terça-feira, 6 de março de 2007

Visionários e Acomodados

Um dia, John F. Kennedy lançou um desafio:

"I believe this nation should commit itself to archieving the goal, before this decade and out, of landing the man on the moon and returning safely to Earth."
"Eu acredito que a nação deva se comprometer para alcançar o objetivo, desta década e das que virão, de aterrisar o homem na lua e voltar seguro para a Terra."

Em outro discurso na Universidade Rice suas palavras foram: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard ("Nós decidimos ir a Lua. Nós decidimos ir a Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis").
(Fonte: Wikipedia, aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/John_F._Kennedy#Desafio_da_conquista_da_Lua).



Em 20 de julho de 1969, o homem chegava à lua. Homem, aqui, é uma generalização, pois foi um americano quem pisou no solo lunar pela primeira vez, no projeto que respondeu ao desafio de Kennedy, o Projeto Apolo.

No Brasil, Juscelino Kubitscheck abraçou o desafio lançado em 1891 e construiu Brasília em tempo recorde, numa das obras mais grandiosas deste país.

Em outro mundo (o americano) Bill Gates foi saudado como aquele que acertava todas as tendências, e as respondia com seus produtos revolucionários. Seu windows virou padrão de mercado, e seus produtos do Office se tornaram sinônimos das funcionalidades neles contidas.
O que parte do mundo, reservadamente diz, é que Bill Gates, ao contrário de acertar o alvo com suas flechas, tem uma estratégia interessante: ele as atira, e os funcionários de suas empresas correm para pôr os alvos no local aonde elas vão. Assim, em vez de acertar as tendências, ele as cria.

No Brasil, discussões sem tamanho sobre criminalidade, crescimento, previdência, emprego, impostos, etc, etc. Falta aos representantes brasileiros essa característica de grandes, que é a visão de futuro. Mais que ter a visão, é preciso ser um visionário.

No mundo de Keneddy, os americanos abraçaram com ardor seu desafio. Resultado? O pequeno passo do homem...
Juscelino fez uma obra grandiosa, ninguém discute. Não fosse grandiosa somente pelo tamanho, ainda é assinada por dois gênios de sua época.

Em nosso mundo, festejamos remendos no buraco da estrada, suficientes somente para que caminhões e carros circulem por um tempo (pouco) sem avarias exageradas. E, ao final desse tempo, o que importa, mesmo? A eleição já passou.

Vivemos em um país com uma das maiores cargas tributárias do planeta. Apesar disto, as filas dos hospitais ainda são vexaminosas, criminosas, até. Enquanto isto, deputados empregam parentes e elaboram suas articulações, em nome da manutenção do poder. Inocentes morrem baleados por balas perdidas (em São Paulo, esta é a novidade), idosas morrem vítimas do golpe do seqüestro (não é novidade. Cumpriu sua obrigação, pagou sem imposto de renda? e as operadoras de celular que ficaram de bloquear sinal nos presídios?), e muitas, muitas outras iniqüidades.

Precisamos de um visionário, que acredite num sonho, e que o transforme em realidade. E que enfrente a resistência de muitos, mas atire a flecha naquele alvo que precisamos. E que esse visionário ponha data nessa meta, como há de ser com as metas. E que nós todos, sem exceção, acreditemos nessa utopia possível (contradição em termos?), e façamos, todos, nossa parte, pequena ou grande, importante ou desimportante, mas parte.

Esse visionário, temo, ainda não apareceu. Houve um, que queria matar um tigre, com uma bala, mas virou um senador romano (em roma, obesidade era sinal de status, porque oriundo da opulência). Aliás, derrubado, e esta foi a última vez que vi nosso povo unido em torno de uma meta (não futebolistíca). Povo nas ruas, roupas pretas, ou simples tarjas, cara-pintadas, manifestações...

Precisamos, urgentemente, de esperança. Daquela esperança do hexa, que movimenta o país todo. Ou daquela torcida, do já quase desacreditado Galvão (falta vitória, e falta título), pelo Rubinho e pelo Massa.

Enfim, que possamos (e queiramos) nos envolver com sonhos e metas que façam diferença no futuro de nossos filhos, e não nos BBB da vida. O paredão dá muito Ibope, ao contrário da discussão sobre a maioridade penal, impostos, reforma política.

Acho que, na verdade, falta que cada um de nós seja esse visionário. E que acreditemos, cada um, que aquilo de que necessitamos é possível, tangível, viável. E que, nessa possibilidade, há vantagem na batalha.

Nossos sonhos agradecem.

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