segunda-feira, 19 de março de 2007

Necessidades e o ser humano

De acordo com Abraham Maslow, o homem procurar satisfazer suas necessidades segundo uma teoria que as hierarquiza, daí o nome de Teoria da Hierarquia das Necessidades.
Como Abaixo:

Fonte da imagem: Wikipedia, neste verbete: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow

Segundo todas as definições que conheço, o homem não se agrupa para tratar de problemas comuns a todos, em idéia de grupo. A própria hierarquia prevê somente necessidades individuais.

Com essa onde de ecologia, encampada inclusive pela poderosa Honda, no seu novo aproach na fórmula 1, o homem deve fazer alguma coisa para salvar o planeta Terra. Muito e muito tem se falado a respeito disto, e um dos lugares-comuns é que o "povo" precisa se conscientizar da importância do assunto.

Fui buscar em Maslow e sua pirâmide uma explicação de porque as coisas não vão acontecer dessa forma.

O homem procura satisfazer suas necessidades, isto já está estabelecido. Enquanto alguns já "venceram", outros ainda estão na luta. Imagino, então, que alguém que está na base da pirâmide (necessidades fisiológicas e necessidades de segurança) não se preocupará tão cedo com o destino da Terra, já que o mais emergente é o seu próprio destino. Por outro lado, aqueles que estão no topo da pirâmide (auto estima e realização) têm (pelo menos penso que sim) a idéia de que sua batalha para chegar lá foi dura. Porque, então, envolver em problemas coletivos, se sua preocupação maior é, nessa fase, com seu ego? Ou estou enganado? Ao meu ver, auto-estima e auto-realização tem a ver com o indivíduo em si mesmo, sem considerar outras pessoas que não o relacionem com esses dois componentes.

Acho que é por isto que são tantos Pilatos neste Terra ainda. Todos preocupados com seu próprio umbigo, e nem poderia ser diferente, não se sentem, ainda na necessidade de olhar o futuro de seus filhos. Mais do que isto, uma imensa maioria acha que o futuro dos filhos só se relaciona com dinheiro, o poder econômico acima de tudo.

As entidades que se preocupam com o assunto têm seguidores com uma abordagem um tanto exagerada. O Greenpeace, por exemplo, muitas vezes exagera na dosagem dos protestos. Talvez, se não fosse isto, não seriam ouvidos. Mas a pergunta é: está sendo efetivo seu protesto?
E, mesmo para o Greenpeace, não existiriam necessidades mais urgentes, ou tanto quanto protestar contra a construção de usinas nucleares, por exemplo?
Cito um exemplo do que considero ser não mais urgente, mas emergencial: o controle demográfico. Com essa explosão, desde o século XX, a Terra está prestes a se tornar um formigueiro, sob o significado negativo da comparação. Com crescimento em progressão geométrica, o bem estar adquirido pelos povos pode vir a ser uma das origens do problema. Porque enquanto a população ainda tinha de enfrentar algumas pestes naturais, a natureza exercia uma espécie de regulação nesse ponto. Depois da penicilina, da diminuição da mortalidade infantil, do aumento da expectativa de vida, e do incrível crescimento da medicina preventiva e curativa, o ser humano subverteu essa lógica. Não, não estou reclamando. Espero ainda chegar aos cento e cinqüenta anos (falta pouco). Mas a lógica aí está: o homem vive mais, trata melhor suas doenças e suas crianças, e previne mais e melhor suas doenças.

O resultado, natural e alarmante, é o crescimento incontrolável da população, e a conseqüente ocupação das áreas suburbanas. Os problemas decorrentes são inúmeros. Para início de conversa, as cidades não estão preparadas para acomodar tanta gente. Então, é norma não existir infraestrutura nenhuma (água, energia, esgoto), e mesmo transportes para as expansões.
Mais grave ainda, essas áreas deixam de ser áreas cultiváveis, pela ocupação. E, com a população crescendo, teríamos de ter mais área para produção de alimentos. Um círculo vicioso.

Mas, para crescimento demográfico, quem é que está atento?

Voltando a Maslow: o ser humano trata de si somente, individualmente. Dificilmente o ser humano médio voltará sua ação para esses problemas que, acredita, estão fora do seu círculo de influência (conforme de definição de Stephen Covey, nos Sete Hábitos de Pessoa Muito Eficientes [ou Eficazes, a depender da edição], que é tudo aquilo que podemos influenciar com nossa ação). Note que eu disse que o ser humano médio acredita que o assunto esteja fora desse círculo, não que realmente esteja. E se estivesse? Outras necessidades acabariam tomando conta das preocupações imediatas.

Maslow sempre me vem à cabeça quando deparo com quem sempre prioriza suas próprias coisas. Claro, esta é a normalidade. Mas que não seja sempre assim.

E também é claro que Maslow descreve uma situação comum. Algumas pessoas têm as necessidades invertidas. Você conhece alguém que se preocupa antes com realização pessoal do que com a própria segurança?

E, nessa Babel de necessidades, onde estou eu? Onde está você? Onde está seu vizinho?
Cada um está numa posição. E se cada um está numa zona de luta diferente, como fazer com que enxerguem uma necessidade coletiva? Mais: como fazer com que essa necessidade se sobreponha às próprias necessidades individuais? É coerente esperar que aqueles que mal têm onde dormir e o que comer se mobilizem em função de problemas tão distantes da sua barriga como o aquecimento global?

Talvez precisemos de um Gandhi. Alguém que tenha a capacidade de aglutinar o pensamento de multidões em torno de uma necessidade comum. Ou talvez só precisemos mesmo é de juízo. E o juízo é que pode promover uma verdadeira equalização nas condições de vida na Terra. E, uma vez satisfeitas verdadeiramente as necessidades básicas, talvez possamos de fato subverter a Pirâmide de Maslow.

Assim espero.

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