segunda-feira, 2 de abril de 2007

Ajutórios

Estava numa calçada, aguardando minha filha, quando fui abordado por uma senhora. Chorosa, disse ter sido assaltada havia pouco, perto de um determinado local. Pedia R$ 5,00 para ir embora (outra cidade).

Lembrei de uma ocasião em que um senhor, cabelos brancos, andar cansado, fala mansa, me abordou e pediu uma ajuda para ir embora (também outra cidade). Ele acabava de sair de uma visita na cadeia, e deixou tudo o que tinha para o filho, que estava preso.
Ajudei. Dei a ele o valor referente a várias passagens de ônibus.
Despediu-se emocionado. Agradeceu longamente. Achei que tinha feito uma coisa boa. E aquele senhor, que viera somente para ver o filho, foi embora. Somente da li a um mês voltaria, disse.
Mentira. No dia seguinte, lá estava ele. E no outro, E no outro. Ele trabalhava na região Filho, acho que nem tinha. Achou um otário (eu) e aplicou nele um golpe.
Ok.

Voltando à senhora necessitada, pensei no quâo longe estávamos do local do roubo. E que, para voltar para a cidade dela, não era preciso passar por ali. Senti cheiro de mentira. Leve, é verdade. mas o suficiente para eu não dar nada.
De coração na mão, neguei. E a acompanhei com o olhar, andando sem rumo, parando numa loja. Ali, ajudaram-na.
Fiz mal? ainda não sei. Para evitar ser de novo um otário, acho que às vezes somos insensíveis. O que é pior?

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