segunda-feira, 21 de maio de 2007

Página Virada

Num dia 27 de abril (1984), uma sexta-feira, iniciamos uma mudança de prédios na estatal em que trabalhei. Cheguei às 9h da manhã e iniciamos nosso expediente. A mudança foi gradual, e passamos a madrugada nesse trabalho.
Os vizinhos nos detestaram, por causa do barulho. Mas não pôde ser feito de outra forma. No sábado, alguns colegas chegaram e me mandaram embora, pois estava ali já há 26h. Outros continuaram a mudança.

No dia 2 de maio, um coquetel celebrou nossas novas instalações. Mais espaço, maior infra-estrutura, melhores condições.

Ali, continuamos amizades que se iniciaram em setembro de 1981, para muitos. Foi a inauguração do unidade dessa estatal.

Ao longo dos anos, novas pessoas foram chegando, e algumas foram-se. Amizades se firmaram, algumas esfriaram. Desavenças fotram superadas, ou foram criadas, ou foram agravadas.

Vimos casamentos e separações. Vimos algumas pessoas ligadas a nós partirem deste mundo. Presenciamos alegrias, como a de novas pessoas nas famílias. Participamos de dramas familiares, criando nós mesmos uma família.

Atravessamos greves, sempre traumáticas. Vimos essa estatal crescer, e diminuir. E crescer, e diminuir. Participamos de programas de qualidade, de churrascos de amigos, de eventos que nada tinham a ver conosco.

Ficamos apreensivos com as ações do governo (qualquer governo). Passamos pelas Diretas Já, e depois pela agonia de Tancredo Neves. Depois de um tempo fora, voltei para participar da agonia também do presidente que caçava marajás.

Casei-me, tive uma filha, separei-me. Tive amigos, alguns dos quais carrego até hoje em meus melhores momentos. Alguns amigos, perdi. Faz parte da vida. Alguns inimigos, por outro lado, seduzi. Eliminou-se algum mal-entendido.

Tenho (ou tive) um amigo que dizia: "seduzir, sempre. Estuprar, nunca", sobre o poder contido em nossos cargos.

Enfim, vivemos uma vida ali. Um vida de muitos anos, muitas felicidades, algumas infelicidades, frustrações, aspirações, ambições...

Agora, essa página está virada. A estatal fechou a unidade. Os últimos funcionários estão sendo transferidos. Nosso ponto referencial está vazio. Como quando começou a mudança, naquele longínquo 27 de abril.

Aos que passaram pelo CESEC Campinas, do Banco do Brasil, independente da classificação na nossa tabela de amizades, felicidades duradouras. Que a vida restitua nossa fé.

3 comentários:

  1. Quantos momentos bons, não? E para mim começou na PCP, do João,do Edson e do Jairo. E por falar neles, onde será que eles estão? Lúcia

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  2. O Edson está morando em Avaré, segundo minhas últimas notícias. Do Jairo e do João, não tenho notícias. Mas vou procurar.

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  3. Fiquei sabendo semana passada, porque a mãe do Marcelo Fiori nada na mesma academia que eu. Uma pena mesmo. É engraçado como a gente sente a notícia, mesmo estando fora já tanto tempo.Beijo,
    Andrea.

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