sábado, 19 de maio de 2007

Prisões

Mais uma leva de prisões levada a termo pela Políca Federal. Desta vez, envolve fraude em licitações e tem como base uma construtora. Dentre os presos, um ex-governador. E em assessor de ministro (já exonerado).

Não quer dizer que a corrupção aumentou no governo Lula. Mas que a apuração aumentou, isto é sem sombra de dúvida.
A polícia está se aprofundando mais. Tem tido mais cuidado nas apurações, e tem garantido que os acusados o sejam realmente, sem firulas. Esta é uma boa notícia.

Tenho relacionamento com muitas empresas. Muitas dessas não querem nem ouvir falar de negociar com órgão públicos. O motivo: essas negociatas que acontecem. Sempre que há suspeitas, afastam-se concorrentes sérios.
Os problemas: para ganhar, o custo aumenta. A rede de "contribuições" é grande. Assim, um serviço que poderia custar R$ 1,00, pode chegar a muitas vezes esse valor. R$ 10,00, R$ 20,00. Depende. Mais: no pagamento dos serviços já prestados, não é raro ter pedágio. Ou seja, o pagamento está pendente somente de liberação, e a liberação custa...

Algumas dessas empresas de meu relacionamento simplesmente cortaram negócios que envolvam licitação. Outras selecionam de acordo com o critério da aparência: se aparentemente é sério, participam. Mas sabendo que surpresas podem acontecer.

E isto é um câncer no mundo dos negócios. Imaginando-se que o cofre público paga essa conta (ninguém aumenta os valores sem cobrá-los, de uma forma ou de outra), essa conta vai para o contribuinte. Mas o empresário fica restrito aos negócios num mundo ultracompetitivo (mundo real) quando não participa dessas negociatas. Mas quando enfrenta , nesse mesmo mundo real, empresas que são beneficiadas por ações ilícitas, fica sem poder de fogo.
Explico: o empresário que foi preso como sendo o maior beneficiário dessa fraude mora em uma casa num condomínio de alto luxo. O valor da casa: R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais). Quem tem um patrimônio desses pode oferecer maiores vantagens a compradores de seus produtos nos quesitos preço, forma e prazo de pagament, etc. E há, ainda, o fator ostentação. Escritórios luxuosos seduzem mais que os despojados. Não interessa se custam.

Que a Polícia Federal continue nesse passo, descasada de partidos e grupos políticos e econômicos. O Brasil está melhorando.

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