segunda-feira, 30 de abril de 2007

Exigências e reclamações

A função precípua do Ministério do Meio Ambiente é a preservação da natureza. Em obras grandiosas, sua preocupação deve se dividir entre a o interesse que o país tem nessa obra e a preservação da área envolvida.

Essa polêmica sobre as hidrelétricas na região Norte do país é importante. A ministra Marina é uma das poucas que não aderiram alegremente aos anseios por rapidez do governo. Tem, ao contrário, demonstrado grande persistência na defesa do que acredita ser melhor para o meio ambiente.
Lula reclama, mas devia elogiá-la. Aliás, na leitura do próprio governo, a ministra tem grande credibilidade no exterior, o que é bom para Lula.

Se lembrarmos do episódio do desabamento do metrô de São Paulo, daremos razão a Marina. Na obra de São Paulo, as fiscalizações eram feitas pelas próprias empreiteira. Se o governo quisesse fazer alguma, teria de pagá-la. Então, será que fez? O episódio atingiu Geraldo Alckmin, que, ao que parece, amarrou o cachorro com lingüiça.

O empresário quer mesmo é reduzir o custo da obra. Não importa como. Se a especificação do contrato não é clara, ele usa as brechas e executa a obra da maneira mais barata. Não importa a conseqüência. No caso da hidrelétrica, uma das polêmicas é a sobrevivência dos peixes do rio Madeira. O projeto não tem uma ação preventiva. O ministério está propondo uma. Quem tem razão? O povo da região, acredito, já tem uma posição: preservar o peixe, às vezes o único alimento disponível. Itaipu construiu um canal específica para a travessia dos peixes. Principalmente na piracema, pode-se ver que a preocupação tem razão de ser.

Lula deveria agradecer a oposição dentro do próprio governo. Ela equilibra a ação impensada daqueles que aderem alegremente às festivas ações de Lula. Se tivéssemos mais marinas, com mais poder de persuasão sobre o presidente, talvez a história do primeiro mandato tivesse sido outra. O presidente deveria saber que a diversidade de opiniões, em vez de desagregar, se bem gerenciada, pode aprimorar atos e decisões.

Se bem que, neste governo, é raro vermos atos e decisões...

domingo, 29 de abril de 2007

Ditadura e democracia

O que vou escrever agora precisa ser contextualizado.

Em primeiro lugar, sou totalmente contra qualquer autocracia. Medidas autocráticas são, para mim, o fundo do poço em termos de liderança e gerência. O que vale para governos, também, claro.

Sou totalmente pela democracia. Na sua definição clássica: do povo, pelo povo, para o povo.

Não obstante, aqui vai uma triste constatação: a democracia ainda não disse a que veio. E o povo parece não estar muito preocupado com os rumos que se está tomando.

Numa conversa de bar, outro dia, lembrávamos das músicas que tocavam em plena ditadura. A produção artística era frenética. Sob a ditadura, ouvimos Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Elis Regina (para falar só de festivais). Caetano e Chico Buarque no auge da criatividade, Milton Nascimento pelos Clubes de Esquina da vida. Tinha Gal e tinha Bethânia. E tinha o samba-canção, que hoje é até brega. Mas tinha muito artista fazendo arte perpétua.
Hoje, precisamos segurar o tchan, porque Milton, Caetano, Chico, já não produzem mais. Nem Cazuza, que quis ver a cara do Brasil e foi embora cedo desta vida. E nem mais Renato Russo, que fez a música que marcou os anos da transição entre a ditadura e a democracia.

Na ditadura, foi erguida Itaipu, que cito ainda impressionado com a obra. Uma articulação internacional, um esforço monumental, uma obra de que ainda desfrutaremos por muitos e muitos anos, nós e nossos filhos, e os filhos deles e...
Na democracia, até agora, só produzimos corrupção. Um presidente foi impedido, voltou mais cedo para casa. Antes dele, um presidente fraco, assumiu só para acabar com a ditadura. No governo FHC, denúncias de compras de deputados, que o PT queria apurar a qualquer custo. No governo Lula, denúncia de compra de deputados, que o PT queria NÃO apurar a qualquer custo. Obras? Sim, de emergência, literalmente: tapa-buracos nas estradas. E obras dos jogos Panamericanos. Superfaturadas e super fora do cronograma.

E o PAC parece que depende de duas usinas hidrelétricas. Que precisam de licenças ambientais para serem construídas. Em Itaipu, a preocupação com o meio ambiente é de vanguarda, porque as ações foram muito além das cobranças que poderia fazer a necessidade. Hoje teria sido construída Itaipu? Talvez não.

Precisamos é que nossa democracia evolua. E que nossos artistas tenham porque produzir, não apenas para aproveitar recursos da Lei Rouanet.
Precisamos, nós, os que temos a cidadania, fazer mais que simplesmente escolher nossos representantes. Porque o que fizemos até agora foi incluir cada vez mais os já incluídos, e excluir cada vez mais o já excluídos.

Enfim, precisamos provar que a ditadura era ruim, sim, mas não somente porque sumia com nossas familiares na calada da noite e não se ouvia mais nada sobre eles (pergunto: sob a democracia, terá sido democrática a invasão à conta bancária do Francenildo?).

Precisamos mostrar que, sob a democracia, as metas se tornam realidade, e que a nação está no caminho certo.
Quem ainda se lembra dos comícios pelas "diretas já"? Será que era só isto que almejavam aqueles milhares de manifestantes? Diretas já? Queriam somente escolher os governantes do povo? Uma vez que já podemos escolher os governantes, acaba-se aí a mobilização?

Talvez precisemos de um PT do B, para sair às ruas exigindo "Democracia já".

sábado, 28 de abril de 2007

Itaipu Binacional

Tive o prazer de visitar a Itaipu Binacional. E foi uma visita muito, muito edificante.

Primeiro, pela obra da hidrelétrica. É a maior hidrelétrica do mundo, com números grandiosos. Ocupa a divisa entre Paraguai e Brasil, e serve aos dois países. Produz 25% da energia consumida no Brasil e 90% da energia consumida pelo Paraguai.
Itaipu quer dizer "pedra que canta", nome dados pelos índios a uma ilha no rio Paraná, depois engolida pelas águas.

É uma paisagem belíssima, e o cuidado com o meio ambiente impressiona.

Agora, o que me impressionou MESMO foi o aspecto empresarial. Mais precisamente, o corpo funcional da empresa.
Itaipu é uma empresa sob regime sui generis. Não se encontra outra igual. É, ao mesmo tempo, brasileira e Paraguaia. E tem um conjunto próprio de regras.
O pessoal tem um enorme orgulho da empresa e do trabalho que se faz. O grau de participação e a motivação em aprender cada vez mais é palpável no ambiente.
A pessoa que nos mostrou as instalações apresentou um conhecimento tão profundo da história da construção, do dia-a-dia da geração de energia e de aspectos técnicos da usina que eu perguntei se ela era engenheira. Não, não era. Mas sabia muito sobre tudo da usina.
Em outros pontos da empresa, várias pessoas fornecem esses mesmos dados, mostrando que todos têm um alto grau de conhecimento. A empresa se preocupa em dar satisfações aos seus funcionários e mantê-los informados sobre o que acontece por ali.
O resultado é esse alto grau de envolvimento, de interesse, esse orgulho em ser parte do empreendimento.

Já conheci muitas empresas. Autarquias, órgãos públicos, empresas privadas. Nunca me deparara com esse quadro. Os exemplo são sempre de estagnação, de falta de motivação, de falta de comprometimento. Não aqui. Aqui, embora os concursados entrem na empresa para nela aposentar, há engajamento de todos. Um belo exemplo.

Claro de problemas existem, eles me diziam quando eu destacava os aspectos acima. Realmente, é difícil, senão impossível, uma empresa sem problemas. Mas Itaipu é um belo exemplo de empreendimento que deu certo.

Espero que essa motivação e engajamento persistam pelo tempo. Eu mesmo fiquei muito orgulhoso, acho que contaminado pelo orgulho do pessoal.

Agradeço ao pessoal que nos recebeu tão bem. Uma prova bem silenciosa de que algumas coisas dão certo neste país de corrupção galopante.

Cada vez que eu acender uma luz, agora, vou lembrar de Itaipu. Vale a pena conhecer.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Kibe loco

Esta vale a pena ver. Clique aqui para ver um aluno ruim de matemática, mas bem criativo.

É um dos melhores sites humorísticos de todos os tempos.

Zappeando

Senado e Maioridade Penal
O senado aprovou ontem, na sua CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, quando envolver alguns crimes (os mais graves, os de maior potencial ofensivo à sociedade). O menor somente poderá ser preso se uma comissão atestar que ele podia compreender a natureza dos atos praticados.
A medida não reduz a violência. Trata-se de uma medida de punição. Por isto, algumas críticas estão deslocadas, desfocadas. E são dois momentos diferentes. Sabe-se que lei não previne, estão aí os bicheiros/bingueiros para provar. Mas ao clamor contra a impunidade, pode-se responder com uma lei mais precisa, de melhor orientação, como esta, de caráter punitivo.
Eu ainda acho pouco. A compreensão do ato pode se dar em idades bem abaixo dos 16 anos. Mas, vá lá, algum critério tem de existir, e 16 anos passa a ser a idade de corte. Abaixo disso, ainda é "criança". Acima, se souber o que está fazendo, tratado como adulto.
Vamos torcer para que a medida avance. Agora vai a votação no plenário do senado e, se aprovada, vai para votação na câmara dos deputados.
Mas vamos torcer que algumas medidas surjam também na prevenção. Que é que todos queremos.

Marina e ecologia
Num momento, ecologia é o mais importante. Noutro, é o PAC. Acho que as coisas devem ser coordenadas e equilibradas. Lula tem razão ao querer que nada atravanque o programa. E Marina tem razão ao ser cautelosa com o impacto no meio ambiente. Eles podiam se unir (em vez dessa guerrinha de bastidores e fofocas na imprensa) e fazer com o PAC se dê sem desconsiderar as prioridades de meio ambiente. Refiro-me às licenças ambientais para construção de duas usinas hidrelétricas no Pará. E já tem gente dizendo que elas nem são necessárias.

Visita do Papa
Na sexta-feira 11 de maio o Papa estará em São Paulo. Nada contra o Papa, mas a cidade vai ficar intransitável. Projeto de alguns vereadores de decretar um feriado nesse dia esbarra no limite à quantidade de feriados municipais. Espero que a situação se resolva.

Operação Hurricane
Um dos juízes acusados se declara perseguido. Os jornais estão tratando a afirmação com uma grande dose de ironia. Mas alguém se lembra da Escola Base? Prenderam os donos, o negócio deles faliu, para depois se descobrir que era um grande embuste, de culpa não tinham nada, foram vítimas. Se os acusados realmente forem culpados, aplique-se a pena. Mas, se não forem, estão sendo crucificados antes da certeza dos fatos. Estou indignado com o que se diz que fizeram, mas vamos com calma.

Jogos Pan Americanos do Rio
Pelé abriu a boca. Mas desta vez disse tudo. A desorganização das obras do Rio mostram que o Brasil ainda não está à altura de receber um evento internacional, como a Copa ou as Olimpíadas. Além disto, o orçamento está estourado já há muito tempo. De algumas centenas de milhões orçados (135.000.000,00), a conta está em mais de 4 bilhões (4.000.000.000,00) de reais. Será que alguém está preocupado?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Distância e calma

Estou fora de casa, sem meu acesso fácil a jornais. Minha conexão com a internet está limitada por horários que me colocam meio fora do mundo.

Acostumei-me a ler ou ouvir as notícias a todo instante. Assim, vou discutindo comigo mesmo, até chegar aos meus destinos, os fatos do dia.

Sem ler os jornais, não me envolvo, não me preocupo. Mas é uma sensação estranha, de alheamento, num espécie de isolamento...

Sei que Einstein tinha razão, tudo é relativo, inclusive o tempo. O tempo parece que passa mais devagar por aqui (estou em uma cidade do sul do país, muito aconhegante e acolhedora). Não no sentido de lerdeza, mas no sentido de que as coisas acontecem porque estão maduras, não porque estamos na premência de que aconteçam.

Na hora de ir para o hotel, o trânsito anda bem, as pessoas conversam, o mundo não passa ao largo. É uma sensação ótima, esta, a de que existem lugares muito produtivos, onde se trabalha muito, mas a lei da colheita (professada por Stephen Covey) é seguida fielmente. Diz Covey que as coisas que plantamos nunca chegam ao ponto antes do tempo. Acontecem no tempo e momento exatos. E que atendem à necessidade de regar, crescer, até o momento da colheita, aquele momento exato, em que a coisa está madura.

Estou trabalhando muito, mas é como se estivesse em férias, só por causa dessa atmosfera de tranquilidade, sem buzinas e sem pressa.

Descansar é bom, mas é preciso trabalhar. Mas trabalhar, descansando, quem diria?

Sites favoritos

Gosta de rir?
Kibe Loco - este aqui um campeão. Destaque para as "pracas do braziu", as votações do programa do Juca Kfouri, os vídeos, e mais, muito mais...
Humortadela (gosto dos vídeos)
Irmãos Bacalhau
Tutty Vasques (uma pontaria!!!)
Comentando
Charges

Entre eles, há muitas trocas. Um lança uma piada, o outro linka, e o José Simão (da Folha de São Paulo) registra todos.

Esportes a Motor:
Blog do Fábio Seixas

Defesa ao Consumidor:
Blog da Maria Inês Dolcci

Alguns outros, mas muito mais específicos.

Conhece algum legal? Indique!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Aterrisagens

Ok, desta vez foi boa.

Não somente boa, mas uma das melhores dos últimos tempos.
E era da Gol...

Evolução e involução

O homem primitivo tinha de se preocupar com predadores. Vivia a se esconder, e suas ações eram limitadas a espaços e/ou horários em que podria fugir desses animais.

Modernamente, o homem foi eliminando essas ameaças. Com abrigos cada vez mais seguros, afastou a ameaça nos momentos de descanso. Depois, com as armas, inverteu as probabilidades dos ataques.

Com as armas de fogo, inverteu a lógica da ameaça. Era agora o predador, mas um que não mata para comer. Mata para se orgulhar do que matou. Pendura a cabeça na parede, para todo mundo ver que matou.

No mundo atual, a coisa "piorou". O Homem não tem mais o predador natural, aquele animal que mata por causa da cadeia alimentar.
Com a medicina, dominou grande parte de seus inimigos invisíveis, os micróbios. Dominou várias outras ameaças invisíveis, com prevenção de doenças diversas. Passou a viver mais. Morre cada vez mais somente em decorrência de causas naturaus.

Aí, os problemas se agravam. O homem continua a se multiplicar como antes. Mas morre mais tarde. Claro que o espaço diminui. E, como é geométrica essa multiplicação, o povo vai se comprimindo.

Cada vez mais, o homem ocupa espaços. A ameaça do aquecimento global é um sintoma disto. Se a ocupação não acontecer de forma mais controlada, o homem é uma grande ameaça a si mesmo.

Aliás, hoje já é o grande inimigo de si mesmo. Quem promove as maiores baixas na espécie humana são os homens. Ataques como os dos Estados Unidos (na universidade) matam várias pessoas ao mesmo tempo, mas são raros a ponto de serem ínfimos.

São os crimes que mais matam. Matam mais que guerras, que estão, felizmente, cada vez mais raras. O crime não. E as mortes em crimes menos raras ainda. Ao contrário. Mata-se por qualquer trocado, ou a qualquer motivação.

Outra causa alarmante: as mortes no trânsito. Matam muito e cada vez mais. E com uma tendência a aumentar, já que as leis apontam para as "liberdades" vigiadas" (esta é uma discussão antiga, minha, com um amigo, que merece um post à parte). Excessos de velocidade, excesso de negligência, de imprudência.

Estas são aquelas mortes estúpidas, evitáveis, mas causadas por terceiros. Para falar daquelas auto-impostas, falemos das doenças dos exageros, dos excessos. Como as causadas pela obesidade, pelas doenças evitáveis por medidas de prevenção. Há uma grande parcela da população que não se ocupa disto, e morre jovem, pagando o preço pela negligência.

Não se pode culpar, então, a raça humana. Sua inteligência afastou o predador ancestral original, mas originou outras ameaças. Sua facilidade de vida hoje tem um sinônimo: sedentarismo. Alguns excessos de alguns dos seus é a causa da AIDS, dizem. Outros excessos (neste caso, de descaso) causa as mortes por desassistência (falta de assistência médica, sanitária, alimentar...).

Assim, o homem afastou seus inimigos naturais ;para se transformar ele mesmo no próprio. Como no filme, dormindo com o inimigo...

domingo, 22 de abril de 2007

Não consegui evitar...

Hoje é aniversário do dia em que Cabral chegou ao Brasil.

Ontem foi o aniversário do dia em que Tiradentes foi enforcado e esquartejado, e os pedaços de seu corpo pendurados pelas ruas.

Triste imagem encontrou Cabral ao chegar...

sábado, 21 de abril de 2007

Zappeando

Lula
Lula se deu bem no encontro com os presidentes sul-americanos. A mídia cobrou, ele não fez nada, e os resultados foram ótimos para o Brasil. Falamos aqui das ameaças de Hugo Chavez com relação ao biocombustível.
Vamos ser bem honestos: foi sorte. A conduta dele foi a padrão. Não fez nada, repito. E as coisas se acomodaram. Méritos talvez da realidade, que mostrou a Chavez que era uma reação indefensável.
Mas a mesma pasmaceira de Lula não surtiu o mesmo efeito em outros casos. Exemplos: eleição de Severino Cavalcante, crise nos aeroportos, CPI dessa crise.
O jeito de fazer política do presidente pode dar certo às vezes. Mas seria bom que ele tivesse também um jeito de administrar. Certo ou errado, mas um jeito, pelo menos. Esperar nem sempre é a melhor resposta. Principalmente a crises.

STF
O STF está fazendo um intensivão de biologia. Para entender quando começa a vida e, com base nisso, tomar decisões sobre o aborto. A questão é constitucional, já que há a proteção à vida (artigo quinto). É uma sábia demonstração de humildade, de um órgão que não precisaria disto. Parece que este pedaço do poder judiciário é mais democrático que alguns órgãos do executivo (área de seguros, por exemplo).

Aborto
Ao longo de minha vida, tenho pendido a favor e contra o aborto, de acordo com algum acontecimento recente. Não tenho uma convicção firmada. Por isto, acho rica uma discussão, um debate aberto sobre o assunto.
Infelizmente, alguns setores da sociedade querem calar a discussão. São posições apaixonadas, é verdade. Mas calar a discussão é radical demais.
O aborto é hoje uma questão de saúde pública. Abortos feitos em "clínicas" sem a menor condição ameaçam a saúde daquelas que se propõem a fazê-lo. Claro, isto nas classes mais baixas. Nas classes mais abastadas, o aborto é realizado sem a menor dificuldade, com riscos reduzidos, pois são feitos em clínicas e hospitais devidamente paramentados.
Outra face triste da atual legislação: crianças indesejadas, sem o menor preparo dos pais, são tratadas e destratadas como párias. Enchem as ruas, e aumentam estatísticas que deslustram o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Minha posição, hoje (amanhã talvez seja outra. Sou um indeciso neste assunto) é a seguinte: se a religião "proíbe", que seu adepto não tenha essa necessidade. Religião não se baseia em imposição, mas em adesão. Se a pessoa se põe na posição de precisar do aborto, algua coisa falhou. A orientação espiritual, ou o apoio material necessário à contracepção. Reduzir esta questão a uma questão legal, na base do "a lei proíbe", é incongruente com a posição religiosa.

De outro lado, o Brasil precisa de uma legislação isenta. Tratamos como lei tudo que queríamos que fosse, tudo o que "devia ser". São, antes, questões morais.

Quando deixarmos que a moral se sobreponha novamente às leis, talvez estas percam até sua importância. A lei só atua onde a moral falhou.

Polícia Federal
Mais uma operação, a Têmis. Mais um escândalo envolvendo autoridades. Venda de decisões judiciais. mais que a operação Hurricane.

A notícia boa: a polícia federal está trabalhando. Acho que devemos esse reconhecimento ao ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Havia muito que não tínhamos tantos resultados como agora, e, como disse Bóris Casoy, não importa a cor do colarinho, a investigação está evoluindo.

A notícia ruim: tanta gente importante envolvida em atividades de lesa-pátria. Como a impunidade grassa, até pessoas que deveriam defender o mais fraco são cooptadas para o crime.
Outra notícia ruim: o STJ negou a prisão dos suspeitos. De todos que tiveram esse pedido pela PF. Acho que a prisão de todos talvez seja exagero. Mas com certeza o é negar. Alguns, com certeza, já devem apresentar indícios suficientes para justificar a medida. Como já houve denúncias de vazamento de informações, a "suspeita" é de acobertamento e favorecimento. Triste, para esse tribunal.

Jornalistas e plano de saúde no congresso
Passou batida essa informação. Jornalistas que prestam serviço no congresso (a serviço de seus veículos de informação, cobrindo o dia-a-dia dos representantes do povo) têm direito a assistência de saúde, na modalidade ambulatorial, gratuita, às expensas do contribuinte.
Consultados, vários jornalistas se diziam ignorantes sobre a matéria e que nunca utilizaram o benefício.
Quando se fala de mordomias, às vezes há um certo exagero. Mas neste caso os beneficiários são "satélites" da administração. Não existem para a máquina brasileira, senão para suas próprias empresas. A oferta desse benefício, repito, às expensas do povo, só pode ser para gerar benesses e trocas de favores. Quando nós precisamos, o congresso não se mostra tão generoso.
Chináglia diz a medida "deve ser extinta". Ok, vamos ver.
Quanto é mesmo sua mensalidade do plano de saúde?

ô, boca
Foi só falar da aterrisagem da Gol, e um avião derrapou em Fortaleza. Chovia na hora. Mas será coincidência? Tomara que sim, só uma infeliz coincidência. Dá-lhe Maxi Goiabinha!!!

Ética, moral, regulamentos, códigos

Na revista Vejinha desta semana, há um conjunto de regras para diferentes situações, destinadas ao povo paulistano.

Eu quase nunca leio a Vejinha, mas interessei-me por causa do assunto.
Nas regras, uma grande decepção: um amontoado de posições pessoais, que jamais poderiam representar um sentimento multitudinal, necessário para compor um "código de conduta".

Vi opiniões de alguns "especialistas" sobre alguns comportamentos. Especialistas entre aspas por causa da proliferação desse termo. Qualquer um que se autoproclame especialista em algo passa a sê-lo.

Lembrei-me de uma revista que, em sua primeira edição, trouxe vários artigos especiais. Em um deles, sobre como se sair bem numa entrevista de emprego, um dos ítens era o seguinte: o candidato não deveria, em hipótese alguma, se apresentar em um terno azul-marinho com camisa cor-de-rosa. Isto para não correr o risco de ser interpretado como querendo se passar por consultor de uma determinada consultoria norte-americana.
O fim! Que absurdo. Como eram 10 dicas, acho que se esgotaram as úteis e o autor pescou alguma coisa que ouvira. E o texto dizia que era a opinião de vários especilistas da área. Com todo o respeito, duvido.

Outra matéria que me chamou a atenção (em outra revista de negócios): uma cervejaria nacional tinha um presidente que era muito exigente. E, nas cobranças por resultados, chegava a chutar as portas dos automóveis de serviço de alguns de seus funcionários. Pois bem, isto, segundo essa revista, era uma característica de um verdadeiro líder! Ok, mas parece mais de um autocrata mimado.

Noutro exemplo, na mesma reportagem, essa revista destacava os processos internos de uma determinada produtora de software. E destacou essa "desorganização" (assim mesmo, entre aspas) como sendo uma grande vantagem competitiva...

Para mim, chutar a porta de um carro é uma característica de alguém que não sabe se controlar. Ou não quer. E a desorganização é sintoma de pobreza cultural organizacional. Claro que tanto aqui como na revista estão expressos pontos de vista. Acho que a revista deveria ter registrado isto. Mas parece que o aspecto comercial era mais importante que uma análise mais produnda daquele comportamento. Daí... Imagine o Lula chutando a porta de um carro. A imprensa, tão de má vontade com ele, só faltaria chamá-lo de Átila. Não, acho que nem isto faltaria.

Com relação às regras da Vejinha: claro que um código de conduta é desejável. que não seja mandatório, que seja referencial. Mas que não seja tão pueril. Esperava que surgissem coisas mais produtivas.

Presenciei, em frente a uma escola, carros (no plural) que não respeitam a faixa de pedestres. Quer dizer, o pai (ou mãe) põe o filho no carro, e, a partir daí, que se dane o resto. Aqueles que precisam atravessar a rua que se cuidem, mesmo na faixa de pedestres. Vi vários alunos e pais parados para aguardar a passagem dos carros. Como detalhe, menciono que a rua em questão só tem tráfego de pais que vão buscar seus alunos. São, portanto, todos de mesma escola.

Há os pais que acham que os filhos são seres especiais, que conseguem identificar buzinas. Pais (e mães) param e buzinam. E, num acordo com os filhos, ao que parece, buzinam de novo a cada 37 segundos. E, como parte do acordo, gritam, com as janelas fechadas, para os filhos perceberem que estão lá. Filho sofre!

A fila: tripla!

Enfim, precisamos mesmo de referenciais de comportamento. Com o fim das aulas de educação moral e cívica, o que restou foi a moral da igreja (de diversas orientações) e outras ações isoladas de algumas escolas. O aluno precisa saber os movimentos de ventos da África, mas não é importante saber se comportar. Não é importante saber de valores. Não é importante apresentar e discutir com os alunos, personalidade e caráter em formação, aqueles valores subjetivos que nos permitem tomar as decisões que diferenciam o homem dos demais animais.

Como nossos valores estão contaminados (o presidente disse que todo mundo faz caixa dois, por exemplo), qualquer coisa que lhes dê aparência de sério proliferam.

Especialistas agradecem.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Friends

Reprise do último episódio de friends.
Acabou agora, na Warner.

Luto!

Simpatia de Caxias

Jantei com duas amigas em Caxias do Sul.

Em São Paulo, toma-se "um chops" e come-se "dois pastel".
Em Caxias, comemos pizza com vinho. O vinho, de excelente qualidade, vinho da terra, vinho que merece ser chamado de vinho.

Um restaurante delicioso, um ambiente muito aconchegante, a melhor companhia.

Como não podia deixar de ser, conversamos de tudo. Analisamos de relacionamentos a séries de tv, contamos histórias, rimos muito. O garçom ainda agora deve estar meio desnorteado.
A pizza, das melhores.

Fui muitas vezes a Caxias e ainda não conhecera um lugar tão gostoso assim.

Mas o destaque aqui é o seguinte: podia ser um barzinho de hotdog, a companhia das duas amigas foi deliciosa.
Agradeço a enorme gentileza e o prazer da convivência.

Obrigado a elas.

Volta do RS

Todos me perguntam: como foi a viagem?

Foi assim:

Cheguei com antecedência ao aeroporto, o check-in foi tranqüilíssimo.
Tomei um café, li uma revista, tudo estava calmo. À medida em que o saguão foi lotando, movimentação aumentando, fui para a sala de embarque e lá fiquei, pensando em como estavam calmas as coisas.

Embarcamos na hora marcada. Mas ficamos um longo tempo esperando... esperando...
Longo tempo, aqui, é quinze minutos. É muito, para quem está vendo que a fila já acabou há tempos, e que não há mais movimentação nenhuma externa.
Já estava concordando com as reclamações de falta de informações, quando o comandante nos informou que o avião teria de esperar um pouco por causa de Curitiba (o Cindacta, maldicto), e o tráfego aéreo em São Paulo (não bastavam as marginais...). Espera de 40 minutos, adiantou.

Bem, foi uma má notícia, mas bastou para relaxar. Passageiros se levantaram, foi servida água, as conversas começaram. Até a partida.

No prazo dado, iniciamos os procedimentos. Já ao lado da pista, uma outra grande demora. E não fomos informados do motivo. Mas, pela janela, eu vi. Era um jatinho pequeno, que levantou vôo com apenas duas pessoas, e que, sabe lá o motivo, tinha preferência sobre um avião comercial, atrasado, lotado de passageiros.

Logo que ele subiu, subimos nós (era ele mesmo que estávamos esperando. Talvez o transponder dele estivesse desligado, e o atraso foi uma medida de segurança, vai saber).

Ponto bom da viagem: ver Florianópolis. Linda.

Chegando em SP, sobrevoamos Santos, depois sobrevoamos Santos, e depois sobrevoamos novamente Santos. Alguém devia estar procurando alguma coisa, pois sobrevoamos ainda novamente.
Depois de achada a tal coisa, ainda sobrevoamos São Paulo pelo menos uma vez, antes da aterrisagem. Foi bom para ver como estava o trânsito.

A aterrisagem, ah, a aterrisagem. Tenho um amigo que diz que implico com a Gol. Mas foi quase de nariz ao solo. O tranco que tão forte que alguém gritou para voltarmos para pegar o trem de pouso... O barulho já foi de matar, piloto da Gol parece que não tem essa aula. Pelo menos, é muito diferente da TAM, de longe a aterrisagem mais tranqüila.

Ah, tinha o problema de Curitiba, uma greve da PF e ainda o movimento aéreo de SP. Não está fácil. É melhor ir de ônibus. Isso se não pegarmos nenhum bando botando fogo em ônibus nas estradas.

Na viagem, Maxi Chocolate em da Maxi Goiabinha ( deve ser por causa do Tutty Vasques).

Enfim, uma boa viagem...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Vídeos

Ah, sobre os vídeos: quando vi a seleção da Rubia, ela tinha 59 vídeos. Na vez seguinte, já eram mais de 150. Por isto, vai demorar um pouquinho mais a seleção.

Bingos e Bichos

De vez em quando temos algumas boas notícias.

Não é que as ações do governo estão acabando com o jogo do bicho no Rio de Janeiro?

Pois é, os bicheiros estão saindo da ilegalidade do jogo para a legalidade dos bingos. Antigos contraventores estão se dedicando aos jogos legais. Pelo menos é o que se conclui das prisões realizadas em decorrência da Operação Hurricane. Vários ex-bicheiros foram presos, em decorrência de evidências de diversos crimes, junto a juízes e outras autoridades.

É a pobreza institucional brasileira.

Os bingos foram proibidos. Depois, foram liberados. Agora, descobre-se que são uma bela oportunidade. De crimes. Lavagem de dinheiro, por exemplo.
Será que o governo não sabe o que acontece nos bingos? Será que o festejado ex-ministro da justiça não conhece os meandros desse tipo de atuação? Será que há interesse em acabar com essa festança?

Parece que não.

Ah, mas tem gente graúda envolvida...

Ok.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A reeleição

A notícia agora é que o presidente está trabalhando para acabar com a reeleição. Depois de se beneficiar dela, claro. Ele e Fernando Henrique Cardoso, mas este é contra sua extinção. Da reeleição, não a de Lula. Acho.

Eu sou contra a reeleição, mas ou favorável à manutenção do cargo de presidente que cumpra suas metas. Mas a aparente contradição exige explicações.

Quando votamos em alguém para presidente, votamos por causa de seus objetivos, seu plano de governo, suas metas, certo? Não? Como não? Assim, não tenho como prosseguir com o raciocínio. Vamos combinar assim, então: vamos fazer de conta que seja assim.

O sujeito promete criar dez milhões de empregos, em quatro anos. Ao final de quatro anos ele criou dez milhões de empregos? Atingiu suas metas. Promete aumentar em 10% o Produto Interno Bruto. Ao final do mandato, verifica-se: quanto aumentou o PIB? Menos de 10? Fora daí, incompetente!

Brincadeiras à parte, o instituto seria mais ou menos assim: uma série de indicadores, em cenários alternativos mas não divergentes, nos quais o presidente se basearia para nortear suas ações. Dados que levariam em conta desempenho da economia, qualidade na saúde pública e educação, obras, etc, etc, etc. Se, ao final do mandato, os indicadores desejados (ou prometios) estivessem sendo atingidos, o presidente se qualificaria para uma outra investidura. Se, em vez, os indicadores não fossem os desejados, aí sim, venha outro mais competente.

A exposição acima é simplista. Alguns algorítmos, alguns cálculos seria necessários. Nada simples como o escrito. Mas, enfim, uma metodologia que verificasse o que o presidente realmente faz, em vez do que diz que faz. Indicadores que aferissem seu compromisso com as promessas da campanha, com o trabalho de verdade.

A diferença? Ora, brutal. Hoje o presidente (estou me referindo a este cargo, mas pode ser para
o governador e o prefeito) se elege e passa a atuar em função de apoios para sua próxima eleição (a candidatura à reeleição). Ao fazer isto, ele esquece do povo que vota nele, e se lembra mais e mais das empresas (e algumas pessoas físicas) que investem nele. No segundo mandato, o trabalho já está entrando em fase final. Então, relaxa e começa a pensar na eleição do sucessor...
Estamos numa democracia, é verdade. Mas é uma democracia péssima. Os grupos se mantêm no mesmo ponto: pobres continuam pobres, políticos continuam ricos, ricos continuam amigos dos políticos (ou polítícos mesmo), alguns cidadãos (às vezes pobres) se transformam em heróis, para depois voltarem a ser cidadãos (muitas vezes ricos). Esta democracia não ajuda o povo.
Ajuda a quem se ajuda.

O presidente deve dizer o que quer fazer. E como quer fazer. E o país precisa acompanhar se está acontecendo o prometido. Acontecendo, o sujeito merece ficar (por mais uma in vestidura). Se não, não merece nem se candidatar novamente.

Exagero? Alguém conhece vendedor que tem metas de vendas? Porque será que as empresas instituem essas metas? São más!, dirá o apressado... Não, é uma questão de sobrevivência. Se não vende, não tem dinheiro para pagar as contas. Presidentes de empresas, anualmente, fazem isto com seus diretores. Quais são suas metas? Como chegar até elas? O que precisa? E, final do ano, avaliam: chegou aonde queria? Não? Desculpe, mas a fila precisa andar...

Nosso sistema eleitoral é pobre em informações. Fala em entrar e sair do cargo, mas não fala nada do que acontece dentro dele.Criemos metas, avaliemos nossos governantes. Tiremos deles a necessidade de fazer não política, mas politicagem, para se manter no poder.
O poder pelo poder não interessa ao povo. O poder para benefício geral, este sim é que interessa.

Então, minha posição é pela reeleição. Automática, mas para os competentes, comprometidos, sérios.

Ponto.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Saúde gratuita?

O SUS, Sistema Único de Saúde, é o chamado atendimento gratuito do Brasil. Isto é certo?

Claro que não.

A constituição coloca saúde e educação como responsabilidades do estado. Imagina, por isto, que o estado deva oferecer sem contrapartidas os serviços médico-hospitalares.

A verdade é que os serviços são cobrados, e bem cobrados, e pagos, muito mal pagos.

A cobrança é feita através da mostruosa carga tributária do país, uma das maiores do planeta. E o pagamento é feito a partir de tabelas SUS, das mais desqualificadoras também do planeta.

Quando compramos qualquer coisa, está embutido um imposto. De imposto em imposto, o governo tem todo um tesouro nacional à disposição. Com todo esse dinheiro, é compreensível que queira primeiro comprar um avião, depois fazer propaganda de si próprio, depois aumentar salários de heróis...e no fim, lá no fim da fila... não, ainda não é a saúde.

A arrecadação da CPMF no ano passado foi de trinta e dois BILHÕES de reais. Quanto foi investido em saúde? Quanto foi realmente alocado no motivo da criação da CPMF, objeto de discursos e articulações de um muitíssimo bem intencionado Adib Jatene?

A tristeza é que o presidente, um metalúrgico, não precise se submeter ao atendimento do SUS. Hoje ele vai a hospitais de primeira linha, tem médico particular, é atendido em "casa"... Tivesse memória, lembraria do atendimento a que já teve de se submeter. Tivesse sensibilidade, veria o tratamento que muitos irmãos seus (irmãos mesmo, mesmo pai) precisam enfrentar. Se o problema do Lula (quando era do povo) e dos irmãos (ainda povo) não o sensibilizam para o assunto, o que poderia?

Hoje, Mário de Andrade de verdade:

"muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são".

Como é irresistível, parafraseio: "muito imposto e pouca responsabilidade..."

Como ainda alguém pode chamar o sistema SUS de gratuito? Aonde vai o dinheiro dos impostos do brasileiro? Será que seriam suficientes para melhorar saúde, educação e segurança?

Será que alguém está preocupado? Você, que paga seu plano de saúde e seus impostos, está preocupado?

Panem et circenses

Massa ganhou a corrida. Parabéns.

Mas que dá uma gastura assistir à corrida pela Globo, isto dá.

Explico: eu torço. A televisão não. O jornalista que torce é torcedor, deixa de ser jornalista. E quem tem a objetividade, a isenção, nesta história toda, é o jornalista.

Nós, humanos, torcedores, precisamos mais é gritar mesmo, acelerar, afundar o pé no tapete... e eles, jornalistas, icebergs, precisam indicar os fatos da corrida.

Assim, não entendo como as notícias são tão parciais. Massa deu um show. Também o Hamilton. Hamilton iria passar Massa? Vai saber... o torcedor acha que sim. O jornalista, bem, sei lá. Mas o foco todo foi em Massa. Foi torcida. Pouco jornalismo.
O fato é que me sinto usurpado no meu direito de torcer. Usurpado pelo Globo, que torce, ela mesma, pelos "heróis" da pátria.

Com o Kléber é melhor que com o Galvão. O Reginaldo Leme ainda é o mais jornalista dos três.
Mas entende-se. O produto "fórmula 1" não é jornalístico. Envolve milhões de reais em patrocínios e publicidade. A Globo tem a exclusividade. E usa seus "jornalistas" para manter o público cativo. Por isto é que precisamos de heróis. Para que a audiência se mantenha alta e os produtos continuem vendendo.

Se eu tivesse escolha, assistiria em outro canal. Aliás, esportes de outros canais não são nem mencionados pela Globo. Quem se lembra do Gil de Ferran, sendo entrevistado após o bicampeonato na Globo, sabe que só aconteceu porque ele foi um fenômeno naquele ano. Fora a entrevista (depois do título), meras menções honrosas nos noticiários, muitas vezes sem imagens.

Quando Schumacher ganhava todas, era a mesmice da f'órmula 1. Quando era Senna, era o Brasil mostrando ao mundo seu talento.

Mas estou dizendo tudo isto pelo seguinte: quem se lembra que foi a mesma Globo que editou o debate entre Lula e Collor? E que, por causa disto, Collor foi eleito? Ok, talvez não por causa disto, mas que interferiu, interferiu,
Pois bem, ela (Globo) manipulou o povo brasileiro no maior descaramento. E, depois, mostrou caras-pintadas indo às ruas, incentivados por ela mesma. Pruridos de consciência? Inclino-me a pensar que algum interesse foi ferido, daí a inimizade.

Quanto a Lula: perdeu a eleição, daquela vez, açoitado pela Globo. Quem apanha assim costuma agir com necessidade de justiça, de consertar os erros, neste caso dos outros, certo?

O pragmatismo de Lula diz que não. Deu a primeira entrevista coletiva para a Globo, a mesma que o levou à lona naquela eleição. Pragmático, o presidente só comprova que a Globo só vende o que quer. E entre os BBBs da vida, só se curva aos sucessos de outros canais, pasteurizando-os em nome da qualidade global. Que o digam os sucessos de Ana Maria Braga, Angélica, Luciano Huck, Faustão, e aquele, escondido nas altas horas, como era mesmo o nome? Ah, fala garoto! Serginho Groisman.

Do "panem et circenses" o governo está dando o pão. O bolso família, por exemplo. A Globo dá o circo, com seu futebol e fórmula 1 de auditório. E assim segue o povo romano, ops, brasileiro...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

No Rio Grande do Sul

Eu devia ter desconfiado, quando o alto-falante do aeroporto comunicou que o vôo atrasaria por causa de mau tempo em Caxias do Sul.

Mas cheguei aqui e está frio!!!! Corri comprar um pijama comprido. Uma sopinha, depois de ver, às 19h15min os carros já cobertos por aquela fina camada de orvalho, branquinho...
As mulheres já de roupa mais de frio, botas, golas altas...

Manuela (já que estou no RS)
Sobre a deputada Manuela: realmente ela é bonita. E vai continuar sendo por muito tempo. E daí? Tem revista e jornal que são sérios e só conseguem perguntar para a deputada sobre sua beleza. Mudem de assunto. Tem revista que tem castelo, barco, praia, e que é especializada nisso. Perguntam sobre a beleza, o cachorro, o signo do gato...
Tem muita gente feia no congresso. Sobre isto, alguém fala? Vivem entrevistando esses zés bonitinhos? Não.
Será que a deputada, por ser bonita, vai ser limitada por isto? Seu estigma será esse? Ou será que ela tem qualidades que a levaram (de forma brilhante) ao congresso?

Deixem a deputada em paz. Ao menos, neste assunto.

Tiros nos Estados Unidos
Alguém explica esse esporte tipicamente americano?

Sobre aeroportos
Com base em minhas últimas viagens, fiz um mapa mental, eu e meu amigo Murphy, do que aconteceria. E lá fui para o aeroporto.
Cheguei, longas filas. Ah, eu sabia.
Depois, no salão de embarque, estava esperando para ver quanto tempo até mudar o portão. Claro, depois da hora marcada para partir. Ah, eu sabia.
Aí, o aeroporto estava fechado. Não sabia, Murphy me enganou. Mas estava divertido. Acomodei-me da melhor forma possível, peguei o jornal e me preparei para lê-lo até a última palavra. Resignado. Aí, Murphy foi quem se divertiu. A fila se desfez, todo mundo reclamando, quando todos nos acomodamos, o alto-falante chamou para embarque. Coisa de sete minutos...
No avião, estava preparado para a demora na autorização. Cochilei, e acordei com o avião já no ar.

Incrível a diferença que faz quando nos prepararamos e encaramos as coisas pelo lado, digamos, menos ruim.

Lógica
Aparentemente todos os Legacy com os quais cruzamos estavam com o transponder ligado.

domingo, 15 de abril de 2007

Inferno no céu?

Amanhã inicio uma pequena viagem, que me deixará, ao que parece, sem atualizar esta divertida brincadeira por três ou quatro dias.

Logo cedo, estarei no aeroporto, tomara que sem estar amaldiçoando ninguém.

Se tiver tempo e conexão, posto algumas coisas.

O destino é uma linda cidade do sul, e espero ter algumas fotos bonitas. Mas haverá trabalho, muito trabalho.

Boa semana a todos. Depois desconto esse tempo ausente e os castigarei com outros textos.

sábado, 14 de abril de 2007

Vídeos

Ah, a Rubia que me indicou o lindo vídeo que postei há alguns dias tem uma série deles no seu perfil do Orkut.

Vou continuar "espiando" lá para compartilhar outros. As misérias podem ser particulares, mas coisa boa merece ser compartilhada. Com a devida autorização da Rubia, claro.

O que tem a ver???

Um amigo que leu este humilde blog (ah, então foi ele!!!) me ligou ligou perguntado o que tem a ver a experiência de Milgram com Lula, controladores, etc.
Faz sentido.

Fiz, em vários outros posts, menções sobre o assunto e vou tentar resumir.

No Julgamento de Nuremberg, os oficiais alemães apresentavam um argumento "padrão" para seu atroz comportamento: estavam seguindo ordens. Se estavam seguindo ordens, claro, alguém estava liderando. Sob essa liderança é que se escondiam as responsabilidades daqueles que, concretamente, perpetravam aqueles atos.

A experiência de Milgram nos apresenta um faceta interessante. Embora não tão atroz, pessoas adotavam comportamento que causava sofrimento a outras, sob a mesma égide da "obediência", neste caso a alguém que assumia a responsabilidade pelas conseqüências. Uma farsa na montagem, a experiência mostrou um lado terrível do comportamento humano: o lado Pilatos de cada um.

Pois bem. No julgamento de Collor, apareceram dois personagens que desmascararam os atos palacianos. Um deles, o motorista Eriberto França. Que contou toda a verdade sobre a entrega de dinheiro a personalidades. A outra foi a Sandra Fernandes de Oliveira, lembra-se?, secretária daquele escritório de advocacia que montou o esquema da Operação Uruguai (aquela desculpa esfarrapada de um empréstimo que estaria financiando a nababesca vida do presidente).
Em ambos os casos, esses personagens saíram de sua zona de conforto e denunciaram alguma coisa que lhes causava engulhos creio eu.
A história não falou muito mais sobre ambos. Pelo que sei, não enriqueceram, não foram ao Jô, não saíram na Caras. Mas contrariaram o instinto básico de calar perante a autoridade.

É aqui que junto as coisas. Vivi, numa entidade estatal, experiências que mostravam ou uma alegre adesão a movimentos "não-convencionais", ou um conveniente (muitas vezes necessário) olhar para o outro lado.
Ambos, acredito eu, baseados no fato de que "quero participar da festa" e/ou "não adianta lutar contra essa cultura". Cultura, aqui, eufemismo para algo bem mais feio...

Milgram nos mostra que as pessoas são naturalmente assim. É o comportamento padrão. E que, para mudar, temos de tomar uma ação consciente e voluntária de transformar esse estado das coisas.

Acrescento mais: é preciso um conjunto axiológico, um credo que nos mostre os valores em que acreditamos, e que norteie nossas ações. Algo tão entranhado em nossa mente e coração que, na iminência de comportamento perturbador desses valores, paremos e o avaliemos. E, se nossa ética impera, fazemos o que acreditamos, não aquilo que nos é ordenado.

Para resumir: quem mais sabia de mensalão? Dos problemas dos aeroportos? Da história real do Gol, vôo 1907, que deflagrou toda essa crise na aviação? Quem é que sabe como foram negociados os votos da reeleição? Enfim, cadê os eribertos e sandras para contarem o que sabe? Cadê o Francenildo, o caseiro do caso Palocci e a quebra do sigilo bancário?

Acho que estão todos escondidos sob a tese de Milgram. Não os culpo, porque acho que no Brasil a testemunha é mais maltratada que o acusado. Nenhum deveria ser maltratado, mas o caseiro mostra que a corda estoura sempre do lado do "andar de baixo", como diria o Elio Gaspari.

É isto, meu amigo (aquele me me ligou). Estamos todos escondidos sob a autoridade. Deveríamos estar mesmo, mas sob a autoridade de nossos valores.

Enquanto isto, tome Milgram...

A propósito, grato a esse amigo pela argüição. Disparo textos aqui a esmo, achando que todo mundo tem tempo de ler historietas e opiniões de um qualquer.

Mas a verdade é que estou me divertindo!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Instintos básicos

Mais de Milgram.

Os mensaleiros, os controladores de vôo, policiais, funcionários inocentes ligados à rede de corrupção... será que se explica?


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Garfield para deputado federal

Garfield, aquele gato criado por Jim Davis, amante de lasanha e inimigo mortal das segundas-feiras, está à procura de doações para sua campanha a deputado federal. A decisão foi tomada ao ler os jornais do Brasil que anunciavam que os deputados não vão mais realizar votações às segundas. - "É tudo que sempre sonhei", disse o obeso e preguiçoso gato.

É verdade, os deputados realmente decidiram não votar nada nesse dia da semana. É compreensível, já que eles precisavam de um dia para poder compartilhar as dores do povo brasileiro. Imagina-se, então, encontrá-los nesses dias na fila do SUS, dando apoio a vítimas de assaltos, presenciando os problemas nas filas do INSS...

Não se trata de desrespeito ao povo. Trata-se de uma descarada assunção de uma verdade maldita. Segunda-feira é o dia em que os representantes do povo vão para Brasília. Chegam, vão para seus hotéis ou apartamentos funcionais, almoçam com assessores...

É injusto dizer que o dia merece ser descontado dos seus "salários" (entre aspas porque salário é o mínimo). Imagina-se que a medida acelerará a resolução dos problemas do Brasil, por isto tão importante para nós, brasileiros.

O trabalhador, agora, tem mais um motivo para pleitear o mesmo aos seus empregadores. É o dia em que se sentará com o seu representante, apresentará a ele suas dificuldades e anseios, discutirá as prioridades nacionais, fará considerações filosóficas sobre ética...
Afinal, domingo é um dia terrivelmente estressante, provando que o calendário está inadequado. A macarronada na hora do almoço, o futebol à tarde, os passeios com a família, tudo isto cansa o brasileiro. Nada mais justo que descansar, na segunda, do cansativo dia de descanso que foi o domingo. E o patrão, outro brasileiro, entenderá perfeitamente, e nem descontará o dia daquele sofrido trabalhador.

Na vida real, o deputado já garantiu seu futuro. Num belo dia de outubro, em frente a um equipamento eletrônico de reputação duvidosa, milhões de brasileiros disseram que ele seria um representante de seus anseios e necessidades. Acreditava que pelos quatro anos seguintes a luta desse representante fosse em função disto. Em vez, é a favor de sua próxima eleição, e o ciclo se reinicia.

Não é difícil imaginar que a próxima ação, coerente com esta, seja abolir votações na sexta-feira. Além de todos os problemas que o deputado enfrenta, ainda há os dos aeroportos. Estressante, o ideal é antecipar a volta.
Num efeito cascata, mas ainda coerente, a terça-feira é a próxima. E a quinta. Então, fica combinado: votações, somente às quartas.
"Pera" aí: ir a Brasília para votar somente um dia? É melhor nem ir. O executivo pode fazer o que for preciso através de medidas provisórias, lembra-se? Assim, o deputado fica livre para atender "à sua base" todos os dias da semana...

A democracia "do povo, pelo povo, para o povo" nunca foi uma realidade. Nem sequer está perto disto. A escolha dos representantes pode ser boa (isto mesmo, somente boa), mas o modo do exercício desse poder delegado não. Aliás, nem pode ser, porque não existe. Defensores da democracia não aceitam a idéia de discuti-la, numa posiçao binária, que considera somente democracia e autoritarismo. mas há que aperfeiçoá-la.

O novo código civil "tramitou" durante quase trinta anos. Tramitou aqui é um eufemismo para dizer que ficou engavetada. Com trinta anos de defasagem, nasceu anacrônico, se é que é possível isto.

Esta é a nossa democracia.

O "povo" beneficiado é sempre o mesmo, o estamento perene do poder. E o povo excluído só o é por omissão.

Mas o BBB7 foi bem acompanhado e discutido nas ruas. Abrandamento das regras de nepotismo, auto-concesssão de aumentos salariais, e outras "coisinhas" não chegam a empolgar como o Alemão.

Mas o congresso não é a cara do Brasil. Este acorda cedo, chacoalha de madrugada em ônibus lotados, precisa trabalhar todos os dias da semana. Tem desconto das faltas, e tem metas a cumprir. Dá graças quando o trabalho é muito, porque a alternativa é trabalho nenhum. E vendendo o almoço para comprar o jantar, mas ainda não pensou que a solução dos seus problemas é se eleger para algum cargo. Qualquer um. Todos são iguais...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Alma lavada...

Depois de um dia bem cheio, de passos angustiantes e angustiados, recebi este vídeo de uma amiga no Orkut.

É de lavar a alma, de descobrir o sol, e de encher a lua...

De resto, dispensa palavras. Ao menos, as minhas...



Obrigado, Rubia!

Motos e abusos

Quem anda em São Paulo conhece o eterno problema dos motoqueiros. Por isto, é boa a notícia sobre o selo de qualidade para empresas que os contratem (notícia de Gilberto Dimenstein na Folha).

Mas discordo dele em parte. Os motoqueiros, premidos ou não por horários e/ou valores, têm comportamento que beira a irresponsabilidade. Dizer que são simples vítimas é simplificar demais os problemas. Quantos nós vemos no dia-a-dia fazendo loucuras pelo trânsito, e açodando motoristas que se resolvem a mudar de faixa nas marginais, por exemplo. Isto quando não passam quebrando, com os pés, os retrovisores daqueles carros que, a seu exclusivo critério, fazem coisas erradas no trânsito. As condições pode ser adversas, mas a violência deles é inútil. E, como entre bois não há chifradas, já vi dois casos em que um deles causou um acidente a outro. Fraternalmente, em ambos os casos, os ânimos ficaram serenos como se fosse uma falta tola em um jogo de futebol.

Também já vi casos em que o motoqueiro realiza uma manobra brusca e causa um acidente com um veículo. Aí é que o grupo de junta. Chutes no carro, ameaça de agressão ao motorista, vidros quebrados... Não, nada justifica isto.

Mas a notícia tem seu quê de verdade no ânimo. Encomendei certa vez uma pizza ao Habib´s, que dizia que entregaria a pizza em 28 minutos, ou eu não pagaria nada. A pizza chegou mais de 40 minutos depois, e era um dia de chuva. Ao dizer para o motoqueiro que ele estava atrasado, ele disse que eu não precisaria pagar. Eu insisti no assunto, e ele me disse que, nesses casos, quem pagava a pizza eram eles, os motoqueiros. Claro que paguei eu a conta. Mas isto vem dar razão ao Dimenstein. Que empresa é essa que abusa de seu direito de empregador?

Não pedi mais entregas ao Habib´s. Era um protesto. Mas quem pagou o pato foi o grupo de motoqueiros, que não têm mais o meu pedido. Resolver como?

Tomara que o selo seja eficaz. Mas tomara que os motoqueiros se civilizem. Claro que não são todos. Mas alguns, em particular, jogam com a morte todos os dias. Então, talvez seja correto dizer que "Motoqueiros Morrem", não que "Nós matamos motoqueiros", como na notícia linkada.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Viagem ao espaço

O milionário Charles Simonyi, um dos criadores do Word e Excel está no espaço. Pagou US$ 25.000.000,00 pela viagem. Está, no momento em que escrevo, chegando à estação espacial russa.

Pelo produto de seu trabalho, ficou milionário. E foi fazer um turismo diferente. O dinheiro é dele, ele tem o direito de gastar onde quiser.

Bill Gates é dos maiores doadores a obras beneficentes do mundo. A viúva de Ray Crock, que foi o mentor da rede McDonald´s (comprou os direitos dos irmãos MacDonalds) é também uma doadora contumaz, embora sem alarde. São doações de bilhões de dólares, que ajudam, certamente, muita gente.

Não sei se Simonyi doa ou doou alguma coisa na vida. Não é este o ponto aqui.
O ponto é: o que seriam vinte e cinco milhões de dólares para flagelados da fome, por exemplo? Ou para hospitais em países do terceiro mundo? Ou... sei lá, há tanto o que fazer com tanto dinheiro.

Respeito a opção dele, Simonyi. Mas é um dinheiro rasgado. Que benefício traz esse tipo de viagem, volto a perguntar? O que se ganha?
Quando alguém vai de férias à Malásia, por exemplo, alimenta uma cadeia de negócios que beneficia uma grande rede de pessoas e empresas. E, de resto, o custo é palatável, embora alto.
Viagens espaciais também fazem parte de uma cadeia de produção. Mas muito mais restrita. E absolutamente elitista.

O homem faz as coisas de acordo com sua visão do mundo, o que comporta grande idiossincrasia. Simonyi trabalhou, e está aproveitando o resultado desse trabalho. Mas pobres e famintos pelo mundo ainda estarão no mesmo ponto, quando ele voltar do espaço.

No Brasil, nas filas dos hospitais, gente com necessidades de remédios cujo custo não chega a R$ 50,00. A se medicar, muitos preferem comer. Se não se medicar, pode morrer. Se não comer, certamente morrerá. E, ainda assim, o próprio governo brasileiro custeou a viagem do turista espacial brasileiro, Marcos Pontes. Dez milhões de dólares. Esqueçamos Simonyi, que fez sua fortuna de seu trabalho. Falemos da origem dos dez milhões que levaram Pontes ao espaço.
Ele foi retirado da verba de hospitais, da verba das escolas, de merenda escolar. Não atingiu os gastos com propaganda do governo. Nem mudou a utilização dos cartões de crédito pela presidência da república. Mudou, sim, a vida de Marcos Pontes. Que hoje dá palestras, a um custo de estrela. Quem pagou essa conta toda? Nossos impostos. E quem tem carta branca para gastar nosso dinheiro? O presidente.

Que Simonyi faça uma boa viagem. Que empresários continuem ganhando dinheiro para gastá-lo onde bem entenderem. Mas que os governos fiquem fora disto. Pelo menos nosso governo, que parece ter fixação pelo ar. O aerolula, Marcos Pontes e a crise dos aeroportos que o digam.

Ah, quatro diretores da Infraero (de novo no ar) foram afastados em razão de suspeita de favorecimento à Shell. Como nossos impostos entram num saco sem fundo, tudo parece normal na terra de Macunaíma.

"Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são". Precisamos atualizar a frase do herói sem caráter. "Muita politicagem, pouco respeito, os males do Brasil são".

Ah, parece que hoje estou revoltado.

sábado, 7 de abril de 2007

Natureza do comportamento humano

Não tenho talento para escrever. Por isto, leio. Dentre minhas leituras, algumas clássicas, Outras, inusuais.
Mas, em todas, discussões com o autor.

Essas que tratam da natureza humana, por exemplo, como o poema If, abaixo. Acho pobres as análises de escritores que se propõem a explicar a natureza humana. Mas, ao fim, e ao termo das experiências pessoais, sou obrigado a concordar com elas.

A natureza humana é basicamente a mesma. Todos nós temos, em maior ou menor grau, as posições bipolares do comportamento, a extremamente negativa e a extremamente positiva. Num posicionamento geral, adotamos geralmente um dos pólos. Mas escorregamos, e, vez ou outra, paramos na outra ponta.

Digo isto porque algumas vezes somos surpreendidos por comportamentos tão estranhos à natureza da pessoa que achamos que não a conhecemos. Sim, conhecemos, mas apenas uma parte dela. Nunca saberemos, em determinadas circunstâncias, com determinadas variáveis, como a pessoa vai reagir. Pode ser a reação nobre: o lado positivo. Pode ser o ladro obscuro da força, o lado negativo.

A questão é: como nós reagimos a isto? E como reage a pessoa?

Há pessoas que não se importam com a reação dos outros. É o meu caso. Mas tenho fortemente enraizados valores que me levam a acreditar que as escolhas são corretas. Talvez não passe de pura soberba, percebo claramente.

Então, como reagir a reações "estranhas" de outras pessoas?

Acho que o segredo é aceitar as diferenças, e aceitar essas ações e/ou reações. E colocarmos-nos à disposição para o que for preciso. Porque, humanos, somos falíveis. Mais falíveis que qualquer outra coisa. Mas, humanos ainda, o dom de julgar somente a nós pertence. E o de perdoar, como ação consciente, como resultado de uma escolha, também é dom puramente humano.

Assim, às escolhas erradas (segundo nosso pobre julgamento), pode se seguir uma ação voluntária de perdoar. E, mais ainda, uma ação de corrigir. E, suprema, a ação de ajudar. E, divina a ação de aceitar a ajuda. No fundo, a natureza humana não pode ser descrita.
Ela tem uma base, é verdade. Mas o dom de ultrapassar limites pertence aos seres humanos. A nós.

Gostaria de ter um amigo, que fosse, que tivesse comigo esse tipo de convivência, Infelizmente, vivemos num casulo auto-trancado. E permitirmos, quando permitimos, que somente algumas pessoas tenham acesso.

Mas a natureza humana precisa de feedback. E o feedback precisa de uma porta aberta. E essa porta só é aberta com confiança, muita confiança. Que é artigo raro hoje em dia.

Um poema

Um poema de Kipling que é dos meus favoritos.


IF

Rudyard Kipling's

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream-and not make dreams your master;
If you can think-and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings-nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And-which is more-you'll be a Man, my son!


Aqui, a tradução:

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Impostos, dólar, concorrência, empregos...

O setor calçadista gaúcho demitiu, no primeiro trimestre deste ano, aproximadamente 4.000 funcionários. Admitindo-se três pessoas por família, em média (pai, mãe, um filho), são 12.000 pessoas atingidas por esta crise. O culpado pela crise, lê-se amiúde, é o dólar, com valor baixo.

Parece-me uma avaliação reducionista, monista até. Dizer que o dólar é culpado é o mesmo que o médico, ao dar uma causa-mortis, dizer que o paciente morreu porque o coração parou de bater...

O dólar é um dos componentes dessa cadeia. Para citar uma mais grave: a carga de impostos. O Brasil é um dos campeões mundiais de impostos. Ele oneram a cadeia produtiva em todos os seus pontos. Fazem com que o custo da fabricação e comercialização subam às alturas. E a culpa é do dólar...

Essas 12.000 pessoas, apesar dessa crise pessoal, não vão deixar de pagar seus impostos. Ao comprar o pão, a carne, o leito, parte (boa parte, diga-se) é de impostos. A máquina arrecadadora brasileira é cruel. Já a máquina gastadora...
Nosso imposto vai para os bolsos dos mensaleiros, dos marqueteiros, dos bancos... O Lula viaja de avião novo, a presidência gasta em cartões de crédito corporativos e se acha no direito de não dizer como gastou... O governo faz propaganda de vento, de realizações imaginadas e nunca concretizadas... Funcionários do governo (maiores clientes de companhias aéreas e hotéis) viajam para cima e para baixo, sem resultados concretos para brasileiros...

Precisamos de um governo comprometido com o povo e suas necessidades, e não de um governo ególatra. Um presidente que enfrente a crise, em vez de negá-la com soberba. Que olhe para seu umbigo e cuide dos problemas nacionais.

Sou solidários aos empregados demitidos. Tomara que eles (e todos nós) votem com consciência no próximo presidente.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Escolhas

Stephen Covey descreve, em Os Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficientes, o processo da ação e reação, e destaca que, entre o momento ação e o da reação, há um tempo, um intervalo mínimo que seja, mas suficiente para que tomemos uma decisão. E ela pode ser puramente emocional ou puramente racional, ou algo situado entre essas duas pontas.

O processo não é instantâneo. Precisamos, sempre, conhecer nossas próprias tendências, e aprender com as situações vividas. O arrependimento em relação a uma má escolha pode decidir nossas próximas, e fazer com que modulemos nosso comportamento aos que realmente desejamos ser.

Este processo é tão rico que, por si, seria capaz de mudar radicalmente os comportamentos. Se nos avaliássemos a cada ação, a cada reação, nosso conhecimento de nós mesmos e nossos objetivos de vida seriam suficientes para nos redirecionar ao rumo de nossas metas comportamentais.

Cabe aqui fazer uma ressalva, feita veementemente por Covey, de que essas "adequações de comportamento" sejam verdadeiras em relação aos nossos valores. Se forem tratamento cosmético, mudando somente a superfície de nosso ser, ela não vale. Talvez ajude num ou noutro momento, mas seu valor é quase nulo.

Falamos daqueles comportamentos que sabemos errados. Aquelas reações viciadas no relacionamento entre marido e mulher, por exemplo, tão pequenos mas capazes de deflagrar uma grande guerra conjugal. Na verdade, nessas horas é a história que assume o comando. A história de quem somos e do que fizemos falam muito alto, e algumas vezes a reação da outra pessoa se baseia nisto.
Mas como mudar esse tipo de tendência?
Trabalho, muito trabalho. Autoconhecimento é fundamental. Depois, a consciência do comportamento. Covey nos propõe uma experiência extra-corpórea. Imagine-se fora do seu corpo, assistindo às suas interações com outras pessoas, nas mais diversas situações. Isso nos permite conhecer e avaliar o padrão dessas interações.
Uma interação que seja comum e indesejada pode nos gerar a necessidade de mudança. Aí começa a transformação.

Primeiro, creio eu, há uma frustração em detectar um comportamento indesejado. Sentimento de culpa e incapacidade de mudar. Em seguida, a decisão: vou mudar. A partir daí, algumas frustrações mescladas com vitórias. Ou seja, algumas vezes conseguirmos, outras vezes perdemos. Mas aí a vitória começa a se consolidar: conseguimos na maior parte das vezes. Até que sobrepujamos aquele comportamento indesejado. Nesse ponto, não é que estejamos controlando puramente nossas emoções mais primárias. Mas mudamos a forma de ver o fato gerador. Nossa compreensão da ação-reação muda, e por isto muda nossa resposta. E é a fonte da mudança.

Algumas vezes as pessoas mudam para não mudar. Citei, algures, o exemplo do fumante. Premido por familiares e amigos, ele deixa de fumar. Internamente, entretanto, ele quer provar que não consegue. Quando finalmente desiste, a frase clássica: "Eu disse que eu não conseguiria". Vitória? Nunca. Mas derrota, também não. Porque ele entrou no jogo de provar exatamente que não conseguia. Ou seja, uma mudança indesejada.
O que estou falando aqui é daquelas coisas que realmente queremos mudar. Para que isto aconteça, fundamental que tomemos a decisão de mudar.

Vou citar novamente o exempo da Gabriele Andersen, famosa naquela prova da maratona das Olimpíadas de 1984. A decisão dela foi cruzar a linha de chegada. E o fez, semiconsciente, mas fez. Tomou uma decisão, e nada a tirou dessa rumo.

Mudar, uma necessidade. Decidir mudar, o segredo da mudança.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Brasilidades

Lula teve muito tempo para tratar a crise dos aeroportos. Não se movimentou. Nem o Pires.
Agora, o caos está instalado, e estamos nas mãos dos controladores. estes, perderam a mão. Reconheço a justeza de algumas reivindicações, mas não posso concordar com a violência imposta aos passageiros. Controladores, vítimas de descaso e incompetência, causaram outras vítimas, milhares, por uma violência injustificada.

Sangue
Notícias boas. Cientistas inventaram um processo em que o sangue é transformado em tipo O. Na prática, quer dizer que qualquer sangue pode ser doado a qualquer pessoa (ressalvado aqui o fato de ser RH positivo ou negativo).
mas é uma evolução importante, que ajudará os bancos de sangue, que hoje vivem atrás de doadores "tipados", ou seja, de acordo com o tipo para ministrar aos necessitados.
Volto a insistir: imaginemos o dinheiro do Pan, por exemplo, investido em pesquisas médicas no Brasil. Há gente séria nesse negócio. Seríamos um país de vanguarda dada a inventividade do brasileiro.
Em vez, nosso dinheiro vai para o governo anunciar o PAC (quase 8 milhões de reais em custos de propaganda) e para anunciar o novo passaporte (veja hoje Eliane Cantanhede na Folha de SP).

É isto. O ego do governo é mais importante que a saúde, a educação, a segurança...

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Ajutórios

Estava numa calçada, aguardando minha filha, quando fui abordado por uma senhora. Chorosa, disse ter sido assaltada havia pouco, perto de um determinado local. Pedia R$ 5,00 para ir embora (outra cidade).

Lembrei de uma ocasião em que um senhor, cabelos brancos, andar cansado, fala mansa, me abordou e pediu uma ajuda para ir embora (também outra cidade). Ele acabava de sair de uma visita na cadeia, e deixou tudo o que tinha para o filho, que estava preso.
Ajudei. Dei a ele o valor referente a várias passagens de ônibus.
Despediu-se emocionado. Agradeceu longamente. Achei que tinha feito uma coisa boa. E aquele senhor, que viera somente para ver o filho, foi embora. Somente da li a um mês voltaria, disse.
Mentira. No dia seguinte, lá estava ele. E no outro, E no outro. Ele trabalhava na região Filho, acho que nem tinha. Achou um otário (eu) e aplicou nele um golpe.
Ok.

Voltando à senhora necessitada, pensei no quâo longe estávamos do local do roubo. E que, para voltar para a cidade dela, não era preciso passar por ali. Senti cheiro de mentira. Leve, é verdade. mas o suficiente para eu não dar nada.
De coração na mão, neguei. E a acompanhei com o olhar, andando sem rumo, parando numa loja. Ali, ajudaram-na.
Fiz mal? ainda não sei. Para evitar ser de novo um otário, acho que às vezes somos insensíveis. O que é pior?