sábado, 21 de abril de 2007

Ética, moral, regulamentos, códigos

Na revista Vejinha desta semana, há um conjunto de regras para diferentes situações, destinadas ao povo paulistano.

Eu quase nunca leio a Vejinha, mas interessei-me por causa do assunto.
Nas regras, uma grande decepção: um amontoado de posições pessoais, que jamais poderiam representar um sentimento multitudinal, necessário para compor um "código de conduta".

Vi opiniões de alguns "especialistas" sobre alguns comportamentos. Especialistas entre aspas por causa da proliferação desse termo. Qualquer um que se autoproclame especialista em algo passa a sê-lo.

Lembrei-me de uma revista que, em sua primeira edição, trouxe vários artigos especiais. Em um deles, sobre como se sair bem numa entrevista de emprego, um dos ítens era o seguinte: o candidato não deveria, em hipótese alguma, se apresentar em um terno azul-marinho com camisa cor-de-rosa. Isto para não correr o risco de ser interpretado como querendo se passar por consultor de uma determinada consultoria norte-americana.
O fim! Que absurdo. Como eram 10 dicas, acho que se esgotaram as úteis e o autor pescou alguma coisa que ouvira. E o texto dizia que era a opinião de vários especilistas da área. Com todo o respeito, duvido.

Outra matéria que me chamou a atenção (em outra revista de negócios): uma cervejaria nacional tinha um presidente que era muito exigente. E, nas cobranças por resultados, chegava a chutar as portas dos automóveis de serviço de alguns de seus funcionários. Pois bem, isto, segundo essa revista, era uma característica de um verdadeiro líder! Ok, mas parece mais de um autocrata mimado.

Noutro exemplo, na mesma reportagem, essa revista destacava os processos internos de uma determinada produtora de software. E destacou essa "desorganização" (assim mesmo, entre aspas) como sendo uma grande vantagem competitiva...

Para mim, chutar a porta de um carro é uma característica de alguém que não sabe se controlar. Ou não quer. E a desorganização é sintoma de pobreza cultural organizacional. Claro que tanto aqui como na revista estão expressos pontos de vista. Acho que a revista deveria ter registrado isto. Mas parece que o aspecto comercial era mais importante que uma análise mais produnda daquele comportamento. Daí... Imagine o Lula chutando a porta de um carro. A imprensa, tão de má vontade com ele, só faltaria chamá-lo de Átila. Não, acho que nem isto faltaria.

Com relação às regras da Vejinha: claro que um código de conduta é desejável. que não seja mandatório, que seja referencial. Mas que não seja tão pueril. Esperava que surgissem coisas mais produtivas.

Presenciei, em frente a uma escola, carros (no plural) que não respeitam a faixa de pedestres. Quer dizer, o pai (ou mãe) põe o filho no carro, e, a partir daí, que se dane o resto. Aqueles que precisam atravessar a rua que se cuidem, mesmo na faixa de pedestres. Vi vários alunos e pais parados para aguardar a passagem dos carros. Como detalhe, menciono que a rua em questão só tem tráfego de pais que vão buscar seus alunos. São, portanto, todos de mesma escola.

Há os pais que acham que os filhos são seres especiais, que conseguem identificar buzinas. Pais (e mães) param e buzinam. E, num acordo com os filhos, ao que parece, buzinam de novo a cada 37 segundos. E, como parte do acordo, gritam, com as janelas fechadas, para os filhos perceberem que estão lá. Filho sofre!

A fila: tripla!

Enfim, precisamos mesmo de referenciais de comportamento. Com o fim das aulas de educação moral e cívica, o que restou foi a moral da igreja (de diversas orientações) e outras ações isoladas de algumas escolas. O aluno precisa saber os movimentos de ventos da África, mas não é importante saber se comportar. Não é importante saber de valores. Não é importante apresentar e discutir com os alunos, personalidade e caráter em formação, aqueles valores subjetivos que nos permitem tomar as decisões que diferenciam o homem dos demais animais.

Como nossos valores estão contaminados (o presidente disse que todo mundo faz caixa dois, por exemplo), qualquer coisa que lhes dê aparência de sério proliferam.

Especialistas agradecem.

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