sábado, 17 de fevereiro de 2007

Friends

Triste constatação: quanta gente a gente vai deixando pelo caminho!
Estes dias, depois de muito tempo, reencontrei um amigo. Um grande amigo. Que, em nossos idos tempos, era daqueles que estavam sempre conosco, sempre na mesma velocidade, sempre na mesma batida. E a vida nos separou, assim, da forma que vida faz. E o acaso nos fez reencontrar. E não foi bom.
Acho que eu esperava que, depois de tanto tempo, ainda tivéssemos assunto. E que os assuntos, caso os tivéssemos, nos levasse a coisas comuns, de que ambos poderíamos falar. mas não foi o caso. O dia-a-dia dele é totalmente diferente do meu. E as coisas comuns na vida dele nem de longe são coisas comuns às minhas. E nossa conversa ficou nas lembranças, como naqueles filmes, das coisas que passamos junto, fugazes e distantes no tempo.
Foi uma impressão, ruim, mas que precisava ser posta à prova. Tempos depois, um outro amigo, que não estava há tanto tempo assim afastado. Somente alguns meses. E o resultado foi o mesmo, tristemente.
Diria um analista que o problema é idealizar essa amizade. Esperar dela coisas que podem não fazer parte dela. Mas, incomodado, eu perguntaria ao analista: - E o que é, então?
É verdade que o tempo nos transforma. Cansamos de algumas batalhas, vencemos outras, perdemos tantas. O mundo, para cada um de nós, deixa de ser aquele daqueles tempos. A realidade é outra, e acho que nossos amigos também sentem o que senti.
Como fazer, então, para que o mundo não nos desfigure?
Acho que não há como. Estaremos sempre nos transfigurando, na direção dos ensinamentos da vida, "dando a cara para bater", ou fugindo das brigas. E, assim, acomodando-nos à vida.
Ou melhor, há sim, como não chocar nossos amigos: é não nos permitindo afastamentos. É fazendo de tudo para que os contatos existam, e que nossa transfiguração seja acompanhada por todos, como naquele efeito que têm as pessoas que acompanham o crescimento de uma criança, e não percebem o quanto cresceram até ter a atenção chamada para o fato.
Pois sim, meus amigos, não é tarefa fácil. Por que a vida não é fácil. Leva-nos aos compromissos de trabalho, às responsabilidades de pais, às tarefas familiares. O tempo que sobra, queremos para nós, para nossos atrasos, para nosso sono sempre deficitário. É isto?
Isto é um mea culpa. Acho que não há culpado, somente a uma vida que nos obriga a algumas escolhas. Mas o resultado é: não conhecemos mais nossos velhos amigos.

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