segunda-feira, 14 de maio de 2007

O "Toyotismo"

Já existe uma nova moda no mundo da administração: o toyotismo. Principalmente agora que a Toyota se transformou, ao menos momentaneamente, na maior empresa do ramo, superando a GM.

Se analisarmos os métodos de gestão da GM isoladamente, talvez não achemos nada errado. Ou, pelo menos, errado a ponto de justificar o avanço da empresa japonesa. E este é o ponto. Na comparação, a vantagem é da Toyota. Seus métodos, suas premissas, sua maneira de realizar sua atividades estão fazendo a diferença.
Hoje o carro híbrido mais vendido do mundo é da Toyota. Que concebeu um carro que, quando necessário, funciona a energia elétrica, ou a combustível comum. Sua justificativa para o sucesso foi que fizeram um carro que tinha basicamente as mesmas características do normal. Não afrontaram hábitos, então. E seu modelo já está sendo adotado por outras montadoras, sob pagamento de royalties.

No Japão pré-guerra, as indústrias locais produziam em grandes quantidades, com baixa qualidade. os produtos japoneses de então eram baratos e nada confiáveis. No pós-Guerra, Deming (William Edward Deming, 1900-1993), utilizando-se de análises estatísticas, focou os métodos de produção japoneses e os ensinou a aperfeiçoar seus produtos. A revolução de Deming foi decisiva para que o Japão caminhasse na direção de ser uma superpotência. Os japoneses se beneficiaram dos ensinamentos de Deming e seus produtos começaram a melhorar seus produtos. Hoje "made in Japan" é sinônimo de qualidade (de boa qualidade).

E o Japão caminhou nessa direção em tudo. A Sony, com Akyo Morita, já era uma empresa superpotente. Fincou pés no mundo do entretenimento através da Sony Pictures, conhecida também pelo canal de TV paga. E em todos os ramos, o Japão caminha, em passos lentos, mas firmes, a um domínio da concorrência.

O Japão não tem pressa. Aos poucos, assume um papel de liderança em todos os ramos. Para quem se lembra dos primórdios da arte televisiva e cinema japonês, deve se lembrar de Godzila, Ultra Seven Ultra Men, todos muito toscos, embora com muito sucesso. Mas quem se lembra de Speed Racer, a Princesa e o Cavaleiro, dentre muitos, contata que, na animação, o japão sempre esteve com tudo. E a mais silenciosa revolução cultura está acontecendo a partir do Japão, que tem provocado uma multidão de seguidores de seus animês e mangás (animações e gibis). É uma multidão que se interessa por esses assuntos, e por causa deles, está afinando conhecimentos sobre costumes do Japão. E, melhor do que o método imperialista (sem patrulhamento ideológico) dos americanos, as pessoas vão aderindo por vontade e iniciativa próprias, fazendo com essa revolução seja consistente e sem pontos traumáticos.

O Japão está na pauta do dia. Logo, estudos sobre empresas bem sucedidos vão demonstrar seus cases. logo, as referências em administração estarão centrados no Japão.

A Toyota, ora, a Toyota. Ela só não conseguiu controlar seu sucesso, e acabou passando na frente da concorrência. Para desespero de Shintaro Ishihara (político e escritor japonês), que, instado a explicar por que o Japão não esmagava comercialmente seu grande rival, os Estados Unidos, declarou:
É melhor ser um poderoso número dois.


Japonês ou mineiro?

Nenhum comentário:

Postar um comentário