quarta-feira, 18 de abril de 2007

A reeleição

A notícia agora é que o presidente está trabalhando para acabar com a reeleição. Depois de se beneficiar dela, claro. Ele e Fernando Henrique Cardoso, mas este é contra sua extinção. Da reeleição, não a de Lula. Acho.

Eu sou contra a reeleição, mas ou favorável à manutenção do cargo de presidente que cumpra suas metas. Mas a aparente contradição exige explicações.

Quando votamos em alguém para presidente, votamos por causa de seus objetivos, seu plano de governo, suas metas, certo? Não? Como não? Assim, não tenho como prosseguir com o raciocínio. Vamos combinar assim, então: vamos fazer de conta que seja assim.

O sujeito promete criar dez milhões de empregos, em quatro anos. Ao final de quatro anos ele criou dez milhões de empregos? Atingiu suas metas. Promete aumentar em 10% o Produto Interno Bruto. Ao final do mandato, verifica-se: quanto aumentou o PIB? Menos de 10? Fora daí, incompetente!

Brincadeiras à parte, o instituto seria mais ou menos assim: uma série de indicadores, em cenários alternativos mas não divergentes, nos quais o presidente se basearia para nortear suas ações. Dados que levariam em conta desempenho da economia, qualidade na saúde pública e educação, obras, etc, etc, etc. Se, ao final do mandato, os indicadores desejados (ou prometios) estivessem sendo atingidos, o presidente se qualificaria para uma outra investidura. Se, em vez, os indicadores não fossem os desejados, aí sim, venha outro mais competente.

A exposição acima é simplista. Alguns algorítmos, alguns cálculos seria necessários. Nada simples como o escrito. Mas, enfim, uma metodologia que verificasse o que o presidente realmente faz, em vez do que diz que faz. Indicadores que aferissem seu compromisso com as promessas da campanha, com o trabalho de verdade.

A diferença? Ora, brutal. Hoje o presidente (estou me referindo a este cargo, mas pode ser para
o governador e o prefeito) se elege e passa a atuar em função de apoios para sua próxima eleição (a candidatura à reeleição). Ao fazer isto, ele esquece do povo que vota nele, e se lembra mais e mais das empresas (e algumas pessoas físicas) que investem nele. No segundo mandato, o trabalho já está entrando em fase final. Então, relaxa e começa a pensar na eleição do sucessor...
Estamos numa democracia, é verdade. Mas é uma democracia péssima. Os grupos se mantêm no mesmo ponto: pobres continuam pobres, políticos continuam ricos, ricos continuam amigos dos políticos (ou polítícos mesmo), alguns cidadãos (às vezes pobres) se transformam em heróis, para depois voltarem a ser cidadãos (muitas vezes ricos). Esta democracia não ajuda o povo.
Ajuda a quem se ajuda.

O presidente deve dizer o que quer fazer. E como quer fazer. E o país precisa acompanhar se está acontecendo o prometido. Acontecendo, o sujeito merece ficar (por mais uma in vestidura). Se não, não merece nem se candidatar novamente.

Exagero? Alguém conhece vendedor que tem metas de vendas? Porque será que as empresas instituem essas metas? São más!, dirá o apressado... Não, é uma questão de sobrevivência. Se não vende, não tem dinheiro para pagar as contas. Presidentes de empresas, anualmente, fazem isto com seus diretores. Quais são suas metas? Como chegar até elas? O que precisa? E, final do ano, avaliam: chegou aonde queria? Não? Desculpe, mas a fila precisa andar...

Nosso sistema eleitoral é pobre em informações. Fala em entrar e sair do cargo, mas não fala nada do que acontece dentro dele.Criemos metas, avaliemos nossos governantes. Tiremos deles a necessidade de fazer não política, mas politicagem, para se manter no poder.
O poder pelo poder não interessa ao povo. O poder para benefício geral, este sim é que interessa.

Então, minha posição é pela reeleição. Automática, mas para os competentes, comprometidos, sérios.

Ponto.

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