domingo, 11 de março de 2007

A toda velocidade

Vindo de uma viagem ao interior do estado de São Paulo, num determinado trecho da estrada iniciou-se uma chuva grossa, num ponto de várias obras em seqüência. Velocidade reduzida pela chuva e pelas obras, as subidas já causavam filas enormes..

Numa dessas, havia um caminhão logo à minha frente. Impaciente, o motorista jogava o caminhão de lá para cá, na tentativa de ver se vinha carro na direção contrária, para ultrapassar. Finalmente, ainda na subida e com faixa dupla (ultrapassagem proibida), ele fez a manobra e foi passando a fila. Muitos caminhões, não havia espaço para ele voltar sem bater. E, regido por Murphy, o destino colocou dois veículos na direção contrária: uma moto e um carro de passeio. Ambos tiveram de desviar para o acostamento para evitar a batida. O caminhão-assassino, sem a menor perturbação, continuou sem caminho.

Por questões de trânsito e pelas características da estrada, fiquei por muito tempo atrás desse caminhão. E, pelo menos em quatro outras oportunidades, ele voltou a ameaçar outros veículos. Todos tiveram de reduzir ou desviar para o acostamento para fugir à tragédia. E todas as ultrapassagens em local proibido.

Bobo não era o motorista. Nos pontos de radar, diminuía a velocidade até a permitida. Somente nessas ocasiões é que eu o alcançava, pois ele ia muito rápido. Depois dos radares, tome acelerador!

Era um caminhão de combustível, ao que parecia. Estava vazio, pois as rodas de carga estavam sem contato com o solo. Tinha velocidade nas descidas e nas subidas, o que só comprovava que ele estava vazio.

Perdi contato com ele na Rodovia Anhangüera, onde ele ainda desenvolvia uma velocidade muito grande. Felizmente, meu temor não se concretizou. Achei que ele iria acabar matando alguém.

De madrugada, na ida dessa viagem, na mesma Anhangüera, um caminhão estava tombado no canteiro central. Todos os dias, praticamente, é possível encontrar um caminhão acidentado na Bandeirantes e na Anhangüera. Quem anda ali todo dia sabe que o limite de 90 km/h (para caminhões) é uma ficção barata. Experimente andar na frente de um caminhão, mesmo na pista central, a 100 km/h. Vai ser ofendido, deve sofrer uma pressão do caminhão (farol alto, carro muito próximo do seu, gestos, muitos gestos)...

Claro que a velocidade de 120km/h para os carros também é desrespeitada. Mas numa escala muito menor que a dos caminhões. E é claro que há uma dificuldade muito maior de se controlar um caminhão que um carro de passeio. O caminhão, a 120 ou 130km/h, como estava este, se transforma num míssel.

E ainda há quem se surpreenda com os acidentes que matam nestas estradas.

Espero que esse motorista perca seu emprego e vá trabalhar com outra coisa qualquer. Qualquer! Mas que não arrisque a vida de mais ninguém.

Em tempo: o caminhão não tinha um logotipo de empresa. Anotei as placas, mas não sei a que bispo reclamar. E acho que nem adiantaria...

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