segunda-feira, 23 de abril de 2007

Evolução e involução

O homem primitivo tinha de se preocupar com predadores. Vivia a se esconder, e suas ações eram limitadas a espaços e/ou horários em que podria fugir desses animais.

Modernamente, o homem foi eliminando essas ameaças. Com abrigos cada vez mais seguros, afastou a ameaça nos momentos de descanso. Depois, com as armas, inverteu as probabilidades dos ataques.

Com as armas de fogo, inverteu a lógica da ameaça. Era agora o predador, mas um que não mata para comer. Mata para se orgulhar do que matou. Pendura a cabeça na parede, para todo mundo ver que matou.

No mundo atual, a coisa "piorou". O Homem não tem mais o predador natural, aquele animal que mata por causa da cadeia alimentar.
Com a medicina, dominou grande parte de seus inimigos invisíveis, os micróbios. Dominou várias outras ameaças invisíveis, com prevenção de doenças diversas. Passou a viver mais. Morre cada vez mais somente em decorrência de causas naturaus.

Aí, os problemas se agravam. O homem continua a se multiplicar como antes. Mas morre mais tarde. Claro que o espaço diminui. E, como é geométrica essa multiplicação, o povo vai se comprimindo.

Cada vez mais, o homem ocupa espaços. A ameaça do aquecimento global é um sintoma disto. Se a ocupação não acontecer de forma mais controlada, o homem é uma grande ameaça a si mesmo.

Aliás, hoje já é o grande inimigo de si mesmo. Quem promove as maiores baixas na espécie humana são os homens. Ataques como os dos Estados Unidos (na universidade) matam várias pessoas ao mesmo tempo, mas são raros a ponto de serem ínfimos.

São os crimes que mais matam. Matam mais que guerras, que estão, felizmente, cada vez mais raras. O crime não. E as mortes em crimes menos raras ainda. Ao contrário. Mata-se por qualquer trocado, ou a qualquer motivação.

Outra causa alarmante: as mortes no trânsito. Matam muito e cada vez mais. E com uma tendência a aumentar, já que as leis apontam para as "liberdades" vigiadas" (esta é uma discussão antiga, minha, com um amigo, que merece um post à parte). Excessos de velocidade, excesso de negligência, de imprudência.

Estas são aquelas mortes estúpidas, evitáveis, mas causadas por terceiros. Para falar daquelas auto-impostas, falemos das doenças dos exageros, dos excessos. Como as causadas pela obesidade, pelas doenças evitáveis por medidas de prevenção. Há uma grande parcela da população que não se ocupa disto, e morre jovem, pagando o preço pela negligência.

Não se pode culpar, então, a raça humana. Sua inteligência afastou o predador ancestral original, mas originou outras ameaças. Sua facilidade de vida hoje tem um sinônimo: sedentarismo. Alguns excessos de alguns dos seus é a causa da AIDS, dizem. Outros excessos (neste caso, de descaso) causa as mortes por desassistência (falta de assistência médica, sanitária, alimentar...).

Assim, o homem afastou seus inimigos naturais ;para se transformar ele mesmo no próprio. Como no filme, dormindo com o inimigo...

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