segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Rescaldo

Ainda acostumando a andar com três dedos no pé direito, algumas conseqüências são inevitáveis.

  • Responder sempre à mesma pergunta: - o que aconteceu?
  • Passar a reparar na sujeira que existe no chão. Em qualquer chão. Quando se anda de sapatos, não prestamos atenção. NO meu primeiro dia handicapped, com aquela preocução mortificante de saber em que estava pisando, reparei na quantidade de cacos de vidro, papéis, sujeiras, enfim, que grassam pelas ruas e calçadas.
  • Reparar como as pessoas são gentis. Muitos, muitos mesmo, se prontificam a ajudar. Digo dos estranhos, pelos ônibus e metrôs da vida. Essa gente (na qual me incluo), que anda ensimesmada no dia-a-dia, sai de sua concha para se mostrar atenciosa com quem precisa. Isto foi interessante.
  • Ouvir sempre os mesmos comentários. Acho que isto é, mais que clichê, uma demonstraçção normal de empatia.
  • Perceber como utilizamos o corpo sem perceber. Pisando meio de lado, meio de calcanhar, sinto-me meio limitado (claro que estou, só não esperava sentir-me assim). Saudades insuspeitadas da qualidade de "são".
Uma outra coisa que reparei e preciso rebatar: os comentários de que meu natal (e ano novo) se estragaram por causa do aciden te. Não, não se estragaram. Esse tipo de coisa se estraga quando permitimos. Nada consegue me tirar de meu estado normal se eu não permitir. Isto não perturbou meu natal e não, com certeza, perturbará minha passagem de ano.

No natal estava com minha filha, meus irmãos, minha mãe, meus cunhados e sobrinhos, além de vários amigos. Olhando agora, seria de um egoísmo imperdoável permitir que este pequeno acidente deslustrasse o excelente clima, as excelentes companhias. Não, não estragou nada (além dos dedos). E não estragará.

Aliás, as piadas começaram quando eu ainda estava no chão. Eu, minha filha e minha sobrinha, não conseguimos resistir à graça da situação. E, dor de lado, rimos bastante (o quanto possível) até chegarmos de volta à chácara. No hospital, mais brincadeiras. À parte, repito, a dor (e o sangue), tudo o mais era fato concreto, contra o qual nada se podia fazer. Nem lamentar, ou amuar, ou amaldiçoar. Portanto, vamos rir.

A dor passou, ficou o incômodo daquele monte de esparadrapo ali, na ponta do pé. O que me obrigou a comprar uma daquelas sandálias que acho horríveis, mas bem na moda para homens, daquelas que se prendem nos tornozelos. Ok, a necessidade realmente manda.

Agora, esperar a coisa toda passar. Tirar a bandagem, voltar a andar normalmente. Uma única preocupação: voltar a correr. Nestes dias de sol maravilhoso, esta é a única coisa que sinto falta. Tomara que seja logo...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Após o balanço

Pensando nas coisas que precisamos mudar, inútil tentar evitar pensar em como teríamos feito diferente as coisas que deram errado. Ou não tão certo como queríamos.

Meu pai costumava dizer, quando falava de limites, o ponto ideal para parar de apertar um parafuso: um quarto de volta antes de quebrar.

Descobrir como, sem, quebrar? Esta era lição, assim como hoje. Nossos erros, se assim podem ser chamados, não necessariamente refletem uma decisão errada. Tardia, talvez, ou intempestiva. Mas errada, errada, talvez sejam mesmo poucas.

Cada vez que penso num arrependimento de uma coisa que aconteceu, e sobre a qual tínhamos influêncioa restrita, lembro da frase da música de Lulu Santos: nada do que foi será...


Balanço de fim de ano

Não fui o pai que precisaria ser. Nem o amigo, Nem o filho, nem o irmão, nem o cunhado. Como vizinho, deixei a desejar. Assim como cidadão, idem para motorista.

Nem de longe fui o profissional que queria ser. Não consegui fazer todas as coisas que planejei, nem fiz tudo dentro do prazo estimado. Perdi horas e compromissos, assim como desperdicei momentos procurando em mim coisas que não estavam lá.

Acordei tarde em ocasiões que precisava acordar cedo, e acordei cedo demais nos finais de semana. Comi ora legumes de menos, ora de mais. Evitei as carnes, mais do que precisava. E, quando precisava evitá-las, achei a carne fraca...

Sempre corri menos do que me propunha, embora às vezes a correria do dia-a-dia me punha a corre mais do que queria.

Ao longo do ano, vi pouco minha mãe, meus irmãos e meus cunhados e sobrinhos. Os amigos, ficaram perdidas nas páginas de minhas agendas, não consegui mais do que ligar nos aniversários, parecendo mais telegramas fonados.

Sim, é verdade que consegui realizar várias metas. Sim, também é verdades que muitos planos foram cumpridos a contento. Fizemos bons negócios, mantivemos excelentes contatos e relacionamentos. Sim, metas pessoais também foram atingidas e alegrias foram conquistadas. Mas não é a hora de comemorar.

Como balanço de final de ano, diria que preciso melhorar. E muito. Planejar melhor as coisas, e seguir o planejado. Andar a milha extra, como diria Covey.

Preciso olhar minhas necessidades filho e satisfazê-las como pai. As necessidade de pai e satisfazê-las como filho. Enfim, preciso refletir e descobrir o que faltou neste ano, para que minha satisfação fosse completa ou completasse outra pessoa, qualquer delas que tenha feito parte de minha vida. Por um segundo, por uma parte dela, ou toda ela, como é o caso de minha família.

Comemoramos cada vitória isoladamente, pois que merecem essa rápida alegria. Mas as faltas e as derrotas, precisamos lamber essas feridas em ambiente de introspecção, de profunda reflexão.

Ensinou Og Mandino que "o fracasso jamais me surpreenderá se a minha decisão de vencer for suficientemente forte". Eu completo observando que, se soubermos onde melhorar, a vitória é mais que certa, é inevitável. Principalmente na nossa vida pessoal.

Dois inesquecíveis

Muito cedo eu já era um fã de carteirinha de Elis Regina. De morte chocante, triste, inútil... Morte, enfim.

Um dia, num show, descobri o talento de Jessé. Outro que foi levado cedo, muito cedo. Numa de nossas estradas, que é o predador artificial mais eficiente de nossos tempos.

Repito que não temos mais intérpretes como em épocas idas. Deve ser mesmo o tal progresso, que permite conexões inimagináveis, comunicações quase mágicas, mas as torna, como num ágio e pedágio, mais pobres.

Explico

Uma amiga me perguntou por que estou falando outra vez na minha filha.Explico: ela viajou, e estou com saudades...

Explicado?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Momentos

De vez em quando sentamos, eu e minha filha, e conversamos. Sem assunto específico, sem marcar nada, sem motivo. Somente conversamos.

Algumas vezes é na cafeteria. Outras, na lanchonete ou em algum restaurante. Outras vezes, é no sofá.

Dura de minutos a horas. Os assuntos são os mais aleatórios. Mas passamos por todos aqueles que temos vontade, nem parecendo ser pai e filha.

Com o tempo, os assuntos, conteúdos dessas conversas, serão apagados. Não conseguiremos mais lembrar do que falamos. A lembrança será somente que falamos. E esses momentos são poderosíssimos, pela carga emocional que podem gerar.

Rimos, nos indignamos, nos emocionamos... Sem travas, sem preconceitos, sem prejulgamentos. Uma relação altamente comprometida, mas descompromissada. Altamente envolvida, mas com limites claros da individualidade e da compreensão individual sobre o mesmo tema. Sim, porque discordamos, também. Mas, na discórdia, descobrimos o que é importante: concordamos em respeitar a opinião do outro.

Chamam-me de coruja, de superprotetor, de tudo. Mas acho que falta, de fato, que compreendam o seguinte: é delicioso ter uma relação assim, gostosa, madura, envolvente, com alguém que amamos tanto.

Ser pai é muito bom!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Satisfação

Para os milhões de consultas dos leitores deste blog, é preciso esclarecer: a TV está bem!

Feliz natal!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Plantão URGENTE!

Na noite de ontem, fui violentamente atacado por minha televisão. Enquanto a transportava, ela começou a se contorcer até conseguir sair de minhas mãos. Ato contínuo, atacou meu pé direito, atingindo dois dedos, causando uma dor indescritível.

O engraçado foi que ela ficou quicando (de cara, ou melhor de tubo) um tempão, até a gravidade domá-la.

Como sou otimista, esperei um pouco antes de procurar socorro. Ok, não foi um pouco, foi bastante. Mas como se dor não passasse, fui ao hospital. Desta vez, levado pelo meu cunhado, já no final da noite.

Explico minha relutância em ir ao hospital: noite de domingo, véspera de feriado prolongado, achei que seriam somente médicos em início de carreira, para dizer o mínimo. Mas era um velho conhecido meu (devido às minhas corridas, de vez em quando procuro um ortopedista).

Primeiro, uma sessão de sadismo útil: a drenagem do sangue, feito, óbvio, sem anestesia. Nem precisava, pois não doeu (a outra dor era maior). Depois, a radiografia. Andei pelo hospital alguns quilômetros até a sala. Ou talvez tenha sido menos, acho que a dor influiu na avaliação.

De volta à sala do médico, ele foi bem técnico, mas o suficiente para esclarecer:

- Esmigalhou tudo!

Apesar da terminologia científica, entendi porque doía tanto. E, devidamente esparadrapado, aqui estou, depois de uma noite em claro com luzes apagadas, uma dor que parece praga de ex-esposa, e tentando me divertir com a história.

Quarta feira tenho duas reuniões, com o uniforme usual; terno e gravata. Sabendo disto, o médico mandou imobilizar até a coxa. Brincadeirinha, descobri depois.

E assim estou imaginando como será ir de ônibus/metrô/táxi aos encontros, sem notebook, de muletas. Com uma previsão de quatro a cinco semanas de esparadrado, vai ser divertida esta história.

Ah, está doendo! Muito!!!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O bode

No texto de Marina Colasanti aqui, uma demonstração de como nos acomodamos com as coisas da vida. É certo.

Nos últimos dias, São Paulo tem tido movimento de carros extraordinário. Grandes congestionamentos, motivado pelas compras de natal (dizem).

Em meses anteriores, qualquer parada na chegada da Rodovia dos Bandeirantes era um mau sinal. Nos últimos dias, o normal é ter o trânsito lento (muito) por dez quilômetros.

Aqui, o ponto em que nos acostumamos. Surpreendi-me, nestes dias, feliz ao saber que tinha três quilômetros de congestionamento. E encarei, leve, leve, aqueles longos vinte e cinco minutos necessários para vencer esse trecho.

Acostumei-me com o bode na sala! Precisamos matar o bode. Que está pagando o pato...

Nosso amigo tucano

Certa vez, numa viagem com minha filha, vimos um tucano atravessar a pista, bem na nossa frente. Bem quando passávamos. Ela, pequena, ficou maravilhada. Eu, já não tão pequeno, fiquei também.

Na volta dessa viagem, vimos um outro, mais ou menos no menos lugar. Fantasiamos que era o mesmo. E nos divertimos, felizes com nosso non-sense.

Pouco tempo depois, em outra estrada, outra vez um tucano. Mas, em vez de um, vimos o nosso. E nos divertimos mais, felizes com o reencontro improvável.

Desde então, em nossas viagens, procuramos nosso amigo. Que vem, nos lugares mais inesperados.E, cada vez que aparecem, têm o condão de arrancar sorrisos dos mais escancarados, Seguidos, claro, por alegria pura.

Uma alegria natural. Maseada na falsa premissa de que é sempre o mesmo tucano. mas poderia ser mesmo. E é, em nossas fantasias. E as usamos para, acumpliciados, montar nosso próprio conto de fadas.

De vez em quando, chego em casa e pergunto à ela: - adivinhe quem eu vi hoje?

- O tucano...

I'm back

Anteontem, conversando com uma amiga com quem não falava há tempos, ela reclamou que estava cansada de ler sobre política neste espaço.

Ela está certa. Até eu estou cansado.

Então, vamos mudar de assunto.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Na pizzaria

Naquela mesa barulhenta, primeiro eram as lembranças. Depois, as piadas. Quando o assunto começou a rarear, um deles comentou:
- Que desperdício de calor naquele forno. Só para assar algumas pizzas, uma quantidade enorme de madeira desperdiçada.

- Como podemos melhorar o processo? (eram analistas de organizações, sistemas e métodos).

- Vamos mudar o conceito! Em vez de uma simples pizzaria, vamos agregar valor!

- O calor é benéfico. As pessoas ficam com vontade de tomar chopp.

- Ok, o calor fica. Mas e o desperdício? Como podemos aproveitar o calor?

- Já sei. Fazemos a pizzaria/choperia perto de um velório. aí, vendemos também serviços de cremação e aproveitamos o calor.

A esta altura, já se formava ao redor da mesa uma grande audiência. Etilicamente embalados, todos riam do non-sense...

- Como o processo de cremação deixa resíduos, montamos também uma lojinha de lembranças. Chaveirinhos com pedacinhos de ossos, com os dizeres "Estive no velório de Fulano, e lembrei-me de você!"

Os amigos, cada um morando em uma cidade, não se reuniram novamente. Passados mais de dez anos, quando se falam, não conseguem deixar de falar nesse momento empreendedor. Os garçons e vários dos fregueses entraram na brincadeira, que se estendou pela noite afora.

Ah, a idéia, infelizmente, não prosperou.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O que é decoro, mesmo?

Vejamos o que diz o Houaiss:

Decoro
substantivo masculino
1 recato no comportamento; decência
Ex.: decoro no vestir, no agir, no falar
2 acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor
Ex.: é um indivíduo torpe, sem d., sem honra!
3 seriedade nas maneiras; compostura
Ex.: ela dança sem perder o decoro.
4 postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não
5 Rubrica: literatura.
adequação do tema ao estilo literário

Não tem razão quem se revoltou contra a decisão do senado. Quebra o decoro somente quando ele existe. Se não existe, não há o que quebrar.

Infelizmente o senado ganhou destaque por um aspecto negativo. Não há como acreditar que os ilustres senadores estejam comprometidos com o Brasil. A absolvição de Renan Calheiros é obra de compadrio, coisa de negociata, deslustra a imagem da câmara alta do congresso nacional.

Em vez de orgulho, nosso sentimento é o de estupefação. Aí, ilações não faltam. Para que precisamos de uma casa que protege aos seus, ainda mesmo antes de proteger os interesses do Brasil? Que dizer daqueles que, encarregados de elaborar e aprimorar as leis, fingem que ela não existe, mas somente quando seus próprios interesses estão na mesa?

Com quem é o compromisso do senado? Não deve ser conosco, não é com o Brasil.

O sistema bicameral no Brasil precisa ser questionado. Não seria o caso de eliminá-lo, pois vantagens há. Mas seria o caso de dar um choque de realidade nos nossos ilustres representantes, se é que podemos considerá-los assim. Chega de amarrar cachorro com lingüiça, chega de dar autorizações aos deputados e senadores para julgar matérias de interesse próprio. Chega de esperar anos e anos por leis necessárias (por exemplo, o código civil, com décadas de tramitração, aprovado já com anacronismos). Chega de cheques em branco para quem não corresponde de fato à necessidade do Brasileiro (sim, com maiúscula).

Precisamos, sim, do senado. Mas precisamos de um senado composto por cidadãos comprometidos com o Brasil e suas necessidades, em vez de comprometidos com necessidades próprias. Precisamos de pessoas com, com seu conjunto axiológico, o façam coincidir com os dos Brasileiros, e que façam dele o norte para as decisões.

Todos tem direito de escolher seus caminhos. Se esses caminhos incluem pagar despesas de amantes com dinheiro espúrio, ou de encobrir seus negócios proibidos com laranjas, isto deve ser confrontado com as conseqüências legais. Que o senador faça o que quiser, mas que pague os preços.

O senado envergonhou o Brasil. Em nome de amizade, medo, seja lá o que for. Mas envergonhou seus representantes sérios, os honrados, os que se comprometeram com o Brasil real. Valores desvirtuados, ambiente amoral, para não dizer imoral, dissimulação, negociatas. O Brasil não merecia isto.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Função e papel - O líder e o gerente

As atividades de coaching estão ganhando mundo. Ela se dá quando uma pessoa, mais experiente, adota um pupilo (mais certo seria dizer o contrário) para, com suas orientações, fazer com ele atalhe o processo de tentativas e erros e seja mais assertivo nas ações.

Neste ponto, é um papel que se sobrepõe ao dos gerentes organizacionais, aqueles que têm um cargo de chefia/gerência.

Primeiro, uma distinção: função é uma coisa, papel é outra totalmente diferente. O gerente precisa liderar, mas o líder não precisa ser um gerente. Isto porque a liderança é um papel, e a gerência é uma função. A diferença está na formalidade da ação. O gerente precisa, por exemplo, aprovar, com sua assinatura, um determinado gasto. Ele tem o poder para isto, conferido pelo cargo que exerce. Assim, ele contrata e demite, decide e autoriza. É sua função.

O líder é aquele que, mesmo sem o cargo, influencia pessoas.Pode até dar ordens, mas os que o seguem o fazem porque acreditam nele. Na sua experiência, no seu conhecimento, no seu senso de oportunidade. Não por serem obrigados a isto. Não é raro vermos, numa empresa, o gerente, que se prende a questões administrativas, e um líder que realmente "toca" a equipe.

Uma conclusão obrigatória é que o ideal seria que os gerentes fossem, todos, líderes. Assim, somaria ao seu poder formal (legalidade) a capacidade de gerar adesões em torno de uma causa, um assunto (legitimidade). É o gerente ideal.

Mas o líder o é para o bem e para o mal. Há lideranças especializadas, mesmo que inconscientemente, em fofocas, intrigas, reclamações. Por ser informal, muitas vezes não se dá conta disto. E, neste ponto, é muito mais comum a liderança do gerente despreparado. Aquele que chega mal-humorado, sem cumprimentar ninguém, que não conversa, consegue contaminar a equipe. Os funcionários são influenciados, não pela ação positiva, mas pelo exemplo negativo. Já viu um local em que o mau-humor impera?

Pois bem, há pessoas que exercem muito bem a função de gerente e muito mal o papel de líder, como no caso acima. No casos do mau líder, não há legitimidade, e o papel não pode ser exercido para o crescimento pessoal dos "pupilos".

Há também os problemas decorrentes de concorrências pro cargos. Pessoas que concorrem entre si tendem a não legitimar umas às outras. Pois não querem dar munição ao inimigo. Este é o caso em que aparece o coach. Mesmo sem ser da organização, ele pode orientar pessoa que nele confie para escalar funções com um mínimo de erros, com um alto grau de assertividade. Em ambientes ultra-competitivos, não é pequena essa ajuda.

Mas lamento que o gerente não possa desempenhar esse papel. A gerência só é completa se englobar função e papel. Nada mais estéril que um bom desempenho das funções. Assim como não há nada mais gratificante que o fruto de uma liderança bem orientada.

Isto tudo para dizer o seguinte: estamos carentes de bons resultados que sejam obtidos com crescimento pessoal. Não nos preparamos para isto. Ainda há gerentes que gritam e ofendem, e isto porque foram eles funcionários que gritavam e ofendiam. Não há o cultivo da confiança, e sem confiança não há respeito. Continuaremos, ainda por um bom tempo, numa terra de índios. Onde há índios, há chefes. Mas precisamos mesmo é de gerentes. E líderes. De preferência, numa só pessoa.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Retrocesso?

A urna eletrônica vai imprimir o voto. pelo menos se depender de projeto em trâmite na câmara.

O TSE diz que é retrocesso. E é. Mas é um retrocesso necessário.

Quem se lembra da fraude na visualização dos votos no senado, aquela que provocou a renúncia de Antônio Carlos Magalhães, já põe um pé atrás quando se trata de voto eletrônico.

Some-se o fato de que as urnas são distribuídas para mais de quatro mil municípios. e pronto! Temos uma grande chance de fraude!

Quem trabalha com informática concorda: é um retrocesso. Quem conhece o Brasil, contemporiza: precisa, sim, imprimir.

O TSE parece acreditar que no Brasil as coisas são como nos nossos sonhos. Não são. Ainda precisamos proteger tudo e todos de tudo e de todos. Melhor prevenir...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Fonte Nova

Nem bem anunciaram o Brasil como sede da copa, uma tragédia. Anunciada, para repisar o clichê.

Já tinham denunciado. A Procuradoria já tinha pedido a interdição. Nada foi feito, sete trocedores morreram. Agora, o governador fala em demolir.

É uma grande piada. Que envolve futebol, a grande paixão nacional. Se não fosse, outros seriam os rumos.

Quais, mesmo? A tragédia não se consumaria, não haveria mortes. Sem mortes, não haveria comoções, e não haveria manchetes, Talvez uma notinha de rodapé, dizendo da falta de condições da construção...

Sim, que venha a copa.

domingo, 25 de novembro de 2007

Denunciar a quem?

No caso do Pará, em que uma adolescente estava presa junto a homens que a estupravam freqüentemente, os moradores da região sabiam do caso. Mas não denunciaram. o argumento era que se a polícia, a delegada, e o juiz já sabiam, a quem poderiam denunciar?

O caso ganhou manchetes pelo mundo. No Brasil, principais jornais estampam a notícia e seus desdobramentos.

Agora, surgiram mais casos. E estão sendo apurados.

Fica a pergunta: denunciar a quem?

Se uma emissora de TV investigasse, e estampasse a denúncia, seria mais rápido. idem para um jornal. Mas as autoridades que já sabiam do caso não poderiam ser consideradas como solução, naturalmente.

Estamos num país que, em teoria, segue leis. E diversas delas foram solenemente ignoradas, neste caso. E pelos que deveriam zelar por ela. Dependemos, então, de entidades independentes, como a mídia, para que alguns casos possam ser apurados.

O que nem sempre acontece. Houve, nos anos FHC, uma denúncia de que ele teria tido um filho com uma jornalista. Somente vi o caso num meio de comunicação. Os demais calaram. Foi em interesse de quem? Outro exemplo, desta vez mais palpável: Boris Casoy. depois de dar voz à indignação do brasileiro, ainda nos anos Collor, diz a lenda que foi defenestrado da Record a pedido de Lula.

E se foi mesmo?

O caso é que, num e noutro caso (autoridades e meios de comunicação) estamos à mercê dos interesses privados, não da população. Se o retorno não compensar, estamos ainda no Velho Oeste.

Pena, mas os meios de comunicação ainda são nosso único porto. Nem sempre seguro, mas, ainda assim, nosso último porta-voz.

sábado, 24 de novembro de 2007

Ainda sobre o aborto

Com a atual discussão sobre o aborto, fica uma questão: onde serão feitos se legalizados?

É preciso lembrar que há filas de meses para uma simples consulta. Se para consultas demora-se dessa forma, como seria para agendar um aborto?

A discussão, no Brasil, está brava. Mas não quer dizer que a decisão será obedecida...

Mas a posição, independente de posição religiosa, deve levar em consideração o custo para o estado dos resultados indesejados do aborto feito em condições precárias. Legalizar o aborto seria, no mínimo, uma medica econômica do estado que se diz laico.

Outra coisa bem diferente é ser contra ou a favor do aborto em si. Mas esta é uma questão pessoal, a que aderem as pessoas que acreditam na causa. Assim sendo, repito, quem não aceita o aborto que não o faça. Ou melhor, que não precise dele. Mas não podemos impor a ninguém nossas crenças.

Isto posto: sou a favor da legalização. Embora seja contra o aborto.

Veja essa!

Os Estadus Unidos sempre são citados por causa de sua justiça. Lá, tudo acaba indo às cortes. Tropeçou na rua? Processo a prefeitura. Queimou a boca no restaurante porque a comida estava muito quente? Processo!

Agora, uma seguradora está processando uma mulher que, atropelada, utilizou o seguro para a assistência médica. Em processo contra o atropelador, conseguiu uma indenização e recebeu US$ 700.000,00. Descontadas as custas judiciais, ficou com pouco mais de US$ 417.000,00. No processo, foi condenada a pagar para a seguradora em torno de US 470.000,00. Ou seja, mais que o líquido que recebeu na justiça.

A decisão baseia-se numa cláusula do contrato que dizia que, se recebesse indenização pelo evento, o segurado deveria ressarcir a empresa pelos custos do tratamento de saúde.

Pois bem, eu achava que a saúde no Brasil era ruim... ah, mas é. Não é este o ponto. O ponto é que a saúde ainda vai acabar com os Estados Unidos. .. ok, deixe-me refrasear: os custos da saúde ainda vão abalar a economia dos Estados Unidos.

Os candidatos a candidatos a presidente dos Estados Unidos fogem da questão. É tão espinhosa que todos se deram mal ao abordá-la. Ford e GM já culparam o seguro saúde como um dos grandes custos que têm de arcar. E a saúde é bem tratada, ou não é. O SUS de lá é bem melhor que o de cá, mas não se compara ao serviço prestado aos assistidos pelo seguro.

Bem, lá a ré (
Deborah Shank) está viva para protestar. Na cadeira de rodas, mas viva. Aqui, como seria?

De qualquer forma, esta é uma decisão que aplica a lei, mas está longe de fazer justiça. Justiça, mesmo, não é o caso dos Estados Unidos. Aplicar a lei, sim.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Essa merece

Por falar em lembranças, esta merece!

O site do Beto Santos é de visita obrigatória, veja aqui.

Lembranças de Campinas

Dia destes, dia de muita chuva em Campinas, levei minha ao teatro do Shopping e resolvi passear (algo raro). Encontrei logo um casal que estudara comigo, já havia vários anos.

Lembramos de tudo e de todos, e lembramos até de quem nem lembrávamos.

E isto trouxe-me à mente imagens que, se você conheceu Campinas há alguns (vários) anos, deve lembrar-se também:

  • o balão do Castelo, onde os boyzinhos iam fazer gracinhas com seus carros;
  • o balão do Timbó, aquele pizzaria que não existe mais, mas que todos ainda citam como ponto de referência;
  • o Paulistinha, barzinho muito perto do City Bar, e ponto de parada obrigatória na saída das noites. um dos poucos que funcionavam 24h;
  • o Bate-Papo no Cambuí, outra parada obrigatória, esta ao raiar do dia, para tomar um caldo ou uma sopinha, devidamente acompanhada por uma cerveja gelada, para espantar a ressaca;
  • o Bar do Mazzola no Castelo;
  • o Faca Bar na Conceição;
  • o Ponto Chic na Sacramento;
  • o Cine Scorpius, um drive-in dos mais comportados;
  • o Choppão, às margens da lagoa do Taquaral, concentrava os passeios nos finais de semana à tarde;
  • o Eldorado, quase um shopping;
  • O Apocalipsis, Apô para os íntimos, bem à frente da Woo Doo, pontos dançantes pertinho do Guarani;
  • Por falar em Guarani, além de seus carnavais, os shows que aconteciam no ginásio;
  • O Concórdia;
  • A Quéops;
  • e tantas mais...
Falamos a não mais poder dessas coisas tantas e distantes. Eles, que já namoravam naquela época,agora casados, somente para não fugir da escrita, ficaram imaginando alguém para mim...

Enfim, lembrar é bom. Era uma época em que a violência era menor, as drogas ainda não tinham a força de hoje, os lugares eram mais tranqüilos. Como sempre digo à minha filha, queria que conhecesse cada um desses pontos de minha memória. Mas já sei que seria tedioso; ainda não tinha internet, nem celular, nem TV a cabo.

Mesmo assim, sobrevivemos. E aqui estamos para contar as histórias.

Lula e o Rei

Agora, Lula defende Chávez. Jornalistas fazem uma ilação: o motivo é que, assim como Chávez, Lula também acha que mudanças na regra do jogo são legítimas, se chanceladas pelo povo. Assim, Lula, ao mesmo tempo que elogia a democracia de Chávez, faz vista grossa ao desentendimento com o rei, como se este não tivesse de estar presente no encontro que ele patrocinou.

Viajando no tempo, não podemos condenar Lula. Fernando Henrique esteve envolvido no escândalo da compra dos votos da reeleição. E ela foi instituída. Nem por isto ele tem a pecha de ditador ou de casuísta.

O fato é que todos se baseiam na regra do jogo. E ela admite mudanças. Condenar Chávez seria condenar Fernando Henrique e as pretensões de Lula.

Mas nem por isto é certo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Girando...

O Rei e Chávez
Chávez quer que o Rei Juan lhe peça desculpas!
Incrível! Depois de uma demonstração de, no mínimo, falta de cordialidade, ouviu o que não queria. E ainda se acha no direito de exigir retratação. A postura autocrática é assim. A razão lhe pertence, os outros são... os outros.
Amigo de quem mesmo?

CPMF
Sim, vamos conviver com ela ainda muito tempo. Os discursos oposicionistas tinham somente um objetivo: vantagens estamentais. O povo? Ora, o povo...

O Petróleo
Uma bela notícia, que pretende acabar com a questão sobre a privatização da Petrobrás. Nunca saberemos se a Petrobrás privada teria mais sucesso que a estatal. A considerar o comentário de Mantega sobre o lucro do Banco do Brasil (o BB não está voltada para o lucro, como os demais bancos privados), acho que a Petrobrás privada teria um melhor desempenho. mesmo considerado o excelente desempenho atual. Pode ser somente um preconceito de minha parte. Ou pode mesmo ser o que a razão diz. Neste Brasil de Macunaíma, não sabemos onde estão as saúvas.

O feriado
Contra a maré, digo: que desperdício de tempo e dinheiro. O Brasil não melhora com esses feriados. Mesmo que não piore.

Renan
O fim está próximo?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pessoas difíceis

Nos últimos tempo tenho me deparado com pessoas de trato muito difícil. Algumas no campo pessoal, outras no campo profissional. Em comum, o fato de adotarem posições ora dúbias, ora agressivas, ora infantis ao lidar com questões cotidianas.

Tenho uma posição pessoal firma: a pessoa escolhe seus comportamentos. Dizer que é assim mesmo e pronto é assumir que esse comportamento está bom, e não interessa mudar. Não reconhecer o próprio comportamento é um alheamento que, por si só, já indica que mudança nunca haverá.

Mas os sinais deveriam indicar à pessoa seu traço de comportamento. Em vez, mostra-se como uma conspiração, ou falta de competência, ou falta de habilidade... do outro.

Os amigos não ajudam. A maioria valida o comportamento. Ao ouvir os argumentos de uma explosão de sentimentos, é comum ouvir o apoio incondicional, no lugar da sinceridade necessária ao desenvolvimento pessoal.

O resultado, infelizmente, é meramente subjetivo. Mas poderoso, felizmente. Algumas pessoas se isolam no morro do mau-humor e acabam sem amigos. E, aos poucos, se encarregam elas mesmas de acabar com eles.

O profissional é tido como difícil. É aquele que não tem network (ou tem uma reduzida), aquele que, sem o poder o cargo, é somente mais "um grosso".

Esses comportamentos são desagregadores e determinam resultados ruins. Ou não tão bons como poderiam ser. isto no campo pessoal e profissional.

Aqui, como nos casos de usuários de drogas, não adianta nosso esforço, se a pessoa não reconhecer que tem problema e resolver tratar dele.

Infelizmente, comportamentos disfuncionais são regra. Poderiam, deveriam, ser exceção.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

CPMF

Sobre a CPMF, alguns registros:
  • O PSDB é o fiel da balança. Depende dele a manutenção da contribuição. Justo ele, que a trouxe de volta. Ironia...
  • Se o PSDB estivesse de fato no governo, a CPMF estaria aprovada. O quer dizer somente que o interesse é o que conta.
  • Mas parece até oposição séria. Seus argumentos são tão lógicos que parece mesmo que a prioridade é o Brasil. Pena que sejam contraditórios em relação àqueles que utilizaram na volta do simpático tributinho...
  • Se você gasta mais do que ganha, é irresponsável. Se seu salário é diminuído, tem de escolher onde cortar gastos. Mas o governo não é assim. Tem a caneta, tem a chave do cofre. Escolhe quando e como. Qualquer governo. PT e PSDB estão confirmando isto.
  • Lula, no seu pragmatismo, está cada vez mais a cara do Fernando Henrique. Sem ofensa. Para nenhum dos dois...

Eu confesso

Manhã destas, indo para São Paulo, acompanho as peripécias de um motorista pelo meu retrovisor. Ele vem lá de longe, pressionado carros á sua frente, ultrapassando pela direita, em alta velocidade.
Passou por mim um pouco antes do pedágio, bem rápido.

Ao perceber que ele tinha o SemParar, decidi pegar a fila que ele não pegasse. Dito e feito: passou muito rápido, o sistema não teve muito tempo para raciocinar, e o carro dele acabou batendo na cancela, fazendo-o parar para ver os estragos.

Confesso: foi bom!

Motorista espertinho, atrasou-se por causa da pressa...

Desleixo

Estou meio assoberbado, daí este espaço ter ficado um tempo sem atualização.
Final de ano, muita coisa acontecendo, tempo de conversas e planejamentos.

Mas voltei.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A ANAC

No dia da Fórmula 1 em SP, chuva. Foi o que bastou para aquele caos todo em Congonhas. Peraí: de novo?

Quando Jobim tomou posse, disse que resolveria os problemas. E determinou uma série de medidas que esvaziaram o saguão de Congonhas. Descrevi neste blog a diferença brutal de então com o "antes". E, ao longo do tempo, venho escrevendo que, aos poucos, o movimento se aproximava dos observados antes das queda do avião da TAM.

Prova disto é o reflexo de uma simples chuva no aeroporto. De novo, pessoas esperando muitas, muitas horas para embarcar.

O que mudou, de concreto? Não sei. Sei que nossa espera, agora, em vez de ser no saguão, é no avião. Já fiquei uma hora dentro do avião parado, para uma viagem de 45 minutos. Noutra ocasião, fizemos a viagem de 45 minutos e ficamos outros 40 sobrevoando Santos, à espera do momento de aterrisar.

As medidas anunciadas bombasticamente foram no melhor estilo "para inglês ver". Os problemas continuam, porque nunca foram resolvidos de fato. E, no GP da Fórmula 1, tenho aqui minhas suspeitas. Pois descer em Congonhas é muito mais próximo de Interlagos do que descer em Guarulhos. Os vôos que trariam o público, então, seriam para onde?

Enquanto isto, nosso ministro da defesa, ora de bombeiro, ora de soldado das selvas, vai desfiando ironias à aviação. É certo que não se vê mais rebeliões de controladores. E é certo que as medidas foram tomadas (se foram sustentadas, é outra história). Mas o passado nos permite desconfiar que haja uma grande dose de manipulação da verdade e uma outra grande dose de autoritarismo. E nem uma coisa e nem outra resolverão nossos problemas.

Para encerrar: o presidente da ANAC sai de cena. Milton Zuanazzi entregou o cargo. O que ele fez de bom? Não sei. recebeu uma medalha, acho. De ruim? Deixou os aeroportos sob a influência única da inércia. Que, com toda a "resistência" do dia-a-dia, acabou pior do que era. Vai tarde!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A Copa do Mundo é nossa!!!

O ufanismo do título está carregado de sarcasmo.

Quando John Kennedy lançou o desafio de ir à lua, ele mobilizou e fez mobilizar vários organismos e pessoas no sentido de viabilizar seu projeto. E, antes do prazo dado, o homem foi à lua e voltou, são e salvo, como predissera o repto.

O que Kennedy fez foi transformar em meta um sonho. Colocou data e hora, e em função disto estabeleceram o "como". E, sucesso. Os Estados Unidos já tinham um excelente nível educacional, e um excelente atendimento médico. Exceções à parte, o povo americano estava estabilizado. Assim, pôde sonhar com as nuvens e com a lua.

E o Brasil? Estima-se que serão necessários quase vinte bilhões de reais para viabilizar a copa (infra-estrutura e outras obras essenciais, além do aparato de praxe). Para ser usufruído por menos de um mês e depois incorporar-se à paisagem. Provocará um belo afluxo de turistas, isto é verdade. Em um mês, impostos de serviços prestados e produtos vendidos terá um belo valor, também verdade.

A pergunta do mal-humorado aqui é: esta deveria ser nossa prioridade?

No Nordeste, pessoas estão morrendo na fila dos hospitais sem atendimento médico. Lá o caso é mais grave que nas outras regiões, só por isto tem esse destaque. Nas demais regiões, o grave já se classifica como o "cotidiano". Nossas estradas continuam esburacadas, aumentando o valor dos fretes de transportes, refletindo-se nos preços finais de nossos produtos. Nossas escolas ainda nem segurança têm, sem mencionar o salário ultrajante dos professores. Os equipamentos do nosso aparato de segurança são dignos de sucata. Tudo isto por falta de dinheiro.

Mas a copa, ora, a copa é de futebol. Futebol é que emociona o brasileiro. O presidente do senado está envolvido em denúncias? Paz no Brasil. O Corínthians vai cair? Comoção! Protestos! Agressões!

O rolex de Luciano Huck foi roubado? Bem feito, o rico merece! A mãe do jogador (de futebol) foi seqüestrada? O Brasil inteiro pára para acompanhar e ajudar.

Lula, com sua verve natural (e sua diarréia verbal) deveriam engrandecer o Brasil. Há filas nos hospitais? Lance-se o desafio de, em sete anos (o tempo que falta para a "nossa" copa) acabar com essas filas. Há crianças sem escolas? Desafio: escola para todos (em sete anos). E por aí vai.

Mas nosso ufanismo não se comove com hospitais. Nem com educação. Comove-se com o espetáculo fugaz da Copa, com seus bilhões de reais que, sabemos, multiplicam-se como pães e peixes, aos doadores de campanha, digo, empreiteiras. Dos hospitais e escolas, obras pequenas, já não se pode atribuir o mesmo interesse.

Pobre Brasil. Mas nossa pobreza é intelectual. Principalmente intelectual.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sérgio Cabral, criminalidade, aborto

Sérgio Cabral tocou num nervo exposto, para variar. Declarou que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas é grande fornecedora do crime (tráfico). E defendeu o aborto para pobres, da forma como já existe para os remediados.

Ok. Cabral tocou num ponto, mas não esgotou o assunto. Assumir que este seja a origem de todos os males criminosos do Rio (e do Brasil) é reduzir a questão a um tamanho inaceitável. Há diversos fatores, e este é, sim, um deles. Mas não é o único.

Mas é um deles, sim. Como frisou Barbara Gancia em seu artigo de hoje na Folha de São Paulo, quais são as chances de jovens gerados "à revelia" e rejeitados por seus pais se tornarem criminosos? Com as companhias que se lhes oferece nas favelas, e a falta de perspectivas sociais, o tráfico é até uma possibilidade de vencer na vida, infelizmente. Assim, aos que não planejam engravidar, ou não planejaram, o estado deveria oferecer meios de evitar ou interromper a gestação. Isto aqui colocado sem conotação religiosa, mas pragmática.

O que dizer, então, do perfil dos usuários de drogas, destacadamente jovens de classe média/alta? Não se pode afirmar que sejam fruto d gravidez indesejada. Não se pode dizer que não tenham tido amparo familiar ou conforto. Mas é quem oxigena o tráfico. Sem esse consumo. seria menor o tráfico (talvez crescessem outras atividades criminosas, para compensar a perda de receita dos bandidos, mas esta é outra discussão). Mas aqui não se pode dizer que o aborto resolveria. Portanto, é preciso olhar o cenário como um todo, e não apenas achar que, legalizado o aborto, resolveríamos todos os problemas do Brasil.

Mas o aborto é uma medida controversa, muito controversa. Há os que são a favor, muito a favor, e os que são contra, muito contra. Dificilmente se encontra quem seja neutro em relação ao tema.

Normalmente, o que embasa a posição formada é a orientação religiosa. Num estado laico, como se declara o brasileiro, tal orientação não pode se refletir na lei. Motivo pelo qual o STF realizou recentemente um workshop de biológos falando sobre concepção e vida. O objetivo era dar aos ministros um embasamento científico para julgas as questões que envolvessem esses conceitos. Sem resultados práticos, ainda, mas uma bela iniciativa.

Os argumentos religiosos se limitam sempre pela realidade. Ao assumir para si um comportamento indicado por uma religião, a pessoa o faz sempre manifestando sua liberdade de escolha. A mesma que define se ela terá relações sexuais (exceção feita ao estupro), e a mesma que lhe possibilita escolher sexo seguro e métodos contraceptivos. Não escolhendo este caminho, ou seja, optando por não se proteger contra DST e concepção indesejada, submete-se às conseqüências e riscos inerentes. Em tendo escolhido não utilizar métodos contraceptivos, assumiu a possibilidade uma gravidez. Se lhe barra a religião a possibilidade de fazer aborto, sua liberdade de escolha (mais uma vez) é quem determina se fará de fato ou não. Pois não tem (mais) a religião o poder coercitivo de evitar seu ato. Quanto ao fato de tomar uma atitude condenada pela religião, terá momento para se justificar, segundo a maioria das crenças.

O que destaca Sérgio Cabral é que as pessoas de maior capacidade financeira é que está ao alcance delas realizar o aborto (independentemente de orientação religiosa). O mesmo não se dá com as pessoas de menor poder aquisitivo. Que se arriscam com agulhas de tricô, parteiras/abortadeiras e pseudo-clínicas (onde parteira/abortadeiras fazem o "procedimento" às vezes até com agulha de tricô). Ou não. Essas de menor poder aquisitivo deixam a criança nascer, para dá-las a outras pessoas, à vida bandida, ou simplesmente dar-lhes as costas.

O debate não se encerrará cedo, porque não se iniciou. Ao tema é comum aplicar uma sonora vaia, mas não uma produtiva discussão. É terreno pantanoso, do qual fogem os políticos e religiosos.

E, assim, com todos desviando o rosto do problema, vão ainda morrer muitas mulheres em decorrência de complicações pós-aborto. E ainda muitas crianças vão crescer, rejeitados ou simplesmente mimetizados com a criminalidade, contribuindo para nossas trágicas estatísticas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Camisa de força

Hoje, na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi desafia: que sistema é menor ruim que a democracia?

Também na Folha, Melchíades Filho sugere que a copa seja focada também no Nordeste, para desenvolver a região. Mas ressalta que não há latitude para a roubalheira.

São tristes conclusões. Nosso sistema político é ruim. Aqui, a heresia expressa: a democracia não é tudo aquilo com quer sonhavam os idealistas. Mas é melhor que os regimes anteriores. Menos mal com ela, portanto.

A outra: com a Copa em 2014, vai haver obras e desenvolvimento. Mas também roubalheiras. Como se as coisas fossem parte integrante uma da outra.

Moral da história: é ruim nossa democracia, mas não avançamos em direção a um ponto melhor. Não temos mobilização, e, se tivéssemos, falta-nos o poder institucional ara efetivar qualquer, frisando, qualquer mudança. O que é irônico, pois as instituições são formadas e reformadas em nosso nome. E somos nós que transferimos poder àqueles que fazem isto. Na hora de mudar (ou de decidir qualquer coisa), entretanto não passamos de "bases", "povo", "opinião popular". E não temos, nessa maravilha de democracia, poder de voz. Grande exemplo disto é que na votação sobre a cassação de Renan Calheiros, os deputados (nossos representantes) foram impedidos de entrar (entraram alguns, mas a que custo: pugilato). Se nossos representantes não podem, que dirá do "povo", que nem credencial tem?

Mas seja dita uma verdade: poucos estão interessados realmente nisto. Já na zona de conforto, nós que trabalhamos dez, doze horas ao doa (ou mais), nos preocupamos mesmo é com as banalidades cotidianas, deixadas para trás no corre-corre de nossa vida.

Refere-se a isto Clóvia Rossi no artigo de hoje, mas em relação às eleições argentinas, onde o desinteresse grassa. É diferente do Brasil? Não me parece.

Sobre a roubalheira, estamos de mão amarradas, e bem amarradas, nas costas. Recentemente foram indiciados dirigentes da Infraero por desvios de dinheiro. Milhões de reais. O que podemos fazer sobre o assunto? Recolher a CPMF, parece ser a resposta do governo.

À CPMF, pois.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Dois pesos, duas...

Quando Rubens Barrichelo deu passagem para Schumacher na Áustria, em 2002, a manobra foi tachada de marmelada, vergonha, daí para baixo.

Em 2007, com a evolução dos tempos, a manobra de Massa em favor de Raikonnen foi jogo de equipe. Como "equipe de futebol", como citou nosso locutor esportivo obrigatório (por causa do monopólio).

Como dois eventos de mesma origem e tipo conseguem sensibilizar de forma tão diferente? Na primeira ocasião, a FIAT do Brasil protestou, segundo noticiários da época. Será que agora se antecipou, e tratou de acalmar os ânimos chauvinistas bem cedo?

Não gosto do Galvão Bueno. Ele interrompe seus comentaristas e desdenha de suas opiniões. Se perde em apologias do nada, e gosta de adivinhar, não narrar, os eventos esportivos. Adivinha o que está pensando, o que está querendo, o que está sentindo.

Só para comparar, ontem vi o VT da cortida no SporTV. É descomunal a diferença da dupla Sérgio/Lito. Eles narram como uma dupla de fato, um admitindo a possibilidade do outro estar correto. E suas análises são sempre mais acertadas que o trio de ouro. Um exemplo: enquanto o trio tentou, por vários e intermináveis minutos, adivinhar o que acontecera com o carro de Hamilton, Lito e Sérgio mataram na hora: "- a marcha não entrou!"

Tristeza é não podermos escolher, por uma tremenda dominação negocial-financeira, onde vamos assistir os eventos. A solução é simples: veja na Globo, ouça em qualquer rádio.

domingo, 21 de outubro de 2007

sábado, 20 de outubro de 2007

Fim de semana

Semana cheia, fim de semana de pai.
Depois de voar muitos, muitos kilômetros, dirigindo, por mais de 1200. Reunião, aqui, reunião ali, planejamentos, relatórios, cobranças...

Mas, hoje, sábado, é dia de ser pai. 100% pai. E vamos assistir à uma peça da filhinha com amigos. E não é que foi um excelente programa?

Agora, descansar um pouco. Estou mesmo precisando.

Ah, Massa na pole. O domingo promete. Estou torcendo pelo Raikkonen. Não, não para ser do contra. Mas para ser justo. A Mclaren trapaceou. Seus pilotos se beneficiaram disto. Gostaria mesmo que a título de pilotos não fosse para um dos seus.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O tempo passa...

Quem assistiu Star Trek original certamente resiste a aceitar o Capitão Kirk como Denny Crane em Boston Legal (No Brasil, pela Fox, Justiça sem limites). Aliás, é, ao lado de Alli Mcbeal, o melhor seriado cômico sobre advigados da TV.

Mas voltemos ao Capitão Kirk. Outrora destemido, politicamente correto, um herói com caráter, de repente vê-se tolo, fútil medroso... Quando cultuamos a figura, é difícil aceitra novo papel. Willian Shatner que o diga.

Mas Star Trek se foi, dando lugar a outros sucessos. Boston Legal, por exemplo. Ator que é, Shatner incorporou outro papel. E, ao lado de Alan Shore (James Spader), constrói uma deliciosa comédia.

Mas me lembrou muito a música abaixo. Que, cantada por Sinatra, virou hino.



Na voz de Dione Warwick

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Estereótipos?

Recentemente li num artigo uma referência azeda de um jornalista a um estereótipo aplicado ao Brasil. Mas não concordo com o azedume, embora concorde que haja mesmo imagens que são emprestadas a pessoas, países, tecnologias e outras, transformando-se em ícone, quer gostemos oi não.

Mas pelas ruas de Manaus vejo sinais desses estereótipos: cocares, artigos indígenas, imagens de onças, araras, papagaios... E quem as está divulgando é o público local, que lucra com isto.

Nas ruas de Salvador, as imagens das baianas. Por Salvador e Recife, por exemplo, imagens de coqueiros, sol, mar e... mulatas. Muitas mulatas. Quer estereótipo maior?

O fato é que estereótipo vende. Quem esteve em Manaus terá uma tendência de lembrar do Brasil pelas imagens locais. Idem para quem esteve em Porto Alegre, Recife, Belém. Não vale para São Paulo, que tem uma imagem difusa de metrópole problemática. mas vale para o Rio, com a importante diferença que é uma cidade que não precisa criar estereótipos. Seus ícones são suas belezas naturais, e incluem-se aí as imagens das belas mulheres nas praias. Assim, na lembrança real ou idealizada do Rio, praias linda, paisagens lindas, mulheres lindas.

É ou não um estereótipo? Mas nem por isto é menos verdadeiro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Tétris Humano

Você conhece aquele jogo de computador Tétris? Onde peças de formatos diferentes vão surgindo em cima, na tela, para que você as posicione de forma a encaixá-las embaixo?

Pois bem, por indicação de minha filha, aqui vai um vídeo de um Tétris. Mas veja a criatividade dos japoneses.



Ai, deve doer.

domingo, 14 de outubro de 2007

Privatizou bem...

Vamos elogiar.

Houve a privatização de rodovias federais na última semana. O que surpreendeu foi o valor do pedágio. Mais que o fato de que seis dos sete trechos foram arrematados por espanhóis. Talvez, uma vingança por Tordesilhas...

Vamos aos valores, destrinchados por Élio Gaspari na sua coluna de hoje na Folha de São Paulo (infelizmente só para assinantes). Ou melhor, ao valor mais surpreendente: R$ 1,42 (para cada 100 km, na Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte). Compare: eu vou todos os dias para São Paulo, e pago R$ 10,60 no percurso (seja Anhangüera ou Bandeirantes).

Dá para comparar?

Onde está a mágica?

Mágica não existe em capitalismo. Ou o valor é suficiente, com uma margem de lucro considerada boa pela empresa, ou a empresa blefou. Não acredito que ela tenha blefado, pois não é um joguinho.

O que nos leva a pensar.

Os sábios da área condenaram os valores desse negócio. Representantes de entidades de classe (sim, há), especialistas, e até Geraldo Alckmin (votei nele, sinto-me à vontade para criticá-lo). Todos dizendo que o valor é insuficiente. Acho que insuficiente foi a análise e o trabalho daqueles que privatizaram as rodovias no estado de São Paulo. Que é a mesma base de partida da Fernão Dias, que teve esse valor absurdo na negociação.

Os espanhóis sabem que a comparação será inevitável. Obrigatória, até. Ainda assim, "compraram" a concessão.

Ao governo cabe estabelecer check-points que garantam qualidade dos serviços e das vias. E, mais que isto, por óbvio que seja: fiscalizar. Se isto acontecer, haverá uma vitória dos usuários.

Ao elogio, portanto. O governo Lula fez sua parte. Extrapolou a ideologia, mas, ora, já nem tinha mais essa preocupação, não é mesmo? Privatizou, e privatizou como se fosse gente grande. Uma ação de privatização entre adultos consentidos. Deu um banho nas privatizações anteriores. Deu um banho nas privatizações das rodovias paulistas.

Quem sabe se agora deixo de falar que pago caro pela qualidade de nossas estradas em São Paulo?

Não me lembro de outra situação em que o governo fez nada além do que bem governar. Quando se meteu em política, foi para que mesmo??? Nunca para interesses do Brasil como propagado nos períodos pré-eleitorais. As armações políticcas do governo nunca tiveram esse cunho de beneficiar a população, senão a pessoas e/ou partidos chamados aliados...

Parabéns. Que haja outras desse tipo.

sábado, 13 de outubro de 2007

É, as coisas mudam

Tínhamos uma turma. Que nasceu pequena, com quatro pessoas. Mas que logo foi crescendo, com outros aventureiros.

A desculpa? Pescar. Mas tinha uma época em que somente dois de nós levávamos material ("traia") de pesca; Os demais nem se davam o trabalho. Também, só o que eu levava era suficiente para que vários pescassem...

Com o passar do tempo, somente eu continuei levando a "traia". caprichosamente guardada numa mochila, cuidadosamente montada a cada pescaria. Descobri, depois de um tempo, que havia um rodízio dentre os demais, para evr quem iria ficar comigo no rio. Quem perdesse, claro.

Eram dias de churrasco, cerveja, e muita conversa jogada fora. Brincadeira várias, inclusive as mais bestas. Por exemplo, uma brincadeira de dar tapas na nuca que acabou num vidro de um carro quebrado. E um só comentário: - "puxa, imagina se tivesse me acertado".

Tinha um caiaque no rancho (era uma represa). Um belo dia, um de caiaque, outros de lancha, outros pescando num jirau no meio da represa, outro num avião (era chique, o danado).

Histórias mil. Como a do caiaque que virou. A da pedra, de toneladas, que "se mexeu" e jogou o incauto na água. A isca, que chamou a atenção de pescadores ao nosso redor, tantos eram os peixes que pescávamos, e que um de nós afirmou, simplesmente "- é a Folha de São Paulo". E, ato contínuo, puxou o anzol da água mostrando um pedaço de jornal como isca.

É, tempos idos. Era uma fuga às pressões do dia-a-dia, e só nós sabemos como eram grandes. Era a chance de nos escondermos da verdade, e montarmos nosso grande teatro do faz-de-conta. Nosso maior problema era a madeira para assar a carne. Ou descobrir quem é que iria limpar os peixes. Ou saber quem iria contar ao dono da casa que o seu scotch blue label tinha acabado...

Enfim, tempo em que algumas coisas muito, muito bobas viraram piadas. E que afloravam no dia-a-dia, na hora mais tensa, como escape. Como se estivéssemos no nosso recanto de pesca, brincando. Fugindo da insanidade, escondíamos-nos na insanidade.

Hoje, tenho contato com um dessa turma, que chegou a ter mais de vinte participantes. Um de nós se perdeu no Mato Grosso, ninguém sabe seu fim. Tememos pelo pior. Outros, distanciaram-se como há de ser nesta vida, de amizades fugazes e eternas.

Aquele com quem tenho contato amargurou-se com a vida. Não ri mais, a não ser aquela risada que trai a má vontade. Os demais, ora, os demais, a vida continua.

Mas de vez em quando pesco com minha turma, que me aturava pelas madrugadas afora, na beira do rio, com minhas piadas infames, que me dão tanta satisfação. E, nessas fugas, reencontro cada um desses amigos, rindo de piadas que só mesmo nós somos capazes de entender.

É, vamos pescar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Caiu?

Não, foi um afastamento estratégico. Ainda não caiu. Será que vai?

Eliane Cantanhede na Folha de São Paulo afirmou que ele não reassume a presidência do senado, por falta de condições. Vou torcer para que ela tenha razão.

Afastou-se porque deteriorou-se o apoio político que ele tinha. Ou seja, se os senadores quisessem podiam tê-lo cassado na primeira votação. Não o fizeram.

Senadores acharam que ter as despesas pagas por uma empreiteira não quebra o decoro. Apoiavam abertamente (seu grupo de apoio) as afirmações do Grande Líder. Agora, que o GL resolveu espionar a chantagear os demais colegas (segundo as notícias da imprensa), seu apoio esvaiu-se.

Quer dizer, os senadores não tiveram problemas em aceitar o primeiro comportamento. Mas o segundo, que mexeu diretamente com eles, foi demais. Até seus aliados debandaram. O senado da república é corporativista, estamental e hipócrita.

Vai soltar? Espero que não. Espero que ele seja cassado, e que volte ao seu estado natal. E que lá seus eleitores tenham a coragem de puni-lo pelos excessos. Mas também espero que acabe a fome no mundo, e este é um pedido mais realista que o primeiro...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O acidente de Santa Catarina

O acidente de Santa catarina choca e comove. Choca pela quantidade de vítimas e pela seqüência que levou ao total de mortos e feridos.

Infelizmente não é surpresa. Quando relatei o caso de um caminhoneiro pelo interior paulista, o fiz por ser uma cena bem comum pelas estradas. Quando a pista é simples, o perigo aumenta. Mas é um perigo que, apesar de gritante, não tem oposição. Não há formas de evitar e não há formas de controlar.

Estamos à mercê da sorte. Que às vezes sorri, mas às vezes se ausenta. Vemos todas as propagandas de segurança no trânsito, com suas recomendações de usar cintos de segurança, realizar manutenções no carro, verificar pneus, etc. Mas não vemos mais aquele policiamento que faz as checagens para ver se o carro do cidadão tem condições de checagem.

O policial foi substituído por um equipamento que se limita a verificar a velocidade. Que o motirista ajusta nas proximidades do radar, graças ao aviso de outros "bem intencionados" motoristas, que sinalizam denunciando o caça-níqueis do governo, ou pelos equipamentos que justamente identificam a presença desses radares.

Como se não bastasse, a manutenção do carro não garante o comportamento do motorista. No caso que relatei, o motorista chegou a obrigar carros que vinham na direção contrária a sair para o acostamento (para não bater). Assim são outros casos.

Vindo de São Paulo, uma senhora, quando eu estava ao lado do seu carro, resolveu sair para minha pista. Saiu, me obrigou a ir para o acostamento, e ainda se achou no direito de xingar (aqui, acho que não foi maldade. Foi um erro que, em lugar de ser reconhecido por ela, resolveu achar que eu não deveria estar ali quando ela queria passar).

Mas os caminhões são problema. Certa vez, a bordo de um guincho (eu e meu carro), o motorista, em alta velocidade, veio reclamando do limite. Pois o seu caminhão, mesmo carregando um automóvel, tinha condições de correr a muito mais que a velocidade máxima permitida ali (120 km/h para automóoveis, 90 km/h para caminhões, e ele estava a 120km/h).

Já é conhecido o sinal de "mudar de pista" dos caminhoneiros quando querem fazer uma ultrapassagem em pista dupla. Acenam com a mão para que nós mudemos de pista, pois eles já estão naquele em que trafegamos.

O acidente de Santa Catarina chocou. Quando acontece o acidente, chocamos-nos, perturbamos-nos, queremos deixar de acreditar. O que precisamos, mesmo, é evitar. E nossa ação não existe nesse sentido.

Nas rodovias Anhangüera e Bandeirantes existem câmeras de vídeo em grande parte da extensão. Elas não podem servir de base para autuação por velocidade, mas deveriam servir para punir os responsáveis por manobras perigosas, e estes existem aos montes. Exemplos: ultrapassagens pela direita, tráfego no acostamento, "cortadas" em outros veículos. Mas servem apenas para monitorar o trânsito. Se há pontos de lentidão, se há acidentes.

Nosso pedágio volta como facilidades nas vias de rodagem. Costumo dizer idiotamente pelo Brasil afora que pagamos, mas temos boa qualidade nas rodovias. É uma verdade, mas não abrange toda nossa necessidade. Há quesitos de segurança que precisam ser atendidos. Um acompanhamento mais objetivo, com ações punitivas, hoje seria uma boa resposta à essa demanda.

Para encerrar, (mais) uma experiência: vinha pela D. Pedro I (que liga Campinas ao litorial norte), à noite. De repente, todo apagado, entra na rodovia, de maneira atabalhoada, um Escort 1948 (sei lá que ano, mas era velho, no sentido de mal cuidado). Entra, ziguezagueia, e pára. Isto mesmo, pára, no meio (bem no meio) da pista. Quando percebi o risco, diminui minha velocidade e fiquei observando. Ele parava e se movia, aos sopetões. Repito, todo apagado, de noite. Quando percebi ser possível, ultrapassei-o, e vim na expectativa de avisar a polícia rodoviária. Que estava a mais de 50 kilômetros do local. Nenhuma câmera, nenhum policial. Um incauto que não o visse à noite poderia ter encontrado a morte. Assim como ele. De novo: estamos à mercê da sorte.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Faça o que digo...

Acusado por todos os lados, Renan Calheiros se declarou inocente. E isto bastou para que não se afastasse da presidência do senado. Afinal, nada restou provado. Eram apenas afirmações de outrem.

Agora, foi acusado de, através de seu assessor, espionar (ou tentar) senadores da oposição (a si). Conseqüência: afastou o assessor.

De duas, uma: ou o assessor é culpado, e o afastamento se deu porque a acusação tem sentido, é verídica; ou o senador faz uso de dois pesos e duas medidas.

Pois bem. Quando a acusação era contra si, bastou a contra-afirmação de que era inocente. No caso do assessor, que não deve ter a mesma credibilidade (ao que parece), ele o afasta, mesmo sem provas. Foi para o sacrifício. Será outro aloprado? Outro daqueles que, sob a alegação de "fi-lo ao meu alvedrio", assumem culpas que não lhes pertencem (unicamente)?

Ressuscitado, o senador do PT, como é mesmo o nome dele... ah, o senador Mercadante, O Abstêmio, declarou que consegue dez assinaturas do PT pela cassação do presidente do Senado. O que mudou? O muro caiu? Há alguma prova que não havia no caso da empreiteira? O senador foi ameaçado? Magoou-se com alguma coisa? Agora volta-se contra aquele contra quem não se tinha a menor prova?

As novelas da Globo andam a perder (o gerúndio faz falta..) público. Não é para menos. A TV Senado pode, em cores reais, mostrar muitos dos componentes das tramas montadas. Há romance (acho que sim, foi um romance, acreditemos); há vilões (muitos, pelo menos quarenta), há intrigas (agressões em boates, espionagem, bate-boca). Há os herói... (maldade, da brava, mas foi irresistível. Além da língua plesa, ops, presa, o herói adora um "s", come todos os que encontra numa frase)...

Diria o poeta morto: Brasil, mostra sua cara...

domingo, 7 de outubro de 2007

Comemorações

Uma amiga me liga e pergunta onde estou. (Esta era do celular, não perguntamos mais "quem fala?", mas "onde você está?").

Estava num restaurante, jantando. Aí, ela veio se juntar a mim. Na conversa, mencionei que estava comemorando uma meta atingida, o que a revoltou.

Primeiro: era uma lanchonete que servia refeições, nem podia ser chamado de restaurante. Segundo, eu estava comendo salada, nem era um prato especial. Terceiro, quem é que comemora tomando água mineral? E, mais importante, se eu estava comemorando, por que estava sozinho?

Deu trabalho, não sei se consegui explicar. Mas a meta foi atingida, e eu gosto de registrar esses momentos. Não, não precisa ser uma comemoração em alto estilo. Principalmente porque a "comemoração" tinha sido planejada assim. Desta forma, não interessava muito ser uma "lanchonete", nem ser uma singela salada o meu prato. E a água mineral não simplesmente uma água mineral, mas era uma água mineral com gás. E o fato de estar sozinho, ah, este foi difícil explicar...

Mas há uma lógica (acho) por trás disto tudo. Sou solteiro, moro sozinho. Traço minhas metas, planejo minhas lutas, lambo minhas feridas, tudo isto só. Quando decido entrar no olho da tempestade, o faço com minhas convicções, estanques, sem considerar outras quaisquer. Muitas vezes alguns amigos fazem parte de algumas discussões. E, na maioria das vezes, eu me pego defendendo a batalha, contra a idéia de figa deles. A questão aqui é que, nas nossas batalhas, devem entrar nossas convicções e nossa história. Nossas metas e nossas ambições. O preço a pagar sempre é combinado com o valor intrínseco da vitória pretendida. E cada qual decide de acordo com essa correlação. Se tem muito a perder, precisa valer muito a pena. Se tem pouco a perder, pode ser que tudo valha a pena.

Mas a nossa vida cotidiana também tem seu peso. O sacrifício de uma atividade diária, a disposição para fins de semana, a necessidade de estar presente em outras circunstâncias, tudo isto influi na hora de decidir pelo que vamos brigar.

Na minha vida, essa decisão é sempre muito simples. Mas a batalha é sempre minha, e não gosto de arrastar para ela pessoas que não escolheram-na para si. Daí o motivo de eu também comemorar sozinho.

E tem outras questão. Da última vez em que comemorei acompanhado, a circunstância mudou. O momento de comer minha saladinha com água é o momento de reviver cada momento, cada dificuldade, cada degrau transposto. Avaliar os erros, questionar os acertos. Enfim, é um momento íntimo, de introspecção.


Disse tudo a ela, e ela concluiu que estava atrapalhando minha comemoração. Saímos dali, fomos a um restaurante de verdade, e saboreamos um belo jantar com um delicioso vinho. Satisfiz a necessidade que ela tinha para engrandecer o momento. Porque era uma amiga querida.

De meu lado, na noite seguinte voltei ao meu restaurante (lanchonete), pedi de novo minha salada com água e comemorei. Sozinho.

sábado, 6 de outubro de 2007

A China

A proximidade do GP da China de Fórmula 1 me fez lembrar o quanto tenho encontrado grupos de chineses pelo Brasil afora.

Sempre em grandes grupos, são alegres e barulhentos. Conversam como se estivessem brigando, em altos brados, mas de repente tudo se transforma em risadas. São um povo alegre, lembrando italianos e os próprios brasileiros.

Lembro-me do livro Henfil na China, editado em meados dos anos 70, em plena ditadura nossa e deles. E hoje, vendo as fotos e lendo o comentário do blog do Fábio Seixas sobre a suntuosidade do autódromo, só consigo pensar em como as coisas mudam!

Os chineses são um dos povos mais antigos do mundo. Eram um império planetário antes de Cristo, e devem voltar a sê-lo nas próximas décadas.

Ainda estão experimentando o "efeito melado" pela queda do comunismo, se lambuzando de liberdade e capitalismo. Mas o caminho é sem volta, vão chegar lá e solapar muita potência pelo caminho.

Ainda hoje leio uma notícia de criança(s) que morreu(ram) envenada(s) pela ingestão de doces fabricados na China. Sim, assim, como brinquedos com excesso de chumbo, materiais de baixa qualidade, etc, etc, etc.

Mas precisamos lembrar que eles estão saindo de uma inércia total para um movimento catapultado pelas condições locais: extrema miséria, capacidade quase nula de gerar receita, de repente, são os grandes exportadores mundiais. Em ambientes onde se compra tênis sabidamente falsificados e CD sabidamente pirateados, tudo pelo menor valor, essa ímpeto chinês tende somente a crescer.

Num primeiro momento. O momento seguinte é o da busca pela qualidade, o da normalização da produção em relação às normas internacionais. Se lembrarmos do Japão antes da Guerra, com sua invasão de rádios a pilha, mas de baixíssima qualidade, e compararmos com o Japão pós-guerra e pós-Deming, poderemos ter uma visão do que deve ser a China pós-melado.

Vai ser interessante ver a guerra dos americanos, com sua força natural, enfrentar a força cultural da China, e ambos tendo como sombra a disciplina japonesa. A China não é um tigre, mas um dragão. Seu povo está mais que vivo, está pulsando. E quer se globalizar. Tomara que estejamos prontos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mandatos e partidos políticos

O STF decidiu não decidir. Mudou uma regra que era fruto do seu entendimento, não da letra pura da lei. E disse que somente depois de uma certa data valia. Os mandatos são dos partidos, e quem trocou de partido perde o mandato. Só a partir de março deste ano.

O brasileiro vota na pessoa, não no partido. Algumas vezes não vota na pessoa por causa do partido, mas o contrário é muito mais raro. Dizer que o mandato pertence ao partido, então, é uma quimera.

Com a regra atual, os partidos querem puxadores de votos. Aqueles que, com sua votação pessoal, podem garantir outra cadeiras para deputados menos votados. Exemplo: Enéas com sua bancada. Por que, então, o entendimento?

É necessário. É o jogo político, é uma premissa da democracia. Está correta a decisão, por vias tortas. Essa decisão deveria vir por ação do legislativo, não por decisão do judiciário.

Mas nada muda. Uma primeira lei de anistia evitará a punição, e uma segunda ação, legislando em direção contrária, é certa.

Pena. O Brasil é dos políticos, que nos permitem sustentá-los.

Encuanto iço, em Brazilha...

Clichê:

O Congresso Nacional contratou o Seu Creisson. Felissidades a ele...


Seguro-Desemprego
Já no Governo do Distrito Federal, o esforço é para aumentar o desemprego. Foi demitido, por decreto, devidamente publicado no Diário Oficial, o Gerúndio. Isso mesmo, o Gerúndio, com maiúscula.
O governador José Arruda cansou de estar ouvindo os argumentos de seus comandados e esteve contatando que há um emprego indevido do Gerúndio. No país da piada pronta, acabou com o emprego indevido: demitiu-o.

As conseqüências serão inevitáveis. Os sindicatos estarão entrando com uma ação na justiça trabalhista para o governo estar pagando os direitos trabalhistas. O Gerúndio vai estar dando uma entrevista para Luciana Gimenez, para estar falando dos problemas que vai estar enfrentando. O jornal Nacional vai estar fazendo uma matéria especial com os desempregados por questões políticas.

A G Magazine vai estar convidando o Gerúndio para estar mostrando seus atributos em suas páginas.

E nada vai estar mudando, porque misturou-se comédia com autoritarismo. O governador fez um trocadilho (oficial, via Diário Oficial) com o emprego indevido, e mostrou que algumas coisas pretende-se que acabem por decreto.

A " invasão" dessa forma de comunicação acontece por um vácuo cultural. Ele ocupou um espaço na comunicação que a educação continuada deveria preencher. Em não sendo assim, o gerundismo vai estar imperando. Essa moda começou ainda antes da metade dos anos 90, e agora grassa feito erva daninha, segundo puristas. Mas, deselegante ou não, é uma forma de comunicação validada pelo povo, a utilização comprova.

Pena que as medidas "contra-culturais" sejam deboche e autoritarismo.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

De quimeras mil...

Lula está querendo aumentar a máquina administrativa, contratando mais funcionários e, disse ele, com salários maiores. Afirmou que é essencial para que o Brasil cresça, e sem isto não haverá choque de gestão.

Triste Brasil. Nosso presidente se preocupa com quantidade, quando deveria olhar a qualidade. Enquanto nunca antes neste país se fez (e disse) tanta bobagem, o Brasil poderia ter dado passos largos ao futuro que não chega.

Fernando Henrique Cardoso teve oito anos para colocar o Brasil no caminho. Colocou, mas a velocidade era terrível. O preço era alto, pagamos pela promiscuidade com o mercado. (Quem se lembra quem derrubou o limite de 12% de juros que estava na constituição de 1988?).



Lula assumiu criticando ferozmente o estilo de Fernando Henrique. Um estilo que ele, Lula, logo assumiu. Não deu velocidade às mudanças, não deu velocidade ao crescimento. Chegou com um discurso de fome zero, e está patinando no melhor programa de seu governo: o ação zero.

Diz que o Brasil está bem, chega ao cúmulo de agredir nossa inteligência o dizer que a saúde vai bem. É só 0har para qualquer estado e ver seus hospitais públicos para se constatar que a quimera grassa. Nem precisa ir aos estados mais necessitados.

Claro, Lula está se baseando no seu atendimento médico. O hospital que ele freqüenta quando precisa é um dos melhores do país. Se ele está bem servido, para que se mexer?

Buracos nas estradas, crise nos aeroportos, crise na infra-estrutura... Será que Lula vive em outros país, onde não existem esses problemas?

Segundo o José Simão, da Folha de São Paulo, deve ser porque ele viaja muito. Quase não pára no Brasil. Aí, não há como conhecer nossos problemas. Certo?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Que é isto, companheiro?

Uma das noções que temos de corrupção é aquela clássica, bem demonstrada no Brasil, em que o corrupto aceita dinheiro em troca de algum favor, ou uma ação. É a corrupção em moeda sonante.

Fôssemos mais evoluídos, teríamos uma noção mais aprimorada do que é corrupção. Esqueçamos o dinheiro. Pois ele é uma vantagem financeira. Foquemos em vantagem.

O governo quer a aprovação da CPMF. Aí, orienta seus acólitos a absolver (amaciar) para o lado do presidente do Senado. Houve vantagem?

Outros não estavam sob avaliação. Ao menos, não como Renan Calheiros. Para uns, o governo liberou verbas, como amplamente noticiado pela mídia. É vantagem?

Alguns, que não queriam sapato de cromo, mas apenas um chinelinho, ao perceberem que não o receberiam, se rebelaram. Votaram contra a SEALOPRA (a famosa secretaria de ações a longo prazo). No curto prazo, acabaram com a festa daquele que chamou o governo Lula de "o mais corrupto de todos os tempos". Ainda que tenha faltado planejamento a longo prazo, o recado foi: que vantagem levou a turminha que votou contra?

Pois bem, isto é a política. Uma troca de vantagens, assim percebidas as ações que interessam a uns e outros grupos. Não se trata de analisar o que é melhor para o Brasil. Mas o que é melhor para os brasileiros. Os envolvidos nas negociações, pelo menos.

A política é essencialmente corrupta. Ao menos a praticada no Brasil. E estamos todos muito confortáveis com isto, o que é triste.

Nossos representantes somente deixarão de considerar vantagens pessoais como moeda de troca se nós mesmos, eleitores, deixarmos de escolher nossos representantes segundo essa ótica individualista. mas é uma utopia claro. Sempre vai existir o representante dos ruralistas, dos industriais, dos bancários, dos católicos, dos trabalhadores...

Peraí. Dos trabalhadores não. Pois este é um ser que existe somente em discurso de político. É como uma abstração, uma entidade amorfa, que não precisa e nunca precisará de representantes. Pelo menos é o que parece. Pois que nem aqueles que foram eleitos em seu nome hoje honram a preocupação prometida.

Como é que não nos indignamos com essa promiscuidade de vantagens pessoais entre nossos políticos?

Ah, é verdade. Não temos vantagem nenhuma nisto...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Devargarzinho...

O Saguão de Congonhas já está quase como antes. Uma balbúrdia só.

O check-in está complicado. Pela TAM, podem ser três filas diferentes. O e-ticket, mais a fila de "não localizados" (às vezes), mais a fila de despacho de bagagem (se for o caso).

Aí, na entrada da sala de embarque, maus uma fila para checarem (novamente) os documentos de identidade. A seguir, a fila do raio-X, cuja máquina apita com a capa de um celular mas não com um molho de chaves... E ainda temos de tirar o notebook da pasta!

Fila para entrar no avião é inevitável, vá lá. Mas ficar 45 minutos dentro da aeronave esperando para decolar é demais. E para uma viagem de 45 minutos!

A volta, ah, a volta. Avião atrasa para chegar, atrasa para sair. Depois de 45 minutos de vôo, fica circulando sobre o mar por mais 25 minutos, aguardando a vez de pousar. E é impressionante a fila para decolagem que se vê em Congonhas!

Não mudou nada! Só que voltou ao estado (a)normal aos poucos. Já entupiu o saguão, já se formam filas no chão e nos céus. Mas já não se reclama mais, e os holofotes estão apagados.

Uma pergunta (de novo, confesso): os problemas dos controladores cessaram? Foram resolvidos, ou nunca existiram? Congonhas estava super-utilizado? Agora não está mais?
Até que um outro assassinato em massa aconteça, o Ministro da defesa segue falando que a ANAC "está paralisada, o que é bom". Os jornais deixaram de falar no assunto, e as empresas aéreas agradecem. Afinal, lucro comove, perigo não.

Sim, estou irritado. Entre as Maxxi Goiabinhas da vida, estamos na insegurança do mais pesado que o ar. Saio de casa e não se volto. A situação está como antes, e estamos todos quietos. Esperando.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Imagem não é nada, palavra é tudo...

Uma vez combinei com minha filha que, caso ela quisesse, eu iria buscá-la na casa da avó, distante 160 km de Campinas. Bastava ligar.

Uma manhã, ela ligou. Queria vir embora. E lá fui eu. Cheguei, almocei por lá, e viemos embora. Quando chegamos em Campinas, eu a deixei na casa da avó e lhe disse:

- Agora papai vai para o hospital. Fique um pouco com a vovó (a daqui) que eu já volto.

E fui para o hospital. Porque estava com uma crise renal daquelas bem caprichadas (que depois a avó, a de lá, disse nem ter percebido). Antes de ir buscá-la, ainda me mediquei (conforme receita) para amenizar a dor.

Por que tanta estupidez? É que acho que algumas coisas se baseiam na confiança. E a palavra dada é nosso maior outdoor, nossa maior propaganda. Falei a ela que bastava ligar, precisava cumprir.

Claro que não foi minha primeira crise renal. Portanto, eu já sabia o que me esperava. Analisando os fatos, resolvi ir. E assim fiz.

Quando os Mamonas Assassinas morreram, minha filha ainda era pequenininha. E, ao saber da notícia, ela se recusava a acreditar.

- Meu papai falou que ia me levar ao show. Como ele ainda não levou, eles não podem ter morrido...

Enfim, este meu relacionamento com minha filha é o retrato do que acredito serem os relacionamentos. baseados na verdade, na palavra dada. Se assim não for, não há relacionamento. Há somente uma relação de manipulação. E, se sabemos da manipulação do outro, tornamos a relação ainda mais problemática. É a manipulação do manipulador...

Tenho alguns problemas com isto. Porque nem sempre as pessoas esperam a verdade. A verdade às vezes é tão cruel que algumas pessoas preferem se esconder dela. Nestes casos, há problemas.

Por outro lado, também me traz vantagens. Em vários dos meus relacionamentos, principalmente nos profissionais, as pessoas sabem que podem sempre contar com a foto real, não retocada. Isto gera credibilidade, que gera confiança. É uma vantagem, portanto.

Há, então, dois lados nessa moeda. Uma boa e outra ruim. Algumas vezes é difícil dizer qual a boa e qual a ruim. Mas o fato é que precisamos decidir, e essa decisão decorre de quem somos, daquilo em que acreditamos. Prefiro manter minha palavra a fazer dinheiro. Nem todos ao meu redor concordam com isto. Pena.

sábado, 22 de setembro de 2007

Atitudes e comportamentos

Tenho alguns amigos e amigas no orkut que participam de comunidades do tipo "minha atitude depende da sua". Com todo respeito que tenho pelas atitudes alheias, me sinto provocado a falar sobre o assunto.

No caso, parece que a atitude da pessoa com quem interagimos provoca a nossa. na prática, é exatamente o que acontece. Se a pessoa é indelicada, temos todo o direito de ser também. Certo? Se é ranzinza, sejamos também. Se é grossa, rude... seremos também.

Por outro lado, se for atenciosa, educada, gentil, aí, somente aí, teremos esse tipo de comportamento. É exatamente aí que entra minha discordância.

Desde pequeno, fui educado para ser atencioso, gentil, polido. E era punido quando não o era. Isto quando era pequeno e não tinha total arbítrio sobre meu comportamento. Depois de grande, crescido, pude escolher qual minha forma de comportamento. E, então, escolhi (pelo menos enquanto estou no controle) que eu quero ser educado, gentil, polido. E decidi também que será assim sempre. Independente da circunstância.

Há uma diferença básica. Eu escolhi. Eu defino como vai ser meu comportamento. Estou me lixando para um idiota que acordou de mau humor. O meu humor é bom, porque eu decidi que é assim.

Escolhi ser bem humorado, escolhi ver o lado bom da vida. Escolhi que meu comportamento é definido por minhas crenças, minhas verdades. Não por pessoas que (às vezes) mal conheço, e que talvez estejam tendo um dia ruim. Escolhi que meu destino, meu comportamento, minha atitude, dependem de minhas decisões, meu valores, minhas escolhas.

Acho que a maioria das pessoas que pensam assim nunca pararam para analisar o poder que dão a algumas pessoas e/ou comportamentos. Reagir é nossa opção, e independe de quem ou o que acontece. Ou deveria ser.

Eu mesmo só fui me dar conta desta verdade após ler o livro "Os sete hábitos de pessoas muito eficientes", de Stephen Covey. Felizmente, consegui aprender o conceito e aplicá-lo.

Hoje, não mais deixo que pessoas ou circunstâncias decidam meu comportamento. Antes, sou eu que decido.

Ponto.

Companhias agradáveis

Saí cedo, para uma viagem de carro. Resolvi me isolar dos problemas do país, e dos meus próprios. Coloquei um CD, com os melhores rocks de todos os tempos, e depois com os rock baladas. Esta sim, foi uma viagem

Minhas companhias de viagem: Pink Floyd, Led Zepellin, Rolling Stones, Beatles. Eagles, no Hotel California. Enfim, um mosaico de canções que me levavam ora a um momento de minha vida, ora a outro, em saltos não programados, mas eletrizantes.

Interessante como a música desperta outras sensações. Cheiros, gostos, sentimentos, lembranças que contextualizam. Músicas como Starway to Heaven, não à toa chamado de o Hino do Rock, com uma letra que hoje nem sei se gostaria, mas com uma carga de memórias que realmente a tornam eterna.

Quem se lembra de Suzi Quatro, B.J. Thomas, SDimon & Garfunkel na melhor forma? Mais: quem se lembra da época em que fizeram sucesso suas músicas? Lembra da vozinha pueril de Nika Costa? Lembra da voz portentosa de Freddy Mercury?

Pois bem, não foi uma viagem (física) curta. Foram várias e várias horas. Esqueci-me da vergonha do senado, do presidente com a diarréia verbal, dos mensaleiros. Voltei ao passado (que digo que nem está tão distante, mas ninguém concorda). E era uma época em que, claro as coisas eram diferentes. Eu era diferente. E via as coisas de forma diferente.

Fernando Sabino escreveu que tinha medo de encontrar nas esquinas de Londres o jovem assustando que fora vinta anos atrás. Já eu gostaria de encontrá-lo, ou melhor, a mim, para conversarmos da nossa vida. Que, afinal de contas, estava escrita naquelas músicas.

Foi um dia cansativo em termos de trabalho. Mas relaxante, muito relaxante, pela viagem à minha própria história (às vezes estória).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

É...

Às vezes é difícil virar as costas para o que acontece neste Brasil.

Tentei evitar nos últimos dias escrever sobre a indigência deste nosso governo. Mas é impossível calar a tudo.

Mercadante, outrora ideólogo praticante, agora é um pragmático. Declarou que absteve-se na votação da cassação do senador Calheiros. Agora o quer afastado da presidência. Tucano num dia, petista noutro, Mercadante deslustra sua própria história.

Lula diz que ninguém tem mais autoridade moral que o PT. E se ele estiver certo? Em que nível está a autoridade moral dos demais? E agora quer o Marco Aurélio Top-Top Garcia na presidência do PT... É...

E nenhum partido governaria sem a CPMF. Fiquei sem entender. Antes dava? O que mudou? A saúde melhorou de tal forma que sem o tributo ela vai voltar ao que era? Ou será que o nosso presidente se referia ao dinheiro que, junto com a CPMF, vai para o "povo" escolhido. Escolhido para os mensalões, para as cuecas, para festas em casas de Brasília... Quanto mais se arrecada, mais se corrompe...

No Rio, dez por cento de um batalhão foram presos por causa de envolvimento com a bandidagem. É um número impressionante. Por dois motivos. Um deles é que é alto. E o outro é que não sabemos se a altura está correta. Ou seja, são só esses? Ou esses são os que foram pegos? Os policiais honestos desse batalhão (com certeza há) devem estar apreensivos. Serão, para sempre, confundidos com a "banda podre".

Por outro lado: se o bandido sabe quem o policial é, onde mora, onde estudam seus filhos, e quanto ganham, não é mesmo fácil assustá-los ou aliciá-los? Num governo onde "todo mundo faz", que apóia suspeitos de tudo, que se entregou à mesmice política ademariana (de Barros), o policial, coitado, é um que arrisca a vida sem sentido. Porque sua morte (ou os riscos que ele corre) não valem a pena. Cacciola que o diga. Todos os presos pela PF nas mega-operações dos últimos anos que o digam. Os mensaleiros e os aloprados que oo digam.

Ao fazer história, fizemos um capítulo vermelho. Seria bom se fosse somente a cor do PT. Mas é, ao mesmo tempo, a cor da vergonha. Uma vergonha!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Tem de participar

A caminho de um compromisso, uma mensagem no celular. Minha filha, dizendo que estava passando mal, se eu poderia ir buscá-la.

Claro, o mundo pára, o sol congela, o oceano evapora. Fui buscá-la. Passou mal no carro, vim para casa. Deitou-se, passou mal na cama.

Hospital.

Sem outros sintomas, a não ser uma dor de cabeça. Passamos por um exame, uma aplicação de soro. Surpreendentemente, o soro não a assustou.

De volta para casa, medicada, dormiu. Aquele sono reparador, ajudando o remédio a fazer efeito.

Acordou com fome. Concedi, e ela comeu uma panqueca. Mas como jantar fiz uma canja de galinha. Que, cá entre nós, estava deliciosa (convencimento!!!).

Acho que passou. Acho que ela melhorou.

Não gostaria que ela se sentisse dessa forma. Vou pôr uma placa: proibido vírus, bactérias e outros males. Algo me diz que não terá efeito...

De minha memória, pesco um dia em que, pequeno, bem pequeno, passei mal assim. Minha mãe se desvelou em cuidados, numa noite longa e intensa. Pois bem, a presença dela ali foi confortante, e a própria lembrança também o é.

Espero que seja este o resultado de um dia como hoje. Uma memória boa, de uma situação ruim...

domingo, 16 de setembro de 2007

Na tv, nem tudo é...

A dica é do site Kibeloco. Cujo autor, Antonio Tabet, é muito atento.

A propaganda é de uma faculdade de direito. Mas serve direitinho para o momento (todos) do Brasil.

sábado, 15 de setembro de 2007

Sobre o presidente do Senado

Quando soube do resultado do julgamento do presidente do senado, tentei, mas não consegui evitar o sentimento de eu já sabia... Naquela noite, evitei os telejornais. Nos dias seguintes, evitei as manchetes dos jornais, lia outras coisas. Ouvia música, e nem a CBN nem a BandNews me acompanham como sempre.

Infantilidade, talvez. Mas eu não queria acreditar.

Dei-me conta de que estava naquelas fases que sucedem a um diagnóstico de câncer, por exemplo.
Pela ordem:
  • negação;
  • raiva;
  • barganha;
  • depressão;
  • aceitação.
Uma diferença, apenas. Não tenho com quem ou o que barganhar. Aliás, tem mais diferenças. A raiva veio junto à negação. A depressão, com esta vou lutar. Mas a aceitação, esta não vai chegar. Não vou permitir.

Mas a dificuldade em entender é imensa. Olhando por uma ótica legalista, não podemos contestar o resultado. As regras do jogo foram seguidas, e os nossos representantes na Câmara Alta absolveram um cidadão de uma acusação. Para isto não cometeram nenhum ato que desmereça o processo.

Do ponto de vista moral, que cena lamentável. A que interesses se submeteram os senadores? tenho certeza de que não aos da consciência. Senão, aos próprios. Um ato perpetrado na escuridão do anonimato do voto, como se praticam atos impublicáveis. Um ato que não representa o que pensa a maioria do povo brasileiro...

Que grande besteira, a última afirmação acima. Como podemos saber o que pensa o povo? Se os políticos acusados de falcatruas são eleitos e reeleitos, só quer dizer que o povo está pouco se importando com isto. Assim, nossa Câmara Alta representa com fidedignidade seus eleitores.

A propósito disto, para que é mesmo que serve o senado? Com seus mandatos de oito anos, com seus suplentes quase secretos, com sua composição numérica já anacrônica em termos de representatividade, o senado nada acrescenta à república senão um aumento de revolta com decisões esdrúxulas como esta.

Para não falar da "gestante" e da "criança", que é como o senador se refere à Monica Veloso e à sua filha, vamos falar da ocupação da presidência do senado para apartear discursos contra si e defender seus interesses. Vamos falar daquela pessoa com alto cargo comissionado que foi auditar as transcrições das declaração do senador ao conselho de ética. vamos falar dos documentos questionados e questionáveis apresentados como prova de capacidade de pagamento.

O senado deu um tiro no pé. Pena que o ferimento rapidamente se fechará, e logo estará prontinho para outra.

Que país, este!

Decisões, decisões

Ultimamente, já que o divórcio tem sido melhor aceito pela sociedade, muitos casais optam por ele em nome de qualidade de vida. Fazendo uma análise em perspectiva, conclui-se que o processo de separação, por mais desgastante que seja, é sempre melhor e mais breve que uma vida de brigas e de decepções.

A decisão nunca é fácil, mas é sempre baseada em momentos de tensão. Aqueles momentos em que as palavras escapam, a comunicação não-verbal recrimina, os ânimos desanimam.

Se falo do casamento em específico, poderia falar de qualquer tipo de relacionamento, Amizades, relações comerciais, sociedades.

Essas decisões, embora sejam mais comuns, ainda não expressam a realidade da necessidade. Quero dizer que muita gente se submete a uma relação desgastada por medo de enfrentar uma separação, seja em que tipo de relação estejamos. Poucos têm a coragem de enfrentar o problema.

Sobre enfrentar o problema, é bom que fique claro que a "separação" não é a única solução. A disposição de mudar, de fazer a coisa certa, de ajustar processos de comunicação e comportamento é fundamental, e deve preceder ao ato de rompimento. Mas essa comunicação às vezes está tão contaminada que é impossível tomar esse caminho.

A contaminação decorre do grau de desgaste. Do grau de comprometimento com a mudança O grau de confiança ainda existente entre as partes.

"Mudar para não mudar" é uma verdade nesses casos. Algumas mudanças são feitas para dizer que houve uma mudança, que é tão pequena, na prática, que a torna nula perante a realidade.

Enfim, quando é preciso, separemos-nos. Uma pequena dor agora pode evitar feridas enormes no futuro.

Tenho dito.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

My way

Em certas ocasiões, nossos valores falam alto. São os momentos que nos definem. Quando aquelas atitudes nos incomodam, quando as notas soam desafinadas, quando os valores não batem...

Contra o comodismo, a reação. E defendo uma reação sensata, razoável, desapaixonada, totalmente não contaminada por emoções.

São os momentos em que resolvemos tomar um caminho, que nem sempre é o mais rápido, nem o mais curto, nem o mais fácil. Às vezes é justamente o contrário, é o mais doloroso, o mais comprido, o mais sofrido Mas é o que nos fala à alma, o que redime, o que nos faz ter orgulho de nossa vida.

Abrir mão de várias facilidades, mas defender nossos valores.

Diga por mim, Sinatra, por favor:

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Excipiente q.s.p

Excipiente: substância inerte incorporada como veículo a certos medicamentos (Houaiss).
Q.S.P.: em Quantidade Suficiente Para... 1g (um grama), por exemplo.

Há pessoas e há pessoas. Como diria o sábio, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Mas as diferenças entre atitudes são tão contrastantes que às vezes chocam.

Algumas pessoas, à frente de um obstáculo, enxergam uma oportunidade. Uma chance de, vencendo-o, aprender como vencê-lo.

À frente do mesmo obstáculo, outras pessoas preferem vê-lo como isto mesmo: um obstáculo. Sua ação: reclamar, reclamar, reclamar. Não há que dizer desistir, pois só desiste quem tenta. E os obstáculos viram muros de lamentações.

Costumo dizer que pessoas são iguais, exceção feita a uns poucos. Estes são os líderes, o princípio ativo da humanidade. As demais são a boiada, a massa de manobra, infelizmente. São o excipiente q.s.p., que em farmacologia é aquele material inerte que é adicionado para totalizar um determinado peso, por exemplo. Significa "em quantidade suficiente para..." 1g, por exemplo.

A humanidade tem alguns que são princípio ativo. Fazem a diferença. E outros que somente estão passando, perpetuando-se pelos filhos, não pelas realizações.

Claro que não foi a humanidade que me motivou a escrever este texto estúpido. Foram exemplos dados por pessoas que enxergam somente o copo meio vazio (outro clichê meu). À frente de uma grande oportunidade de crescer, profissionalmente e financeiramente, entregam-se à comodidade, escondem-se na sua zona de conforto. A que preço!

Quando me deparo com uma dessas pessoas, costumo perguntar: - qual é o problema? E, em referência à questão apresentada, replico: - e o que precisamos fazer para resolver?

Esta abordagem tem efeito profundo em algumas pessoas. Que, pelo exemplo, conseguem se reposicionar perante várias das exigências da vida. Mas, para outras, não passa de um discurso irritante, sem objetivo.

Enfim, lamento por uma característica que é humana. O que é um contra-senso. Mas é um sentimento que nos invade quando vemos que, para ajudar algumas pessoas, precisamos esperar que ela se ajude. O que nem sempre acontece.

Sim, sou um idealista. Espero que a vida não tire isto de mim.

Update em 23/09/2009: destaquei em vermelho o significado por causa da grande quantidade de acessos gerados para saber o que é "excipiente qsp".