terça-feira, 17 de abril de 2007

Panem et circenses

Massa ganhou a corrida. Parabéns.

Mas que dá uma gastura assistir à corrida pela Globo, isto dá.

Explico: eu torço. A televisão não. O jornalista que torce é torcedor, deixa de ser jornalista. E quem tem a objetividade, a isenção, nesta história toda, é o jornalista.

Nós, humanos, torcedores, precisamos mais é gritar mesmo, acelerar, afundar o pé no tapete... e eles, jornalistas, icebergs, precisam indicar os fatos da corrida.

Assim, não entendo como as notícias são tão parciais. Massa deu um show. Também o Hamilton. Hamilton iria passar Massa? Vai saber... o torcedor acha que sim. O jornalista, bem, sei lá. Mas o foco todo foi em Massa. Foi torcida. Pouco jornalismo.
O fato é que me sinto usurpado no meu direito de torcer. Usurpado pelo Globo, que torce, ela mesma, pelos "heróis" da pátria.

Com o Kléber é melhor que com o Galvão. O Reginaldo Leme ainda é o mais jornalista dos três.
Mas entende-se. O produto "fórmula 1" não é jornalístico. Envolve milhões de reais em patrocínios e publicidade. A Globo tem a exclusividade. E usa seus "jornalistas" para manter o público cativo. Por isto é que precisamos de heróis. Para que a audiência se mantenha alta e os produtos continuem vendendo.

Se eu tivesse escolha, assistiria em outro canal. Aliás, esportes de outros canais não são nem mencionados pela Globo. Quem se lembra do Gil de Ferran, sendo entrevistado após o bicampeonato na Globo, sabe que só aconteceu porque ele foi um fenômeno naquele ano. Fora a entrevista (depois do título), meras menções honrosas nos noticiários, muitas vezes sem imagens.

Quando Schumacher ganhava todas, era a mesmice da f'órmula 1. Quando era Senna, era o Brasil mostrando ao mundo seu talento.

Mas estou dizendo tudo isto pelo seguinte: quem se lembra que foi a mesma Globo que editou o debate entre Lula e Collor? E que, por causa disto, Collor foi eleito? Ok, talvez não por causa disto, mas que interferiu, interferiu,
Pois bem, ela (Globo) manipulou o povo brasileiro no maior descaramento. E, depois, mostrou caras-pintadas indo às ruas, incentivados por ela mesma. Pruridos de consciência? Inclino-me a pensar que algum interesse foi ferido, daí a inimizade.

Quanto a Lula: perdeu a eleição, daquela vez, açoitado pela Globo. Quem apanha assim costuma agir com necessidade de justiça, de consertar os erros, neste caso dos outros, certo?

O pragmatismo de Lula diz que não. Deu a primeira entrevista coletiva para a Globo, a mesma que o levou à lona naquela eleição. Pragmático, o presidente só comprova que a Globo só vende o que quer. E entre os BBBs da vida, só se curva aos sucessos de outros canais, pasteurizando-os em nome da qualidade global. Que o digam os sucessos de Ana Maria Braga, Angélica, Luciano Huck, Faustão, e aquele, escondido nas altas horas, como era mesmo o nome? Ah, fala garoto! Serginho Groisman.

Do "panem et circenses" o governo está dando o pão. O bolso família, por exemplo. A Globo dá o circo, com seu futebol e fórmula 1 de auditório. E assim segue o povo romano, ops, brasileiro...

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