terça-feira, 10 de abril de 2007

Viagem ao espaço

O milionário Charles Simonyi, um dos criadores do Word e Excel está no espaço. Pagou US$ 25.000.000,00 pela viagem. Está, no momento em que escrevo, chegando à estação espacial russa.

Pelo produto de seu trabalho, ficou milionário. E foi fazer um turismo diferente. O dinheiro é dele, ele tem o direito de gastar onde quiser.

Bill Gates é dos maiores doadores a obras beneficentes do mundo. A viúva de Ray Crock, que foi o mentor da rede McDonald´s (comprou os direitos dos irmãos MacDonalds) é também uma doadora contumaz, embora sem alarde. São doações de bilhões de dólares, que ajudam, certamente, muita gente.

Não sei se Simonyi doa ou doou alguma coisa na vida. Não é este o ponto aqui.
O ponto é: o que seriam vinte e cinco milhões de dólares para flagelados da fome, por exemplo? Ou para hospitais em países do terceiro mundo? Ou... sei lá, há tanto o que fazer com tanto dinheiro.

Respeito a opção dele, Simonyi. Mas é um dinheiro rasgado. Que benefício traz esse tipo de viagem, volto a perguntar? O que se ganha?
Quando alguém vai de férias à Malásia, por exemplo, alimenta uma cadeia de negócios que beneficia uma grande rede de pessoas e empresas. E, de resto, o custo é palatável, embora alto.
Viagens espaciais também fazem parte de uma cadeia de produção. Mas muito mais restrita. E absolutamente elitista.

O homem faz as coisas de acordo com sua visão do mundo, o que comporta grande idiossincrasia. Simonyi trabalhou, e está aproveitando o resultado desse trabalho. Mas pobres e famintos pelo mundo ainda estarão no mesmo ponto, quando ele voltar do espaço.

No Brasil, nas filas dos hospitais, gente com necessidades de remédios cujo custo não chega a R$ 50,00. A se medicar, muitos preferem comer. Se não se medicar, pode morrer. Se não comer, certamente morrerá. E, ainda assim, o próprio governo brasileiro custeou a viagem do turista espacial brasileiro, Marcos Pontes. Dez milhões de dólares. Esqueçamos Simonyi, que fez sua fortuna de seu trabalho. Falemos da origem dos dez milhões que levaram Pontes ao espaço.
Ele foi retirado da verba de hospitais, da verba das escolas, de merenda escolar. Não atingiu os gastos com propaganda do governo. Nem mudou a utilização dos cartões de crédito pela presidência da república. Mudou, sim, a vida de Marcos Pontes. Que hoje dá palestras, a um custo de estrela. Quem pagou essa conta toda? Nossos impostos. E quem tem carta branca para gastar nosso dinheiro? O presidente.

Que Simonyi faça uma boa viagem. Que empresários continuem ganhando dinheiro para gastá-lo onde bem entenderem. Mas que os governos fiquem fora disto. Pelo menos nosso governo, que parece ter fixação pelo ar. O aerolula, Marcos Pontes e a crise dos aeroportos que o digam.

Ah, quatro diretores da Infraero (de novo no ar) foram afastados em razão de suspeita de favorecimento à Shell. Como nossos impostos entram num saco sem fundo, tudo parece normal na terra de Macunaíma.

"Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são". Precisamos atualizar a frase do herói sem caráter. "Muita politicagem, pouco respeito, os males do Brasil são".

Ah, parece que hoje estou revoltado.

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