terça-feira, 1 de maio de 2007

Orwelianas

É impossível viver isento depois de 1984, de Orwell. A cada governo, parece que é ele nos dizendo: O Grande Irmão está de olho em você!

Quem se lembra de Rubens Ricúpero, ao Carlos Tramontina, na Globo: "o que é bom a gente publica, o que ruim a gente esconde"? É o Miniver, o Ministério da Verdade, de Orwell.

Só para ficar neste aspecto: quantas vezes você já viu o político desmentindo o que logo adiante se confirma com uma verdade? Exemplo não faltam. Collor disse que não renunciaria. Renunciou, por sobrevivência. Ok, um exemplo extremo. Jader Barbalho, antes de renunciar? Severino Cavalcante, sobre o escândalo do restaurante? Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, antes de renunciar pela quebra de sigilo nas votações da câmara?

O caso é que o governo joga somente a seu próprio favor. A truculência é a mesma da ditadura, senão pior. Aquele que mente descaradamente, e o convence, será pior ou melhor do que aquele que o subjuga? Ou é da mesma laia?

George Orwell plantou, pela mente de Winston, o dilema de O'Brien: seria ele amigo ou inimigo? Afinal, quem é amigo e quem é o inimigo deste governo? Aqueles que achamos que seriam inimigos figadais de Lula agora se confraternizam com ele. O maior inimigo (o PSDB) está capitulando, pensando numa ação positiva para a próxima eleição. Serra e Aécio, quem diria, são menos que oposição. Não chegam a ser governo, mas é um mero detalhe.

Leio muito a Folha de São Paulo. Tenho as colunas diárias como obrigatórias, e os editoriais não tanto. Mas tenho uma restrição. Cada vez que surge uma polêmica, dois artigos são publicados. Um a favor e um contra. Os a favor são escolhidos por isto mesmo, por serem a favor, segundo me parece. Idem para os contra. Por exemplo, para falar da transposição de águas do Rio São Francisco, um dos convidados é do govermo (que a defende). O outro, uma personalidade qualquer que a tenha criticado. Parece-me que o certo seria, além destes, publicar opniões desconhecidas de pessoas que tenham interesse pelo assunto. Pois é óbvio que o artigo de um e de outro serão mesmo a favor e contra. Enfim, é o Miniver (Ministério da Verdade) em ação. Cada qual com seu Big Brother.

A imprensa tem seu peso. E sua culpa. E suas virtudes.
O obra de George Orwell deveria ser de discussão freqüente, para avaliação de conduta: estariam sendo co-autores de tão triste vida?

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