quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre a obediência

Sobre o texto da obediência (http://renatookano.blogspot.com/2007/02/obedincia-e-conscincia.html), cheguei a ele por causa de umas discussões sobre o julgamento de Nuremberg, onde os soldados alemães, em sua grande maioria, se esquivavam das acusações alegando que "cumpriam ordens". Da forma militar, não se discute ordem. Compre-se, e só.

Sempre me impressionou essa faceta da guerra. Primeiro, a população que, se consultada, poderia realmente dar o aval ao Holocausto. Depois, os soldados, que cumpriam ordens (ou diretrizes, já que nem sempre existiu uma ordem direta), sem demonstrar abalos emocionais (maioria). As ações bárbaras não eram assim consideradas, mas ações normais cotidianas.

Não estamos mais naquela guerra, senão em outra. Nossa guerra é mais sutil, e envolve a todos os habitantes do planeta. Mas, infelizmente, igualmente, a grande maioria se acostuma a cumprir ordens ou diretrizes. Da mesma família que da Guerra, alguém contou quantas vozes, dentro da Inglaterra, se ergueu contra a morte do Jean Charles? Foi uma minoria. Alguém contou, nos Estados Unidos, quem se manifestou contra as novas medidas para conter a entrada de estrangeiros? Outra minoria. Em ambos os casos, a grande maioria apoiou, pela ação ou omissão, as iniciativas. Ou seja, acham que esse tipo de iniciativa é em favor deles, portanto, merecedora de apoio. A pequena minoria que se posicionou contrária, temo que suas motivações não sejam mais nobres. Penso que foram fundamentadas no medo de que algo semelhante poderia acontecer com eles.

E, no Brasil, tantos e tantos desmandos, crimes, patifarias acontecem, sem provas e sem testemunhas. Pelo menos, testemunhas que apareçam para contar o que sabem. A história recente nos traz Eriberto França, aquele motorista que contestou versões oficiais e deu subsídios importantes para a derrubada de Fernando Collor (sobre os depósitos de PC Farias). Já Sandra Fernandes de Oliveira trouxe a verdade sobre a operação Uruguai, desmontando uma versão mambembe sobre a origem do dinheiro do mesmo Fernando Collor.

Recentemente, a versão do caseiro Francenildo dos Santos Costa sobre a freqüência do Ministro Pallocci naquela mansão em Brasília, foi outra corajosa ação de cidadão que cumpre seus deveres.

Mas o ponto aqui é? e os outros? Ninguém mais viu nada? Ninguém ouviu nada? Esses conchavos todos que acontecerem não tiveram testemunhas?
Duvido.
Mas não há movimentos de heróis. Há somente as omissões de praxe. Talvez não resultem de ordens diretas, mas da certeza de que sempre foi assim. Ou, por outro lado, o sentimento de que nem é bom se envolver. E, neste último, a certeza de que tanta gente sabe, mas ninguém faz nada...
É isto. Nossa omissão tem companhia, muita companhia.

Perdemos nossa instituição batalhadora, aquela que por nós, e em nosso nome, denunciava, cobrava, duvidava, discutia... Aquela instituição que nunca se satisfez com palavras, e sempre buscava a perfeição nas denúncias. Não perdoava clipe desviado, e não perdoava mordomia à custa do governo.

Será que o PT está cumprindo ordens?

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