terça-feira, 13 de março de 2007

Família, família...

Falei estes dias de minha filha, e sempre e sempre temos momentos excelentes. De tão bons, estou ficando mal acostumado.

Mas não devia.

Tenho um irmão e uma irmã. Ambos casados, ele com um casal de filhos, ela com três filhas. Meu pai já é falecido, e ainda temos, firme e forte, nossa mãe. É uma família daquelas forjadas nas necessidades do brasileiro: o pai trabalhava, a mãe trabalhava. Em casa, a irmã era quem cuidava de nós, os meninos. E ainda havia uma pequena parte em que podíamos ajudar, reclamando muito, mas ajudávamos (quando a irmã não fazia, sozinha). Então, fomos criados pela irmã, pela mãe e pelo pai.

Nossa educação foi rígida. "Por favor", "obrigado", "com licença"... Obrigatório. Não interromper os outros, respeitar os mais velhos, "senhor", "senhora". Líamos, todos. desde muito cedo. Havia uma estante com vários e vários livros, dos quais eu li vários, mesmo sem saber o que eles queriam dizer. Mágica em Garrafas, Obras Primas do Conto Universal, A República de Sócrates, a República de Fédon... E, claro, aquelas coleções infantis, cujo nome já nem me lembro mais...

Crianças, brigávamos como se crianças fôssemos. E eu ainda mais, terrível que era (sou?). Hoje, adultos, cada qual com sua família, há muito que não sabemos o que é brigar.
Desentendimentos? Acho que há, mas raríssimos. Não posso dizer que me lembre de um, mas, concedo, deve haver.

Mas o que há, de verdade, concreto e belo, é um entendimento, tácito ou explícito, entre todos. Irmãos de verdade, primeiro pela biologia, agora por opção, e aqui incluo nossa mãe. O mau momento de um é o mau momento de todos, e o bom momento de um é champagne para os demais. E, de família, todos os sobrinhos. Todos tem suas vidas, mas todos afluem, em momento ou outro, de forma que nossas vidas ao menos se tangenciem, trazendo-nos de volta ao amor familiar.

A mãe, hoje aposentada, de um coração sem tamanho, chega a ser perigosa sua disposição de ajudar. Melhor esse perigo do que outros de que a vida já está farta. Uma heroína, às vezes passa por dificuldades que nem suas são...

O fato é que minha família é uma como poucas. Um todo, com partes desiguais e disformes, mas com coesão, esta sim, uniforme no sentimento e na força. Esta é a força de minha família, e posso dizer, sem clichê e sem pieguice, que, sem ela, a barra seria muito mais pesada, e a vitória já não seria certa.

E, se certa a vitória, não seria justo deixar de mencionar os irmãos postiços, os cônjuges dos irmãos, os cunhados, que tão rapidamente se simbiotizaram em nosso modo caótico e feliz de sere que colaboram sempre e muito para essas vitórias.

Assim, nomeando: Ruth, a irmã. Paulo, o cunhado. Camilla, Bruna e Fabi, as sobrinhas, com o Quincas, que é o último nascido (um Beagle).
Mais: Tuca (Reinaldo), o irmão. Andréa, a cunhada. Bia e Rafa, os sobrinhos judocas. Japinhas...
A mãe, a Dona Cora. O pai, Katumi Okano, ausente fisicamente, para sempre em nosso coração e atitudes.
E a Raquel, minha filha, que mais parece uma irmã.

Família, esteio da sociedade. Esta, esteio de minha vida.

Sem pieguice???

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