sexta-feira, 18 de maio de 2007

Leituras

Quando minha filha ainda era bem pequenininha, lia para ela as histórias do The Jungle Book, de Kipling, que trata de algumas histórias da Índia enquanto possessão inglesa. Mais especificamente, da história de Mowgli.

Talvez isto explique porque ela não quer mais ouvir falar sobre Mowgli...

Mas o fato é que a história (a original, não a adaptação de Disney) é carregada de mensagens excelentes. Honra, honestidade, valores... Mensagens que se perderam na versão. No original, é uma lição de vida. Na adaptação, é uma boa diversão, e só.

Vale a pena ler o original.

Milha filha começou a ler pouco depois dos quatro anos e meio. Graças a uma trapaça minha nessas leituras. Eu inseria uma palavra totalmente fora do contexto, e ela estranhava e parava a leitura. Como eu acompanhava com os dedos as palavras lidas, ela foi se habituando a reconhecer algumas... Daí a ler outdoors nas ruas foi um pequeno passo. Hoje ela adora ler. Tal qual o pai. Viva a trapaça...

Insisto para ela ler Macunaíma, um dos meus livros de cabeceira, aquele que todos os anos releio. Mas ela quer ler 1984, de Orwell. Apoiado... Mas aviso a ela: algumas passagens são chatíssimas. Mas gosto não se discute...

Lia, quando morava em Brasília, três jornais por dia. Chegava a ler cinco livros ao mesmo tempo. Ok, não no mesmo instante, que não sou polvo. Mas vários trechos de vários, ao longo do dia.
Até disseram que devia ter algum problema...

O brasileiro médio não lê. Mal lê o jornal. Sabe o que acontece só pelas manchetes. Lê, e não sabe o que está lendo.

Nosso presidente disse que é chato ler. Compreensível. Mas, e o exemplo às crianças? As crianças, o que andam lendo? Andam lendo?

Minha grande aventura pelos nacionais começou pela coleção "Para gostar de ler". Aí conheci Fernando Sabino e o devorei por toda a sua criação. Até "Zélia, Uma paixão"...

Macunaíma é uma masterpiece. Deveria ser obrigatório. Ah, é verdade, em alguns lugares é. Ah, então não devia ser...

Ler é, antes de tudo, uma opção. Quem gosta de ler mergulha na história, vive a ação em três dimensões, às vezes mais. Quem nunca teve uma experiência extra-corpórea ao ler nunca vai gostar de ler... Ler é saber viajar, é querer voar, mas tem que se permitir isto. Sem leveza, não há ser (anota aí, Kundera).

Kundera, que coisa antiga, não? Vá ler algo útil, se me permite sugerir...

2 comentários:

  1. Hello, Renato. Também gosto muito de ler, não sei se você se lembra. No momento estou lendo "O homem duplicado" de José Saramago. Você já leu alguma coisa desse autor? Acho um desafio para a concentração...pelo menos esse que estou lendo. Lúcia

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  2. Oi. Claro que me lembro. De Saramago, li "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Apesar de português, a leitura é bem densa (digo pela leitura no original, que dispensa tradução). Mas os outros livros ainda estão no meu Backlog (provocação), e ainda vou lei.
    Estou me reordenando com alguns clássicos, como Dom Quixote e a biografia de Alexandre Magno.

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