quarta-feira, 21 de março de 2007

Alô, Alô, Marciano

Notícias do dia no Brasil:

A CPI do Apagão Aéreo sofreu derrota na CCJ.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90473.shtml.
O governo não quer a instalação da CPI, que se propõe a descobrir o que anda errado na área.

Fernando Rodrigues, Na Folha de São Paulo, relata a facilidade do candidato a ministro da agricultura, Valdir Colatto, do PMDB de Santa Catarina, em retirar seu nome do site da receita federal. Estava lá como um dos que não têm certidão negativa de débitos, e, no dia que interessava, seu nome sumiu. Coincidência do país onde o extrato do caseiro não tem sigilo algum. Justo a receita, já precisou resolver algum problema lá?

Ontem (20/03) os jornais denunciaram negociatas (lembre-se do Barão de Itararé: Negociata é um bom negócio para o qual você não foi chamado...) visando aumentar a verba dos gabinetes dos deputados. Como se fosse pouco o que eles ganham a título de verbas de gabinete...

Em meio a tanto desprezo pela cidadão, José Simão, o Macaco Simão: "ministério: você ainda vai ter um".

Parece que a vocação dos deputados é mesmo o interesse próprio e estamental. Desse estamento que só se mobiliza para ter cargos e favores, e o faz pagando com apoio e favores. O que interessa à sociedade é mero detalhe.
O caos aéreo ainda não te pegou? É questão de tempo. As viagens levam e trazem executivos e trabalhadores que ainda fazem parte de uma grande teia de negócios. Contratos são burilados e fechados nessas viagens, e movimentam a cadeia de produção. No mundo real, é assim. No mundo do governo, o ministro (não qualquer um, mas o da defesa, o responsável pelos aeroportos), depois de um atraso de duas horas, disse que era um atrasinho. Talvez na área governamental, onde urgência não existe se não houver interesse pessoal envolvido. No mundo real, um atrasinho, qualquer que seja, pode definir um contrato em favor do concorrente.

Mas digamos que o apagão aéreo ainda não o aborreceu. Aborrecê-lo-á quando ficar claro que os problemas dos brasileiros, qualquer problema, não tem o tratamento que devia por parte dos deputados. Por isto a CPI não será instaurada (ainda cabe julgamento do STF. Torço para que seja a favor da CPI).
Um exemplo de problema: os buracos das estradas. Qual é a verba para isto e como estão sendo aplicadas? E estão sendo aplicadas? Os buracos nas estrados tiram vidas, e pode ser a nossa, ou de pessoas caras a nós.

Outro: saúde. Você tem Plano de Saúde? Ok, então você paga pelo seu atendimento médico. Quanto é mesmo? Não é pouco, tenho certeza. Mas o dinheiro da saúde, aquela que a constituição diz ser direito do cidadão e obrigação do governo, onde está mesmo esse dinheiro? Talvez pagando o salário dos heróis de Lula.

Quer mais do mesmo? A CPMF, que é provisória, no país de Macunaíma é permanente. Era para ser aplicada na saúde. Onde está esse dinheiro? Pouca saúde e muito político, os males do Brasil são.

Quando a Constituição foi promulgada (lá em 1988), ninguém percebeu que amarramos o cachorro com a lingüiça. Que deixamos a raposa tomando conta do galinheiro (clichês, mas verdades). Pois os deputados podem legislar em causa própria e só fazem isto. Que governo é uma procuração que assinamos em branco, sem responsabilidades e sem contrapartidas. Assim, só se pensa em reeleição, cargos, favores, verbas... Problemas do Brasil? Sem pressa...

Só posso me lembrar mesmo da Elis Regina. A crise tá virando zona...

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