sábado, 31 de março de 2007

Challenger

Impressionante!



Imagens de quando a Challenger explodiu.

Eu estava vendo a CNN, e, apesar de estar vendo a cena, parte do meu cérebro queria deixar de acreditar. Longos segundos se passaram até que eu conseguisse falar alguma coisa. Justo eu, que brigo com o Galvão Bueno on-line, durante trasmissões.

Eu estava interessado na história daquela professora, Christa MacAulife, que integrava a tripulação,e acompanhava atentamente o lançamento. Aí, a explosão, pedaços pelo céu, etc.

Uma arruela de borracha, no frio daquele dia, causou a tragédia. Mas volto a insistir: por mais que seja apaixonante ver esse tipo de ação do ser humano, várias ações por tomar aqui na terra poderiam se aproximar com o dinheiro dessas missões.
Talvez seja um ranço retrógrado meu. Ou talvez seja a percepção de que pagamos, nós brasileiros, o passeio mais caro da história até hoje (10 milhões de dólares, fora gastos adicionais). Refiro-me ao astronauta brasileiro, que hoje dá palestras para aproveitar a fama.

Num e noutro casos: há resultado prático? As viagens ajudam a matar a fome, combater as desigualdades, diminuir a quantidade de miseráveis?

Já não posso questionar os americanos. Mas e o Brasil, nisto? Estradas esburacadas, pacientes morrendo em filas de hospitais, aeroportos em caos... Dez milhões ajudariam?

Aparentemente, a pergunta é inócua e a questão, irrelevante.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Brasilidades

CPI dos Aeroportos e o STF
Tem deputado dizendo que o STF violou a independência dos poderes ao decidir pela instauração da CPI do Caos Aéreo.
Não surpreende. Pois parece que alguns congressistas acham que suas ações estão acima da lei. Não estão. Nem está o Poder Executivo. Tudo que estes dois poderes fazem - Executivo e Legislativo - deve estar dentro da lei. Em não estando, quem determina o fato é o poder Judiciário.

Da mesma forma, o Congresso aprova leis que regem a ação dos integrantes do poder judiciário.
É uma grande bobagem essa definição de "independência" entre os poderes. Interdependência é mais adequada, pois as ações formam, como num diagrama de Venn, pontos coincidentes.

E é saudável que o Brasil tenha um poder que não se submeta ao(s) outro(s), como no caso. Aqui sim, cabe a palavra dependência, no sentido político do apadrinhamento.

Devemos comemorar que a decisão do STF se tenha dado por solicitação do próprio congresso. É em resposta, pois, de um congressista dissidente em relação àquela maioria, e que viu algo de ilegal acontecendo. O Poder Judiciário é para isto mesmo: resolver litígios.

Henry Sobel, quem diria.
É uma notícia internacional. Preso furtando gravatas. Se for verdadeira a acusação, que tristeza. Se não for, que tristeza.
Num caso, uma pessoa de alta responsabilidade, sempre em evidência, valendo-se de um crime por uns bens que deveriam não fazer parte de suas aspirações.
Noutro caso, que tristeza é a denúncia falsa de tão grave ato.
Espero que seja mentira, engano, ou algo que o valha.

quarta-feira, 28 de março de 2007

A estupidez do pai



Esta é uma cena que parece de filme, mas é a realidade.
O pai da nadadora Kateryna Zubkova, ucraniana, a agrediu após não obter a classificação no Mundial de Desportos Aquáticos.

Sempre pensei que os esportes significassem um elevação de sentimentos, um escape à rotina de competitividade dura do dia, aqui substituída por uma competitividade saudável, altruísta, de fair-play.Parece que nem todos pensam assim.

O importante é competir?

Quem se lembra da maratonista Gabrielle Andersen, nas Olimpíadas de 1984, que chegou ao final quase desmaiada, a duras penas, num esforço que ultrapassou em muito sua capacidade física. Ela não ganhou a prova, mas deu um belo exemplo (ao menos em relação a cumprir aquilo a que se dispôs).

Espero que esse pai passe a enxergar a vida com outros olhos.
A propósito: por que ele não compete?

Veja o vídeo:



Update em 20/05/2008: o vídeo que estava postado foi retirado do ar, eu o substituí pelo acima. Às vezes acontece...

O homem na lua e os homens na terra

Esta é a resposta ao desafio de Kennedy. Um líder carismático, que lançou um desafio abraçado pelas agências americanas. O povo gostou, pois mostrou a grandiosidade e a engenhosidade da nação.

E daí que o homem pisou na lua? Que conseqüências práticas isto trouxe para a população em geram?

Fico imaginando se Kennedy tivesse dito: " Até o final desta década teremos a cura do câncer". Verba, pesquisadores, apoios, tudo nesse sentido. Acho que a engenhosidade americana teria sido melhor aproveitada.
O Custo do projeto Apollo foi monstruoso. Muito suor e trabalho foram direcionados ao projeto. Imagine tudo isto em direção a um benefício concreto da população.

Foi um grande acontecimento. O homem ultrapassou os limites de seu mundo. Mas isto não o ajudou a melhorá-lo.

Não sou anti-americano nem contra o progresso. Mas sou contra a falta de prioridades. Ainda mais quando elas decorrem de líderes que, carismáticos, têm o poder de mobilizar uma nação inteira. Sua responsabilidade, mais que demonstração de força e poder, deveria ser com a qualidade de vida de cada cidadão.
A bandeira americana ainda jaz na lua. E daí?

terça-feira, 27 de março de 2007

Lula e a aprovação popular

Segundo o Datafolha, Lula está com recorde de aprovação popular: 48%, mais que Fernando Henrique em igual período de mandato.
Alguns analistas dizem que ele, quando se depara com números tão bons, escolhe não fazer nada mais, já que o povo está gostando.

Será que a presidência é isso? Resume-se ao gosto do povo, à aprovação do governante? Prioridades, problemas, urgências, nada mais existe?
E o projeto de poder de Lula resumia-se a "ser gostado"? Ser aprovado? Aqueles discursos grandiosos, mudanças, coragem, abnegação, era tudo oratória? Parece que sim. Triste povo brasileiro.
Lula tinha (acho que ainda tem tempo) tudo para ser um grande governante. Neste início de segundo mandato deu um nó na situação e na oposição. Mostrou que sua política, intuitiva ou não, pode ter sucesso.
Mas seu ego, maior, muito maior que sua capacidade administrativa, o deixará onde está. E a história deve reconduzi-lo ao seu lugar. O lugar de um presidente carismático, com grande apoio popular, e que desperdiçou oito anos do Brasil.

Pena. O Brasil continua sendo o país do futuro. Que não chega nunca...

segunda-feira, 26 de março de 2007

Máscaras - Republicação


Este é um texto que anda bastante pela internet.
Localizei-o em vários sites. Entretanto, pelos motivos que me levaram a criar este blog, eu o publicarei novamente. Porque ele tem história em minha vida.

Foi numa fase de um concurso de que participei. A concorrência estava acirrada, e os ânimos algo exaltados. O moral estava baixo. A crise era flagrante. E, num dia de aniversário de um grande amigo, o instrutor do curso, fizemos uma festa surpresa. E ele, com a sensibilidade que só a experiência confere, nos presenteou com este texto. Que, carapuça em todos, calou fundo.

Assim, cheio de significados, republico-o. Homenagem ao Kiko, amigo acima de qualquer coisa.

( Autor Desconhecido )

Não se deixe enganar por mim.
Não se engane com a máscara que uso,
mil máscaras que tenho medo de tirar e nenhuma delas sou eu.

Eu dou a impressão de que sou seguro,
de que está tudo bem
de que vivo em paz comigo,
de que estou sempre no comando de minha vida
e que não preciso de ninguém,
mas não acredite nisso, por favor.

A minha aparência é tranqüila,
mais é apenas aparência.
Meu eu real, está em confusão,
abandono e pânico, mais eu
oculto tudo isso, por que não quero
que vejam minha fraqueza.

Por isso eu criou máscaras, atrás das quais
me escondo do olhar que sabe.
Esse olhar é minha única salvação,
e eu sei disso.
É a única coisa que pode me libertar de
mim mesmo, dos muros da prisão que eu mesmo levantei,
das barreiras que tão dolorosamente construí.

Mas eu não digo nada disso a você.
Não ousaria. Tenho medo.
Tenho medo que seu olhar não seja
de amor e aceitação.
Tenho medo que você ria de mim,
me ache fraco, me rejeite, me despreze.

Então continuo a viver os meus jogos de fingimento,
com a fachada de segurança
ocultando a criança que treme.
Um desfile de máscaras, todas vazias.
Eu converso com você coisas
inúteis e superficiais.
Digo tudo que não tem importância e
calo o que arde dentro de mim.

Por favor, não se deixe enganar.
Escute atentamente e tente ouvir,
o que eu não digo, o que eu preciso,
mas não sou capaz de dizer.
Eu não gosto de me esconder, detesto
os jogos tolos e superficiais em que transformei minha vida,
queria ser eu mesmo, mas sinto que não consigo, sem a sua
ajuda.

Você precisa me ajudar.
Segure a minha mão
mesmo que essa seja a última que
eu aparente necessitar.
Cada vez que você me encoraja, que eu
sinto carinho e compreensão no seu olhar,
nos seus gestos, um par
de asas nasce no meu coração.

Asas pequenas e frágeis, nas asas.
Não vai ser fácil, com certeza.
A idéia de que só vou ser respeitado
se for duro e forte vem de muito tempo e criou muros altos, mas
o amor tem que ser
mais forte que os muros.
Me ampare, por que uma criança é muito sensível e eu sou uma
criança.

Me abrace, por favor, mesmo que isso te
embarace, por que eu sou uma pessoa
que você conhece muito bem:
sou todo homem, toda mulher, todo ser humano, que você
encontra ao longo da vida.

domingo, 25 de março de 2007

Domingo

A ação da polícia civil
Antes de mais nada, que bom é ver a polícia numa ação tão positiva. Em pouco tempo, sucesso amplo, e, mais importante, a ostensiva demonstração de força. Um recado claro aos bandidos, o de que a polícia trabalha.

Por outro lado, por que só agora? O que acontece que, nos demais dias, a coisa não funciona assim?
Claro, se foi possível agora, deve ser possível sempre. Onde está estocada essa força toda?
Espero que a coisa continue assim.


A resposta de Pedro Simon
Pedro Simon é um ícone da democracia. À chorumela de Collor, se fazendo de injustiçado, respondeu, na tribuna do senado, dizendo que o problema foi a corrupção.
Isto é democracia. Um, na tribuna, reclamou da vida. O outro, da mesma tribuna, colocou o dedo na ferida.
O povo de Alagoas escolheu Collor, quer gostemos ou não. Ao povo de Alagoas, nosso respeito. A Collor, só temos de agradecer a Pedro Simon, por ser o porta-voz, polido e elegante, de nossa indignação.

Aeroportos
As notícias da Veja desta semana são preocupantes. Controladores de vôo estariam planejando dificuldades para o Pan.
Concordo com grande parte das afirmações dos controladores. O equipamento deve mesmo estar defasado. As condições devem mesmo ser péssimas. As relações de trabalho devem ser as piores possíveis. O recado já está dado. Agora, o que o povo que viaja ter a ver com isto? Está beirando o banditismo essa opressão. A ditadura técnica imposta por essa categoria (em sendo verdade as percepções) é inaceitável.
Falta um pouco de planejamento e criatividade. Com tanta técnica como novidade no mercado de spy, o que eles precisam fazer é mostrar os problemas. Mostrar, comprovar, denunciar com base em evidências. Fazer aliados, em vez de enfrentar o mundo. Toda simpatia que eu podia ter em relação aos problemas se esvai frente a essa força desnecessária.

Romário
O jogador Romário impôs a si mesmo uma meta: fazer mil gols na carreira. Acho exemplar que ele, impermeável às críticas, busque atingir essa meta. Enquanto a meta de Pelé foi parar no auge, vemos tantos que param por falta de oportunidades, falta de motivação, etc, etc. Romário tem uma motivação forte: um objetivo, uma meta. É um exemplo, repito.
Ademais, a aparição desapaixonada em termos de promoção pessoal, mas apaixonada pela causa em favor dos portadores da Síndrome de Down, o coloca no patamar daquelas pessoas que fazem as coisas porque nelas acredita. O "baixinho" vai encerrar a carreira de maneira honrosa. Excelente desportista, excelente exemplo.

Roger Waters
Saudade é bom, né? Fãs do Pink Floyd agradecem.

sábado, 24 de março de 2007

Notícias do Brasil

Aumentos
Deputados aumentaram os próprios salários, mais os do presidente e ministros. E ainda estabelecem um limite de aproximadamente R$ 5.000,00 para despesas sem comprovação. A matéria ainda vai a plenário, para votação final.

Empregos
A Governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que é do PT, nomeou como assessoras a sua cabeleireira e sua esteticista. Salários de R$ 1.500,00 e R$ 1.000,00, respectivamente. Como a mídia fez barulho, ela reverteu as nomeações.

Petrobrás
Há uma relação de 26 suspeitos de se beneficiarem com notícias privilegiadas sobre a compra da Ipiranga pela Petrobrás. Notícias vazadas deram chance deles operarem com ações da empresa antes do anúncio, garantindo ganhos enormes.

Lula e Collor
A mídia gritou que Lula recebeu Collor no Alvorada. Lembraram do movimento pelo impeachment, etc.

Os casos do PT do Pará, dos aumentos dos deputados e afins e da Petrobrás só confirmam que o Brasil se move pelos amigos. Critério, só o da amizade e do interesse. Aqueles que antes nos defendiam se tranformaram em Chapolins Colorados. E agora, quem irá nos proteger?

Quando à recepção de Collor e sua bancada, acho que a democracia exige isto. O ex-presidente foi punido com suspensão de direitos políticos, o prazo expirou, agora volta a exercê-los. Mais: foi eleito pelo povo, para representá-lo no senado. Como senador, não deveria ser recebido pelo presidente?
Democracia, respeitamos a maioria, quer gostemos ou não. Lula fez sua parte. Prefiro vê-lo sendo civilizado com um ex-desafeto a vê-lo como um destemperado, que não cabe no perfil de presidente.
Ademais, a punição de Collor foi cumprida. Nossa noção de justiça não admite isto, mas o "crime" está pago. Aqueles que querem uma punição eterna deveriam se movimentar pela aprovação de lei nesses termos. Caso contrário, este é o estado de direito de que necessitamos. Mais do que isto, é uma ditadura.

Por falar em ditadura, a SUSEP, órgão responsável pelo ramos de seguros no Brasil, aprovou normas que, segundo o mercado, beneficiarão os maiores bancos dessa área. O mercado reclama da imposição dos regulamentos, sem conversas com os interessados. E reclamam do prazo dado, inexeqüível, na sua opinião. Especialistas concordam. Governo diz que era sua prerrogativa fazer dessa forma. Batendo três vezes na madeira, me deu saudade da ditadura, que era mais democrática... Alguém duvida que os bancos tenham gostado? Por que é que os poderosos só ganham, e nós só perdemos? Ah, quanto você doou para as campanhas políticas?

sexta-feira, 23 de março de 2007

Eu sei, mas não devia

Um texto de Marina Colasanti, que de tão atual parece ter sido escrito para o brasileiro, que não se anima a protestar contra o governo, contra a violência, contra a falta de vida...


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti

quinta-feira, 22 de março de 2007

That's 70's Show e Love Hurts




Um flash-back.

Update em 20.05/2008: o vídeo original foi retirado, posto outro em seu lugar, com o mesmo tema.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Alô, Alô, Marciano

Notícias do dia no Brasil:

A CPI do Apagão Aéreo sofreu derrota na CCJ.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90473.shtml.
O governo não quer a instalação da CPI, que se propõe a descobrir o que anda errado na área.

Fernando Rodrigues, Na Folha de São Paulo, relata a facilidade do candidato a ministro da agricultura, Valdir Colatto, do PMDB de Santa Catarina, em retirar seu nome do site da receita federal. Estava lá como um dos que não têm certidão negativa de débitos, e, no dia que interessava, seu nome sumiu. Coincidência do país onde o extrato do caseiro não tem sigilo algum. Justo a receita, já precisou resolver algum problema lá?

Ontem (20/03) os jornais denunciaram negociatas (lembre-se do Barão de Itararé: Negociata é um bom negócio para o qual você não foi chamado...) visando aumentar a verba dos gabinetes dos deputados. Como se fosse pouco o que eles ganham a título de verbas de gabinete...

Em meio a tanto desprezo pela cidadão, José Simão, o Macaco Simão: "ministério: você ainda vai ter um".

Parece que a vocação dos deputados é mesmo o interesse próprio e estamental. Desse estamento que só se mobiliza para ter cargos e favores, e o faz pagando com apoio e favores. O que interessa à sociedade é mero detalhe.
O caos aéreo ainda não te pegou? É questão de tempo. As viagens levam e trazem executivos e trabalhadores que ainda fazem parte de uma grande teia de negócios. Contratos são burilados e fechados nessas viagens, e movimentam a cadeia de produção. No mundo real, é assim. No mundo do governo, o ministro (não qualquer um, mas o da defesa, o responsável pelos aeroportos), depois de um atraso de duas horas, disse que era um atrasinho. Talvez na área governamental, onde urgência não existe se não houver interesse pessoal envolvido. No mundo real, um atrasinho, qualquer que seja, pode definir um contrato em favor do concorrente.

Mas digamos que o apagão aéreo ainda não o aborreceu. Aborrecê-lo-á quando ficar claro que os problemas dos brasileiros, qualquer problema, não tem o tratamento que devia por parte dos deputados. Por isto a CPI não será instaurada (ainda cabe julgamento do STF. Torço para que seja a favor da CPI).
Um exemplo de problema: os buracos das estradas. Qual é a verba para isto e como estão sendo aplicadas? E estão sendo aplicadas? Os buracos nas estrados tiram vidas, e pode ser a nossa, ou de pessoas caras a nós.

Outro: saúde. Você tem Plano de Saúde? Ok, então você paga pelo seu atendimento médico. Quanto é mesmo? Não é pouco, tenho certeza. Mas o dinheiro da saúde, aquela que a constituição diz ser direito do cidadão e obrigação do governo, onde está mesmo esse dinheiro? Talvez pagando o salário dos heróis de Lula.

Quer mais do mesmo? A CPMF, que é provisória, no país de Macunaíma é permanente. Era para ser aplicada na saúde. Onde está esse dinheiro? Pouca saúde e muito político, os males do Brasil são.

Quando a Constituição foi promulgada (lá em 1988), ninguém percebeu que amarramos o cachorro com a lingüiça. Que deixamos a raposa tomando conta do galinheiro (clichês, mas verdades). Pois os deputados podem legislar em causa própria e só fazem isto. Que governo é uma procuração que assinamos em branco, sem responsabilidades e sem contrapartidas. Assim, só se pensa em reeleição, cargos, favores, verbas... Problemas do Brasil? Sem pressa...

Só posso me lembrar mesmo da Elis Regina. A crise tá virando zona...

terça-feira, 20 de março de 2007

Fraude em Concurso

Está os jornais da semana passada uma notícia que envolve fraude em concurso público.
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/03/14/294936958.asp.

Vivi uma situação semelhante, num banco estatal.

Devido à natureza de meu cargo, viajava muito pelo país. Numa dessas viagens, fui conhecer a gráfica do banco, na cidade do Rio de Janeiro.
O chefe das dependências nos levou a um tour, mostrando equipamentos e instalações. Num determinado ponto, ele, visivelmente orgulhoso, disse que estávamos na área onde seriam impressas as provas de um concurso que o banco faria. Contou como era o esquema de segurança e que seu afastamento se daria porque uma de suas filhas, ou filhos, participaria do concurso.
Declarou-se impedido, passou a responsabilidade ao seu "lugar-tenente" e, depois de um determinado dia, não entraria mais na gráfica.
E, brincando, contou que escaparia de ter de acordar de madrugada, acompanhar o despacho das provas aos locais da aplicação, e mais uma infindável sucessão de medidas visando evitar a fraude.

Meses depois, em Brasília, ao chegar ao banco, encontramos um material xerocado, denunciando fraude no concurso. O material, feito por funcionários, aparentemente fora deixado na noite anterior.
E dizia que os indícios eram fortes, e que a direção do banco havia sido alertada. Mas que não se movera. Revoltados, os funcionários então apelaram para esse artifício.
Dentre os primeiros colocados, estavam diversas pessoas relacionadas a pelo menos dois dos chefes do setor responsável pela elaboração da prova. Filhos, sobrinhos, namorados e namoradas estavam na relação, que, depois, cresceu.
Culpa é coisa de apuração da justiça, mas ambos se aposentarem, para mim, numa confissão aberta. A partir daí, a auditoria do banco entrou em ação, apurando o caso.

Primeiro, ao saber da notícia, lembrei-me daquele chefe, lá do Rio de Janeiro, que jogou limpo, afastou-se e fez o certo. Imaginei o que ele estava sentindo. Depois, senti, eu mesmo, um gosto terrível na boca, pois uma das coisas mais sagradas para nós era lisura dos concursos do banco. Com desta mancha, quem poderia afirmar que outras certezas de lisura que tínhamos não era também equivocada?

Era época do Collor. O Pedro Collor recém tinha feito as denúncias. Brasília estava em polvorosa. E o banco em meio a um tiroteio infernal. O episódio teve um grande efeito em mim, pois desmitificou aquela entidade. Se eu já estava me decepcionando com várias nuanças do poder, esta me derrubou de vez.

Aquele concurso era para que servidores, basicamente, atendessem ao público do banco. Sem grandes prejuízos para o público em geral. Mas este de que tratam as manchetes recentes dos jornais era um concurso para juízes. Aqueles que, frente ao caso concreto, decidirão a sorte de partes numa desavença. Iniciando a magistratura com uma fraude, que confiança poderemos ter em suas decisões? Que justiça esperar das sentenças? Seria cabível achar que a outra parte ganhou por meio de alguma fraude?
Esperemos que o concurso seja anulado. E que medidas sejam tomadas para evitar novas fraudes.
Ah, claro que nem podemos comparar o salário dos bancários com o dos juízes. Nem a responsabilidade.

Diria o Casoy: é uma vergonha!

segunda-feira, 19 de março de 2007

Necessidades e o ser humano

De acordo com Abraham Maslow, o homem procurar satisfazer suas necessidades segundo uma teoria que as hierarquiza, daí o nome de Teoria da Hierarquia das Necessidades.
Como Abaixo:

Fonte da imagem: Wikipedia, neste verbete: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow

Segundo todas as definições que conheço, o homem não se agrupa para tratar de problemas comuns a todos, em idéia de grupo. A própria hierarquia prevê somente necessidades individuais.

Com essa onde de ecologia, encampada inclusive pela poderosa Honda, no seu novo aproach na fórmula 1, o homem deve fazer alguma coisa para salvar o planeta Terra. Muito e muito tem se falado a respeito disto, e um dos lugares-comuns é que o "povo" precisa se conscientizar da importância do assunto.

Fui buscar em Maslow e sua pirâmide uma explicação de porque as coisas não vão acontecer dessa forma.

O homem procura satisfazer suas necessidades, isto já está estabelecido. Enquanto alguns já "venceram", outros ainda estão na luta. Imagino, então, que alguém que está na base da pirâmide (necessidades fisiológicas e necessidades de segurança) não se preocupará tão cedo com o destino da Terra, já que o mais emergente é o seu próprio destino. Por outro lado, aqueles que estão no topo da pirâmide (auto estima e realização) têm (pelo menos penso que sim) a idéia de que sua batalha para chegar lá foi dura. Porque, então, envolver em problemas coletivos, se sua preocupação maior é, nessa fase, com seu ego? Ou estou enganado? Ao meu ver, auto-estima e auto-realização tem a ver com o indivíduo em si mesmo, sem considerar outras pessoas que não o relacionem com esses dois componentes.

Acho que é por isto que são tantos Pilatos neste Terra ainda. Todos preocupados com seu próprio umbigo, e nem poderia ser diferente, não se sentem, ainda na necessidade de olhar o futuro de seus filhos. Mais do que isto, uma imensa maioria acha que o futuro dos filhos só se relaciona com dinheiro, o poder econômico acima de tudo.

As entidades que se preocupam com o assunto têm seguidores com uma abordagem um tanto exagerada. O Greenpeace, por exemplo, muitas vezes exagera na dosagem dos protestos. Talvez, se não fosse isto, não seriam ouvidos. Mas a pergunta é: está sendo efetivo seu protesto?
E, mesmo para o Greenpeace, não existiriam necessidades mais urgentes, ou tanto quanto protestar contra a construção de usinas nucleares, por exemplo?
Cito um exemplo do que considero ser não mais urgente, mas emergencial: o controle demográfico. Com essa explosão, desde o século XX, a Terra está prestes a se tornar um formigueiro, sob o significado negativo da comparação. Com crescimento em progressão geométrica, o bem estar adquirido pelos povos pode vir a ser uma das origens do problema. Porque enquanto a população ainda tinha de enfrentar algumas pestes naturais, a natureza exercia uma espécie de regulação nesse ponto. Depois da penicilina, da diminuição da mortalidade infantil, do aumento da expectativa de vida, e do incrível crescimento da medicina preventiva e curativa, o ser humano subverteu essa lógica. Não, não estou reclamando. Espero ainda chegar aos cento e cinqüenta anos (falta pouco). Mas a lógica aí está: o homem vive mais, trata melhor suas doenças e suas crianças, e previne mais e melhor suas doenças.

O resultado, natural e alarmante, é o crescimento incontrolável da população, e a conseqüente ocupação das áreas suburbanas. Os problemas decorrentes são inúmeros. Para início de conversa, as cidades não estão preparadas para acomodar tanta gente. Então, é norma não existir infraestrutura nenhuma (água, energia, esgoto), e mesmo transportes para as expansões.
Mais grave ainda, essas áreas deixam de ser áreas cultiváveis, pela ocupação. E, com a população crescendo, teríamos de ter mais área para produção de alimentos. Um círculo vicioso.

Mas, para crescimento demográfico, quem é que está atento?

Voltando a Maslow: o ser humano trata de si somente, individualmente. Dificilmente o ser humano médio voltará sua ação para esses problemas que, acredita, estão fora do seu círculo de influência (conforme de definição de Stephen Covey, nos Sete Hábitos de Pessoa Muito Eficientes [ou Eficazes, a depender da edição], que é tudo aquilo que podemos influenciar com nossa ação). Note que eu disse que o ser humano médio acredita que o assunto esteja fora desse círculo, não que realmente esteja. E se estivesse? Outras necessidades acabariam tomando conta das preocupações imediatas.

Maslow sempre me vem à cabeça quando deparo com quem sempre prioriza suas próprias coisas. Claro, esta é a normalidade. Mas que não seja sempre assim.

E também é claro que Maslow descreve uma situação comum. Algumas pessoas têm as necessidades invertidas. Você conhece alguém que se preocupa antes com realização pessoal do que com a própria segurança?

E, nessa Babel de necessidades, onde estou eu? Onde está você? Onde está seu vizinho?
Cada um está numa posição. E se cada um está numa zona de luta diferente, como fazer com que enxerguem uma necessidade coletiva? Mais: como fazer com que essa necessidade se sobreponha às próprias necessidades individuais? É coerente esperar que aqueles que mal têm onde dormir e o que comer se mobilizem em função de problemas tão distantes da sua barriga como o aquecimento global?

Talvez precisemos de um Gandhi. Alguém que tenha a capacidade de aglutinar o pensamento de multidões em torno de uma necessidade comum. Ou talvez só precisemos mesmo é de juízo. E o juízo é que pode promover uma verdadeira equalização nas condições de vida na Terra. E, uma vez satisfeitas verdadeiramente as necessidades básicas, talvez possamos de fato subverter a Pirâmide de Maslow.

Assim espero.

sexta-feira, 16 de março de 2007

quinta-feira, 15 de março de 2007

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre a obediência

Sobre o texto da obediência (http://renatookano.blogspot.com/2007/02/obedincia-e-conscincia.html), cheguei a ele por causa de umas discussões sobre o julgamento de Nuremberg, onde os soldados alemães, em sua grande maioria, se esquivavam das acusações alegando que "cumpriam ordens". Da forma militar, não se discute ordem. Compre-se, e só.

Sempre me impressionou essa faceta da guerra. Primeiro, a população que, se consultada, poderia realmente dar o aval ao Holocausto. Depois, os soldados, que cumpriam ordens (ou diretrizes, já que nem sempre existiu uma ordem direta), sem demonstrar abalos emocionais (maioria). As ações bárbaras não eram assim consideradas, mas ações normais cotidianas.

Não estamos mais naquela guerra, senão em outra. Nossa guerra é mais sutil, e envolve a todos os habitantes do planeta. Mas, infelizmente, igualmente, a grande maioria se acostuma a cumprir ordens ou diretrizes. Da mesma família que da Guerra, alguém contou quantas vozes, dentro da Inglaterra, se ergueu contra a morte do Jean Charles? Foi uma minoria. Alguém contou, nos Estados Unidos, quem se manifestou contra as novas medidas para conter a entrada de estrangeiros? Outra minoria. Em ambos os casos, a grande maioria apoiou, pela ação ou omissão, as iniciativas. Ou seja, acham que esse tipo de iniciativa é em favor deles, portanto, merecedora de apoio. A pequena minoria que se posicionou contrária, temo que suas motivações não sejam mais nobres. Penso que foram fundamentadas no medo de que algo semelhante poderia acontecer com eles.

E, no Brasil, tantos e tantos desmandos, crimes, patifarias acontecem, sem provas e sem testemunhas. Pelo menos, testemunhas que apareçam para contar o que sabem. A história recente nos traz Eriberto França, aquele motorista que contestou versões oficiais e deu subsídios importantes para a derrubada de Fernando Collor (sobre os depósitos de PC Farias). Já Sandra Fernandes de Oliveira trouxe a verdade sobre a operação Uruguai, desmontando uma versão mambembe sobre a origem do dinheiro do mesmo Fernando Collor.

Recentemente, a versão do caseiro Francenildo dos Santos Costa sobre a freqüência do Ministro Pallocci naquela mansão em Brasília, foi outra corajosa ação de cidadão que cumpre seus deveres.

Mas o ponto aqui é? e os outros? Ninguém mais viu nada? Ninguém ouviu nada? Esses conchavos todos que acontecerem não tiveram testemunhas?
Duvido.
Mas não há movimentos de heróis. Há somente as omissões de praxe. Talvez não resultem de ordens diretas, mas da certeza de que sempre foi assim. Ou, por outro lado, o sentimento de que nem é bom se envolver. E, neste último, a certeza de que tanta gente sabe, mas ninguém faz nada...
É isto. Nossa omissão tem companhia, muita companhia.

Perdemos nossa instituição batalhadora, aquela que por nós, e em nosso nome, denunciava, cobrava, duvidava, discutia... Aquela instituição que nunca se satisfez com palavras, e sempre buscava a perfeição nas denúncias. Não perdoava clipe desviado, e não perdoava mordomia à custa do governo.

Será que o PT está cumprindo ordens?

terça-feira, 13 de março de 2007

Família, família...

Falei estes dias de minha filha, e sempre e sempre temos momentos excelentes. De tão bons, estou ficando mal acostumado.

Mas não devia.

Tenho um irmão e uma irmã. Ambos casados, ele com um casal de filhos, ela com três filhas. Meu pai já é falecido, e ainda temos, firme e forte, nossa mãe. É uma família daquelas forjadas nas necessidades do brasileiro: o pai trabalhava, a mãe trabalhava. Em casa, a irmã era quem cuidava de nós, os meninos. E ainda havia uma pequena parte em que podíamos ajudar, reclamando muito, mas ajudávamos (quando a irmã não fazia, sozinha). Então, fomos criados pela irmã, pela mãe e pelo pai.

Nossa educação foi rígida. "Por favor", "obrigado", "com licença"... Obrigatório. Não interromper os outros, respeitar os mais velhos, "senhor", "senhora". Líamos, todos. desde muito cedo. Havia uma estante com vários e vários livros, dos quais eu li vários, mesmo sem saber o que eles queriam dizer. Mágica em Garrafas, Obras Primas do Conto Universal, A República de Sócrates, a República de Fédon... E, claro, aquelas coleções infantis, cujo nome já nem me lembro mais...

Crianças, brigávamos como se crianças fôssemos. E eu ainda mais, terrível que era (sou?). Hoje, adultos, cada qual com sua família, há muito que não sabemos o que é brigar.
Desentendimentos? Acho que há, mas raríssimos. Não posso dizer que me lembre de um, mas, concedo, deve haver.

Mas o que há, de verdade, concreto e belo, é um entendimento, tácito ou explícito, entre todos. Irmãos de verdade, primeiro pela biologia, agora por opção, e aqui incluo nossa mãe. O mau momento de um é o mau momento de todos, e o bom momento de um é champagne para os demais. E, de família, todos os sobrinhos. Todos tem suas vidas, mas todos afluem, em momento ou outro, de forma que nossas vidas ao menos se tangenciem, trazendo-nos de volta ao amor familiar.

A mãe, hoje aposentada, de um coração sem tamanho, chega a ser perigosa sua disposição de ajudar. Melhor esse perigo do que outros de que a vida já está farta. Uma heroína, às vezes passa por dificuldades que nem suas são...

O fato é que minha família é uma como poucas. Um todo, com partes desiguais e disformes, mas com coesão, esta sim, uniforme no sentimento e na força. Esta é a força de minha família, e posso dizer, sem clichê e sem pieguice, que, sem ela, a barra seria muito mais pesada, e a vitória já não seria certa.

E, se certa a vitória, não seria justo deixar de mencionar os irmãos postiços, os cônjuges dos irmãos, os cunhados, que tão rapidamente se simbiotizaram em nosso modo caótico e feliz de sere que colaboram sempre e muito para essas vitórias.

Assim, nomeando: Ruth, a irmã. Paulo, o cunhado. Camilla, Bruna e Fabi, as sobrinhas, com o Quincas, que é o último nascido (um Beagle).
Mais: Tuca (Reinaldo), o irmão. Andréa, a cunhada. Bia e Rafa, os sobrinhos judocas. Japinhas...
A mãe, a Dona Cora. O pai, Katumi Okano, ausente fisicamente, para sempre em nosso coração e atitudes.
E a Raquel, minha filha, que mais parece uma irmã.

Família, esteio da sociedade. Esta, esteio de minha vida.

Sem pieguice???

segunda-feira, 12 de março de 2007

Espécie humana?

O ser humano é soberano na terra. Mas suas ações sempre são individualistas, nunca em nome da própria espécie. Por isto, tratá-los coletivamente é um grave erro.

Mas esta bem-humorada e mordaz apresentação mostra bem quando podemos uni-los numa análise.



Agradecimentos à minha filha, que me mostrou o vídeo.

domingo, 11 de março de 2007

A toda velocidade

Vindo de uma viagem ao interior do estado de São Paulo, num determinado trecho da estrada iniciou-se uma chuva grossa, num ponto de várias obras em seqüência. Velocidade reduzida pela chuva e pelas obras, as subidas já causavam filas enormes..

Numa dessas, havia um caminhão logo à minha frente. Impaciente, o motorista jogava o caminhão de lá para cá, na tentativa de ver se vinha carro na direção contrária, para ultrapassar. Finalmente, ainda na subida e com faixa dupla (ultrapassagem proibida), ele fez a manobra e foi passando a fila. Muitos caminhões, não havia espaço para ele voltar sem bater. E, regido por Murphy, o destino colocou dois veículos na direção contrária: uma moto e um carro de passeio. Ambos tiveram de desviar para o acostamento para evitar a batida. O caminhão-assassino, sem a menor perturbação, continuou sem caminho.

Por questões de trânsito e pelas características da estrada, fiquei por muito tempo atrás desse caminhão. E, pelo menos em quatro outras oportunidades, ele voltou a ameaçar outros veículos. Todos tiveram de reduzir ou desviar para o acostamento para fugir à tragédia. E todas as ultrapassagens em local proibido.

Bobo não era o motorista. Nos pontos de radar, diminuía a velocidade até a permitida. Somente nessas ocasiões é que eu o alcançava, pois ele ia muito rápido. Depois dos radares, tome acelerador!

Era um caminhão de combustível, ao que parecia. Estava vazio, pois as rodas de carga estavam sem contato com o solo. Tinha velocidade nas descidas e nas subidas, o que só comprovava que ele estava vazio.

Perdi contato com ele na Rodovia Anhangüera, onde ele ainda desenvolvia uma velocidade muito grande. Felizmente, meu temor não se concretizou. Achei que ele iria acabar matando alguém.

De madrugada, na ida dessa viagem, na mesma Anhangüera, um caminhão estava tombado no canteiro central. Todos os dias, praticamente, é possível encontrar um caminhão acidentado na Bandeirantes e na Anhangüera. Quem anda ali todo dia sabe que o limite de 90 km/h (para caminhões) é uma ficção barata. Experimente andar na frente de um caminhão, mesmo na pista central, a 100 km/h. Vai ser ofendido, deve sofrer uma pressão do caminhão (farol alto, carro muito próximo do seu, gestos, muitos gestos)...

Claro que a velocidade de 120km/h para os carros também é desrespeitada. Mas numa escala muito menor que a dos caminhões. E é claro que há uma dificuldade muito maior de se controlar um caminhão que um carro de passeio. O caminhão, a 120 ou 130km/h, como estava este, se transforma num míssel.

E ainda há quem se surpreenda com os acidentes que matam nestas estradas.

Espero que esse motorista perca seu emprego e vá trabalhar com outra coisa qualquer. Qualquer! Mas que não arrisque a vida de mais ninguém.

Em tempo: o caminhão não tinha um logotipo de empresa. Anotei as placas, mas não sei a que bispo reclamar. E acho que nem adiantaria...

sábado, 10 de março de 2007

O Mundo é dos Nets???

Liguei para a Net Campinas para saber sobre o Net Fone.
Gostei do que ouvi, e quis me inscrever. Aí, por questões de viagem, solicitei que a instalação fosse marcada para daí a alguns dias. Não podia. Eles têm 48h de janela para instalar. Para a instalação acima desse prazo, eu teria de ligar de novo e me cadastrar novamente!

INCRÍVEL. Mas, vá lá.

Quando tinha a disponibilidade, me cadastrei. Cadastro on-line, como há de ser em tempos de internet. O site me informava que eu receberia um e-mail com a confirmação da adesão.

Demorou, mas chegou. E com um número já definido, o que achei estranho, pois a propaganda diz que podemos escolher. Mas, de novo, vá lá...
No e-mail, me davam uma agenda para a implantação, que seria num sábado, entre 12 e 18h. Eu estava em viagem, e antecipei meu retorno por causa disto. E internei-me em casa, num dos sábados mais bonitos deste ano, esperando a instalação. Que não aconteceu...

Respondi no e-mail do agendamento que a instalação não acontecera. Você respondeu? Nem a Net.

Aí, já irritado, liguei na Central de Relacionamento. Bonito nome para uma central que não se relaciona.

Expus meu problema, e o atendente disse que, realmente, constava que o agendamento não fora cumprido. E reagendou, para aquela noite. Esperei ao telefone, pois procedimentos complicados assim (um agendamento) demandam muito tempo. E, finalmente, o agendamento aconteceu.
Aproveitei a oportunidade para falar do número, já que eu não tive a chance de escolhê-lo, como dizia a propaganda no site. Sim, era possível mudar, mas me custaria mais de R$ 100,00. Uau!!! Mesmo que eu não tenha sido convidado a escolher? Sim.

Ora, me invoquei.

- Quero registrar uma reclamação sobre o assunto, disse eu ao atendente.

- Tem certeza?

Sim, achei que eu tinha certeza. O que eu não tinha certeza era se aquela seria uma reação normal do atendente. Parecendo incrédulo, ele registrou minha aparentemente insólita reclamação.E o fez num tempo recorde, a digitação mais rápida que já presenciei. Algo me diz que não há espaço para reclamação nos sistemas da Net.

À noite o técnico veio e instalou meu Net Fone, certo?
ERRADO. À noite, o técnico veio, entrou em meu apartamento e ficou olhando para mim, à espera de alguma coisa. Vendo que ele não sabia bem o que fazer, disse a ele que estava esperando a instalação do Net Fone.

Ele olhou para mim, espantadíssimo, e disse:
- Instalação? Fone? Mas eu sou técnico... Trabalho com a tv!

Ligou sei lá para quem, e me informou que, no sábado agendado, o instalador fora até meu apartamento, mas o Maurício, que estava na portaria, não o deixou subir. Isto às 19h30min, fora, portanto, do horário agendado.

Ora, mas que atrevimento do Maurício. Fiquei com muita vontade de pegar o interfone a passar-lhe uma descompostura, de reclamar com o síndico, de xingar até a quinta geração do malfadado Maurício. Só que não há um porteiro no prédio chamado Maurício. Não há e nunca houve. Escapou de uma boa esse Maurício, que se atreveu a vir até meu prédio, impedir a entrada do técnico instalador da Net, e nunca mais apareceu.
O que me leva a desconfiar que o técnico nunca veio até aqui. Mentiu que veio, ou foi a um outro prédio qualquer, mas era improvável que conseguisse me achar em outro lugar.

Sarcasmos à parte: não tenho ainda o Net Fone.

O mundo é dos Nets. Imagine se não fosse.

sexta-feira, 9 de março de 2007

O Novo Congresso

Vamos fazer justiça: o congresso está trabalhando. Pode ser um espasmo, mas pode ser uma característica deste novo congresso.

A verdade é que o fator "João Hélio" parece ter tido o condão de resultar em ações positivas sobre o tema da punição dos criminosos.

Algumas ações foram tomadas ontem (7/3/07):
- aprovação da utilização de vídeoconferência na audiência de acusados que estejam presos. Até então, o deslocamento custava muito aos cofres públicos, além dos riscos de um ataque por parte dos comparsas ao comboio. Com os avanços na informática, já era mais do que hora para uma medida destas. Este projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora segue para análise/votação do Senado.

- Projeto que dificulta a progressão da pena para quem tenha sido condenado por crime hediondo. Ou seja, para ir alçando os regimes de pena, do mais severos aos mais brandos, os autores de crime hediondo deverão esperar mais tempo.

- O outro, que eu achei mais inócuo, torna falta grave a utilização, por um preso, de telefone celular ou outro meio de comunicação.

Estas duas últimas ações foram da Comissão de Justiça do Senado Federal, e agora vão a votação em plenário.

Entre nós: se já não tiram o celular do preso, por que é o iriam denunciar? Esta é uma medida boba, mas vamos acreditar que seja uma bobeira inocente.

Em poucos dias, uma mobilização já com resultados.

Vamos esperar ue essa seja a cara da nossa nova representação.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Droga, Precisamos encarar esse problema

Um secretário de Segurança do Rio de Janeiro, certa vez, numa declaração a jornalistas, criticou os usuários de drogas e colocou sobre eles uma grande dose de responsabilidade sobre o estado da criminalidade do Rio de Janeiro.

Esse senhor foi feito Judas em sábado de aleluia. Foi criticado de cima a baixo no país, alvo de colunas de jornalistas, etc, etc.

E eu pergunto: ele estava errado?

O raciocínio é bem simples. O usuário de drogas é alguém que conhecemos. Você não conhece alguém que utiliza cocaína ou maconha? Normalmente é uma pessoa legal, de quem gostamos de verdade. Ele vai a festas, às vezes conosco, participa de algumas de nossas reuniões, enfim, é um amigo. Esse amigo-usuário, de vez em quando, recorre à droga. Onde ele a compra? De um traficante, ou de alguém da linha do tráfico. Esse traficante obteve a droga de algum lugar, e não foi numa igreja. Envolve operações clandestinas pesadas, normalmente associadas a outros tipos de crime. Como há risco, esses criminosos têm de se garantir: andam armados. Para andar armados, compram de algum fornecedor, ora, que ironia, também criminoso. Esses criminosos, aí já sem distinção de qual o tipo de crime cometeram, por vezes investem em outros tipos de crimes, já que têm a arma na mão. E esse crime é, muitas vezes, um seqüestro relâmpago, um assalto a residência, etc, etc.

Ora, está claro que a atividade ilegal daquele nosso amigo está contribuindo para a manutenção desse ciclo vicioso. Se não concorda,vamos nos lembrar da Lei Seca, nos Estados Unidos, no início do século XX. As bebidas alcoólicas foram proibidas, e o álcool tornou-se uma droga ilegal. Nessa época é que proliferaram os gângsters, e houve um aumento escandaloso da corrupção policial. Embora não os chamemos assim, os traficantes não agem como gângsteres? E os policiais, não há os corruptos em quantidade alarmante?

É, acho que esses nossos amigos, que se revoltam conosco quando um dos nossos é vitimado pelo crime, choram e sofrem conosco, não é também um elo dessa cadeia danosa? Acho que nossa complacência em relação ao uso de drogas é criminosa também.

Seu amigo se droga? Você tem muito a perder com isto.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Que show!

Recebi um vídeo, achei no youtube, compartilho porque é muito gostoso de ver.

Como é da Globo, pode sair do ar a qualquer momento.

Mas vale a pena.

terça-feira, 6 de março de 2007

Visionários e Acomodados

Um dia, John F. Kennedy lançou um desafio:

"I believe this nation should commit itself to archieving the goal, before this decade and out, of landing the man on the moon and returning safely to Earth."
"Eu acredito que a nação deva se comprometer para alcançar o objetivo, desta década e das que virão, de aterrisar o homem na lua e voltar seguro para a Terra."

Em outro discurso na Universidade Rice suas palavras foram: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard ("Nós decidimos ir a Lua. Nós decidimos ir a Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis").
(Fonte: Wikipedia, aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/John_F._Kennedy#Desafio_da_conquista_da_Lua).



Em 20 de julho de 1969, o homem chegava à lua. Homem, aqui, é uma generalização, pois foi um americano quem pisou no solo lunar pela primeira vez, no projeto que respondeu ao desafio de Kennedy, o Projeto Apolo.

No Brasil, Juscelino Kubitscheck abraçou o desafio lançado em 1891 e construiu Brasília em tempo recorde, numa das obras mais grandiosas deste país.

Em outro mundo (o americano) Bill Gates foi saudado como aquele que acertava todas as tendências, e as respondia com seus produtos revolucionários. Seu windows virou padrão de mercado, e seus produtos do Office se tornaram sinônimos das funcionalidades neles contidas.
O que parte do mundo, reservadamente diz, é que Bill Gates, ao contrário de acertar o alvo com suas flechas, tem uma estratégia interessante: ele as atira, e os funcionários de suas empresas correm para pôr os alvos no local aonde elas vão. Assim, em vez de acertar as tendências, ele as cria.

No Brasil, discussões sem tamanho sobre criminalidade, crescimento, previdência, emprego, impostos, etc, etc. Falta aos representantes brasileiros essa característica de grandes, que é a visão de futuro. Mais que ter a visão, é preciso ser um visionário.

No mundo de Keneddy, os americanos abraçaram com ardor seu desafio. Resultado? O pequeno passo do homem...
Juscelino fez uma obra grandiosa, ninguém discute. Não fosse grandiosa somente pelo tamanho, ainda é assinada por dois gênios de sua época.

Em nosso mundo, festejamos remendos no buraco da estrada, suficientes somente para que caminhões e carros circulem por um tempo (pouco) sem avarias exageradas. E, ao final desse tempo, o que importa, mesmo? A eleição já passou.

Vivemos em um país com uma das maiores cargas tributárias do planeta. Apesar disto, as filas dos hospitais ainda são vexaminosas, criminosas, até. Enquanto isto, deputados empregam parentes e elaboram suas articulações, em nome da manutenção do poder. Inocentes morrem baleados por balas perdidas (em São Paulo, esta é a novidade), idosas morrem vítimas do golpe do seqüestro (não é novidade. Cumpriu sua obrigação, pagou sem imposto de renda? e as operadoras de celular que ficaram de bloquear sinal nos presídios?), e muitas, muitas outras iniqüidades.

Precisamos de um visionário, que acredite num sonho, e que o transforme em realidade. E que enfrente a resistência de muitos, mas atire a flecha naquele alvo que precisamos. E que esse visionário ponha data nessa meta, como há de ser com as metas. E que nós todos, sem exceção, acreditemos nessa utopia possível (contradição em termos?), e façamos, todos, nossa parte, pequena ou grande, importante ou desimportante, mas parte.

Esse visionário, temo, ainda não apareceu. Houve um, que queria matar um tigre, com uma bala, mas virou um senador romano (em roma, obesidade era sinal de status, porque oriundo da opulência). Aliás, derrubado, e esta foi a última vez que vi nosso povo unido em torno de uma meta (não futebolistíca). Povo nas ruas, roupas pretas, ou simples tarjas, cara-pintadas, manifestações...

Precisamos, urgentemente, de esperança. Daquela esperança do hexa, que movimenta o país todo. Ou daquela torcida, do já quase desacreditado Galvão (falta vitória, e falta título), pelo Rubinho e pelo Massa.

Enfim, que possamos (e queiramos) nos envolver com sonhos e metas que façam diferença no futuro de nossos filhos, e não nos BBB da vida. O paredão dá muito Ibope, ao contrário da discussão sobre a maioridade penal, impostos, reforma política.

Acho que, na verdade, falta que cada um de nós seja esse visionário. E que acreditemos, cada um, que aquilo de que necessitamos é possível, tangível, viável. E que, nessa possibilidade, há vantagem na batalha.

Nossos sonhos agradecem.

segunda-feira, 5 de março de 2007

sábado, 3 de março de 2007

A novidade e as facilidades dos serviços web

Nunca fui fã do Google. E também nunca fui fã da Microsoft, embora reconheça que seus produtos se tornaram padrão de mercado, obrigando todos a utilizá-los. E com muitos recursos, há quem os utilize somente para fazer o básico.

Pois bem, para fazer o básico tenho utilizado os serviços Google. Com muitas vantagens. Como os arquivos ficam em algum ponto da web, não importa onde eu ou meus colaboradores estejamos, temos acesso completo a eles.
Para quem trabalha com várias fontes de informação, esse poder de colaboração é essencial. Basta autorizar (indicando o e-mail) da pessoa, e ela automaticamente passa a poder alterar seus arquivos, compartilhar seu calendário, ver e mexer em suas planilhas, navegar pelas suas fotos, etc, etc, etc.

Se é um documento que você quer "blogar" (neologismos em tempos de internet), o Google Textos e Planilhas o posta automaticamente. Se precisa de revisões, ele pode ficar hospedado até que alguém o atualize. Ou ele fica somente arquivado, o que é outra facilidade desse tipo de serviço.

Ok, o serviço ainda está em evolução. Mas é bem melhor do que minha velha briga: se estou no desktop, preciso sincronizar com o notebook e vice-versa. Não é tão trabalhoso, mas à vista do arquivamento na web é.

A novidade é que a Google está ameaçando rincões até então dominados sem concorrência pela Microsoft. Com uma vantagem gigantesca: é gratuito. Ao menos por enquanto. Será que a Microsoft se anima a baixar os preços, ou a oferecer uma solução compatível? Duvido.

Recentemente, ao planejar um churrasco, fiquei maravilhado com as facilidades dos programas. Da planilha pude fazer uma planilha de convidados, com informações sobre acompanhantes, sexo, idade, confirmação de presença, etc., para colaboração dos envolvidos. O Google Agenda permite mandar os convites pelos e-mails, com gerenciamento de respostas e lembretes. E o mapa da chácara foi publicado num endereço automático, fornecido aos convidados e retirado do ar logo após o evento. Fantástico, não?

Agora, animado com essas descobertas, estou pesquisando mais. A tal da Web 2.0 realmente é poderosa, veio para ficar.
Vamos torcer para que ela se desenvolva ainda mais, e de novo transforme o nosso jeito de fazer as coisas.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Manual do amigo que quero ser

Como amigo, devemos ser sinceros. Assim, não espere que eu lhe conte mentiras diplomáticas. Acho que assim não o ajudo. Então, uso a verdade. Procuro usar a verdade de maneira gentil, sem deixar que ela ofenda, por mais agressiva que seja. Mas espere sempre a verdade. Mesmo que isto custe nossa amizade.

Sou um amigo de poucas palavras. Somente as necessárias. E sem floreios. Sem rodeios. A não ser que seja para conversar. Aí, não tenho limites. Falamos de tudo, e de todos. Mas não espere de mim paixão. Ao menos aquela paixão de torcedor, de acólito, de sabedor.

Todas as minhas opiniões estão sujeitas a revisão. Nem por isto, erradas. E, também nem por isto, certas.

Não imponho minha amizade, assim como não imponho ajuda. Amizade é bom, mas deve ser desejada, nunca imposta. Acredite em mim, por que eu acreditarei em você quando você me disser que não precisa de ajuda. Respeito sua solidão, respeito seus desejos. Respeito até mesmo seu desrespeito. Mas não espere que eu invada seu espaço, mesmo que seja para ajudar. Se precisar, peça.

Se somos amigos, é porque respeito sua opinião. Assim, não hesite em me oferecê-la. Mas, lembre-se: nossas opiniões podem não ser iguais. Nem mesmo semelhantes. Assim como nossas verdades, que, afinal, determinam essas opiniões. Ou são por elas determinadas, sei lá. Mas, enfim, que, amigos que somos, possamos conviver com nossas diferenças, que é o que faz grande nossa amizade.

Espero que mantenhamos contato. De minha parte, aguarde uns telefonemas, mais telegráficos, de alguns segundos, apenas, e saiba que ele é para dizer que estou vivo e bem, e para saber se você está vivo e bem. Pressa? Talvez, nossa vida não está fácil. Mas um segundinho para falar com os amigos, isto sempre podemos arranjar.

Às vezes esquecerei seu aniversário. Mas no máximo uma vez por ano. Não quer dizer que esqueci de você. E sei que você também não se esqueceu de mim. E, se esqueceu, tudo bem: talvez eu não tenha merecido ser lembrado. Por isto, permita que eu o lembre de mim.

Coisas tristes, muitas vezes não falarei delas. Coisas alegres, talvez fale até demais. Por isto, quando nos encontrarmos, depois de um longo tempo, perdoe-me se fico falando de tempos idos, de lembranças adormecidas, dos bons momentos. Mesmo que eu fale muito disto. É porque isto nos fez amigos. Merece lembrança.

Não se incomode se eu ficar olhando muito para você. As marcas do tempo estão em todos nós, e precisamos guardar essa imagem do “eu” atual. Assim, não o olharei por espantado com sua aparência. É para atualizar sua imagem, para ficar mais fácil reconhecer você da próxima vez. E eu saberei que você não estará olhando para minhas cãs, já tantas.

Perdoe, assim, se a vida nos reservou algo diferente daquilo que projetamos. A vida é assim, e talvez para todos ela seja uma surpresa. Mas, surpresa ou não, os rumos da vida não podem mudar uma coisa: nossa amizade, se assim quisermos. E, conclamo, não deixemos que a vida determine o grau de nossa amizade, o tamanho de nosso apreço. Com tantas variáveis incontroláveis nesta vida, a amizade pode ser uma âncora.Façamos dela essa fortaleza.