que ganhou data. Já tem um prazo. E, por ter prazo, ganhou também um "como". O sonhador imaginou uma forma de concretizar aquela quimera, e estabeleceu um plano de ação, que trouxe uma data.
Agora, o sonho foi promovido. É uma meta.

A meta, então, é aquele desejo com data para acontecer, e com um planejamento. Pode ser um planejamento pífio. E com um prazo, um marco em nossa corrida pelo sonho. Desculpe, corrida pela meta.
Como exemplo, a mesma viagem à lua. O que era utopia virou meta, no início dos anos 60, quando Kennedy disse que os Estados Unidos iriam levar o homem à lua até o final daquuela década.

A meta, para ser motivadora, tem que se desafiadora. Um desafio exeqüível, mas desafio. Nunca um desafio fácil, nunca algo que faríamos de qualquer jeito. Mas uma batalha em que tenhamos chance de vencer. Uma que queiramos vencer.

Não adianta ser irrealizável. Porque aí a motivação é passageira. Tem de ser possível, temos de ver a concretização acontecendo. Se a meta for irrealizável, é motivo de frustação. Como somos regidos pelo princípio da percepção dor-prazer (repetimos o que nos causa prazer, evitamos o que nos causa dor), talvez, numa decepção, não encaremos outra meta.

Também não vale ser fácil. Porque aí não motiva. É uma conseqüência natural? Então deixe o tempo acontecer.
A meta precisa de esforços extras. Precisa de compromisso, precisa de abdicações. Precisa de persistência, precisa de coragem. Precisa ser forte na imagem, e forte na conseqüência.

A meta precisa ser vivida dia-a-dia. Se sua meta é ter um veleiro, por exemplo, você precisa sentir o vento batendo em seu rosto quando pensar nela. Precisa sentir o cheiro do mar, precisa sentir o calor do sol. Precisa ouvir, na calmaria da noite, o barulho do mar batendo, manso, no casco do veleiro. Precisa ouvir o motor empurrando o barco, precisa sentir a vela inflando ao vento. Precisa sentir o suor do seu esforço o colocá-lo no mar. Precisa viver a meta, a cada minuto.

Mas a meta não é escravizante, ela é escrava. Quer dizer, sua vida não pára, suas outras necessidades não morrem. Você tem de ter coragem para adiar a meta, se a vida assim exigir. Ela não pode ser mais importante que uma doença que precisa ser tratada, não pode ser mais importante que um relacionamento que precisa ser alimentado e cuidado.
Você tem de mostrar à meta quem é que manda. Precisa deixar claro para ela que, apesar de ela mexer muito com você, você está no comando. Que, apesar do quanto ela mexe com você, sua vida tem contexto. E ela é parte desse contexto. Você não é escravo da sua meta. A meta é parte de sua vida, e você comanda sua vida.

A meta tem de envolver vitórias intemediárias. E você tem de se recompensar pelas vitórias. Assim, no exemplo do veleiro, se o valor dele é R$ 75.000,00, você deve estabelecer metas que atendam ao atingimento da meta principal. Se seu plano de atingimento é de três anos (uma poupança anual de R$ 25.000,00), a cada milestone você precisa se premiar. Atingiu a meta, qual é o premio? Um jantar com a família, um blusão impermeável, a churrasqueira que vai equipar o barco... Algum prêmio você precisa se conceder. É assim que a meta, mesmo antes de realizada, vai proporcionando prazer. Por enquanto, o prazer de atingir seus marcos.

E a meta tem de abranger pessoas. As pessoas da sua vida. Elas têm de ser envolvidas, para que você não se esqueça que suas metas não podem ser excludentes. Seus familiares, seus amigos mais próximos, cônjuge e filhos, precisam viver a meta também. Ou, ao menos, não podem ser relegados a segundo plano por suas ações em direção à meta. Têm de sentir que a meta é importante para você, mas têm de saber que eles (e suas próprias metas) também o são. Porque as pessoas de sua vida, ao participarem de suas metas, podem ser aquela força extra que você precisa, naquelas horas difíceis, para dar o passo extra, ir adiante, mesmo na presença de um problema ou uma limitação. E têm de estar presentes porque as metas não se concretizam sem pessoas. Elas existem por causa das pessoas, não apesar delas.

A meta, ao menos a inteligente, é a que abrange as pessoas de sua vida, num ideal comum, numa vontade coletiva, que seja ao menos de felicidade. A meta mexe com você e mexe com os seus, e dá à vida e aos relacionamentos o cimento que os fortalece e pereniza. A meta é, em suma, o norte de nossas vidas, o porquê nos movimentamos, nos programamos, o porquê vivemos. A meta é o nosso amanhã se transformando em hoje, através de nossos esforços.

(Nota: Este texto trata, em primeira vista, de metas materiais. Ele terá uma seqüência tratando das metas de comportamento, porque o assunto é muito extenso e o texto ficaria muito longo).

Se você quer saber porque este texto está aqui, clique neste link.

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