quinta-feira, 5 de abril de 2007

Escolhas

Stephen Covey descreve, em Os Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficientes, o processo da ação e reação, e destaca que, entre o momento ação e o da reação, há um tempo, um intervalo mínimo que seja, mas suficiente para que tomemos uma decisão. E ela pode ser puramente emocional ou puramente racional, ou algo situado entre essas duas pontas.

O processo não é instantâneo. Precisamos, sempre, conhecer nossas próprias tendências, e aprender com as situações vividas. O arrependimento em relação a uma má escolha pode decidir nossas próximas, e fazer com que modulemos nosso comportamento aos que realmente desejamos ser.

Este processo é tão rico que, por si, seria capaz de mudar radicalmente os comportamentos. Se nos avaliássemos a cada ação, a cada reação, nosso conhecimento de nós mesmos e nossos objetivos de vida seriam suficientes para nos redirecionar ao rumo de nossas metas comportamentais.

Cabe aqui fazer uma ressalva, feita veementemente por Covey, de que essas "adequações de comportamento" sejam verdadeiras em relação aos nossos valores. Se forem tratamento cosmético, mudando somente a superfície de nosso ser, ela não vale. Talvez ajude num ou noutro momento, mas seu valor é quase nulo.

Falamos daqueles comportamentos que sabemos errados. Aquelas reações viciadas no relacionamento entre marido e mulher, por exemplo, tão pequenos mas capazes de deflagrar uma grande guerra conjugal. Na verdade, nessas horas é a história que assume o comando. A história de quem somos e do que fizemos falam muito alto, e algumas vezes a reação da outra pessoa se baseia nisto.
Mas como mudar esse tipo de tendência?
Trabalho, muito trabalho. Autoconhecimento é fundamental. Depois, a consciência do comportamento. Covey nos propõe uma experiência extra-corpórea. Imagine-se fora do seu corpo, assistindo às suas interações com outras pessoas, nas mais diversas situações. Isso nos permite conhecer e avaliar o padrão dessas interações.
Uma interação que seja comum e indesejada pode nos gerar a necessidade de mudança. Aí começa a transformação.

Primeiro, creio eu, há uma frustração em detectar um comportamento indesejado. Sentimento de culpa e incapacidade de mudar. Em seguida, a decisão: vou mudar. A partir daí, algumas frustrações mescladas com vitórias. Ou seja, algumas vezes conseguirmos, outras vezes perdemos. Mas aí a vitória começa a se consolidar: conseguimos na maior parte das vezes. Até que sobrepujamos aquele comportamento indesejado. Nesse ponto, não é que estejamos controlando puramente nossas emoções mais primárias. Mas mudamos a forma de ver o fato gerador. Nossa compreensão da ação-reação muda, e por isto muda nossa resposta. E é a fonte da mudança.

Algumas vezes as pessoas mudam para não mudar. Citei, algures, o exemplo do fumante. Premido por familiares e amigos, ele deixa de fumar. Internamente, entretanto, ele quer provar que não consegue. Quando finalmente desiste, a frase clássica: "Eu disse que eu não conseguiria". Vitória? Nunca. Mas derrota, também não. Porque ele entrou no jogo de provar exatamente que não conseguia. Ou seja, uma mudança indesejada.
O que estou falando aqui é daquelas coisas que realmente queremos mudar. Para que isto aconteça, fundamental que tomemos a decisão de mudar.

Vou citar novamente o exempo da Gabriele Andersen, famosa naquela prova da maratona das Olimpíadas de 1984. A decisão dela foi cruzar a linha de chegada. E o fez, semiconsciente, mas fez. Tomou uma decisão, e nada a tirou dessa rumo.

Mudar, uma necessidade. Decidir mudar, o segredo da mudança.

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