quinta-feira, 31 de maio de 2007

Zappeando

Renan Calheiros
Pediu desculpas à família, confessou a escorregadela. Mas não mostrou a origem do dinheiro dado à jornalista Mônica Veloso mensalmente. Na verdade, era justamente isto que se esperava. Arrependimento, preocupação, nada disso interessava. É uma questão pessoal. Mas a origem do dinheiro, como denunciado pela Veja, partiria realmente de uma construtora (a Mendes Júnior)? Não fosse uma figura pública, não teria a menor importância. Sendo um senador da república, e presidente do senado, tem a maior importância. Ele despacha com o presidente, tem acesso aos ministros, aos presidentes de órgãos federais. Estes detêm verbas e negociam com o mercado através de licitações. Como negar que a influência do senador é importante para fornecedores?
O senador precisa comprovar de onde partiu esse dinheiro, muito mais do que seu salário pode suportar. É isto que querem os brasileiros.

Lula e a RCTV
Quem PT viu, quem PT vê. Numa afronta (legal, diga-se de passagem, mas, ainda assim, afronta) aos princípios democráticos Chavez se apropriou da RCTV na Venezuela. O motivo: suposta participação na tentativa de golpe contra ele. E Lula diz que o assunto é da Venezuela... Quem viu Lula sindicalista e candidato deve sentir saudades. Como uma pessoa que lutou tão bravamente pelas diretas já e contra a ditadura se cala contra tamanha demonstração de autocracia?
Sim, há que ser político. Daí à omissão, entretanto, há uma grande diferença.

PM no MT
No Mato Grosso, após a morte de um menino numa simulação de ação contra seqüestros, há ainda vários feridos. O comandante da PM perdeu seu cargo. Mas nada poderá repor a perda da família.
Custa a acreditar que tamanha negligência possa ter acontecido. É tão grave, tão grosseira, que parece irreal.
Nossos padrões de serviço ainda são criminosamente baixos.

Gol 1907
Concluiu-se que a culpa é de todo mundo, menos do governo. Equipamentos não falharam, o "hardware" estava ok. A culpa é dos pilotos americanos e do sargento brasileiro que controlava o vôo. Este, acusado de crime com dolo (em que houve intenção, ou o resultado era previsível e assumiu-se o risco de produzi-lo). Se a intenção era apontar culpados, o trabalho pode se encerrar. Mas queremos mesmo ver é medidas que impeçam a ocorrência de outro acidente da mesma espécie.

José Simão
Leitura Obrigatória. Agora, a moda é "I Lobby you". Logo saem as camisetas. Distribuição gratuita no congresso.

Outra
Do site da Claudia Valli: R$ 16.500,00 por mês? Eu quero ter um filho com Renan Calheiros...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Resposta?

Um amigo me ligou, cobrando resposta à minha pergunta do post abaixo, que, segundo ele, ficou "irrespondida". Achei que estava claro, mas vamos lá.

Numa de minhas conversas com minha filha, falei de algumas decisões que tomara e que resultaram, obviamente, nesta nossa vida de agora. E, colocando as coisas em perspectiva, poderíamos estar muito melhor financeiramente, talvez em uma cidade diferente, talvez com horizontes diferentes. Mas a que custo? Com certeza não teríamos essa proximidade que temos e, conseqüentemente, esta nossa relação deliciosa. E por aí foi a conversa.

Ao final, concluímos, ambos, o quão bom estávamos assim.

No final das contas, ser honesto e apegado a valores nos colocam numa posição diferente, claro, do outro caminho. A questão é: que tipo de posição nos interessa?
A mim interessou um caminho aderente aos meus princípios. E hoje, com minha querida filha, celebramos esses princípios. Portanto, posso dizer que trilhei caminhos bons.
Mas, e se fosse minha filha apegada a outros valores? E se ela preferisse, à nossa qualidade de relacionamento, outros indicadores de felicidade (já que cada um tem os seus)? Aí, talvez a resposta seria diferente.

Vale a pena, sim, ser honesto, se acreditamos em valores.

Desde que me desliguei daquela empresa estatal, tenho uma música tema, que me redime desse tipo de dúvida:

Valores

Numa ocasião, apliquei uma regra (normativa de um órgão público) na estatal em que trabalhei. A correção, motivada por erro interno, teve como conseqüência (não causa, é bom frisar) evitar um problema de caixa para uma determinada instituição financeira.
Pois bem, o funcionário dessa instituição envolvido no problema, e que, por óbvio, poderia ser culpado pelo problema que viesse a acontecer, procurou-me e, agradecido, me ofereceu um presente.

A regra que segui era clara, e a correção, necessária. Mais até, obrigatória. Não fosse, a instituição arcaria com as conseqüências, como era muito comum acontecer ali. Ao oferecer o
presente, aquela pessoa demonstrou desconhecer a regra. E acreditou, não sei por que motivos, que minha ação se devera a alguma bondade extraordinária.

Ponderei isto com ele. Apresentei-lhe a regra, e disse que a bondade ali não existia, só a regra (triste, mas verdade). E que, como representante de um órgão público, eu não poderia aceitar presentes de qualquer espécie, ainda mais em se tratando de agradecimento por eventuais atos.
E ele foi embora, inconsolável, com o presente debaixo dos braços, ainda repetindo que nem era nada de mais. (Para ele era. Confidenciou-me que, não fosse minha correção, ele perderia o emprego).

Minha equipe se "revoltou". Não era nada de mais, realmente, e eu deveria ter aceitado o presente. Nas outras esferas da empresa, a mesma reação. Não me lembro de ninguém me apoiando por dispensar o presente.

Então é assim: não se pode aceitar qualquer tipo de presente, mas os de baixo valor pode? Não, não é isto que diz a regra. Independe do valor. Caso contrário, quem é que define o que é "baixo valor"? Na esfera pública, temos de ser coerentes com o sentido da norma. Concordo com ela, e aceitei as críticas, mas confesso que com grande decepção. Esperava que nossos valores falassem alto em todos os momentos.

Numa outra ocasião, ainda no mesmo papel (representando esse mesmo órgão público), recebi um telefonema de um gerente de uma dependência da região. Num erro, fizeram um encaminhamento errado de um valor significativamente alto. E ele pedia que eu corrigisse esse erro. (A correção era de minha responsabilidade, e somente eu tinha competência para assiná-la). Disse ao gerente que, em função das características do erro, eu não poderia atender ao pedido. Ao que respondeu ele que era para o bem de nossa instituição. Ainda assim, respondi, as instruções eram muito claras: eu não podia fazê-lo.

Revoltou-se. Quis falar com o "chefão". Transferi a ligação. E lá fui para acompanhar a conversa. Esse "chefão" ouviu a solicitação, tampou o bocal do telefone, olhou para mim, e disse:

- Faça a correção.
- Não posso, disse eu.
- Por que não?
- Porque as instruções não permitem.
- Então faça por que eu estou mandando.
- Nem assim, pois neste assunto você não tem autoridade sobre mim.
- Quem tem essa autoridade?

Dei nome e telefone da pessoa em Brasília que respondia pelo assunto. Ainda na minha presença, esse "chefão" ligou para a pessoa, e expôs o problema. E ouviu um belo sermão, dando razão à minha posição e ainda relatando os problemas que poderíamos enfrentar se eu fizesse de forma diferente. E não fiz a correção.

Bem, isto tudo para dizer o seguinte: eu, funcionário subalterno, imerso em minha insignificância, consciente de meus deveres, rejeitei um presentinho, e enfrentei um superior, sob o risco de perder meu cargo. Valeram as regras do assunto, valeu a posição em defesa do certo.
Mas enfrentei problemas por agir assim num mundo em que a regra é agir exatamente ao contrário. A regra é aproveitar as oportunidades, agradar aos superiores. Afinal, presentinho vai bem e carreira em primeiro lugar...

Aí, vem o Senador Renan Calheiros, não explica a origem do dinheiro dado à Monica Veloso, e acha que explicou tudo direitinho...

Quando postei o vídeo de Milgram, estava pensando exatamente nas situações acima. A obediência cega a ordens é um mal humano, motivado pelas necessidades mais prementes, que se sobrepõem aos valores de cada um. Já o recebimento de vantagens depende desses mesmos valores, e da interpretação que se lhes ofereça, na visão de cada um.

Na visão de cada um, na ação de cada um, reside nossa noção de moral. E ela será tão grande quanto nossa consciência, por menor que seja o ato. Moral absoluta, não relativa. Independe do valor envolvido. A alma não está à venda.

Senadores já dizem que o presidente do senado se explicou. Alguns dizem que o assunto está encerrado. eu, aqui, ainda imerso em minha insignificância, pergunto: vale a pena ser honesto neste país?

Cada um com sua consciência...

terça-feira, 29 de maio de 2007

Zeca Feira

José Gomes Temporão, o Ministro da Saúde, deu a deixa: famosos devem fazer propaganda de bebidas alcóolicas?
Todo mundo já deu palpites. Vou dar o meu.

Luciano Huck fez propaganda da Nova Schin., Consultado em virtude desta polêmica, diz que não fará novamente. Ponto para Huck.

Zeca Pagodinho fez propaganda da Nova Schin, lembra-se? Logo em seguida, "esqueçam o que propaguei"... fez da Brahma, de quem é fã. A preço módico, claro.

Sindicatos de artistas dizem que cada um deve escolher. Se quer fazer, faz. Se não quer, não faz. Concordo. Até por uma questão operacional: como saber quem é famoso e quem não é? Ah, simples: quem não faz propaganda é porque é famoso. Quem faz, não é famoso. Certo?

Quem se lembra do jogador Gerson, certamente se lembrará do cigarro... da marca... ok, mas se lembrará do slogan: "você também quer levar vantagem em tudo?"

Há personalidades que aparecem dizendo que sempre usaram determinada marca, mesmo que seja uma inverdade. Ou uma não verdade. Indagadas a respeito, algumas dessas personalidades (atrizes e atores) disseram que estavam apenas representando... pois é isto que fazem sempre.
Sim, mas representando com seus nomes reais. Que representação seria essa?

Eu não gosto das atitudes do Sr. Edson Arantes do Nascimento. Nunca simpatizei com ele, mas talvez o problema seja uma eterna má vontade minha. Mas tenho que reconhecer uma coisa: Pelé foi íntegro o suficiente para nunca, nunca, fazer propaganda de coisas prejudiciais à saúde. Entenda-se, aqui, cigarros e bebidas. Como atleta que foi, Pelé não poderia fazê-lo. Como símbolo mundial de saúde e dedicação ao esporte, que bom que escolheu o caminho de modelo do bem. Durantes muitos anos mais reconhecido que muitas personalidades mundiais, Pelé ofereceu um belo exemplo ao planeta.

Já Maradona, homenageado como até mesmo melhor que Pelé, teve um caminho que desmente o atleta. Drogas, álcool... sim, não interessa mais quem foi melhor em campo. Neste ponto, o mesmo Pelé deu um exemplo triste ao não amparar a Sandra, uma filha fora do casamento, falecida ainda jovem. Mas ao menos não o fez por motivações comerciais. Mas ambos errados como bons exemplos.

Os artistas deveriam considerar sua imagem e sua influência. Como fez Luciano Huck. E, baseado nessa imagem, decidir fazer ou não propaganda de algo tão letal. Por enquanto, nota 10 para Luciano Huck. Tardia a nota, mas merecida, pela postura.

Quanto ao ministro, sério e comprometido, um voto: que ele não seja acometido pelo mal dos petistas, que, sob a espada, lutavam contra medidas autoritárias. Agora, donos da espada, manejam-na com a mesma motivação dos autocráticos, crendo que a vida é uma sucessão de ordens e obediências.

A vida, Sr. Ministro, tem seus arbítrios. Quando exercido, é muito mais poderoso que o gesso. Mais poderoso que o exemplo não dado. Aliás, a melhor forma de liderança é a exercida pelo exemplo.

Uma sugestão: para cada Zeca-Feira, providencie dias em que se celebre a saúde, com celebridades que se dispuserem a isso. Traga pesos pesados em favor de bons hábitos, boas atitudes, bons costumes. Compare-os aos vícios, Logo, haverá filas para estrelar esses comerciais. Em vez de fila para criticar o ministro.

Mas, claro, é somente uma opinião.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Impunidade

Ajudando minha filha a fazer lição de casa, estanquei numa triste constatação. Falávamos sobre as denúncias de corrupção de governos anteriores e sobre o consciência do voto do brasileiro.

Disse e ela que, apesar das denúncias, o povo continuava votando naqueles políticos denunciados, o que fazia com que a classe política não se renovasse.

Hoje, relembrando a história, pergunto: de todas essas operações que geraram prisões, CPIs, cassações, pizzas e mais pizzas, quem é que foi punido pela justiça? Não me lembro de ninguém.

Quando Collor foi eleito senador por Alagoas, a indignação foi geral. Ao que respondeu Collor mostrando o "nada consta" da justiça. Sim, porque ele foi absolvido das acusações. José Roberto Arruda, aquele que renunciou para mão ser cassado no escândalo da quebra do sigilo dos votos no congresso, foi eleito governador do DF. Sem apreciação pela justiça.

Dos anões do orçamento, quem foi punido pela justiça? Enfim, como estão os processos dessas pessoas acusadas de corrupção e malversação de dinheiro público? Ninguém na cadeia, ninguém incomodado pelos longos braços da lei.

Quando o eleitor vota no "acusado", na verdade vota no inocente... Pois a justiça é tão morosa que, quando (e se) houver punição, o público já não mais se lembrará do "crime" que deu origem ao processo. Então, a máxima constitucional de que "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” vale nesses casos na mente do eleitor. Simples, não?

Não. O eleitor realmente não se interessa pelo assunto. Parece que ainda está em voga a lei Adhemar de Barros, o "rouba mas faz". Neste caso, é o político que conheço, não interessa se faz...

O brasileiro vota em quem está disponível. Os sistemas institucionais não evitam que aqueles que cometeram crimes estejam nessa disponibilidade, ou o faz com muita morosidade. Agilizar a justiça, aprimorar processos de apuração de denúncias, eliminação de chicanas jurídicas (processo) e afastamento de influências políticas em todos os níveis é que terão esse condão. Com a sentença condenatória (transitada em julgado), as penas. Dentre as quais, não ser elegível.

domingo, 27 de maio de 2007

E agora, quem falta?

O escândalo atingiu o presidente do Senado?

Quem se lembra do período Collor não pode se esquecer dos personagens envolvidos: Cláudio Humberto, Lafaiete Coutinho, Roberto Jefferson... e Renan Calheiros. Ainda um político incipiente (porém nada insipiente). Um defensor ferrenho, junto à famosa "Tropa de Choque", defendou o patrão com unhas e dentes. O resultado, todos já sabem.

Agora, e denúncia é contra ele. Já resvalavam informações, e a área é a de atuação do senador. Estaria isento? Segundo a Veja, não.

Interessante que o processo que a jornalista Mônica Veloso move contra ele corre em segredo de justiça. Interessante que nosso amigos e conhecidos não têm o mesmo "privilégio", se é que pode ser chamado assim. Tudo bem, nenhum é senador. Será que é qualificativo suficiente para tal?

Vários colunistas da Folha estão alertando para o silêncio das duas casas (câmara e senado). Não há aquele coro de indignação, não há recriminações. Perguntam, e faço minhas também essas perguntas: o que motiva esse silêncio? O medo de que o respingo será geral? Será que é apreensão pelo que aonda virá?

O fato é que personalidades insuspeitadas estão sendo arrastadas pelas denúncias. E não sabemos ainda onde irão essas denúncias, E nem sabemos e nunca saberemos, se há alguém que foi blindado... Afinal de contas, este é o Brasil. de lobistas e de corruptores.

Para o bem de nossas instituições, depois de severinos e anões, que esse seja um episódio bem apurado, de forma isenta, sem deixar que amores, prós e contras, contaminem as investigações.

Mas as evidências são fortes. Isto ninguém pode negar.

sábado, 26 de maio de 2007

Simply The Best

Tina Turner






Eu te ligo quando preciso de você, meu coração pega fogo
Você vem pra mim, vem pra mim louco e louco
Quando você vem pra mim
Me dá tudo que eu preciso
Me dá uma vida de promessas e um mundo de sonhos
Fala uma linguagem de amor como se soubesse seu significado
E não pode ser errado
Pegue meu coração e faça-o ficar forte, baby

Você é simplesmente o melhor, melhor que todo o resto
Melhor que qualquer um, qualquer um que já conheci
Estou presa no seu coração, agarrada à cada palavra que você diz
Nos separar, baby eu preferia morrer

No seu coração eu vejo as estrelas de cada noite e cada dia
Nos seus olhos eu me perco, eu viajo
Enquanto eu estiver aqui nos seus braços
Eu não podia estar em um lugar melhor

Você é simplesmente o melhor, melhor que todo o resto
Melhor que qualquer um, qualquer um que já conheci
Estou presa no seu coração, agarrada à cada palavra que você diz
Nos separar, baby eu preferia morrer

Cada vez que você me deixa eu começo a perder o controle
Você vai embora com meu coração e minha alma
Eu posso sentir você quando estou só
Oh baby, não desista

Você é simplesmente o melhor, melhor que todo o resto
Melhor que qualquer um, qualquer um que já conheci
Estou presa no seu coração, agarrada à cada palavra que você diz
Nos separar, baby eu preferia morrer
Você é o melhor

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Saudade não tem idade

Este, segundo me disseram, fez muito sucesso nos anos 80. Não sei, nem era nascido...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Comunicação

Esta noite tive um insight. Com base num feeling, resolvi mudar o approach. Necessário oferecer mais feedbacks, manter as ações dentro da timeline adequada. Sem, óbvio, perder de vista o deadline estabelecido.

Porque, para nos manter vivos, precisamos gerenciar bem nosso break-even point, de forma a otimizar recursos. E, se for o caso, fazer o outsourcing da resolução de nossos problemas. E, como é natural, temos de manter as coisas sob o forecast estabelecido.

Claro que nossos handicaps têm a pesar nos resultados. mas que não sejam motivos impeditivos, desde que consigamos uma network que os compense. E, se não bastasse, podemos sempre fazer um benchmark das best practices para atingir a excelência.

Fazer o downsizing de nossas atividades não produtivas é fundamental, nem que para isso precisemos da ação de coach de algum guru do mercado. Precisamos mesmo é promover o empowerment de nossos trainees, mesmo que isto nos obrigue a ações de replacement.

Claro que se os leads, suspects e prospects continuarem a recusar contato, sempre teremos de recorrer a outras tools que nos levem mais perto dos goals estabelecidos, sem perder de vista o budget corrente.

Se você realmente tem a expertise do seu core business, você saberá quando promover seus stop and go, e seus up and down. Seus sistemas manterão você sempre up to date, on line, com suas informações de negócio, que o permitirá adotar as medidas necessárias, sempre just in time. Claro que essas medidas poderão indicar que você necessita é de um up grade no seu parque instalado. Mesmo que seu gap seja grande, a medida pode ser obrigatória.

Para aumentar seu market share, considere seriamente uma joint venture. Isto pode melhorar seu cash flow, na medida em que ajuste seu mix de produtos, mesmo que seu negócio seja apenas uma start up. O segredo do marketing é a elaboração de um plano, mesmo que baseado apenas em folders. Mas, para a área de vendas, o follow up é essencial. Desde que o turn over não apague a história do negócio.

E, não se esqueça nunca, comunicação é fundamental!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Zappeando

Gasolina
E eu que pensava que o problema da gasolina tinha acabado... Com essa fraude do "botão redirecionador", não tem gasolina boa...

CPI
A Gautama está gerando uma inquietação interessante no Congresso. Pode sair uma CPI a respeito. Se for sério, ótimo. Mas como entre bois não há chifradas, pode ser somente uma encenação de indignação. Deles, claro.

Celular
Meu celular parou. Travou. Na Vivo, ninguém sabe o motivo. Vou perguntar na Claro e na Tim, quem sabe alguém descobre o que está errado?

Gautama
É impressionante a quantidade de políticos que mantêm contato com a Gautama. Não quer dizer que sejam todos corruptos. Mas que tipo de assunto será que aparece nas conversas? Será que quem está na "boquinha" não divulga? Quem é procurado, acha que é por causa de algum atributo físico?
Diz a Folha que Lula recebeu lobby da empresa para liberar recursos. Sem desconfiar? Ah, PT, quem PTviu e quem PTvê...

Gol
Pane em turbina da Gol. Dizem que foi um pássaro. Outros dizem que foi uma pane. Pelo sim, pelo não, vou viajar de carro.

Gol 1000
O Romário fez. Acabou-se o suspense. Qual será agora a grande expectativa nacional?


Jogos Panamericanos
Pelo custo das obras, pelo atraso nos cronogramas, pelas urgências nas contratações... Será que está tudo certo? Mais de 10 vezes o valor inicialmente planejado já foram gastos. E mais gastos ainda vêm por aí. Sei não...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

23 de Maio

Para fazer jus ao título deste blog: uma efeméride que merece ser destacada.

Muita gente que anda por São Paulo atravessa a cidade pela Av. 23 de Maio. É uma das principais artérias, e um indicativo do estado de movimentação da capital paulista.
O que pouca gente sabe, ou lembra, é que a avenida é uma homenagem às quatro primeiras vítimas do movimento que resultou na revolução constitucionalista de 1932.

Os paulista, insatisfeitos com os rumos da economia e política, e insuflados pela imprensa, foram às ruas em 23 de maio de 1932 e ali enfrentaram as forças nacionais. Morreram no choque Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, cujas iniciais formaram a sigla MMDC, ícone da revolução.

Sem entrar no mérito da questão que levou às manifestações e a revolução, basta dizer que as forças paulista foram derrotadas pelas forças federais. Mas dois anos após o movimento, foi promulgada uma nova constituição, como queriam os paulistas.

É um evento tipicamente paulista. Outros estados, esperados a juntar-se ao levante, não o fizeram. Mas é um pedaço importante de história do estado e do país.

Está lembrado!

Trabalho em equipe

Trabalhar em equipe nem sempre é fácil. Ao contrário, é muito difícil. Embora o discurso padrão seja trabalhar dessa forma, na prática não é o que acontece.

Trabalho em equipe exige confiança, que é um componente raro nos dias de hoje. Exige comprometimento, exige doação. Exige um perfeito conhecimento do par, dos pontos positivos e negativos. E exige uma complementaridade que nossa cultura não permite apreciar.
Porque somos todos "doutrinados" a procurar iguais. Iguais em reações, filosofias, pensamentos, metas, gostos. Como se os iguais pudessem se complementar. Não podem.

Quem ganha com as uniões, ganha nas diferenças. É no modo de ver alheio que apuramos o nosso próprios. É nos expondo às coisas que nunca apreciamos, ou tivemos oportunidade de apreciar que conheceremos mais a fundo outras facetas, outros lados da vida.

Quem se soma a iguais adquire a estabilidade do lago sem ondas. Então, o futuro é uma estagnação. Já quem se soma a diferentes, ganha as cores da vida. Abre seu mundo a outros, e se abre ao mundo dos outros. Os diferentes se atraem na física, deveria ser assim na vida.
Mas, nessa nossa vida, paciência anda curta com os diferentes. Olhar com nossos olhos, é o que desejamos. E que os outros olhem também com nossos olhos.

O trabalho em equipe supera, ou deveria superar isto. É quanto uma pessoa se cerca de outras, com habilidades e pontos de vistas diferentes, para se completar. E, circunstancialmente, cada qual assume o leme nas diferentes necessidades com que nos deparamos, de acordo com sua particular facilidade.

É preciso entrega, confiança, e muita, muita fé na natureza humana.

O vídeo abaixo nos apresenta um delicioso trabalho em equipe.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Zappeando

Operação Navalha
O Ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) deve se afastar do cargo, segundo notícias da imprensa. Os indícios de envolvimento são fortes, embora ainda restem incomprovados. Seu afastamento deveria ser compulsório, dada a gravidade das acusações. Vamos ver o desenrolar dos fatos.

Mais
O Ministro da Justiça (Tarso Genro) está contemporizando sobre o episódio. Se ainda fosse um petista puro (antes da experiência do poder) será que seria assim?

Mais ainda
A operação iniciou-se nos tempos de Márcio Thomas Bastos, como várias outras, cujos resultados estão sendo conhecidos agora. A grande dúvida: seria um espasmo de eficiência causado pela passagem do jurista pelo ministério, ou podemos esperar que essa eficiência esteja já incorporada pela Polícia Federal?
Espero que continuemos assim, o Brasil está melhorando. Mas me preocupa a declaração do atual ministro. Polícia não é órgão político, deve atuar segundo e lei, e somente segundo a lei.

Paraguai
Que ironia, Lula sendo chamado de imperialista... Para o Paraguai, o Brasil é um vilão. Jornais publicam reportagens diversas contra a visita do "império". Lembra alguma coisa?

Ônibus desgovernado mata membros de família
Três pessoas foram mortas por ônibus no Rio de Janeiro. O motorista declarou que subiu na calçada para evitar choque com outro ônibus, e os atingiu. Uma tragédia, claro. Daquelas que poderiam ser evitadas. Em diversas metrópoles, os ônibus andam acima da velocidade recomendada, fecham carros de passeio, desrespeitam as leis de trânsito, e seguem impunes. Quando uma tragédia dessas acontece, a notícia é oferecida como se fosse um fato isolado. Não é. O comportamento agressivo dos motoristas profissionais, salvo raríssimas exceções, expõe a população a esse risco, cada vez maior. Mas, assim como não existe fiscalização, não existe punição. E o episódio será sempre lembrado por este pedacinho ínfimo que é, uma tragédia pessoal. Familiar, no caso.

Quem anda pelas rodovias paulistas sabe da excelência de muitas delas, graças aos pedágios. (Estes, embora garantam condições excelentes de viagem, ainda são muito caros.) Pois bem, nessas rodovias, de ótimo asfalto, é muito comum presenciarmos, pelas manhãs e em dias de chuva, principalmente, acidentes com caminhões. Numa viagem entre Uberlândia e Campinas, num dia de chuva, contei 9 acidentes, todos com caminhões. Acontece que a velocidade com que eles trafegam é muito acima dos 90 km/h autorizados. Nas descidas, aproveitam a ajuda da gravidade e espremem quem esteja na frente. Sofrem na subida, e se vingam na descida. Experimente ficar em frente a um deles, na velocidade máxima permitida! Não é, ou não seria, de se estranhar tantos acidentes assim.

Em São Vicente
Menina de treze anos é morta por assaltantes, que queriam a máquina fotográfica que ela se negou a entregar. Resultado: um tiro na cabeça. Por uma máquina fotográfica, repito!
Só cabe um clichê: aonde vamos parar?

Dólar
O dólar continua caindo. Analistas seguem mostrando os resultados catastróficos que isto pode trazer para a indústria (e empregos). É verdade. Mas o governo tem ferramentas para superar isto. Insisto na questão tributária. Desonerar a produção, nem pensar, né?

Viagem cósmica

Tem a história de enxergar a árvore e não a floresta.

Em determinados momentos de nossas vidas, paramos e nos afastamos, para ver, em perspectiva, o que somos, o que fazemos, para onde estamos indo.

Nestes momentos, mais importante que o nosso dia-a-dia do detalhe, é o apanhado geral, a visão holística, o todo daquelas pequenas partes unidas.

Mas nós temos poucos momentos de viver essa experiência, porque o dia-a-dia tem um peso enorme em nossa visão de profundidade. Maslow nos mostrou que, se não comermos hoje, não adianta nos preocuparmos com a segurança de amanhã.

Mas é necessária essa visão de longo alcance. É saneadora, no sentido de ter o poder de nos afastar dos maus caminhos, e de nos mostrar os bons. E dá conforto, já que, se continuamos no mau (ou não tão bom) caminho, é por escolha, por circunstância. E que sabemos para onde iremos ou deveríamos ir.

Simbolizando essa abstração de nós mesmos, posto este vídeo.
Não foi exatamente este, mas foi um deste tipo que me mostrou, há tempos, que um determinado fato, analisado com a devida isenção, pode ser totalmente diferente daquilo que nossa percepção admite.



segunda-feira, 21 de maio de 2007

Página Virada

Num dia 27 de abril (1984), uma sexta-feira, iniciamos uma mudança de prédios na estatal em que trabalhei. Cheguei às 9h da manhã e iniciamos nosso expediente. A mudança foi gradual, e passamos a madrugada nesse trabalho.
Os vizinhos nos detestaram, por causa do barulho. Mas não pôde ser feito de outra forma. No sábado, alguns colegas chegaram e me mandaram embora, pois estava ali já há 26h. Outros continuaram a mudança.

No dia 2 de maio, um coquetel celebrou nossas novas instalações. Mais espaço, maior infra-estrutura, melhores condições.

Ali, continuamos amizades que se iniciaram em setembro de 1981, para muitos. Foi a inauguração do unidade dessa estatal.

Ao longo dos anos, novas pessoas foram chegando, e algumas foram-se. Amizades se firmaram, algumas esfriaram. Desavenças fotram superadas, ou foram criadas, ou foram agravadas.

Vimos casamentos e separações. Vimos algumas pessoas ligadas a nós partirem deste mundo. Presenciamos alegrias, como a de novas pessoas nas famílias. Participamos de dramas familiares, criando nós mesmos uma família.

Atravessamos greves, sempre traumáticas. Vimos essa estatal crescer, e diminuir. E crescer, e diminuir. Participamos de programas de qualidade, de churrascos de amigos, de eventos que nada tinham a ver conosco.

Ficamos apreensivos com as ações do governo (qualquer governo). Passamos pelas Diretas Já, e depois pela agonia de Tancredo Neves. Depois de um tempo fora, voltei para participar da agonia também do presidente que caçava marajás.

Casei-me, tive uma filha, separei-me. Tive amigos, alguns dos quais carrego até hoje em meus melhores momentos. Alguns amigos, perdi. Faz parte da vida. Alguns inimigos, por outro lado, seduzi. Eliminou-se algum mal-entendido.

Tenho (ou tive) um amigo que dizia: "seduzir, sempre. Estuprar, nunca", sobre o poder contido em nossos cargos.

Enfim, vivemos uma vida ali. Um vida de muitos anos, muitas felicidades, algumas infelicidades, frustrações, aspirações, ambições...

Agora, essa página está virada. A estatal fechou a unidade. Os últimos funcionários estão sendo transferidos. Nosso ponto referencial está vazio. Como quando começou a mudança, naquele longínquo 27 de abril.

Aos que passaram pelo CESEC Campinas, do Banco do Brasil, independente da classificação na nossa tabela de amizades, felicidades duradouras. Que a vida restitua nossa fé.

I want to believe

Quem assistia Arquivo X se lembra da frase. "Eu quero acreditar".

O governo francês divulgou dados sobre pesquisas de objetos voadores não identificados. Localizou algumas fraudes, mas algumas "aparições" foram inquietantemente misteriosas. É o primeiro governo a dar esse passo. Um passo gigantesco, se me permitem. Pois abre os arquivos a um dado de interesse da população.
Diz-se que nos Estados Unidos há uma área gigantesca destinada a pesquisas. É a área 51, assim chamada em alusão aos 50 estados americanos. A área, do tamanho da Bélgica, poderia ser o outro estado americano. Mas os dados dos americanos, se é que existem, estão guardados a sete chaves.

Agora, cientistas descobriram o que parece ser um planeta com condições semelhantes às da Terra. E que poderia abrigar vida. Some um e outro fato, e temos novas oportunidades pela frente.

Claro que ainda são notícias com necessidade de aprofundamento. Mas não deixam de ser boas notícias. As do OVNI, claro, não pela existência ou não deles, mas a posição de um governo de tornar públicas essas informações.

Mas as viagens especiais ainda estão longe de se transformar em realidade. E, quando se tornarem, claro que aqueles que podem pagar é que serão os privilegiados. Viagens de avião hoje são assim, que dirá nos ônibus espaciais?

O ser humano não pode ser o único nessa imensidão sem fim. Entretanto, assim como não fomos contemporâneos dos dinossauros, será que seremos de algum ser inteligente que nos visite? Ou a quem visitemos?

I want to believe.

domingo, 20 de maio de 2007

Jornalismo sério

Hoje na Folha, Jânio de Freitas lembra de um dos pontos altos do jornalismo brasileiro, protagonizado por ele. É o episódio da denúncia de cartel nas obras da Ferrovia Norte Sul, há vinte anos.
Descoberta antecipadamente, a Folha publicou, de forma inteligente, cifras nos classificados, de forma a apresentar os vencedores da licitação. Quando os resultados foram divulgados, os dados batiam...

O jornalista teve total apoio da Folha. Um escândalo para a época, não teve outro momento como esse.

No caso de Pedro Collor, ele divulgou denúncias na revista Veja. A imprensa, inclusive Veja, foi passiva. No caso de Jânio de Freitas/Folha, eles foram ativos. A descoberta foi ativa, foram fuçar. E produziram uma das maiores denúncias de todos os tempos.

Os meios de comunicação têm um papel importantíssimo a prestar. Quem se elembra do episódio da manipulação do debate entre Lula e Collor, e depois da entrevista exclusiva para a Globo depois de eleito, deve se perguntar sobre o sangue de barata. O caso é que a mídia seduz de tal forma que não carrega culpas... Seu poder de divulgação é maior que rancores e melindres...

Acho que se a imprensa fosse realmente independente, seriam diferentes os caminhos traçados pela nossa história. Dizem que a consciência não é senão o medo de estar sendo vigiado. A imprensa é quem vigia e denuncia.

A propósito, quem estava envolvido nas denúncias daquela época? O mesmo ex-governador preso...

Jânio ainda conta, no final de seu artigo, que fez uma maldade. Daquelas que só se aprova para inimigos... e eu aprovo...

Instantes - Borges???

Um poema famosíssimo, atribuído a Jorge Luiz Borges, mas que na verdade não é de sua autoria. O sucesso e a mensagem torna obrigatória sua publicação (mais uma vez).


INSTANTES


Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo" .

sábado, 19 de maio de 2007

Prisões

Mais uma leva de prisões levada a termo pela Políca Federal. Desta vez, envolve fraude em licitações e tem como base uma construtora. Dentre os presos, um ex-governador. E em assessor de ministro (já exonerado).

Não quer dizer que a corrupção aumentou no governo Lula. Mas que a apuração aumentou, isto é sem sombra de dúvida.
A polícia está se aprofundando mais. Tem tido mais cuidado nas apurações, e tem garantido que os acusados o sejam realmente, sem firulas. Esta é uma boa notícia.

Tenho relacionamento com muitas empresas. Muitas dessas não querem nem ouvir falar de negociar com órgão públicos. O motivo: essas negociatas que acontecem. Sempre que há suspeitas, afastam-se concorrentes sérios.
Os problemas: para ganhar, o custo aumenta. A rede de "contribuições" é grande. Assim, um serviço que poderia custar R$ 1,00, pode chegar a muitas vezes esse valor. R$ 10,00, R$ 20,00. Depende. Mais: no pagamento dos serviços já prestados, não é raro ter pedágio. Ou seja, o pagamento está pendente somente de liberação, e a liberação custa...

Algumas dessas empresas de meu relacionamento simplesmente cortaram negócios que envolvam licitação. Outras selecionam de acordo com o critério da aparência: se aparentemente é sério, participam. Mas sabendo que surpresas podem acontecer.

E isto é um câncer no mundo dos negócios. Imaginando-se que o cofre público paga essa conta (ninguém aumenta os valores sem cobrá-los, de uma forma ou de outra), essa conta vai para o contribuinte. Mas o empresário fica restrito aos negócios num mundo ultracompetitivo (mundo real) quando não participa dessas negociatas. Mas quando enfrenta , nesse mesmo mundo real, empresas que são beneficiadas por ações ilícitas, fica sem poder de fogo.
Explico: o empresário que foi preso como sendo o maior beneficiário dessa fraude mora em uma casa num condomínio de alto luxo. O valor da casa: R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais). Quem tem um patrimônio desses pode oferecer maiores vantagens a compradores de seus produtos nos quesitos preço, forma e prazo de pagament, etc. E há, ainda, o fator ostentação. Escritórios luxuosos seduzem mais que os despojados. Não interessa se custam.

Que a Polícia Federal continue nesse passo, descasada de partidos e grupos políticos e econômicos. O Brasil está melhorando.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Leituras

Quando minha filha ainda era bem pequenininha, lia para ela as histórias do The Jungle Book, de Kipling, que trata de algumas histórias da Índia enquanto possessão inglesa. Mais especificamente, da história de Mowgli.

Talvez isto explique porque ela não quer mais ouvir falar sobre Mowgli...

Mas o fato é que a história (a original, não a adaptação de Disney) é carregada de mensagens excelentes. Honra, honestidade, valores... Mensagens que se perderam na versão. No original, é uma lição de vida. Na adaptação, é uma boa diversão, e só.

Vale a pena ler o original.

Milha filha começou a ler pouco depois dos quatro anos e meio. Graças a uma trapaça minha nessas leituras. Eu inseria uma palavra totalmente fora do contexto, e ela estranhava e parava a leitura. Como eu acompanhava com os dedos as palavras lidas, ela foi se habituando a reconhecer algumas... Daí a ler outdoors nas ruas foi um pequeno passo. Hoje ela adora ler. Tal qual o pai. Viva a trapaça...

Insisto para ela ler Macunaíma, um dos meus livros de cabeceira, aquele que todos os anos releio. Mas ela quer ler 1984, de Orwell. Apoiado... Mas aviso a ela: algumas passagens são chatíssimas. Mas gosto não se discute...

Lia, quando morava em Brasília, três jornais por dia. Chegava a ler cinco livros ao mesmo tempo. Ok, não no mesmo instante, que não sou polvo. Mas vários trechos de vários, ao longo do dia.
Até disseram que devia ter algum problema...

O brasileiro médio não lê. Mal lê o jornal. Sabe o que acontece só pelas manchetes. Lê, e não sabe o que está lendo.

Nosso presidente disse que é chato ler. Compreensível. Mas, e o exemplo às crianças? As crianças, o que andam lendo? Andam lendo?

Minha grande aventura pelos nacionais começou pela coleção "Para gostar de ler". Aí conheci Fernando Sabino e o devorei por toda a sua criação. Até "Zélia, Uma paixão"...

Macunaíma é uma masterpiece. Deveria ser obrigatório. Ah, é verdade, em alguns lugares é. Ah, então não devia ser...

Ler é, antes de tudo, uma opção. Quem gosta de ler mergulha na história, vive a ação em três dimensões, às vezes mais. Quem nunca teve uma experiência extra-corpórea ao ler nunca vai gostar de ler... Ler é saber viajar, é querer voar, mas tem que se permitir isto. Sem leveza, não há ser (anota aí, Kundera).

Kundera, que coisa antiga, não? Vá ler algo útil, se me permite sugerir...

Futebol

Uma amiga me perguntou se gosto de futebol. Assunto polêmico. A ele.

Algumas lembranças, antes.

Decisão de um campeonato, Guarani e São Paulo, acho que em 1987. Guarani precisava empatar. Estávamos em três amigos, no estádio do Guarani, em Campinas. No segundo tempo da prorrogação, o resultado estava 2 X 2. Aos treze minutos do segundo tempo da prorrogação, a torcida do guarani já festejava. Gritos de "campeão, campeão", quando Careca pegou a bola e fez 3 X 2 para o São Paulo. Com mais nada de tempo, o guarani viu, assim, o título escapar.
Um de meus amigos chorava. O estádio estava silencioso.
Aí, Careca pegou a taça e o São Paulo começou a dar a volta Olímpica. Ao passar em frente à torcida do Guarani, uma coisa fora da realidade. A torcida levantou e aplaudiu!
Foi uma cena rara e deliciosa. Apesar do desapontamento, a torcida aplaudiu o São Paulo, que foi melhor. E saímos, os três, para "comemorar"... Um instante único.

Noutra ocasião, o jogo era entre Ponte Preta e Corínthians. Estádio da Ponte. Chegamos, e fomos procurar um lugar. Enquanto caminhávamos, uma gritaria... A torcida do Corínthians quebrara uma calçada e começara a jogar as pedras na torcida da Ponte. Vi muita gente sair de cabeça sangrando. Jogo? nem quisa mais saber...
Outra: Guarani e Ponte preta. Começa o jogo, e um jogador da Ponte vem e agride um do Guarani. Expulso, claro.
Mais outra: Guarani e Ponte. Torcedor morre com rojão disparado na sua barriga.

Ok, aí é que eu parei. Acompanhava todos os jogos do guarani em Campinas (porque fanatismo tem limite). Aí, essas coisas foram me desestimulando. E parei.
Comecei a analisar o jogo sob um outro prisma. E conclui que o negócio é muito anti-esportivo. Jogadores que agridem e ainda reclamam do juiz. Provocam brigas. E brigas entre torcedores. Treinadores reclamam, sempre. Enfim, que esportezinho sem fair play.

Gosto de esportes que privilegiam valores. Não é o caso do futebol. Que é usado somente como anestésico para o povo. E são fomentadores de violência. Há muito tempo o futebol é apenas isto: um esporte de massas, mas que fomenta a violência. É, não gosto de futebol.

E ainda não tenho paciência com as copas. Um "espetáculo", mas somente para as televisões. Para atletas, depois chamados de "heróis", nada senão glória pessoal. Quando muito. Na Copa de 94, quem se lembra do avião que chegou entupido de "muamba", e que foi autorizado a passar pela alfândega sem fiscalização (basta ler a Veja da época)? Pois é, são os nossos heróis...

Atravessamoa muma guerra com o Paraguai. Conta que um determinado Marechal cometeu crimes bárbaros, dignos de Nuremberg. Ainda assim, os paraguaios nào têm ódio mortal dos brasileiros. Já a Argentina...
Conheço vários argentinos. Nenhum deles como os das piadas maldosas. Acredito que o futebol criou essa inimizade. Então, esse esporte cria mais rusgas que uma guerra.

Definitivamente, não gosto de futebol...

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Conversas...

Dia destes, fui buscar minha filha na escola. Fazia já alguns dias que não nos encontrávamos.

No carro, conversamos bastante. Paramos para um capuccino, e continuamos conversando. Em casa, fizemos algumas pesquisas, estudamos um pouco, e sentamos no sofá. E conversamos...

Nossas conversas são bem abrangentes. Conversamos sobre tudo, sempre ambos com muito interesse pelo que o outro tem a dizer. E, não bastasse, às vezes continuamos nossas conversas pelo MSN ou pelo telefone.

Quando ela era pequena, sempre a estimulei a argumentar em favor das suas coisas. Ou seja, quando ela queria alguma coisa e eu negava permissão, ela deveria sempre argumentar. Eu dizia: "convença-me". E ela tentava...

No início, ainda sem repertório, ela insistia no pedido. Com o tempo, foi ganhando argumentos. E, inúmeras vezes, um argumento inteligente ou divertido me derrubavam, e ela conseguia o que queria. Claro que não é fácil ter uma criança insistindo, e insistindo... Mas o lado bom é que ela fez um bom aprendizado do processo. Hoje, seus argumentos são refinados, requintados. Inteligentes além do razoável, são argumentos sedutores, com a sábia colocação destes onde cabíveis.

Mas isto é um truque meu. Cada vez que ela precisava "negociar" comigo, imagino que houvesse uma antecipação. Ela, provavelmente, pesava meus argumentos, e já preparava os seus contra-argumentos. Isto, é claro, oferece uma antecipação formidável para negociações. E, ao mesmo tempo, colocando-me na outra ponta, na sua discussão imaginária, pode antecipar eventuais furos de argumentação. Enfim, mostrei, ou tentei mostrar a ela, o meu jeito de me preparar para ocasiões semelhantes de minha vida. E parece que a "lição" tem dado resultado.

Sempre conversamos muito. Por exemplo, quanto a palavrões. Minha decisão foi a de não falar palavrões, ela sabe. mas eu sempre digo a ela que, um dia, ela vai decidir se ela quer falá-los ou não. Porque hoje é uma determinação minha. Mas ela vai já, se é que ainda não, atingir a condição de escolher se está na hora ou não.

Tento fazer com ela veja minha "proteção" como apenas necessária. Não quero que ela deixe de fazer as coisas por minha causa. Os palavrões, por exemplo. Tanta gente me diz que é um escape. Ok, se ela achar assim, que seja. Mas que sua vida seja pautada pelas direções, não pelos meus caminhos. Gostaria que ela visse minhas escolhas, e, mais importante, o porquê dessas escolhas. Que ela veja meu mapa axiológico, meu mapa de valores. E ter a certeza de que estes dirigem minhas ações.

Acho que o mapa axiológico dela pode ser diferente. Deve, talvez. Mas, que seja fruto de suas decisões, de suas esolhas. De suas experiências, de suas expectativas. Eu não seria feliz se me repetisse nela. Serei feliz, isto sim, se ela se mostrar capaz de tomar suas próprias decisões, de cometer seus próprios erros. A mim, restará sempre o fato de que a criei com amor. Um amor desapaixonado (no sentido de regido pela razão), mas cheio de paixão por ela.

Por falar nisto, sempre deixei claro a ela; meu amor é incondicional. Tenha feito ela uma grande travessura, tenha feito uma grande ação, eu a amo da mesma forma. Às vezes zango-me, como acontece aos pais. Mas esse zangar não afeta a quantidade e qualidade do amor. Brigamos, às vezes, abraçados. Por que quero a ela o bem maior, por mais que brigue com ela. E acho que ela tem certeza disto.

Quando, lá na frente em nossos anos, ela se lembrar de mim. talvez já partido, espero que a imagem que lhe venha, além deste velho pai, seja a que sempre tentei passar. Tentei ser um pai que educou por valores. E, muito mais importante, que tentou educar pelo exemplo. Tento ser um exemplo bom, um cujo discurso é adequado às ações. Esta é a maior liderança, a exercida pelo exemplo.

Acho que alguma coisa estou fazendo corretamente, pela nossa interação. Sou dela um amigo, antes de ser pai. E isto me dá muito, muito orgulho.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Brasilidades

Lula
Finalmente Lula deu sua segunda entrevista coletiva. É a primeira do segundo mandato, e a segunda desde que assumiu seu primeiro mandato. A democracia agradece. E Lula foi muito bem. No sentido de que não perdeu a calma. Mas também não respondeu profundamente as questões. Ficou na cartilha marqueteira. Parecia Maluf, nos tempos em que perguntavam de contas no exterior e ele respondia falando sobre pontes e estradas construídas.

Positivos, mesmo: a entrevista, em si. É uma saudável prestação de contas. E o fato de Lula descartar reeleição. Não quer dizer nada, mas é um sinal de que pode ser o encerramento de polêmica.

Dólar
O dólar fechou a menos de R$ 2,00 ontem. É um marco importante, que o presidente do Banco Central acha que segue uma tendência mundial, de fortalecimento de moedas perante a note-americana. Exportadores reclamam, importadores celebram. É uma demonstração de estabilidade?

Mais Lula
O desempenho da economia, a melhora na rating do Brasil, os índices de aprovação... Lula está no céu, se sente no céu, e nem quer saber ouvir falar de probemas. Nunca antes neste país...
Mas a grande pergunta é: colocado nos trilhos desde as ações de Itamar Franco (estabilização da moeda), as de Fernando Henrique e as de Lula, o Brasil está crescendo no nível que poderia?
Diversos especilistas dizem que o crescimento poderia ser maior. Ou que o sofrimento poderia ser menor. Ou que a velocidade poderia ser maior... Enfim, nunca saberemos.

Mais IBAMA
O IBAMA está em greve. Contra mudanças no órgão. Será que o PAC atrasa por causa disto? Vejamos: leva quase 20 meses para a liberação de uma licença ambiental. Então, acho que não. Já está fora do cronograma.

Clodovil
Voltou atrás, pediu desculpas às mulheres. Mas o estrago já está feito.
Lembrando: nós escolhemos nossos representantes.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O "Toyotismo"

Já existe uma nova moda no mundo da administração: o toyotismo. Principalmente agora que a Toyota se transformou, ao menos momentaneamente, na maior empresa do ramo, superando a GM.

Se analisarmos os métodos de gestão da GM isoladamente, talvez não achemos nada errado. Ou, pelo menos, errado a ponto de justificar o avanço da empresa japonesa. E este é o ponto. Na comparação, a vantagem é da Toyota. Seus métodos, suas premissas, sua maneira de realizar sua atividades estão fazendo a diferença.
Hoje o carro híbrido mais vendido do mundo é da Toyota. Que concebeu um carro que, quando necessário, funciona a energia elétrica, ou a combustível comum. Sua justificativa para o sucesso foi que fizeram um carro que tinha basicamente as mesmas características do normal. Não afrontaram hábitos, então. E seu modelo já está sendo adotado por outras montadoras, sob pagamento de royalties.

No Japão pré-guerra, as indústrias locais produziam em grandes quantidades, com baixa qualidade. os produtos japoneses de então eram baratos e nada confiáveis. No pós-Guerra, Deming (William Edward Deming, 1900-1993), utilizando-se de análises estatísticas, focou os métodos de produção japoneses e os ensinou a aperfeiçoar seus produtos. A revolução de Deming foi decisiva para que o Japão caminhasse na direção de ser uma superpotência. Os japoneses se beneficiaram dos ensinamentos de Deming e seus produtos começaram a melhorar seus produtos. Hoje "made in Japan" é sinônimo de qualidade (de boa qualidade).

E o Japão caminhou nessa direção em tudo. A Sony, com Akyo Morita, já era uma empresa superpotente. Fincou pés no mundo do entretenimento através da Sony Pictures, conhecida também pelo canal de TV paga. E em todos os ramos, o Japão caminha, em passos lentos, mas firmes, a um domínio da concorrência.

O Japão não tem pressa. Aos poucos, assume um papel de liderança em todos os ramos. Para quem se lembra dos primórdios da arte televisiva e cinema japonês, deve se lembrar de Godzila, Ultra Seven Ultra Men, todos muito toscos, embora com muito sucesso. Mas quem se lembra de Speed Racer, a Princesa e o Cavaleiro, dentre muitos, contata que, na animação, o japão sempre esteve com tudo. E a mais silenciosa revolução cultura está acontecendo a partir do Japão, que tem provocado uma multidão de seguidores de seus animês e mangás (animações e gibis). É uma multidão que se interessa por esses assuntos, e por causa deles, está afinando conhecimentos sobre costumes do Japão. E, melhor do que o método imperialista (sem patrulhamento ideológico) dos americanos, as pessoas vão aderindo por vontade e iniciativa próprias, fazendo com essa revolução seja consistente e sem pontos traumáticos.

O Japão está na pauta do dia. Logo, estudos sobre empresas bem sucedidos vão demonstrar seus cases. logo, as referências em administração estarão centrados no Japão.

A Toyota, ora, a Toyota. Ela só não conseguiu controlar seu sucesso, e acabou passando na frente da concorrência. Para desespero de Shintaro Ishihara (político e escritor japonês), que, instado a explicar por que o Japão não esmagava comercialmente seu grande rival, os Estados Unidos, declarou:
É melhor ser um poderoso número dois.


Japonês ou mineiro?

domingo, 13 de maio de 2007

Dia das mães

No dia das mães, sempre temos o que lembrar. Há um longo caminho entre o hoje e o dia em uma mulher se tornou minha mãe. Desde então, tal ligação não mais se extinguirá, nem mesmo com nosso desaparecimento.

Porque mãe é atemporal, é perene. Se aos dois anos ela se preocupava com nosso agasalho, contonuará a fazê-lo, aos dez anos, aos vinte, aos trinta, aos quarenta... E, longeva que se torne, sempre nos considerará, mesmo entrados na idade, aquelas crianças de outrora.

Mãe não é somente uma conseqüência biológica. É um estado de alma. É uma adesão, a todos os papéis de proteção, amor, compreensão. E é uma abdicação, já que as necessidades dos filhos superam as próprias. Abdica da vida calma, sem grandes preocupações, sem grandes medos, para assumir uma vida muito mais corrida, cheia de responsabilidades, sempre temendo pela prole.

Ser mãe é a afirmação do ser humano e honra das mulheres. Aos homens foi negada a completude da experiência, pois ele não carrega senão uma pequena semente. O broto quem carrega é a mãe, e é ela quem protege, com seu corpo, o ser humano no seu estado mais inocente e mais carente.

Ser mão é uma profissão, mal paga, muitas vezes. Mas profissão, da qual não se quer pedir demissão, nem se aceita. E, às vezes, o pagamento é invertido, pois vem em forma de incompreensão, de negação, de agressão. Mas, mesmo nessa hora, mãe é mãe, pois é quem tem o poder e a benção de tudo perdoar, e é quem sempre enxergará, mesmo em gestos ingratos, mesmo em atitudes agressivas, o bebê que ela carregou.

Como se não bastasse, a vida moderna cobras suas contas, e a mãe, então es profissionalizou. Alëm de Mãe, é educadora, advogada, médica, operadora de telemarketing... mas continua ligada nos seus "bebês", com o mesmo desvelo de sempre.

Como é óbvio, eu tenho uma mãe. Por quem guardo um imenso amor. E a quem gostaria de celebrar todos os dias de minha vida. Mas é uma vida atribulada, e nem sempre fazemos tudo que queremos. Ou que precisamos. No quer dizer que ela não mereça, ao contrário, pois continua lá, sempre a postos pelos filhos.

Assim, mãe, obrigado. Pela luz, que me recebeu no mundo. Pela vida, norteada por princípios e valores, que espero poder transmitir à minha filha com a mesma competência com que me foram passados. Pelos sacrifícios, nem sempre reconhecidos, mas presentes. Pela abdicação, que só mesmo mãe sabe oferecer. Obrigado, mãe, pelos exemplos de vida que nos ofereceu.

Eu não tenho, e nunca terei, palavras para agradecê-la por tudo que já fez. E nem que vivamos mais mil anos eu poderei retribuir cada ação amorosa sua em minha direção. Talvez porque, por mais que eu me esforçasse, a mãe continuaria a ser mãe. E outros gestos, outras ações, outras "mãedades" (sinônimo de bondade, antônimo de maldade) se apresentariam, sempre a meu favor.

Por tudo isto, acho que não há palavras que exprimam melhor o que quero dizer do que estas: mãe, eu te amo.

sábado, 12 de maio de 2007

Metas

Uma das maiores demonstrações de força de vontade já registradas.

Gabriela Andersen Scheiss, nas Olímpiadas de Los Angeles, em 1984, cruzou a linha de chegada e caiu, sem sentidos, como se seu objetivo fosse somente chegar. Observe que ela entra no estádio já exausta, dando mostras de que não está agüentando.

Mas segue na persecução de sua meta, que era chegar. Não interessava mais a colocação, o objetivo era chegar.

Dizem que ela chegou já sem sentidos. Está claramente sem orientação nos metros finais. Afasta os médicos que a querem socorrê-la antes da chegada. E segue no seu caminho.

Com que forças, não se sabe. Percebe-se, somente, que ela estava decidida a cruzar a linha de chegada.

O esporte nos dá esse exemplo de dedicação pessoal. Infelizmente, o vídeo está em japonês, e a emoção do narrador não pode ser captada.

Mas a imagem e a reação do público são eloqüentes.



Update: o vídeo não está mais disponível, percebi hoje (05/02/2008). Aqui, uma nova postagem, enquanto estiver no ar...

Hoje - Taiguara

Para a Velha Guarda.

Esta é uma música eterna, que marcou época. Uma música belíssima, atemporal.


Chihiro

Assisti a Viagem de Chihiro com minha filha, claro. É uma animação deliciosa, tão rica em detalhes, e com um desenvolvimento tão suave como firme, merece ser lembrada.


A desimportância da vida

No Ceará, uma aposentada morreu por causa de um corte de energia elétrica em sua residência, feito pela COELCE (Companhia Elétrica do Ceará). Ela havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), e dependia de aparelhos elétricos para sobreviver. Sem a energia, óbvio que os aparelhos não funcionaram.

A dívida era de R$ 204,00. A aposentada estava registrada na empresa em situação especial, e a luz não poderia ter sido cortada.

A empresa diz que investigará. Não parece fazer muita diferença para a aposentada.

O consumidor está à merce das concessionárias. De todas. Telefonia, energia elétrica... O lado hiposuficiente nunca esteve tão hiposuficiente. As agências reguladoras parecem fazer o jogo das empresas, mas deveriam cuidar dos interesses do Brasil, da população. Garantia de qualidade? Não é prioritário. Atendimento? Metas de desempenho? Não, a preocupação não existe.

Quem já teve problema com alguma concessionária conhece as agruras que é preciso enfrentar para tentar uma solução. É um abuso revoltante, sempre com perdas para o consumidor. As empresas cortam serviços, sempre de forma totalmente ao seu arbítrio, restando pouquíssimo espaço para contestações. E, neste caso, sempre a contestação é posterior ao corte do serviço. e respectivo pagamento da conta, mesmo errada.

A vida dessa aposentada valia somente R$ 204,00? Menos que um salário mínimo...

Da série: Filho de peixe...

Dois momentos com minha filha.

- Filha, vou interligar o notebook com o desktop com uma conexão sem fio, através de uma placa de rede específica.
E ela, depois de um momento:
- Wi-fi?
O pai:
-É, é isso mesmo.
E ela, adorando:
- Então por que você não fala logo na nossa língua?


Outro, numa discussão sobre um chapéu, eu tentava me lembrar em que parte do mundo se usava um chapéu daqueles:
- Onde é mesmo que se usa esse chapéu???
E ela, ainda adorando o momento:
- Na cabeça???

É, filha dá trabalho...

Caminhando

Foi uma música que marcou a ditadura. Também marcou seu autor. Foi cantada em passeatas, resistências, desagravos...

Mas a música é muito mais que um grito de rebeldia. Deveria ter sido um símbolo muito mais abrangente. Ela nos chama para a ação, é contra a acomodação, a inação, a abstenção, a omissão.

Não se pode mais desvinculá-la da resistência à ditadura. É pena. Mas o garbo de Geraldo Vandré, tentando acalmar a platéia, inconformoda com o resultado daquele famoso FIC de 1968 (ficou em segundo lugar).

Suas últimas palavras, antes e começar a cantar e fazer-se acompanhar pelo público:

A vida não se resume a festivais...


sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mais brasilidades

Bolívia
Evo Morales recuou. Lula ganhou esta. As refinarias foram compradas por US$ 112.000.000,00. Não sei se valiam isso (ou só isso). Ponto para Lula.

Religião
O Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, disse que sua igreja é a favor do aborto, e concorda com as declarações do Ministro Temporão, da Saúde. Ponto para a Universal.
A Rede Record está, na avaliação da Folha de São Paulo, fazendo uma cobertura bem sóbria, quase superficial, da visita do Papa. Talvez um pouco mais de conteúdo ajudasse. Mas a Globo, por seu turno, o está transformando em popstar (papa-star? desculpe-me, era irresistível). Os gestos estão sendo interpretados, os olhares, as intenções. Volto a insistir: seria isto jornalismo? Um pouco de distanciamento não seria bom?

Salários chapa-branca
Os salários dos ministros e do presidente foram aumentados. E votados em regime de urgência. Se o PAC andasse assim...

Clodovil
Dizem as notícias que Clodovil está sendo acusado de agredir uma colega (Cida Diogo, do PT-RJ). Agressões verbais. Um bate-boca que seria de morrer de rir, se fosse num boteco. Mas estavam no Congresso Nacional. A polêmica nascera antes, de uma declaração do Clodovil, de que as mulheres "trabalham deitadas e descansam em pé".
Nós, com nosso poder de escolher nossos representantes, somos culpados. Desculpe, deputada.


quinta-feira, 10 de maio de 2007

Hotel California

Música dos Eagles, dos anos 70, num hotel à beira da estrada, ouvindo vozes e espíritos...

E você pode até fazer o check-out do hotel, mas você nunca poderá partir...

Brasilidades

Revista Veja
Na semana da visita do papa, a revista Veja põe na capa Darwin, com sua teoria Evolucionista. Seria provocação?
Ainda está em curso a velha briga dos adeptos do Evolucionismo com os do Design Inteligente. Ou seja, os darwinistas contra os religiosos. E é contra, mesmo. A ponto de nos Estados Unidos haver grande polêmica sobre o assunto.

Diogo Mainardi
Não Diego. mas Diogo.
Para quem não lê Veja ou assiste
Manhattan Conection, Mainardi é um jornalista e é independente. Se faço parecer que as coisas são excludentes é porque são mesmo. Basta ver a quantidade de jornalistas ditos "chapa-branca" por aí.
O caso é que Mainardi publica o que sabe. Parece ter uma ética própria, e tem uma legião enorme de fãs por causa disto. E uma legião de inimigos. Dentre esses, muita gente do PT e do governo.
A última briga dele (passivo, ele nem pediu) foi com o MR-8. Tudo por causa de uma decisão contra ele, cujo teor foi publicado por um jornalista da Folha On-Line antes da publicação pelo juiz. Depois de um sem-fim de justificativas, não houve como negar que alguma errada havia.
Pois o Jornal do MR-8 o ameaçou de morte (só se pode entender assim), numa conturbada matéria, em que Mainardi é chamado de "garoto de programa".
Pois bem, ouçamos Diogo (não Diego - foi como o chamou o jornalista da Folha OL). Ele tem algo a dizer. E não se intimida perante os fortes e opressores. E nem se preocupa com ameaças. Faz o seu papel.
Nem sempre concordo com as opiniões dele, sempre muito contundentes. Mas o apóio, incondicionalmente, neste caso que já é de polícia.
Precisamos de mais diogos.

Uma no cravo...
E Evo Morales recebeu a notícia de que Lula congelou as ações do Brasil até que se resolva a questão Petrobrás. Lula está mostrando que paciência tem limite, e pode ser que Morales se renda. Vamos ver. Mas acho que presidente está certo desta vez.

...outra na ferradura
Mas que demorou, demorou...

O administra quieto
Aécio Neves e Fernando Pimentel, governador de Minas e o prefeito de Belo Horizonte, respectivamente. Acho que ainda ouviremos falar muito desses dois. Merecidamente. A aceitação de ambos é recorde no Brasil. Sérios, dedicados. Acho que haverá um mineiro no Palácio do Planalto depois de Lula.

Meio-ambiente
Continua o embate das licenças ambientais das obras do PAC no Norte, as usinas hidrelétricas no Rio Madeira. Posso dar uma sugestão, talvez bem tolinha? Que tal todos seguirem a lei? É pedir demais?

Aborto, religião, moral, lei

A discussão promete ser quente. Vou me pronunciar.

Religião depende de adesão. Adesão aos credos, valores, rituais da fé. Ela se insere na sociedade ao lado de moral e justiça, criando áreas de superposição, muitas vezes. E áreas de conflito, ocasionalmente.

A moral ora contém, ora está contida na religião. E ambas contêm a justiça, no meu modo de ver. Onde moral e religião não bastam, a vida em sociedade exige a palavra definitiva do poder jurisdicional. Que pode ser até injusta, ou imoral (melhor: amoral. Fica o imoral pode causa dos últimos escândalos), mas é a decisão que precisa a sociedade.

E como religiões há muitas, essa interposição, e relação continente-conteúdo muda conforme o credo.
O credo, por seu turno, define comportamentos. Nos últimos anos, a sociedade vem, por exemplo, associando comportamentos terroristas a uma certa religião. Que, diga-se, não professa nada disso, ao contrário. O que acontece é que alguns de seus membros interpretam a palavra da fé conforme sua vontade própria. Mas não é a religião. É a interpretação.

Intérpretes, todos somos. Mas devemos ter cuidado com a conseqüência de nossas interpretações.

No caso do aborto, Lula tomou um partido na vida pessoal e outro como presidente de um país. Pessoalmente, Lula se diz contra. Como presidente, se diz a favor. Esta última posição baseada nas conseqüências pessoais e sociais da lei anti-aborto. É um caso de saúde pública, diz ele. E eu concordo.

A Igreja está dizendo, em contrapartida, que não se deve abortar. E é contra o programa de sexo seguro do governo. Diz que incentiva a promiscuidade.

A discussão procura definir se a lei de aborto deve ou não ser alterada.
O Supremo Tribunal Federal pediu ajuda à sociedade científica para saber quando começa a vida. Explico: se matar é proibido, o aborto também é proibido? Se a discussão definir que o ser já concebido é vivo, segundo o entendimento científico-jurídico, a lei de aborto não pode ser aprovada, porque autorizaria a morte de um ser.
Uma corrente defende que o ser só está vivo após o nascimento... outros defendem que a vida começa somente quando... e por aí vai. (A revista Veja trouxe uma ótima matéria sobre o assunto, a respeito dessa consulta do STF).

O fato aqui é o seguinte: se o STF entender, por exemplo, que a vida começa após o nascimento (é um exemplo, não deve ser esse o entendimento, pois o tribunal já reconheceu direitos de fetos anteriormente) ele pode autorizar o aborto sob determinadas condições. E aí, como ficamos?

A Igreja Católica não quer que a lei brasileira aprove aborto, em nenhuma circunstância. E já avisou que vai fazer campanha contra.

No meu modo de ver, o aborto deve ser permitido pela lei. Não quer dizer que ele deva ser usado por todos. Explico: se a religião depende de adesão, está nela (religião) quem acredita em seus valores. Assim, um fiel, apesar de a lei permitir, não precisará do recurso. Já uma outra pessoa, de outra religião, ou de religião nenhuma, pode, de acordo com sua orientação e crenças, abortar.
A questão transcende o mundo jurídico, mas este tem de adotar posição que reflita valores, os fatos, e a lei (valor-fato-norma, da teoria Tridimensional). Os fatos: é uma questão de saúde pública. Meninas saem mutiladas e mortas de clínicas precárias, às quais recorre porque o SUS não pode fazer esse tipo de aborto. Meninas pobres, bem entendido. As meninas ricas vão tranqüilamente a clínicas de primeira linha e saem a ponto de ir direto para a missa.

Passou a questão ao mundo moral e ao mundo religioso. A religião permite? Sua moral permite?

Destaco novamente o caráter de adesão da religião. Está nela quem nela acredita. Não tem a ver com a lei.

UPDATE: este texto já estava escrito quando os jornais anunciaram que o papa é a favor de excomungar quem votar a favor de lei pró-aborto (no caso do México). Eu concordo com ele. Mas no sentido inverso. A fé é de adesão, já mencionei isto. E ela se insere numa sociedade que tem seus problemas. Há uma estatística da OMS que diz que no Brasil 20.000 mulheres por mês são atendidas na rede pública. Mais de 200.000 atendimentos ao ano. O custo financeiro é monstruoso, mas pior são as conseqüências na saúde das mulheres envolvidas. Saindo do açougue (não merecem outro nome as "clínicas"), caem no SUS para tratar das conseqüências. Então, se o parlamentar votar contra, acho que ele é quem deve resolver sair da fé. Pergunto: onde está o instrumento do perdão? Ou estamos às vésperas de uma nova inquisição?

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Fácil demais...

Já que estou numa fase musical, uma que sempre me agradou.

Ela trata das conquistas que achamos serem necessárias uma única vez. Tratam do segundo plano a que relegamos algumas pessoas que são muito importantes. E tratam, subliminarmente, dos esforços que deveríamos fazer para reconquistar, todos os dias, essas pessoas tão importantes.

Tudo na vida são decisões. A decisão por fazer, ou por omitir. Por abster. Por virar as costas. Por tudo.

Algumas perdas são de nossa responsabilidade. É nossa ação, ou omissão, ou abstenção, ou inação...

Quem melhor que a Paulinha Toller para dizer o que estou sofregamente tentando?

My way

Quando você é teimoso, é teimoso.

Todos o criticam por dar murros em ponta de faca, todos têm a solução para suas coisas.

Todos vivem seus problemas, mais que você. E você, pobre você, você está errado.

Até que chega a hora da dança da vitória.

E agora o fim está próximo
Então eu encaro o desafio final
Meu amigo, Eu vou falar claro
Eu irei expor meu caso do qual tenho certeza

Eu vivi uma vida que foi cheia
Eu viajei por cada e todas as rodovias
E mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Arrependimetos, eu tive alguns
Mas então, de novo, tão poucos para mencionar
Eu fiz, o que eu tinha que fazer
E eu vi tudo, sem exceção

Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho
Oh, mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Sim, teve horas, que eu tinha certeza
Quando eu mordi mais que eu podia mastigar
Mas, entretanto, quando havia dúvidas
Eu engoli e cuspi fora
Eu encarei e continuei grande
E fiz do meu jeito

Eu amei, eu ri e chorei
Tive minhas falhas, minha parte de derrotas
E agora como as lágrimas descem
Eu acho tudo tão divertido
De pensar que eu fiz tudo
E talvez eu diga, não de uma maneira tímida
Oh não, não eu
Eu fiz do meu jeito

E pra que é um homem, o que ele tem
Se não ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras que ele deveria revelar
Os registros mostram que eu recebi as desgraças
E fiz do meu jeito




Dreamer - Supertramp

Precisamos falar do sonhador, do visionário. É aquele que sonha, que ousa, que voa. É quem imagina, que cria, Quem não tem medo de dar asas à imaginação.

O sonhador é criativo por necessidade, como aqueles que precisamos de ar. A criação mental, para o sonhador, é tudo. E o começo de tudo. É quem orienta o amanhã, é quem se revolta contra a acomodação, é quem dá tempero ao hoje, e conforto no amanhã.

O sonhador é um lutador, porque ele não vive neste mundo. Vive num mundo diferente, sem existir, porque vive o sonho.

O sonhador cria o amanhã.

Golpe do seqüestro

Todos já sabem que está acontecendo, nem vamos mais abordar desse lado.

Mas tem algumas novidades.

Alguém liga no celular se dizendo da operadora de telefonia. Diz que seu aparelho foi clonado, ou algo do gênero. E pede que você o desligue por uma hora, por exemplo. Está aberta a possibilidade de ligaram para alguém da sua família, anunciarem o seqüestro e ninguém conseguirá achá-lo.

As autoridades estão recomendando/informando:
  • que não sejam mencionados, no celular, indicações de parentesco (ou localização). Assim, não utilizar "mãe", "papai", "nona", "casa", etc.
  • não deixar no Orkut, por exemplo, indicações semelhantes e/ou informações pessoais de contato.
  • não mencionar, no MSN, por exemplo, que você está fora, ou que não está.
  • ter alguma forma de certificar-se do paradeiro dos familiares.
  • que não se perca a calma. Tá bom, esta não é fácil. Mas o nervosismo ajuda o bandido. Ele inicia uma frase assim: "nós seqüestramos...". E a mãe, nervosa, fala "... o meu filho!". O bandido pega a deixa: "é, estamos com o ...". E a mãe: "com o Fulaninho!"... pronto, o bandido já sabe se o grito é de homem ou mulher, o nome da "vítima"... Se não fosse o nervosismo, a ansiedade, eles, bandidos, teriam um pouco mais de dificuldades.
  • há casos de duas pessoas da mesma família serem atingidas ao mesmo tempo. Liga-se no celular de um e do outro, com a mesmas ameaças.
É bom lembrar que os bandidos já estão presos. Então, nem a liberdade temem perder...

Muita calma se você for vítima de um golpe desses.

Empatia

Certa vez, em meio a uma crise, um grande amigo a debelou com o poema que segue.
Foi uma grande lição de vida, pois éramos, todos, especialistas em comportamento (o grifo é de ironia).
Sempre que me deparo com uma situação em que meu julgamento foi ou pode estar sendo precipitado, ou injusto, ou surdo, releio este poema:

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,

Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

Mais música - Loreena McKennitt

Às vezes, precisamos de uma parada, porque estamos (ou somos) muito agitados. A música flui por nosso corpo e o coloca na sua sintonia.

O Rock agita muito, a balada comove... este tipo de música (abaixo, Loreena McKennitt) acalma.

Se bem que quando a pessoa é muito agitada, estabanada, esbaforida, acalmar só significa que a terremoto é menor na escala Richter...

Sonhos, de Peninha

Falei sobre sonhos e metas. Aqui está um sonho que não é objeto de meta. Somente sonhos, mesmo.

Já que estamos viajando no tempo e espaço...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Qual é o seu perfil?

Seu perfil é uma mensagem pessoal?
É uma música?
É um poema?
É um momento, e que sucede a outro?

Efêmero, fugaz, curta o perfil...

Tributo a Loren

Uma música atemporal, do formidável Freddy Mercury/Queen.

Love of a life, um só, em todos os tempos...

Marcando pessoas, anos, gerações...