quarta-feira, 11 de abril de 2007

Motos e abusos

Quem anda em São Paulo conhece o eterno problema dos motoqueiros. Por isto, é boa a notícia sobre o selo de qualidade para empresas que os contratem (notícia de Gilberto Dimenstein na Folha).

Mas discordo dele em parte. Os motoqueiros, premidos ou não por horários e/ou valores, têm comportamento que beira a irresponsabilidade. Dizer que são simples vítimas é simplificar demais os problemas. Quantos nós vemos no dia-a-dia fazendo loucuras pelo trânsito, e açodando motoristas que se resolvem a mudar de faixa nas marginais, por exemplo. Isto quando não passam quebrando, com os pés, os retrovisores daqueles carros que, a seu exclusivo critério, fazem coisas erradas no trânsito. As condições pode ser adversas, mas a violência deles é inútil. E, como entre bois não há chifradas, já vi dois casos em que um deles causou um acidente a outro. Fraternalmente, em ambos os casos, os ânimos ficaram serenos como se fosse uma falta tola em um jogo de futebol.

Também já vi casos em que o motoqueiro realiza uma manobra brusca e causa um acidente com um veículo. Aí é que o grupo de junta. Chutes no carro, ameaça de agressão ao motorista, vidros quebrados... Não, nada justifica isto.

Mas a notícia tem seu quê de verdade no ânimo. Encomendei certa vez uma pizza ao Habib´s, que dizia que entregaria a pizza em 28 minutos, ou eu não pagaria nada. A pizza chegou mais de 40 minutos depois, e era um dia de chuva. Ao dizer para o motoqueiro que ele estava atrasado, ele disse que eu não precisaria pagar. Eu insisti no assunto, e ele me disse que, nesses casos, quem pagava a pizza eram eles, os motoqueiros. Claro que paguei eu a conta. Mas isto vem dar razão ao Dimenstein. Que empresa é essa que abusa de seu direito de empregador?

Não pedi mais entregas ao Habib´s. Era um protesto. Mas quem pagou o pato foi o grupo de motoqueiros, que não têm mais o meu pedido. Resolver como?

Tomara que o selo seja eficaz. Mas tomara que os motoqueiros se civilizem. Claro que não são todos. Mas alguns, em particular, jogam com a morte todos os dias. Então, talvez seja correto dizer que "Motoqueiros Morrem", não que "Nós matamos motoqueiros", como na notícia linkada.

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