sábado, 17 de fevereiro de 2007

Um pouco mais sobre a impunidade

Puristas

É, mãos à palmatória.
Sempre fui um purista, e agora estão me cobrando isto.

É sobre a punição dos criminosos-assassinos do menino João Hélio: a mudança da lei não vai atingir esses criminosos, a não ser que seja para o bem deles. Isto mesmo, bem dos criminosos. É que o Brasil possui, em sua constituição, um dispositivo que a lei penal só pode retroagir se for em benefício do réu. Porque ela vale sempre para frente, nunca para trás no tempo. Revoltante? Talvez. Mas é a regra do jogo. Um dos acusados somente está nesta berlinda de mídia: aquele que tem 16 anos. Os demais, mesmo com a lei vigente, estão sujeitos a penas reais e convincentes.
Então, puna-se na forma da lei, inclusive o menor, e aperfeiçoe-se a lei, para que, no futuro, nossa sanha por vingança seja satisfeita com uma lei mais apropriada.

Ainda sobre o tema: a revista Veja desta semana apresenta o perfil do “líder” desses criminosos, derrubando por terra a questão da pobreza no cerne da violência.
Não se explica o porquê da violência com generalizações, mas caso a caso. Como a justiça trata as questões, caso a caso. A generalização não ajuda a combater o crime, não diminui a dor da vítima e familiares. Direto ao ponto. Concordo com Veja: é preciso encarar o problema, não precisamos mais de filosofias sobre a natureza humana.
(Não sou fã de Veja, mas acho que é leitura obrigatória. Neste caso, concordo.).

Golpe do Seqüestro
Concidentemente(?), Veja desta semana e a Folha de São Paulo de 17/2 trazem reportagens sobre o golpe do seqüestro, perpetrado normalmente por presidiários, que ligam para alguém dizendo ter seqüestrado algum familiar, e, de acordo com as reações da vítima e com as informações que ela passa, vão aterrorizando pessoas e conseguindo algumas vítimas. A morte da aposentada, nesta semana, trouxe o assunto à tona.
Pois bem, tive contato com uma situação destas, em que a vítima ligou para o “seqüestrado”, que, por uma injunção de fatores, não pôde atender. A situação realmente era desesperadora, e o fato de a vítima não atender ao celular só agravou a situação. O terror era real, e, honestamente, não sei como lidar com a questão. Eu, frio por natureza, ficava me perguntando: e se for verdade?
Então, como resolver? Difícil. O ideal era que esses criminosos, que teoricamente estão sob vigilância (proteção?) da lei, dentro de presídios, não pudesse usar celulares, o que evitaria o crime. Esta é daquelas coisas que são uma utopia, e nós não conseguimos entender o porquê.

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