domingo, 29 de abril de 2007

Ditadura e democracia

O que vou escrever agora precisa ser contextualizado.

Em primeiro lugar, sou totalmente contra qualquer autocracia. Medidas autocráticas são, para mim, o fundo do poço em termos de liderança e gerência. O que vale para governos, também, claro.

Sou totalmente pela democracia. Na sua definição clássica: do povo, pelo povo, para o povo.

Não obstante, aqui vai uma triste constatação: a democracia ainda não disse a que veio. E o povo parece não estar muito preocupado com os rumos que se está tomando.

Numa conversa de bar, outro dia, lembrávamos das músicas que tocavam em plena ditadura. A produção artística era frenética. Sob a ditadura, ouvimos Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Elis Regina (para falar só de festivais). Caetano e Chico Buarque no auge da criatividade, Milton Nascimento pelos Clubes de Esquina da vida. Tinha Gal e tinha Bethânia. E tinha o samba-canção, que hoje é até brega. Mas tinha muito artista fazendo arte perpétua.
Hoje, precisamos segurar o tchan, porque Milton, Caetano, Chico, já não produzem mais. Nem Cazuza, que quis ver a cara do Brasil e foi embora cedo desta vida. E nem mais Renato Russo, que fez a música que marcou os anos da transição entre a ditadura e a democracia.

Na ditadura, foi erguida Itaipu, que cito ainda impressionado com a obra. Uma articulação internacional, um esforço monumental, uma obra de que ainda desfrutaremos por muitos e muitos anos, nós e nossos filhos, e os filhos deles e...
Na democracia, até agora, só produzimos corrupção. Um presidente foi impedido, voltou mais cedo para casa. Antes dele, um presidente fraco, assumiu só para acabar com a ditadura. No governo FHC, denúncias de compras de deputados, que o PT queria apurar a qualquer custo. No governo Lula, denúncia de compra de deputados, que o PT queria NÃO apurar a qualquer custo. Obras? Sim, de emergência, literalmente: tapa-buracos nas estradas. E obras dos jogos Panamericanos. Superfaturadas e super fora do cronograma.

E o PAC parece que depende de duas usinas hidrelétricas. Que precisam de licenças ambientais para serem construídas. Em Itaipu, a preocupação com o meio ambiente é de vanguarda, porque as ações foram muito além das cobranças que poderia fazer a necessidade. Hoje teria sido construída Itaipu? Talvez não.

Precisamos é que nossa democracia evolua. E que nossos artistas tenham porque produzir, não apenas para aproveitar recursos da Lei Rouanet.
Precisamos, nós, os que temos a cidadania, fazer mais que simplesmente escolher nossos representantes. Porque o que fizemos até agora foi incluir cada vez mais os já incluídos, e excluir cada vez mais o já excluídos.

Enfim, precisamos provar que a ditadura era ruim, sim, mas não somente porque sumia com nossas familiares na calada da noite e não se ouvia mais nada sobre eles (pergunto: sob a democracia, terá sido democrática a invasão à conta bancária do Francenildo?).

Precisamos mostrar que, sob a democracia, as metas se tornam realidade, e que a nação está no caminho certo.
Quem ainda se lembra dos comícios pelas "diretas já"? Será que era só isto que almejavam aqueles milhares de manifestantes? Diretas já? Queriam somente escolher os governantes do povo? Uma vez que já podemos escolher os governantes, acaba-se aí a mobilização?

Talvez precisemos de um PT do B, para sair às ruas exigindo "Democracia já".

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